quinta-feira, março 10, 2011

Dalai-lama anuncia a intenção de renunciar a seu papel político

Dalai-lama, o líder espiritual dos budistas tibetanos, anunciou nesta quinta-feira a intenção de ceder o poder político formal que ostenta como chefe das autoridades tibetanas no exílio a um representante "livremente eleito".
Em discurso em ocasião do 52º aniversário da fracassada insurreição tibetana contra a China, dalai-lama, que vive exilado na Índia, assegurou que o desejo de "devolver a autoridade" não tem relação com uma vontade de "se esquivar de responsabilidades".
"É pelo bem a longo prazo dos tibetanos. Não porque me sinto desanimado", acrescentou.
Aos 75 anos, o Nobel da Paz acrescentou que irá propor uma emenda que lhe permita renunciar às suas funções durante a próxima sessão do Parlamento tibetano neste mês.
"Desde a década de 1960, manifestei que os tibetanos necessitam de um líder livremente eleito pelo povo tibetano, a quem eu possa delegar o poder. Agora, claramente chegou o momento de pôr isto em prática", expressou o dalai-lama.
No comunicado, o líder espiritual repassou os poucos avanços nas negociações com a China sobre o futuro do Tibete, para o qual voltou a reivindicar uma "autonomia genuína".
Dalai-lama também mencionou a "notável luta não-violenta pela liberdade e a democracia" em vários países do norte da África, em alusão às rebeliões em Tunísia, Egito e Líbia.
"Devemos esperar que todas estas mudanças inspiradoras conduzam à liberdade, à felicidade e à prosperidade genuínas dos povos desses países", disse.
Um porta-voz do dalai-lama anunciou em novembro de 2010 a intenção do líder em deixar sua atividade como chefe político dos tibetanos no exílio. Assim ele reduziria seu dever oficial sem abandonar seu papel espiritual.

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