A queda de um grande asteróide provocaria uma catástofre na Terra. Mas o astrônomo Detlef Koschny diz que o risco é pequeno e que os corpos celestes que se aproximam do planeta são identificados com muita antecedência.
O choque de um asteróide contra a Terra parece mais um cenário de horror num filme de ficção científica do que uma situação real. Mas a ameaça existe, de acordo com especialistas. Por isso, eles querem criar um programa internacional de defesa espacial para proteger o planeta.
O assunto foi abordado durante um encontro, em dezembro passado, no Centro Europeu de Operações Espacial, em Darmstadt, na Alemanha. Como resultado do encontro, os especialistas recomendaram às Nações Unidas a formação de um grupo de trabalho internacional, com o objetivo de planejar missões de defesa espacial.
Apesar de raras, grandes catástrofes naturais causadas por asteróides já foram registradas na história do planeta. Por exemplo, a queda de um grande asteróide há 65 milhões de anos no México. O choque do corpo celeste com a Terra mudou radicalmente o clima do planeta e resultou no desaparecimento dos dinossauros. Outro caso mais recente, com impactos comparativamente bem menores, foi registrado em 1908, na Sibéria.
A cada 200 ou 300 anos há o risco de um asteróide perigoso cair sobre a Terra. O próximo a se aproximar do planeta é o Apophis, de 270 metros de diâmetro, que no dia 13 de abril de 2029 estará a uma distância de 30 mil quilômetros da Terra.
No entanto, o risco de um choque é pequeno, como explica o astrônomo Detlef Koschny, coordenador do departamento que monitora asteróides na Agência Espacial Europeia (ESA). Em entrevista à Deutsche Welle, o pesquisador explica que a população mundial não precisa ficar com medo, pois a aproximação de asteróides da Terra sempre é detectada com muitos anos de antecedência.
Deutsche Welle: O asteróide Apophis deverá passar perto da Terra em 2029 e em 2036. Isso lhe preocupa?
Detlef Koschny: Não, nós não estamos preocupados, porque a probabilidade de uma choque é pequena. Mas tratamos o tema com suificiente seriedade para dar início um projeto no qual nos ocuparemos com a observação e uma eventual defesa contra asteróides.
Que tipo de consequências poderíamos sofrer caso um asteróide se chocasse com a Terra nos dias de hoje?
Um bom exemplo é o que aconteceu na Sibéria em 1908. Um asteróide com cerca de 40 metros de diâmetro, o equivalente a um décimo do Apophis, explodiu a uma altura de 15 quilômetros acima da Terra. Felizmente, a explosão aconteceu na Sibéria, em Tunguska, uma região onde praticamente não há moradores. O asteróide destruiu uma área florestal equivalente a uma cidade como Berlim ou Londres. Se um corpo celeste semelhante caísse sobre uma cidade grande, ela seria destruída.
A probabilidade de um asteróide chocar-se contra a Terra depende do tamanho dele. Um impacto provocado por um corpo celeste de uma grandeza de quilômetros, semelhante ao que dizimou os dinossauros, acontece a cada 65 milhões de anos, do ponto de vista estatístico. Ou seja, é realmente raro.
Na Agência Espacial Europeia os asteróides são observados e catalogados. Isso quer dizer que o monitoramento do espaço com telescópios é feito dia e noite pelos astrônomos?
Sim, a princípio é exatamente isso. Nós estamos desenvolvendo uma rede de observação composta por muitos telescópios, que rastreiam todo o céu durante a noite. Isso acontece de maneira automática e se os computadores identificarem algo, os astrônomos precisam fazer uma análise mais detalhada.
Qual o procedimento no caso de descoberta de um asteróide perigoso para a Terra? Existe um alarme imediato para toda a comunidade internacional?
Há um filme no qual Bruce Willis pega o telefone e avisa imediatamente o presidente americano. Naturalmente isso não é verdade, pois seria um problema internacional. Caso houvesse a colisão de um asteróide, o planeta todo seria atingido. Não é possível saber de antemão onde o asteróide cairia. Uma possibilidade seria coordenar a implantação de medidas de segurança por meio do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Como exatamente nós poderíamos nos proteger da queda de um asteróide?
Se um asteróide perigoso for descoberto, isso não significa que ele vai se chocar contra a Terra amanhã, isso poderá durar ainda de 10 a 15 anos. É tempo suficiente para planejar uma missão espacial que voe até o asteróide e o desvie. Seria necessário colidir uma grande massa contra o asteróide, para que ele saísse minimamente da sua rota. Os dez anos que faltariam [para a colisão] seriam suficientes para que ele se desviasse da Terra.
Então quer dizer que podemos olhar para o céu durante a noite de maneira mais tranquila?
Claro. Ninguém precisa ter medo de que uma pedra caia do céu sobre a sua cabeça. É mais importante prestar atenção nos carros quando se atravessa a rua.
Autor: Jan Bruck (df)
Revisão: Alexandre Schossler
segunda-feira, janeiro 10, 2011
Sonzera! apresenta Judas no Balaio Café, 15/01.
..Criada em 2009 na Capital Federal, a banda Judas reflete em sua sonoridade a principal característica da cidade em que nasceu: a diversidade. ....
..Judas conta com um grupo de 6 músicos experientes e atuantes no cenário musical brasiliense, de diferentes influências e procedências, apresentando uma textura musical rica e variada.....
..O violão junto com a viola caipira, a rabeca, pífano e a percussão trazem a sonoridade das tradições musicais populares brasileiras. O contraste desses instrumentos com o baixo elétrico, a guitarra elétrica, a bateria e a escaleta mais o uso de efeitos no violão e na viola fazem o link com o rock e a música pop. ....
..O nome de batismo explora a dicotomia entre o Judas Bíblico e o recém-descoberto Judas redimido do Evangelho apócrifo, pretendendo representar, na figura de um proscrito (não se sabe por que nem de onde, se justa ou injustamente), um andarilho arquetípico - construído de maneira não-maniqueísta - todos aqueles marginalizados que buscam uma espécie de redenção. ......Apesar de apenas 4 meses de vida o Judas foi selecionado em Março de 2010 em duas etapas do Festival Caça Bandas estreando no UK Pub em Brasília por este festival. Por conta disso participou de dois programas de rádio na rádio Cultura FM 100,9.....
Brasileiro se interessa mais por ciência, mas desconhece instituições de pesquisa - SABINE RIGHETTI
Não é só por bola de futebol que o brasileiro se interessa, mas também por pipetas e microscópios. Pelo menos é isso o que sinaliza uma pesquisa do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia).
De acordo com os dados, o brasileiro está mais interessado em ciência e tecnologia do que estava em 2006 e o interesse declarado (ou seja, o que a pessoa afirma ter) já supera até o tema "esportes".
No entanto, apenas 12% dos entrevistados conseguem citar o nome de um cientista brasileiro e só 18% sabem mencionar de cabeça uma instituição científica.
Quem consegue nomear está na parte mais rica da população. "Isso mostra que o Brasil ainda é uma país extremamente desigual", analisa o físico Ildeu de Castro Moreira, coordenador do trabalho.
E os cientistas mais citados são Oswaldo Cruz e Carlos Chagas. "Praticamente ninguém menciona cientistas sociais, sendo que o Brasil têm nomes importantíssimos como Paulo Freire e Gilberto Freyre", completa.
A pesquisa consultou 2.016 brasileiros com objetivo de investigar as atitudes e percepções dos brasileiros sobre a ciência e tecnologia. O trabalho dá continuidade a uma investigação similar realizada em 2006.
RESULTADOS
A amostra foi desenhada de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de modo que os resultados possam ser projetados para o que o brasileiro "médio" pensa sobre vários temas.
O nível de interesse em ciência e tecnologia aumentou significativamente desde 2006. O número de interessados ou muito interessados no tema subiu de 41% para 65% dos respondentes.
Em ambiente, o interesse disparou de 58% para 83% no mesmo período --empatando com o gosto por medicina e saúde.
Para o coordenador do trabalho, o resultado condiz com o momento atual de preocupações ambientais no mundo e no Brasil- especialmente na Amazônia.
FUTEBOL E CIÊNCIA
Outro dado que chama atenção é que o tema "ciência" tem quase o mesmo nível de interesse declarado (65%) que esportes (62%).
"As pessoas, no geral, estão mais interessadas em todos os assuntos. No caso da ciência, isso reflete o momento positivo da situação econômica do país e a ampliação do acesso a espaços e atividades científico-culturais", explica Moreira.
Apesar do interesse científico declarado de boa parte dos entrevistados, 92% dos consultados revelaram que não frequentam museus de ciência (37% dos quais sob a justificativa de que eles não existem na sua região).
Mesmo baixo, o número de visitantes dobrou desde 2006, passando de 4% para pouco mais de 8%.
Entre as pessoas com ensino superior completo, no entanto, o índice de visitação sobe para 14% dos respondentes- e se aproxima dos índices europeus, que é 18%.
MAIS CONFIANÇA
Outro dado que muda de acordo com a escolaridade e classe econômica do entrevistado é o índice de confiança em determinados profissionais como fonte de informação --com exceção de médicos, que são "confiáveis" para todas as classes.
Entre os mais pobres, a confiança nos religiosos é maior do que nos cientistas. Já nas classes com mais recursos e formação, os campeões são os cientistas de instituições públicas. Quem faz ciência em instituições privadas parece ter uma certa descrença do entrevistado.
Em relação à ciência brasileira, a opinião geral é que ela vai bem. A avaliação sobre a posição da ciência do Brasil no mundo tem se tornado cada vez mais positiva.
Para metade dos brasileiros consultados, ela está hoje em uma posição intermediária.
Mas, novamente, o resultado muda conforme a condição econômica: pessoas de classes menos favorecidas têm, em geral, uma posição mais otimista em relação à ciência brasileira.
Em outras palavras, quanto menor o nível econômico do entrevistado, mais ele declara achar que a ciência nacional é bastante avançada.
De acordo com os dados, o brasileiro está mais interessado em ciência e tecnologia do que estava em 2006 e o interesse declarado (ou seja, o que a pessoa afirma ter) já supera até o tema "esportes".
No entanto, apenas 12% dos entrevistados conseguem citar o nome de um cientista brasileiro e só 18% sabem mencionar de cabeça uma instituição científica.
Quem consegue nomear está na parte mais rica da população. "Isso mostra que o Brasil ainda é uma país extremamente desigual", analisa o físico Ildeu de Castro Moreira, coordenador do trabalho.
E os cientistas mais citados são Oswaldo Cruz e Carlos Chagas. "Praticamente ninguém menciona cientistas sociais, sendo que o Brasil têm nomes importantíssimos como Paulo Freire e Gilberto Freyre", completa.
A pesquisa consultou 2.016 brasileiros com objetivo de investigar as atitudes e percepções dos brasileiros sobre a ciência e tecnologia. O trabalho dá continuidade a uma investigação similar realizada em 2006.
RESULTADOS
A amostra foi desenhada de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de modo que os resultados possam ser projetados para o que o brasileiro "médio" pensa sobre vários temas.
O nível de interesse em ciência e tecnologia aumentou significativamente desde 2006. O número de interessados ou muito interessados no tema subiu de 41% para 65% dos respondentes.
Em ambiente, o interesse disparou de 58% para 83% no mesmo período --empatando com o gosto por medicina e saúde.
Para o coordenador do trabalho, o resultado condiz com o momento atual de preocupações ambientais no mundo e no Brasil- especialmente na Amazônia.
FUTEBOL E CIÊNCIA
Outro dado que chama atenção é que o tema "ciência" tem quase o mesmo nível de interesse declarado (65%) que esportes (62%).
"As pessoas, no geral, estão mais interessadas em todos os assuntos. No caso da ciência, isso reflete o momento positivo da situação econômica do país e a ampliação do acesso a espaços e atividades científico-culturais", explica Moreira.
Apesar do interesse científico declarado de boa parte dos entrevistados, 92% dos consultados revelaram que não frequentam museus de ciência (37% dos quais sob a justificativa de que eles não existem na sua região).
Mesmo baixo, o número de visitantes dobrou desde 2006, passando de 4% para pouco mais de 8%.
Entre as pessoas com ensino superior completo, no entanto, o índice de visitação sobe para 14% dos respondentes- e se aproxima dos índices europeus, que é 18%.
MAIS CONFIANÇA
Outro dado que muda de acordo com a escolaridade e classe econômica do entrevistado é o índice de confiança em determinados profissionais como fonte de informação --com exceção de médicos, que são "confiáveis" para todas as classes.
Entre os mais pobres, a confiança nos religiosos é maior do que nos cientistas. Já nas classes com mais recursos e formação, os campeões são os cientistas de instituições públicas. Quem faz ciência em instituições privadas parece ter uma certa descrença do entrevistado.
Em relação à ciência brasileira, a opinião geral é que ela vai bem. A avaliação sobre a posição da ciência do Brasil no mundo tem se tornado cada vez mais positiva.
Para metade dos brasileiros consultados, ela está hoje em uma posição intermediária.
Mas, novamente, o resultado muda conforme a condição econômica: pessoas de classes menos favorecidas têm, em geral, uma posição mais otimista em relação à ciência brasileira.
Em outras palavras, quanto menor o nível econômico do entrevistado, mais ele declara achar que a ciência nacional é bastante avançada.
quarta-feira, janeiro 05, 2011
segunda-feira, janeiro 03, 2011
China diz ter tecnologia para garantir combustível nuclear por 3.000 anos
A televisão estatal da China anunciou nesta segunda-feira que o país desenvolveu um processo próprio para reprocessar combustível nuclear que poderia garantir o abastecimento de suas usinas por 3.000 anos.
O país lançou um ambicioso programa para construir diversas usinas nucleares, mas a mídia estatal afirma que o atual estoque chinês de urânio --usado no programa nuclear-- é suficiente apenas para os próximos 70 anos.
Há 24 anos cientistas chineses vêm trabalhando no método de reaproveitamento de combustível.
O novo sistema é caro e complexo, mas permite que combustível nuclear usado seja utilizado novamente nas usinas.
A China não é o primeiro país a desenvolver estações para reprocessamento de combustível nuclear -- França, Reino Unido e Índia já têm tecnologias similares para isso.
Mas, no caso chinês, a tecnologia terá implicações ainda mais significativas, já que o país tem procurado reduzir a atual dependência do carvão por meio da diversificação de suas fontes energéticas.
O país lançou um ambicioso programa para construir diversas usinas nucleares, mas a mídia estatal afirma que o atual estoque chinês de urânio --usado no programa nuclear-- é suficiente apenas para os próximos 70 anos.
Há 24 anos cientistas chineses vêm trabalhando no método de reaproveitamento de combustível.
O novo sistema é caro e complexo, mas permite que combustível nuclear usado seja utilizado novamente nas usinas.
A China não é o primeiro país a desenvolver estações para reprocessamento de combustível nuclear -- França, Reino Unido e Índia já têm tecnologias similares para isso.
Mas, no caso chinês, a tecnologia terá implicações ainda mais significativas, já que o país tem procurado reduzir a atual dependência do carvão por meio da diversificação de suas fontes energéticas.
quarta-feira, dezembro 29, 2010
Afastado, representante da OEA critica ONGs e missão de paz no Haiti - FABRÍCIA PEIXOTO
Representante da OEA (Organização dos Estados Americanos) no Haiti há dois anos, o brasileiro Ricardo Seitenfus deverá ser oficialmente destituído do cargo em breve --decisão que ele mesmo interpreta como resposta a sua "postura crítica" em relação ao papel da comunidade internacional na recuperação do país caribenho.
O estopim teria sido uma entrevista ao jornal suíço Le Temps, na qual o brasileiro questiona não apenas o papel das tropas da ONU no Haiti, como também dos principais países doadores.
"A Minustah (Missão de Paz da ONU) não pode ser tratada como se fosse uma verdade divina, como se não pudesse ser objeto de reservas", disse Seitenfus em entrevista à BBC Brasil.
Devastado por um terremoto em janeiro, que deixou mais de 200 mil mortos, o Haiti enfrenta agora uma crise eleitoral: ainda não se sabe como e quando se dará o segundo turno da eleição presidencial, inicialmente marcada para meados de janeiro.
Para o brasileiro, a comunidade internacional está "decidindo" pelo governo do Haiti no processo de reconstrução e as acusações de corrupção no governo local fazem parte de um "discurso ideológico".
"Se a gente imagina que pode fazer isso (reconstruir o país) por meio da Minustah e por meio das ONGs, nós estaremos enganando os haitianos e enganando a opinião pública mundial", diz.
BBC Brasil - O senhor já foi comunicado oficialmente sobre sua destituição do cargo?
Ricardo Seitenfus - Não, ainda não. Eu tinha decidido não tirar férias agora em dezembro, para estar no Haiti nessa fase delicada da eleição. Mas o secretário-geral (José Miguel Insulza) pediu para que eu tirasse as férias. Concluo que nos dois meses, de fevereiro e de março, previstos para que eu ficasse no Haiti, não ficarei mais.
Mas esse não é o problema. O mais grave é o que está acontecendo agora: o representante da OEA não está no Haiti durante uma crise eleitoral. E eu tenho uma capacidade de diálogo com o governo haitiano que ninguém na OEA tem e que poucas pessoas da comunidade internacional têm.
O senhor está no Haiti há dois anos. Houve algum fato mais recente que o tenha levado a adotar essa postura mais crítica?
Logo após o terremoto, foi feito um trabalho excepcional. Na medida do possível, os haitianos receberam ajuda, socorros... Foi feito um mutirão internacional que foi positivo. No entanto, terminada a urgência, as coisas começaram a não funcionar como deveriam. Em março, houve uma reunião com os doadores, em Nova York, na qual foram recolhidos US$ 11 bilhões para o Haiti. Acontece que esses recursos não chegaram ao país.
Criou-se uma comissão internacional para a recuperação do Haiti que até hoje está procurando suas verdadeiras funções. Enfim, as promessas da comunidade internacional não foram cumpridas. E enquanto isso, a situação dos desabrigados continua a mesma.
Isso tudo mudou sua visão dos fatos?
Eu diria que houve uma tomada de consciência progressiva quanto às nossas limitações e, por que não dizer, de nossos fracassos no Haiti... digo, nós da comunidade internacional.
Além disso, no dia 28 de novembro, dia da eleição, foi discutido na reunião do Core Group (países doadores, OEA e Nações Unidas), algo que me pareceu simplesmente assustador. Alguns representantes sugeriram que o presidente René Preval deveria sair do país e que deveríamos pensar em um avião para isso. Eu ouvi isso e fiquei estarrecido.
O primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, chegou e logo disse que não contassem com ele para qualquer solução à margem da Constituição e perguntou se o mandato do presidente Preval estava sendo negociado. E foi um silêncio na sala.
Ao meu lado estava o Albert Randim, secretário-adjunto da OEA, ou seja, eu não poderia falar, já que a OEA estava sendo representada por ele. Mas frente ao silêncio dele e dos demais, eu pedi a palavra e lembrei da existência da carta democrática interamericana e que qualquer discussão sobre o mandato do presidente Preval, para mim, seria um golpe. Me surpreendi muito com o fato de o secretário-adjunto da OEA ficar em silêncio diante da possibilidade de encurtamento do mandato de um presidente legitimamente eleito.
Mas muitos defendem um governo provisório como solução ao impasse eleitoral no país...
Eu sempre fui contrário. Um governo provisório não teria legitimidade das urnas e seria o reconhecimento do nosso fracasso. Se depois de quase sete anos (da Missão de Paz no Haiti) nós não conseguimos organizar uma transferência de poder de forma democrática, eu me pergunto como podemos fazer uma avaliação positiva da presença da comunidade internacional, que veio trazer a democracia ao país.
Então suas críticas também se estendem à missão de paz?
Depois do terremoto, a natureza dos desafios haitianos mudou completamente. Estamos diante de um dos maiores desafios... É uma aventura humana reconstruir um país com 10 milhões de habitantes e destruído por uma catástrofe natural. Temos 1,5 milhão de pessoas nas ruas, com 80% de desemprego, a epidemia de cólera.
Não podemos nos restringir aos desafios imaginados em 2004 (início da missão), mesmo erradamente, como uma questão de segurança. A situação é muito mais complicada e exige mais do que uma operação de paz.
Mas o governo brasileiro, por exemplo, tem sido contrário a mudanças no mandato da missão... A que se deve essa posição, na sua opinião?
O sistema internacional não tem instrumentos para enfrentar uma situação como a do Haiti. Temos que trocar de Conselho. Temos que tirar o assunto do Conselho de Segurança e mudá-lo para o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
E sobretudo, temos que pensar que o desenvolvimento do Haiti tem que ser feito pelos haitianos. Se a gente imagina que pode fazer isso por meio da Minustah e por meio das ONGs, nós estaremos enganando os haitianos e enganando a opinião pública mundial.
Não está se dando o espaço devido ao governo haitiano nesse processo?
Nem ao governo, nem à sociedade haitiana. O fato de ser solidário não é ser substituto de alguém, é acompanhar alguém. E nós estamos decidindo por eles. Agora estamos nos metendo no processo eleitoral. Deixem as instituições haitianas resolverem seus próprios problemas.
Mas existem acusações de corrupção envolvendo a transferência de recursos para o governo haitiano, em episódios anteriores, não? O país não tem certas limitações institucionais?
Eles têm limitações por nossa culpa. Transferimos todos os recursos via ONGs e não por meio das instituições haitianas. Sem dúvida o Estado haitiano é muito debilitado e ficou pior ainda depois do terremoto, perdendo 30% de seus quadros.
O que temos de fazer? Ter políticas de acompanhamento do Haiti que permitam que esses quadros permaneçam no país. A acusação de corrupção faz parte de um discurso ideológico. Não existe corrupção, existe percepção de corrupção. O Haiti não tem como ser corrupto porque o Estado não possui recursos.
O que se pode questionar é como se administram os recursos que as ONGs recolhem sem prestar contas a ninguém. Esta sim é a grande questão. Faço uma distinção do trabalho que foi feito na emergência, mas essa não pode ser uma política permanente de substituição do Estado pelas ONGs. O Haiti é o Haiti, não é Haitong. Nenhum país aceitaria o que os haitianos são obrigados a aceitar.
E qual o papel do Brasil nesse processo?
O Brasil tem uma responsabilidade muito grande, porque é a primeira vez que temos uma missão de paz tão longa e tão cara para nós, onde pretendemos mostrar uma forma diferenciada de atuar.
O Brasil deveria aproveitar que haverá um novo governo no Haiti e um novo governo no Brasil e fazer um balanço de seis anos e meio de Minustah. Não estou apregoando que o Brasil deva amanhã recolher suas tropas. Isso se faz depois de uma longa discussão, inclusive com o governo haitiano e com as Nações Unidas.
A não discussão é que é o grande erro. Como se a Minustah fosse uma verdade divina, uma iluminação do céu, como se não pudesse ser objeto de reservas. Tenho uma percepção de que a qualidade de uma operação de paz é inversamente proporcional ao tempo de sua duração. Quanto mais uma missão de paz se estende no tempo, menor qualidade ela tem. As boas missões de paz são as curtas missões de paz.
O estopim teria sido uma entrevista ao jornal suíço Le Temps, na qual o brasileiro questiona não apenas o papel das tropas da ONU no Haiti, como também dos principais países doadores.
"A Minustah (Missão de Paz da ONU) não pode ser tratada como se fosse uma verdade divina, como se não pudesse ser objeto de reservas", disse Seitenfus em entrevista à BBC Brasil.
Devastado por um terremoto em janeiro, que deixou mais de 200 mil mortos, o Haiti enfrenta agora uma crise eleitoral: ainda não se sabe como e quando se dará o segundo turno da eleição presidencial, inicialmente marcada para meados de janeiro.
Para o brasileiro, a comunidade internacional está "decidindo" pelo governo do Haiti no processo de reconstrução e as acusações de corrupção no governo local fazem parte de um "discurso ideológico".
"Se a gente imagina que pode fazer isso (reconstruir o país) por meio da Minustah e por meio das ONGs, nós estaremos enganando os haitianos e enganando a opinião pública mundial", diz.
BBC Brasil - O senhor já foi comunicado oficialmente sobre sua destituição do cargo?
Ricardo Seitenfus - Não, ainda não. Eu tinha decidido não tirar férias agora em dezembro, para estar no Haiti nessa fase delicada da eleição. Mas o secretário-geral (José Miguel Insulza) pediu para que eu tirasse as férias. Concluo que nos dois meses, de fevereiro e de março, previstos para que eu ficasse no Haiti, não ficarei mais.
Mas esse não é o problema. O mais grave é o que está acontecendo agora: o representante da OEA não está no Haiti durante uma crise eleitoral. E eu tenho uma capacidade de diálogo com o governo haitiano que ninguém na OEA tem e que poucas pessoas da comunidade internacional têm.
O senhor está no Haiti há dois anos. Houve algum fato mais recente que o tenha levado a adotar essa postura mais crítica?
Logo após o terremoto, foi feito um trabalho excepcional. Na medida do possível, os haitianos receberam ajuda, socorros... Foi feito um mutirão internacional que foi positivo. No entanto, terminada a urgência, as coisas começaram a não funcionar como deveriam. Em março, houve uma reunião com os doadores, em Nova York, na qual foram recolhidos US$ 11 bilhões para o Haiti. Acontece que esses recursos não chegaram ao país.
Criou-se uma comissão internacional para a recuperação do Haiti que até hoje está procurando suas verdadeiras funções. Enfim, as promessas da comunidade internacional não foram cumpridas. E enquanto isso, a situação dos desabrigados continua a mesma.
Isso tudo mudou sua visão dos fatos?
Eu diria que houve uma tomada de consciência progressiva quanto às nossas limitações e, por que não dizer, de nossos fracassos no Haiti... digo, nós da comunidade internacional.
Além disso, no dia 28 de novembro, dia da eleição, foi discutido na reunião do Core Group (países doadores, OEA e Nações Unidas), algo que me pareceu simplesmente assustador. Alguns representantes sugeriram que o presidente René Preval deveria sair do país e que deveríamos pensar em um avião para isso. Eu ouvi isso e fiquei estarrecido.
O primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, chegou e logo disse que não contassem com ele para qualquer solução à margem da Constituição e perguntou se o mandato do presidente Preval estava sendo negociado. E foi um silêncio na sala.
Ao meu lado estava o Albert Randim, secretário-adjunto da OEA, ou seja, eu não poderia falar, já que a OEA estava sendo representada por ele. Mas frente ao silêncio dele e dos demais, eu pedi a palavra e lembrei da existência da carta democrática interamericana e que qualquer discussão sobre o mandato do presidente Preval, para mim, seria um golpe. Me surpreendi muito com o fato de o secretário-adjunto da OEA ficar em silêncio diante da possibilidade de encurtamento do mandato de um presidente legitimamente eleito.
Mas muitos defendem um governo provisório como solução ao impasse eleitoral no país...
Eu sempre fui contrário. Um governo provisório não teria legitimidade das urnas e seria o reconhecimento do nosso fracasso. Se depois de quase sete anos (da Missão de Paz no Haiti) nós não conseguimos organizar uma transferência de poder de forma democrática, eu me pergunto como podemos fazer uma avaliação positiva da presença da comunidade internacional, que veio trazer a democracia ao país.
Então suas críticas também se estendem à missão de paz?
Depois do terremoto, a natureza dos desafios haitianos mudou completamente. Estamos diante de um dos maiores desafios... É uma aventura humana reconstruir um país com 10 milhões de habitantes e destruído por uma catástrofe natural. Temos 1,5 milhão de pessoas nas ruas, com 80% de desemprego, a epidemia de cólera.
Não podemos nos restringir aos desafios imaginados em 2004 (início da missão), mesmo erradamente, como uma questão de segurança. A situação é muito mais complicada e exige mais do que uma operação de paz.
Mas o governo brasileiro, por exemplo, tem sido contrário a mudanças no mandato da missão... A que se deve essa posição, na sua opinião?
O sistema internacional não tem instrumentos para enfrentar uma situação como a do Haiti. Temos que trocar de Conselho. Temos que tirar o assunto do Conselho de Segurança e mudá-lo para o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
E sobretudo, temos que pensar que o desenvolvimento do Haiti tem que ser feito pelos haitianos. Se a gente imagina que pode fazer isso por meio da Minustah e por meio das ONGs, nós estaremos enganando os haitianos e enganando a opinião pública mundial.
Não está se dando o espaço devido ao governo haitiano nesse processo?
Nem ao governo, nem à sociedade haitiana. O fato de ser solidário não é ser substituto de alguém, é acompanhar alguém. E nós estamos decidindo por eles. Agora estamos nos metendo no processo eleitoral. Deixem as instituições haitianas resolverem seus próprios problemas.
Mas existem acusações de corrupção envolvendo a transferência de recursos para o governo haitiano, em episódios anteriores, não? O país não tem certas limitações institucionais?
Eles têm limitações por nossa culpa. Transferimos todos os recursos via ONGs e não por meio das instituições haitianas. Sem dúvida o Estado haitiano é muito debilitado e ficou pior ainda depois do terremoto, perdendo 30% de seus quadros.
O que temos de fazer? Ter políticas de acompanhamento do Haiti que permitam que esses quadros permaneçam no país. A acusação de corrupção faz parte de um discurso ideológico. Não existe corrupção, existe percepção de corrupção. O Haiti não tem como ser corrupto porque o Estado não possui recursos.
O que se pode questionar é como se administram os recursos que as ONGs recolhem sem prestar contas a ninguém. Esta sim é a grande questão. Faço uma distinção do trabalho que foi feito na emergência, mas essa não pode ser uma política permanente de substituição do Estado pelas ONGs. O Haiti é o Haiti, não é Haitong. Nenhum país aceitaria o que os haitianos são obrigados a aceitar.
E qual o papel do Brasil nesse processo?
O Brasil tem uma responsabilidade muito grande, porque é a primeira vez que temos uma missão de paz tão longa e tão cara para nós, onde pretendemos mostrar uma forma diferenciada de atuar.
O Brasil deveria aproveitar que haverá um novo governo no Haiti e um novo governo no Brasil e fazer um balanço de seis anos e meio de Minustah. Não estou apregoando que o Brasil deva amanhã recolher suas tropas. Isso se faz depois de uma longa discussão, inclusive com o governo haitiano e com as Nações Unidas.
A não discussão é que é o grande erro. Como se a Minustah fosse uma verdade divina, uma iluminação do céu, como se não pudesse ser objeto de reservas. Tenho uma percepção de que a qualidade de uma operação de paz é inversamente proporcional ao tempo de sua duração. Quanto mais uma missão de paz se estende no tempo, menor qualidade ela tem. As boas missões de paz são as curtas missões de paz.
terça-feira, dezembro 28, 2010
Aumento do mínimo na era Lula levou contas ao 'limite', dizem economistas
Uma das principais bandeiras do governo Lula, o aumento contínuo do salário mínimo acima da inflação, ajudou a dinamizar a economia do país em um primeiro momento, mas também fez as contas públicas chegarem "a um limite", segundo economistas ouvidos pela BBC Brasil.
O principal argumento é de que o salário mínimo "já deixou" de ser um instrumento eficaz de redução da pobreza no país e que os aumentos reais estão apenas "ampliando o rombo" nas contas da Previdência Social.
"A política de aumento do salário mínimo está sendo vítima de seu próprio êxito. Ele funcionou até certo ponto, mas já não está mais ajudando os mais pobres, ou seja, não está mais ajudando os que ficaram para trás", diz o economista Fábio Giambiagi, especialista em contas públicas.
Durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o valor do salário mínimo cresceu perto de 50% acima da inflação, chegando em 2010 a R$ 510.
Por trás de sucessivos reajustes está a ideia de que um salário mínimo mais forte funciona como um "indutor" do consumo e do aumento da renda no país, contribuindo assim para a redução da pobreza.
Mas segundo Giambiabi, essa política "já se esgotou". "De cada R$ 100 reais de aumento no salário mínimo, apenas R$ 3 chegam às mãos dos mais pobres", diz.
POBREZA
Ainda de acordo com o economista, os reajustes passaram a melhorar as condições de quem "já está protegido", mas não estão mais tirando pessoas da pobreza.
"Precisamos olhar para os que ficaram para trás. O Brasil tem 10% da população vivendo como miseráveis e o salário mínimo não chega a esse contingente", diz Giambiagi.
Além do "esgotamento" do salário mínimo como política de redução da pobreza, os economistas têm apontado um efeito "perverso" dessa política: o peso do reajuste nas contas públicas.
O valor do salário mínimo serve como base para o pagamento de aposentadorias no país, item que mais cresceu nas despesas do governo federal nos últimos anos.
A previsão é de que Lula entregue as contas do INSS para sua sucessora com um gasto equivalente a 7,4% do PIB. Há oito anos, esse valor era de 6,3%.
"O Brasil é um país de despesa alta. Mas ao contrário do que se pensa, o problema não está nos gastos com passagem de avião, com fotocópia ou outras despesas do dia-a-dia. A conta maior e a que mais cresce é a da Previdência Social", diz Mansueto Almeida, economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
"CHANCE PERDIDA"
Na avaliação de Giambiagi, o presidente Lula poderia ter usado sua "popularidade" e seu "cacife político" para cortar gastos e, assim, ampliar o nível de investimentos no país.
"Perdemos uma chance histórica de realizar ajustes fiscais. Um presidente tão próximo do povo poderia ter explicado à sociedade a importância do corte de gastos", diz o economista.
Segundo ele, o governo Lula não foi exatamente "gastão", quando comparado com governos anteriores. "É mais correto falar em uma trajetória de gastos que começa muito antes, em 1991, e que foi mantida", diz.
As despesas do governo federal, excluindo o desembolso das estatais e o pagamento de juros, representavam 18,6% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2003, devendo fechar este ano em 23% do PIB.
O ritmo de expansão é praticamente o mesmo do registrado nos oito anos anteriores (1995-2002), quando a proporção dos gastos sobre o PIB saiu de 16,7% para 19,51%.
No entanto, na avaliação de Giambiagi, Lula foi o presidente que "de longe teve as melhores condições" de desviar o país do caminho das despesas elevadas.
"Não apenas havia ambiente político, como também a situação econômica se apresentou favorável em vários momentos. Eu diria que a falha desse governo, na questão fiscal, está no que ele deixou de fazer", acrescenta o economista.
INVESTIMENTOS
Gastos elevados em despesas correntes, que incluem pagamento de pessoal, aposentadorias e outros gastos administrativos, costumam resultar em menos investimentos.
Nos últimos oito anos, houve uma ligeira ampliação do peso dos investimentos públicos sobre o PIB, que passou de 0,3% em 2003 para 1% em 2009. Mas apesar do acréscimo, o valor ainda é considerado "muito baixo" por economistas.
Mansueto lembra que o cenário deverá se tornar mais delicado para a futura presidente, Dilma Rousseff, em função das necessidades de investimentos para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.
"Além de o gasto ser muito alto no país, temos pouca margem de manobra para cortes no curto prazo. Os planos de redução das despesas são possíveis apenas se pensados para prazos mais longos, como em três ou quatro anos", diz Almeida.
Isso porque, segundo ele, diversos itens das despesas dependem não de uma "decisão imediata" do presidente, mas sim de um esforço político que envolve também o Legislativo --caso de uma possível reforma previdenciária.
"Como muitas das despesas são engessadas, há sempre o perigo de o governo acabar cortando os investimenAumento do mínimo na era Lula levou contas ao 'limite', dizem economistas tos, o que é péssimo para o desenvolvimento do país", diz o economista do Ipea.
O principal argumento é de que o salário mínimo "já deixou" de ser um instrumento eficaz de redução da pobreza no país e que os aumentos reais estão apenas "ampliando o rombo" nas contas da Previdência Social.
"A política de aumento do salário mínimo está sendo vítima de seu próprio êxito. Ele funcionou até certo ponto, mas já não está mais ajudando os mais pobres, ou seja, não está mais ajudando os que ficaram para trás", diz o economista Fábio Giambiagi, especialista em contas públicas.
Durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o valor do salário mínimo cresceu perto de 50% acima da inflação, chegando em 2010 a R$ 510.
Por trás de sucessivos reajustes está a ideia de que um salário mínimo mais forte funciona como um "indutor" do consumo e do aumento da renda no país, contribuindo assim para a redução da pobreza.
Mas segundo Giambiabi, essa política "já se esgotou". "De cada R$ 100 reais de aumento no salário mínimo, apenas R$ 3 chegam às mãos dos mais pobres", diz.
POBREZA
Ainda de acordo com o economista, os reajustes passaram a melhorar as condições de quem "já está protegido", mas não estão mais tirando pessoas da pobreza.
"Precisamos olhar para os que ficaram para trás. O Brasil tem 10% da população vivendo como miseráveis e o salário mínimo não chega a esse contingente", diz Giambiagi.
Além do "esgotamento" do salário mínimo como política de redução da pobreza, os economistas têm apontado um efeito "perverso" dessa política: o peso do reajuste nas contas públicas.
O valor do salário mínimo serve como base para o pagamento de aposentadorias no país, item que mais cresceu nas despesas do governo federal nos últimos anos.
A previsão é de que Lula entregue as contas do INSS para sua sucessora com um gasto equivalente a 7,4% do PIB. Há oito anos, esse valor era de 6,3%.
"O Brasil é um país de despesa alta. Mas ao contrário do que se pensa, o problema não está nos gastos com passagem de avião, com fotocópia ou outras despesas do dia-a-dia. A conta maior e a que mais cresce é a da Previdência Social", diz Mansueto Almeida, economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
"CHANCE PERDIDA"
Na avaliação de Giambiagi, o presidente Lula poderia ter usado sua "popularidade" e seu "cacife político" para cortar gastos e, assim, ampliar o nível de investimentos no país.
"Perdemos uma chance histórica de realizar ajustes fiscais. Um presidente tão próximo do povo poderia ter explicado à sociedade a importância do corte de gastos", diz o economista.
Segundo ele, o governo Lula não foi exatamente "gastão", quando comparado com governos anteriores. "É mais correto falar em uma trajetória de gastos que começa muito antes, em 1991, e que foi mantida", diz.
As despesas do governo federal, excluindo o desembolso das estatais e o pagamento de juros, representavam 18,6% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2003, devendo fechar este ano em 23% do PIB.
O ritmo de expansão é praticamente o mesmo do registrado nos oito anos anteriores (1995-2002), quando a proporção dos gastos sobre o PIB saiu de 16,7% para 19,51%.
No entanto, na avaliação de Giambiagi, Lula foi o presidente que "de longe teve as melhores condições" de desviar o país do caminho das despesas elevadas.
"Não apenas havia ambiente político, como também a situação econômica se apresentou favorável em vários momentos. Eu diria que a falha desse governo, na questão fiscal, está no que ele deixou de fazer", acrescenta o economista.
INVESTIMENTOS
Gastos elevados em despesas correntes, que incluem pagamento de pessoal, aposentadorias e outros gastos administrativos, costumam resultar em menos investimentos.
Nos últimos oito anos, houve uma ligeira ampliação do peso dos investimentos públicos sobre o PIB, que passou de 0,3% em 2003 para 1% em 2009. Mas apesar do acréscimo, o valor ainda é considerado "muito baixo" por economistas.
Mansueto lembra que o cenário deverá se tornar mais delicado para a futura presidente, Dilma Rousseff, em função das necessidades de investimentos para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.
"Além de o gasto ser muito alto no país, temos pouca margem de manobra para cortes no curto prazo. Os planos de redução das despesas são possíveis apenas se pensados para prazos mais longos, como em três ou quatro anos", diz Almeida.
Isso porque, segundo ele, diversos itens das despesas dependem não de uma "decisão imediata" do presidente, mas sim de um esforço político que envolve também o Legislativo --caso de uma possível reforma previdenciária.
"Como muitas das despesas são engessadas, há sempre o perigo de o governo acabar cortando os investimenAumento do mínimo na era Lula levou contas ao 'limite', dizem economistas tos, o que é péssimo para o desenvolvimento do país", diz o economista do Ipea.
quinta-feira, dezembro 23, 2010
"O tempo é um ponto de vista dos relógios", diz Mario Quintana; leia versos
Em "Para olhar por outro ângulo", os mini-poemas revelam que o passar do tempo é atravancado pela submissão da mediocridade das coisas que nos cercam. O poeta gaúcho explode seus pensamentos em pequenas sentenças, um prato cheio para os tuiteiros assíduos.
Da matemática sem dor, da mentira como verdade que esqueceu de acontecer, da esperança como urubu, entre outros elementos travestidos, Quintana dissolve as ocorrências como causa e não como consequência.
Leia abaixo alguns versos da antologia do poeta Mario Quintana.
PARA OLHAR POR OUTRO ÂNGULO
A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.
O tempo é um ponto de vista dos relógios.
A modéstia é a vaidade escondida atrás da porta.
Se a casa é para morar, por que a porta da casa se chama porta da rua?
A esperança é um urubu pintado de verde.
O vento assovia de frio.
Um discurso em homenagem nossa é uma verdadeira surra às avessas: fica-se naquele estado horrível e sem palavras com que revidar! A vida nutre-se da morte, e não a morte da vida, como julgam alguns pessimistas. A morte é o aperitivo da vida.
...a morte não faz esquecer, mas faz tudo lembrar.
A curva é o caminho mais agradável entre dois pontos.
O que tem de bom numa galinha assada é que ela não cacareja.
Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi nada à minha altura.
Se eu acredito em Deus? Mas que valor poderia ter minha resposta, afirmativa ou não? O que importa é saber se Deus acredita em mim.
Rezar é uma falta de fé: Nosso Senhor bem sabe o que está fazendo...
O despertador é um acidente de tráfego do sono.
Desconfio desses turistas que consideram exóticos os países visitados. Ficam de fora, vendo o pitoresco em tudo: nas casas, nas roupas, nos costumes, nas crenças... E nem desconfiam que a única nota exótica desses indefesos países são precisamente eles!
O problema da solidão não consiste em saber como solucioná-la, mas saber como conservá-la.
O bacteriologista é um astrônomo às avessas: espia pelo outro lado do canudo...
A pantera é uma curva em movimento.
Nem todos podem estar na flor da idade, é claro! Mas cada um está na flor da sua idade.
Nós não perdemos os mortos, os mortos é que nos perdem.
A morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos.
Não sabias? As nossas mortes são noticiadas como nascimentos pela imprensa do Outro Mundo.
Os lugares-comuns são cômodos como sapatos velhos. Facilitam a vida, estreitam relações, evitam desconfianças e desentendimentos.
Nunca me senti bem nas salas de estar. Salas de estar... Mas de estar o quê?
Não, o provérbio não está bem certo.
O raio é que enquanto há esperança, há vida. Jamais foi encontrado no bolso de um suicida um bilhete de loteria que estivesse para correr no dia seguinte.
A rua é um rio de passos e vozes.
Tenho uma enorme pena dos homens famosos, que por isso mesmo perderam a sua vida íntima e são como esses animais do Zoológico, que fazem tudo à vista do público.
A Matemática é o pensamento sem dor.
Da matemática sem dor, da mentira como verdade que esqueceu de acontecer, da esperança como urubu, entre outros elementos travestidos, Quintana dissolve as ocorrências como causa e não como consequência.
Leia abaixo alguns versos da antologia do poeta Mario Quintana.
PARA OLHAR POR OUTRO ÂNGULO
A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.
O tempo é um ponto de vista dos relógios.
A modéstia é a vaidade escondida atrás da porta.
Se a casa é para morar, por que a porta da casa se chama porta da rua?
A esperança é um urubu pintado de verde.
O vento assovia de frio.
Um discurso em homenagem nossa é uma verdadeira surra às avessas: fica-se naquele estado horrível e sem palavras com que revidar! A vida nutre-se da morte, e não a morte da vida, como julgam alguns pessimistas. A morte é o aperitivo da vida.
...a morte não faz esquecer, mas faz tudo lembrar.
A curva é o caminho mais agradável entre dois pontos.
O que tem de bom numa galinha assada é que ela não cacareja.
Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi nada à minha altura.
Se eu acredito em Deus? Mas que valor poderia ter minha resposta, afirmativa ou não? O que importa é saber se Deus acredita em mim.
Rezar é uma falta de fé: Nosso Senhor bem sabe o que está fazendo...
O despertador é um acidente de tráfego do sono.
Desconfio desses turistas que consideram exóticos os países visitados. Ficam de fora, vendo o pitoresco em tudo: nas casas, nas roupas, nos costumes, nas crenças... E nem desconfiam que a única nota exótica desses indefesos países são precisamente eles!
O problema da solidão não consiste em saber como solucioná-la, mas saber como conservá-la.
O bacteriologista é um astrônomo às avessas: espia pelo outro lado do canudo...
A pantera é uma curva em movimento.
Nem todos podem estar na flor da idade, é claro! Mas cada um está na flor da sua idade.
Nós não perdemos os mortos, os mortos é que nos perdem.
A morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos.
Não sabias? As nossas mortes são noticiadas como nascimentos pela imprensa do Outro Mundo.
Os lugares-comuns são cômodos como sapatos velhos. Facilitam a vida, estreitam relações, evitam desconfianças e desentendimentos.
Nunca me senti bem nas salas de estar. Salas de estar... Mas de estar o quê?
Não, o provérbio não está bem certo.
O raio é que enquanto há esperança, há vida. Jamais foi encontrado no bolso de um suicida um bilhete de loteria que estivesse para correr no dia seguinte.
A rua é um rio de passos e vozes.
Tenho uma enorme pena dos homens famosos, que por isso mesmo perderam a sua vida íntima e são como esses animais do Zoológico, que fazem tudo à vista do público.
A Matemática é o pensamento sem dor.
quarta-feira, dezembro 22, 2010
Abaixo-assinado contra o aumento nos salários do presidente da República, ministros e parlamentares. Dezembro/2010
A Câmara aprovou na tarde desta quarta-feira (15/12/2010) o projeto de decreto legislativo, de autoria da Mesa Diretora da Casa, que equipara os salários de presidente da República, vice-presidente, ministros de Estado, senadores e deputados aos vencimentos recebidos atualmente pelos ministros do Supremo Tribunal Federal: R$ 26.723,13. A matéria foi aprovada simbolicamente. O texto será imediatamente remetido ao Senado, para tentar votá-lo ainda hoje. Por se tratar de decreto legislativo, o projeto precisa apenas ser aprovado nas duas Casas do Congresso, e não há necessidade da sanção do presidente da República.
Os novos salários entram em vigor a partir de 1º de fevereiro. O impacto financeiro nos dois poderes - Legislativo e Executivo - ainda estão sendo calculados. Mas só na Câmara estima-se que o aumento nos subsídios dos deputados (na ativa e aposentados) será de cerca de R$ 130 milhões.
Atualmente, deputados e senadores têm subsídios de R$ 16,7 mil. Presidente e vice recebem salário mensal de R$ 11,4 mil e ministros de Estado, R$ 10,7 mil. Os reajustes variam de 62% a 140%.
Há ainda o efeito cascata da medida nas assembleias legislativas nos estados, já que a Constituição estabelece que os deputados estaduais devem ter subsídios equivalentes a 95% dos recebidos por deputados federais. Para aumentar os seus salários, os deputados estaduais também terão que aprovar projetos nas respectivas assembleias.
Esse projeto amplia o abismo entre o Parlamento e a sociedade. É advocacia em causa própria. O percentual de 62% para os parlamentares e mais de 130% para presidente e ministros, diante da realidade brasileira, é evidentemente demasia.
Vamos mostrar a indignação do povo brasileiro quanto ao autoritarismo evidente na manipulação do orçamento e dos recursos provenientes de arrecadação de impostos e cofres públicos.
Os signatários
Assine aqui o Abaixo-assinado
Os novos salários entram em vigor a partir de 1º de fevereiro. O impacto financeiro nos dois poderes - Legislativo e Executivo - ainda estão sendo calculados. Mas só na Câmara estima-se que o aumento nos subsídios dos deputados (na ativa e aposentados) será de cerca de R$ 130 milhões.
Atualmente, deputados e senadores têm subsídios de R$ 16,7 mil. Presidente e vice recebem salário mensal de R$ 11,4 mil e ministros de Estado, R$ 10,7 mil. Os reajustes variam de 62% a 140%.
Há ainda o efeito cascata da medida nas assembleias legislativas nos estados, já que a Constituição estabelece que os deputados estaduais devem ter subsídios equivalentes a 95% dos recebidos por deputados federais. Para aumentar os seus salários, os deputados estaduais também terão que aprovar projetos nas respectivas assembleias.
Esse projeto amplia o abismo entre o Parlamento e a sociedade. É advocacia em causa própria. O percentual de 62% para os parlamentares e mais de 130% para presidente e ministros, diante da realidade brasileira, é evidentemente demasia.
Vamos mostrar a indignação do povo brasileiro quanto ao autoritarismo evidente na manipulação do orçamento e dos recursos provenientes de arrecadação de impostos e cofres públicos.
Os signatários
terça-feira, dezembro 21, 2010
segunda-feira, dezembro 20, 2010
Cineasta Jafar Panahi é condenado a seis anos de prisão
Uma corte iraniana sentenciou o cineasta Jafar Panahi, 50, a seis anos de prisão. Ele também foi proibido de fazer filmes ou viajar para o exterior nos próximos 20 anos. A informação foi divulgada pelos seus advogados nesta segunda-feira.
Panahi, venceu vários prêmios e apoiou o oposicionista Mirhossein Mousavi na eleição presidencial do ano passado. Panahi foi preso em março.
Ele ficou detido por 88 dias e chegou a fazer greve de fome. A condenação foi por "ação e propaganda contra o sistema".
Panahi venceu os prêmios Camera d'Or, em Cannes em 1995 pelo filme "O Balão Branco", e Leão de Ouro pelo filme "O Círculo", em 2000.
Steven Spielberg e Juliette Binoche defenderam o cineasta iraniano.
Panahi, venceu vários prêmios e apoiou o oposicionista Mirhossein Mousavi na eleição presidencial do ano passado. Panahi foi preso em março.
Ele ficou detido por 88 dias e chegou a fazer greve de fome. A condenação foi por "ação e propaganda contra o sistema".
Panahi venceu os prêmios Camera d'Or, em Cannes em 1995 pelo filme "O Balão Branco", e Leão de Ouro pelo filme "O Círculo", em 2000.
Steven Spielberg e Juliette Binoche defenderam o cineasta iraniano.
UFPR diploma primeira aluna de origem indígena
A UFPR (Universidade Federal do Paraná) diplomou na terça-feira (14) como cirurgiã dentista a primeira aluna indígena da instituição: Tenile Mendes. Na língua kaigang, a estudante se chama Kring Mág, que significa "estrela grande ou estrela da manhã", "porque era muito branquinha quando nasceu". Ela será a primeira dentista em sua aldeia.
Após fazer o juramento do dentista e receber o diploma, a nova profissional se apresentou: "Eu agora sou Tenile Mendes, kaigang, cirurgiã dentista, de Chapecó, Santa Catarina, da aldeia Pinhalzinho, e agradeço a acolhida na Universidade Federal do Paraná". Agora, a cirurgiã dentista vai voltar para a aldeia, onde pretende trabalhar para ajudar sua comunidade.
Tenile ingressou na universidade por meio do programa de políticas afirmativas, aprovado em 2004 e implementado no ano seguinte. São dez vagas destinadas aos povos indígenas de qualquer região do país.
No discurso do paraninfo, o professor Jairo Bordini Junior, que também foi tutor de Tenile, ressaltou a validade e a importância da inclusão social. "A inclusão é um caminho que deve ser seguido e incentivado. As dificuldades quanto ao aprendizado são as mesmas para todos os alunos, mas não podia deixar que a pressão social interferisse no avanço dentro do curso. E com esforço e dedicação, a Tenile conseguiu".
Tenile tem 22 anos e sempre viveu na aldeia Pinhalzinho. Saiu de Chapecó e deixou a família para estudar na UFPR. É filha de uma mistura bem brasileira: a mãe, Janete, é descendente de italianos e largou tudo para viver na aldeia quando se casou com o índio kaigang Reny. Agora, é o irmão Tales quem quer seguir os passos da irmã dentista e estudar na universidade. Assim como Tales, outros jovens índios da aldeia querem seguir o exemplo de Tenile.
"A formatura de Tenile vai passar para a história da UFPR", disse o reitor Zaki Akel Sobrinho ao parabenizar a estudante. "Tenile vai fazer a diferença, é um paradigma para todos os povos, não só os indígenas, mas para todo o povo brasileiro".
Após fazer o juramento do dentista e receber o diploma, a nova profissional se apresentou: "Eu agora sou Tenile Mendes, kaigang, cirurgiã dentista, de Chapecó, Santa Catarina, da aldeia Pinhalzinho, e agradeço a acolhida na Universidade Federal do Paraná". Agora, a cirurgiã dentista vai voltar para a aldeia, onde pretende trabalhar para ajudar sua comunidade.
Tenile ingressou na universidade por meio do programa de políticas afirmativas, aprovado em 2004 e implementado no ano seguinte. São dez vagas destinadas aos povos indígenas de qualquer região do país.
No discurso do paraninfo, o professor Jairo Bordini Junior, que também foi tutor de Tenile, ressaltou a validade e a importância da inclusão social. "A inclusão é um caminho que deve ser seguido e incentivado. As dificuldades quanto ao aprendizado são as mesmas para todos os alunos, mas não podia deixar que a pressão social interferisse no avanço dentro do curso. E com esforço e dedicação, a Tenile conseguiu".
Tenile tem 22 anos e sempre viveu na aldeia Pinhalzinho. Saiu de Chapecó e deixou a família para estudar na UFPR. É filha de uma mistura bem brasileira: a mãe, Janete, é descendente de italianos e largou tudo para viver na aldeia quando se casou com o índio kaigang Reny. Agora, é o irmão Tales quem quer seguir os passos da irmã dentista e estudar na universidade. Assim como Tales, outros jovens índios da aldeia querem seguir o exemplo de Tenile.
"A formatura de Tenile vai passar para a história da UFPR", disse o reitor Zaki Akel Sobrinho ao parabenizar a estudante. "Tenile vai fazer a diferença, é um paradigma para todos os povos, não só os indígenas, mas para todo o povo brasileiro".
Prédio histórico no centro de SP recebe obras de artistas jovens
Além da mostra principal, as visitas gratuitas podem também ser feitas aos estúdios dos artistas e à galeria transitória, localizada no décimo andar e que serve como "incubadora" de projetos em desenvolvimento. Nela, os artistas e a curadora Luisa Duarte podem testar e avaliar cada trabalho.
O novo grupo sucede o que ocupou o prédio nos meses de setembro e outubro, ação que resultou na mostra “Notas de Um Processo - Tentativa e Aposta”, que ficou em cartaz de 24 de outubro a 30 de novembro último.
Projeto imersivo
O projeto é uma residência artística que teve sua primeira edição mundial no Brasil em São Paulo, no mês de novembro de 2009. Na ocasião, 10 artistas --entre brasileiros e estrangeiros-- ocuparam durante um mês o edifício do Hotel Central, na avenida São João. Em 2010, o "House of Art" realiza duas edições em novo endereço, o Edifício Sampaio Moreira, e conta com a participação de 12 artistas, sendo todos eles moradores da cidade de São Paulo. Além do Brasil, estão previstas para os próximos meses residências em países como Portugal, Austrália, Estados Unidos e França.
Umberto Eco adverte sobre "risco de contágio" do populismo de Berlusconi
Um dos pensadores de maior prestígio internacional na atualidade, o escritor italiano Umberto Eco admite "notável tristeza" ao ver que a oposição de intelectuais ao primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, enfrenta "um núcleo duro do eleitorado que é insensível a certos problemas".
O catedrático adverte sobre o risco de contágio do populismo de Berlusconi num momento em que os países ocidentais "estão se aproximando de uma grave crise da democracia representativa".
O catedrático adverte sobre o risco de contágio do populismo de Berlusconi num momento em que os países ocidentais "estão se aproximando de uma grave crise da democracia representativa".
Jornalista que jogou sapatos em Bush critica situação do Iraque em livro - KATHY SELEME
O jornalista iraquiano Muntazer Al Zaidi, que ganhou fama internacional há dois anos ao lançar sapatos no então presidente americano, George W. Bush, publicou um livro no Líbano "para mostrar o sofrimento do povo iraquiano".
Em "A Última Saudação ao Presidente George Bush", o jornalista de 28 anos denuncia a destruição de seu país desde o embargo imposto contra o regime do ditador Saddam Hussein, em 1991, em represália à invasão do Kuait por parte do Iraque.
"Os americanos fomentaram os massacres e os saques" no Iraque após a invasão de 2003, afirma Al Zaidi, enquanto fuma um narguilé, sentado em um restaurante no sul de Beirute.
"A Casa Branca empreendeu uma guerra contra o povo [iraquiano], e não contra o regime", ressalta o jornalista. Ele diz que, desde os 11 anos de idade, foi testemunha do contínuo bombardeio das construções em seu país e de como os iraquianos morriam de fome por culpa do bloqueio econômico imposto.
Usando novos sapatos de verniz negro, Al Zaidi diz que os lucros arrecadados com a venda do livro, lançado na semana passada e que ainda é difícil de encontrar nas livrarias libanesas, serão destinados integralmente à fundação que criou e que se dedica "ao atendimento das vítimas da ocupação americana".
Ao comentar o lançamento de seus sapatos no ex-presidente americano, ele reconhece que o fato abriu muitas portas, embora tenha lhe custado nove meses de prisão. Ele diz que os sapatos foram destruídos por ordem da Casa Branca, para que não se transformassem em um símbolo contra a ocupação do Iraque.
Consequências psicológicas? "O narguilé", responde aos risos, antes de acrescentar que ainda tem problemas nas pernas e cicatrizes nas costas, em consequência dos maus-tratos que recebeu durante o tempo que ficou preso, quando teve também o nariz quebrado.
Uma vez cumprida a sentença e após um périplo por vários países, Al Zaidi se estabeleceu em Beirute. "É uma cidade aberta, onde há liberdade, onde se pode trabalhar sem que seja rotulado". Para ele, são características que "facilitam transmitir ao mundo o que os iraquianos sofrem".
No Líbano, ele trabalha como assessor de imprensa no canal de televisão New TV --um emprego que concilia com as palestras que profere em diversos países para denunciar a situação no Iraque.
Tranquilo, sereno e convencido de que tem uma causa importante, Al Zaidi declara que continuará "lutando" pelo Iraque, apesar das ameaças das quais é alvo habitualmente. "Continuarei minha luta pelo meu país. Minha segurança é a última das minhas preocupações", resume.
No entanto, Al Zaidi, que processou na Justiça o primeiro-ministro do Iraque, Nuri Al Maliki, e o subdiretor dos serviços de Inteligência do país, Samir Haddad, insiste que voltará em breve a seu país natal.
Ele diz que, quando voltar, vai fazer um abaixo-assinado para levar Bush à Justiça pela suposta responsabilidade na morte de centenas de milhares de iraquianos.
Mas, além de Bush, Al Zaidi culpa também o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e todos aqueles que legitimaram a invasão do Iraque, além dos políticos nacionais aos quais acusa de corruptos.
"Sinto que meu povo precisa de mim e devo estar com ele. Minha vida está ali. É meu país, não posso abandoná-lo e não o deixarei por todos os castelos do mundo", confessa este jornalista, que difundiu a prática de lançar sapatos contra líderes políticos como novo gesto de protesto.
Em "A Última Saudação ao Presidente George Bush", o jornalista de 28 anos denuncia a destruição de seu país desde o embargo imposto contra o regime do ditador Saddam Hussein, em 1991, em represália à invasão do Kuait por parte do Iraque.
"Os americanos fomentaram os massacres e os saques" no Iraque após a invasão de 2003, afirma Al Zaidi, enquanto fuma um narguilé, sentado em um restaurante no sul de Beirute.
"A Casa Branca empreendeu uma guerra contra o povo [iraquiano], e não contra o regime", ressalta o jornalista. Ele diz que, desde os 11 anos de idade, foi testemunha do contínuo bombardeio das construções em seu país e de como os iraquianos morriam de fome por culpa do bloqueio econômico imposto.
Usando novos sapatos de verniz negro, Al Zaidi diz que os lucros arrecadados com a venda do livro, lançado na semana passada e que ainda é difícil de encontrar nas livrarias libanesas, serão destinados integralmente à fundação que criou e que se dedica "ao atendimento das vítimas da ocupação americana".
Ao comentar o lançamento de seus sapatos no ex-presidente americano, ele reconhece que o fato abriu muitas portas, embora tenha lhe custado nove meses de prisão. Ele diz que os sapatos foram destruídos por ordem da Casa Branca, para que não se transformassem em um símbolo contra a ocupação do Iraque.
Consequências psicológicas? "O narguilé", responde aos risos, antes de acrescentar que ainda tem problemas nas pernas e cicatrizes nas costas, em consequência dos maus-tratos que recebeu durante o tempo que ficou preso, quando teve também o nariz quebrado.
Uma vez cumprida a sentença e após um périplo por vários países, Al Zaidi se estabeleceu em Beirute. "É uma cidade aberta, onde há liberdade, onde se pode trabalhar sem que seja rotulado". Para ele, são características que "facilitam transmitir ao mundo o que os iraquianos sofrem".
No Líbano, ele trabalha como assessor de imprensa no canal de televisão New TV --um emprego que concilia com as palestras que profere em diversos países para denunciar a situação no Iraque.
Tranquilo, sereno e convencido de que tem uma causa importante, Al Zaidi declara que continuará "lutando" pelo Iraque, apesar das ameaças das quais é alvo habitualmente. "Continuarei minha luta pelo meu país. Minha segurança é a última das minhas preocupações", resume.
No entanto, Al Zaidi, que processou na Justiça o primeiro-ministro do Iraque, Nuri Al Maliki, e o subdiretor dos serviços de Inteligência do país, Samir Haddad, insiste que voltará em breve a seu país natal.
Ele diz que, quando voltar, vai fazer um abaixo-assinado para levar Bush à Justiça pela suposta responsabilidade na morte de centenas de milhares de iraquianos.
Mas, além de Bush, Al Zaidi culpa também o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e todos aqueles que legitimaram a invasão do Iraque, além dos políticos nacionais aos quais acusa de corruptos.
"Sinto que meu povo precisa de mim e devo estar com ele. Minha vida está ali. É meu país, não posso abandoná-lo e não o deixarei por todos os castelos do mundo", confessa este jornalista, que difundiu a prática de lançar sapatos contra líderes políticos como novo gesto de protesto.
domingo, dezembro 19, 2010
Cerco a Assange deixa jornalismo vulnerável, afirma especialista - JANAINA LAGE
O escritor e advogado constitucionalista norte-americano Glenn Greenwald afirma que, caso os EUA consigam processar o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, jornalistas ficarão mais vulneráveis a ações judiciais.
Colunista da revista digital "Salon.com", Greenwald tem sido uma das vozes de defesa do WikiLeaks na imprensa americana. Para ele, não há base legal para processar o site porque é uma organização dissociada de qualquer Estado e só existe na internet.
Jornais norte-americanos já citaram como possíveis bases legais para um processo contra Assange a lei de espionagem, de 1917, e a lei de fraude e abuso de computadores, de 1986.
O escritor concedeu entrevista à Folha após palestra no Iesp-UERJ (Instituto de Estudos Sociais e Políticos).
Greenwald vive no Rio de Janeiro há quase seis anos. A seguir, trechos da entrevista.
Folha -- O que os documentos vazados pelo WikiLeaks revelam sobre a diplomacia americana?
Glenn Greenwald -- Não existe uma diplomacia americana à parte dos demais objetivos do governo. Os diplomatas são usados para espionar outros países e para levantar dados de inteligência da mesma forma que a CIA seria usada.
O papel da diplomacia é evitar guerras, mas muitos documentos mostram tudo menos isso. Há diplomatas tentando convencer outros países a deixar que os EUA participem de ações militares em seus territórios.
Folha -- Na semana passada, a Força Aérea dos EUA bloqueou o acesso às páginas de veículos que publicam vazamentos. A polêmica em torno do WikiLeaks pode trazer de volta a discussão sobre censura na internet?
Glenn Greenwald -- Isso vai justificar na cabeça de muita gente que seja criado algum tipo de repressão ou censura na internet, o que é um retrocesso. As pesquisas com o público americano mostram que a maioria acredita que o WikiLeaks causou mais danos do que benefícios e que Assange deve ser encarcerado.
Os governos sempre querem controlar a internet. A razão pela qual não podem fazer isso é a oposição pública. O compromisso do WikiLeaks com a transparência pode aumentar o apoio público ao controle da internet.
Folha -- Como o sr. compara os governos de Barack Obama e George W. Bush em relação à liberdade de imprensa?
Glenn Greenwald -- Quando Obama concorreu à Presidência, criticava Bush por sua guerra contra a transparência. A realidade é que não só ele continuou a maioria destas políticas como, em alguns casos, elas até pioraram.
O governo Bush ameaçou mover ações contra jornalistas que publicaram informações secretas e processar pessoas do governo responsáveis pelos vazamentos, mas quase nunca fez isso. O governo Obama já trouxe cinco diferentes ações contra pessoas do governo que vazaram informações.
Folha -- O sr. citou um artigo do professor Jay Rosen, da New York University, que afirma que parte da repercussão do WikiLeaks é resultado da morte do jornalismo americano...
Glenn Greenwald -- Depois do 11 de Setembro, a grande imprensa se tornou completamente identificada com o governo.
Eles cobriram a Guerra do Iraque embarcados com o Exército e começaram a ver o mundo pela perspectiva do governo.
A maior desgraça é que nosso governo levou o país a uma das mais terríveis guerras dos últimos cem anos baseado integralmente em mentiras, e a classe jornalística não se deu ao trabalho de submeter as informações a qualquer escrutínio.
Folha -- Quais as consequências de um eventual processo dos EUA contra Assange?
Glenn Greenwald -- Isso vai tornar os processos contra jornalistas muito mais prováveis. Se você criar uma teoria legal que permita um processo contra o WikiLeaks, isso dará poder ao governo de processar jornalistas por revelar seus segredos.
Revelar segredos de governo representa o corpo e também a alma do jornalismo investigativo.
Folha -- Por que o sr. afirma que o WikiLeaks não está sujeito às leis americanas?
Glenn Greenwald -- O WikiLeaks não é brasileiro ou americano. É uma organização sem Estado, não pertence a nenhum país e não existe fisicamente em lugar algum, apenas na internet. Não há mecanismo para definir qual lei se aplica a ele. Não se pode levá-lo à Justiça e obrigá-lo a revelar suas fontes. A maioria das pessoas não consegue pensar dissociada do Estado.
Parte do caráter único do WikiLeaks vem do fato de Assange ter sido criado de forma transnacional.
Ele se mudou centenas de vezes e foi criado de forma a não confiar ou seguir nenhuma autoridade.
Folha -- Por que a "Time" elegeu Mark Zuckerberg personalidade do ano quando os leitores escolheram Assange?
Glenn Greenwald -- Muitas pessoas usam o Facebook e Mark Zuckerberg ganha muito dinheiro com isso, mas se ele não existisse, nada iria mudar. A "Time" já elegeu Adolf Hitler e Joseph Stalin como personalidades.
Quando as pessoas perguntam zangadas: "Mas como vocês fizeram isso"? Eles sempre dizem que não é a opção de que gostamos, mas a que teve maior impacto.
Em 2001 a pessoa de maior impacto foi Osama bin Laden, mas eles tiveram muito medo e escolheram Rudolph Giuliani [ex-prefeito de Nova York]. Agora, é claro que Assange tem mais impacto do que Zuckerberg.
Colunista da revista digital "Salon.com", Greenwald tem sido uma das vozes de defesa do WikiLeaks na imprensa americana. Para ele, não há base legal para processar o site porque é uma organização dissociada de qualquer Estado e só existe na internet.
Jornais norte-americanos já citaram como possíveis bases legais para um processo contra Assange a lei de espionagem, de 1917, e a lei de fraude e abuso de computadores, de 1986.
O escritor concedeu entrevista à Folha após palestra no Iesp-UERJ (Instituto de Estudos Sociais e Políticos).
Greenwald vive no Rio de Janeiro há quase seis anos. A seguir, trechos da entrevista.
Folha -- O que os documentos vazados pelo WikiLeaks revelam sobre a diplomacia americana?
Glenn Greenwald -- Não existe uma diplomacia americana à parte dos demais objetivos do governo. Os diplomatas são usados para espionar outros países e para levantar dados de inteligência da mesma forma que a CIA seria usada.
O papel da diplomacia é evitar guerras, mas muitos documentos mostram tudo menos isso. Há diplomatas tentando convencer outros países a deixar que os EUA participem de ações militares em seus territórios.
Folha -- Na semana passada, a Força Aérea dos EUA bloqueou o acesso às páginas de veículos que publicam vazamentos. A polêmica em torno do WikiLeaks pode trazer de volta a discussão sobre censura na internet?
Glenn Greenwald -- Isso vai justificar na cabeça de muita gente que seja criado algum tipo de repressão ou censura na internet, o que é um retrocesso. As pesquisas com o público americano mostram que a maioria acredita que o WikiLeaks causou mais danos do que benefícios e que Assange deve ser encarcerado.
Os governos sempre querem controlar a internet. A razão pela qual não podem fazer isso é a oposição pública. O compromisso do WikiLeaks com a transparência pode aumentar o apoio público ao controle da internet.
Folha -- Como o sr. compara os governos de Barack Obama e George W. Bush em relação à liberdade de imprensa?
Glenn Greenwald -- Quando Obama concorreu à Presidência, criticava Bush por sua guerra contra a transparência. A realidade é que não só ele continuou a maioria destas políticas como, em alguns casos, elas até pioraram.
O governo Bush ameaçou mover ações contra jornalistas que publicaram informações secretas e processar pessoas do governo responsáveis pelos vazamentos, mas quase nunca fez isso. O governo Obama já trouxe cinco diferentes ações contra pessoas do governo que vazaram informações.
Folha -- O sr. citou um artigo do professor Jay Rosen, da New York University, que afirma que parte da repercussão do WikiLeaks é resultado da morte do jornalismo americano...
Glenn Greenwald -- Depois do 11 de Setembro, a grande imprensa se tornou completamente identificada com o governo.
Eles cobriram a Guerra do Iraque embarcados com o Exército e começaram a ver o mundo pela perspectiva do governo.
A maior desgraça é que nosso governo levou o país a uma das mais terríveis guerras dos últimos cem anos baseado integralmente em mentiras, e a classe jornalística não se deu ao trabalho de submeter as informações a qualquer escrutínio.
Folha -- Quais as consequências de um eventual processo dos EUA contra Assange?
Glenn Greenwald -- Isso vai tornar os processos contra jornalistas muito mais prováveis. Se você criar uma teoria legal que permita um processo contra o WikiLeaks, isso dará poder ao governo de processar jornalistas por revelar seus segredos.
Revelar segredos de governo representa o corpo e também a alma do jornalismo investigativo.
Folha -- Por que o sr. afirma que o WikiLeaks não está sujeito às leis americanas?
Glenn Greenwald -- O WikiLeaks não é brasileiro ou americano. É uma organização sem Estado, não pertence a nenhum país e não existe fisicamente em lugar algum, apenas na internet. Não há mecanismo para definir qual lei se aplica a ele. Não se pode levá-lo à Justiça e obrigá-lo a revelar suas fontes. A maioria das pessoas não consegue pensar dissociada do Estado.
Parte do caráter único do WikiLeaks vem do fato de Assange ter sido criado de forma transnacional.
Ele se mudou centenas de vezes e foi criado de forma a não confiar ou seguir nenhuma autoridade.
Folha -- Por que a "Time" elegeu Mark Zuckerberg personalidade do ano quando os leitores escolheram Assange?
Glenn Greenwald -- Muitas pessoas usam o Facebook e Mark Zuckerberg ganha muito dinheiro com isso, mas se ele não existisse, nada iria mudar. A "Time" já elegeu Adolf Hitler e Joseph Stalin como personalidades.
Quando as pessoas perguntam zangadas: "Mas como vocês fizeram isso"? Eles sempre dizem que não é a opção de que gostamos, mas a que teve maior impacto.
Em 2001 a pessoa de maior impacto foi Osama bin Laden, mas eles tiveram muito medo e escolheram Rudolph Giuliani [ex-prefeito de Nova York]. Agora, é claro que Assange tem mais impacto do que Zuckerberg.
sábado, dezembro 18, 2010
Impotência sexual é queixa de 44% dos homens - JULIANA VINES
Quase a metade dos homens que procuram atendimento em saúde tem queixas de impotência sexual, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia.
A entidade acaba de divulgar dados de uma caravana que fez por 22 cidades, em 13 Estados. Foram atendidos 9.982 homens, sendo que mais de 80% tinham mais de 46 anos. Do total, 44% disseram já ter tido o problema.
Os atendimentos aconteceram entre março e setembro deste ano. A unidade tinha médicos e psicólogos que faziam uma consulta clínica tradicional e, se necessário, testes urológicos.
De acordo com Modesto Jacobino, presidente da sociedade, a incidência de impotência surpreendeu.
"É um dado preocupante. O problema ainda é visto como algo secundário, de origem psicológica. Mas há outras doenças relacionadas."
Para acontecer a ereção, além do fator psicológico, são necessárias atividades neurológica, hormonal e vascular. A dificuldade de ereção pode ser consequência de problemas vasculares e metabólicos.
Do total de atendidos, 56% tinham hipertensão e 19%, diabetes. Dos que se queixaram de impotência, metade tinha mais de 60 anos.
"O envelhecimento é a principal causa. Há perda progressiva das funções fisiológicas do organismo e, além disso, o aparecimento conjunto dessas doenças", diz João Schiavini, urologista e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Muitas consequências de hipertensão e diabetes são irreversíveis e progressivas. Quando a dificuldade de ereção surge, pode ser que a aterosclerose (entupimento de artérias) já esteja avançada.
Para Jacobino, a impotência pode ser um jeito de atrair os homens para o médico. "Muitas vezes, ao tratar pressão alta e diabetes, já melhoramos a função sexual", diz.
VIAGRA SEM PRESCRIÇÃO
No levantamento, 22% dos homens já tomaram remédios contra impotência, mais da metade sem prescrição.
Apesar serem vendidos sem receita, esses remédios têm efeitos colaterais e não são eficazes em todos os casos. Podem causar dores de cabeça, vermelhidão na face e visão dupla.
"Pessoas com doenças cardíacas graves não podem tomar o remédio. Para diabéticos, a eficácia é de 30% a 40%", afirma Carlos Márcio Nóbrega de Jesus que é urologista e também professor da Universidade Estadual Paulista.
A entidade acaba de divulgar dados de uma caravana que fez por 22 cidades, em 13 Estados. Foram atendidos 9.982 homens, sendo que mais de 80% tinham mais de 46 anos. Do total, 44% disseram já ter tido o problema.
Os atendimentos aconteceram entre março e setembro deste ano. A unidade tinha médicos e psicólogos que faziam uma consulta clínica tradicional e, se necessário, testes urológicos.
De acordo com Modesto Jacobino, presidente da sociedade, a incidência de impotência surpreendeu.
"É um dado preocupante. O problema ainda é visto como algo secundário, de origem psicológica. Mas há outras doenças relacionadas."
Para acontecer a ereção, além do fator psicológico, são necessárias atividades neurológica, hormonal e vascular. A dificuldade de ereção pode ser consequência de problemas vasculares e metabólicos.
Do total de atendidos, 56% tinham hipertensão e 19%, diabetes. Dos que se queixaram de impotência, metade tinha mais de 60 anos.
"O envelhecimento é a principal causa. Há perda progressiva das funções fisiológicas do organismo e, além disso, o aparecimento conjunto dessas doenças", diz João Schiavini, urologista e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Muitas consequências de hipertensão e diabetes são irreversíveis e progressivas. Quando a dificuldade de ereção surge, pode ser que a aterosclerose (entupimento de artérias) já esteja avançada.
Para Jacobino, a impotência pode ser um jeito de atrair os homens para o médico. "Muitas vezes, ao tratar pressão alta e diabetes, já melhoramos a função sexual", diz.
VIAGRA SEM PRESCRIÇÃO
No levantamento, 22% dos homens já tomaram remédios contra impotência, mais da metade sem prescrição.
Apesar serem vendidos sem receita, esses remédios têm efeitos colaterais e não são eficazes em todos os casos. Podem causar dores de cabeça, vermelhidão na face e visão dupla.
"Pessoas com doenças cardíacas graves não podem tomar o remédio. Para diabéticos, a eficácia é de 30% a 40%", afirma Carlos Márcio Nóbrega de Jesus que é urologista e também professor da Universidade Estadual Paulista.
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