sexta-feira, junho 01, 2007

Robôs



Se o copo é do homem e o robô é do homem
e cada dia algo é criado pelo homem
invenção é realizar a natureza
o homem concebe a inteligência artificial





E alguns realizam mais do que meras coisas de robôs, ou meras esquisitices da psique humana ou réplica da infância retardada tardia sem noção. Pois infância não tem nada a ver com isso. Isso é coisa de adulto.




E os homens de hoje se repetem como máquinas e o tempo ficou escuro e escasso. Somos meras reprises dos robôs que criamos? estamos à altura de nos comparar à máquinas? Evoluíremos?

segunda-feira, maio 21, 2007

Banda Larga




Quem sabe mostrando os atalhos dos anos de aprendizado e coleta? Quem sabe se mostrando o desconhecido e o esquecido não consigamos falar a mesma língua? Não, sem língua ou nacionalidade ou idioma. Eu recomendo instigantes pensamentos.







e musicalmente sempre existe o grande e máximo desafio: ser universal até a porra da medula.




John Frusciante, Jack White, Amy Winehouse, eu, eu e meus irmãos e todos os hits que apenas nossos ouvidos ouvirão. E o danado do Morrissey.








e aqui temos o exemplo de cantora feminina. Nossa preferida gata!




eu tenho uma guitarra igual a da Courtney Love. B.Love em sua homenagem...




Sábias.

quarta-feira, maio 16, 2007

Ah, você é daqueles que tem esperança...

Eu sou diferente das pessoas que tem esperança. A esperança é a última coisa que uma pessoa pode desejar ter pois é o réquiem do trabalho, da força de vontade, da sorte ou do azar. A esperança é aquela reza que os crentes fazem depois que tudo deu errado, é o cair de joelhos do juiz bandido pedindo uma luz no final do túnel. Toda esperança é, em si, uma visão otimista do fracasso.
E como sou diferente do fracassado posso apontar porque a esperança nunca foi importante para mim. Se eu tivesse alguma esperança, eu teria visto meu filho nascer, eu seria milionário, eu não teria repetido o segundo ano do segundo grau; e se todo condicional ou período condicional, SE, fosse importante, daí eu seria tenista, corredor de fórmula 1, karateca faixa preta, diretor de cinema italiano e invisível.
Tudo o que podemos conquistar é fruto de esforço pessoal individual e coletivo e familiar. A esperança é uma palavra que não exprime bem o sentimento que une a vontade de vencer com a oportunidade. Rezar e ter fé também não adianta muito nos dias de hoje. Tudo é fruto de trabalho e idéias que se concretizam por serem boas idéias, excelentes. O ruim e o descartável não me interessam nem um pouco, nem por diversão inclusive.
Você pode até achar que eu estou errado, mas eu não me importo. Passei daquela fase Jedi interior aprisionado em sonhos molhados ou desejando ardentemente o anonimato. Não há esperança pra quem tem que sair do zero para algum lugar. É trabalho, trabalho, empenho, trabalho, empenho, talento e muito trabalho extra.

segunda-feira, maio 14, 2007

A vida pode ir se tornando uma grandessíssima bosta!

"Para começar a escrever sobre o próprio eu é necessário muito desprendimento. É necessário muito amor também. Pois as cicatrizes que virão são como as linhas que desenham a palma da mão; são imperfeitamente fascinantes as nossas linhas.
A vida é uma bosta. Você pode meditar sobre isso se quiser. Você pode ir a um analista ou psiquiatra qualquer. Você pode buscar na religião ou em qualquer talismã da fé e da crença; você pode ser cético e acreditar que a vida é simplesmente uma bosta. Ela o é em todas as suas formas e sentidos. A vida como se concebe a vida não tem nada de glamouroso. Não tem nem cheiro e nem aspecto de vida. É uma bosta indefinível que a todos fascina e que alcança a todas as narinas. A vida, que é uma bosta, se disfarçou na poeira do tempo de uma ilusão enorme chamada pensamento. Tem gente que é babaca e chama a isso de Matrix, mas isso é mera porcaria para sublimar ainda mais tal ilusão. É o deslumbramento da ilusão, um artifício da desinformação, que é o caminho da alienação. Tudo bem nesta ilusão: nasce o homem. de onde ele veio? o homem é filho de alguém. é da mulher? é de algum ser divino? o que é evolução? existe vida além da vida, ou seja, da morte? Pensar é que é o grande mistério. Porque enquanto sem pensamentos e códigos e línguas, a vida era apenas um meio de se estar presente fosse aqui ou no espaço, fosse gente ou minério ou bactéria. A noção de vida era estranha e totalmente inexistente e viver não tinha um desígnio especial ou divino. Daí um ser, nem sei ou diria que foi um ser humano, pensou e pois-se a pensar e, pensando, viu que estava solitário. Ao invés de morrer ou esquecer de pensar ensinou outro e outro e outra e outra a pensar com ele. Milhões de anos depois e estamos aqui nesta merda de vida, uma sobrevivência escrava limitada e insípida onde pensar virou o que? Pensar virou sinônimo de perdição.
E desde que alguém pensou antes que pensar poderia ser algo valioso contra o pensador foi arquitetada a idéia do pensamento ilusório, status quo, massificação, etc.
A vida perdeu muito do eu sentido. E virou essa bosta aí de todos os dias. Silêncio.

quarta-feira, abril 25, 2007

O mundo opressor

Não basta ser a novidade do momento ou ver a novidade na vitrine. É preciso um senso renovador revolucionário para dar passos pra frente e outros tantos pro lado. A arte não tem se renovado tão rápido como os meios de informação e comunicação. Ouvintes, apreciadores estão confusos demais com a livre demanda de tudo. A vida já não se tornou uma livre demanda pelo tempo em si? Tempo e temo pelo tempo que se perde indo de um lugar ao outro fazer sempre a mesma coisa. A mesma merda de coisa toda vez que se sai de casa.
Todos os dias tenho o hábito, assim como o Zé Pessoa, de ouvir música em caixas de som com falantes de 12'' ou maiores. Tenho o hábito de ouvir vinis e músicas conectadas ao meu myspace porque todos os dias tem música lá de graça de artistas de todo o mundo e, sério, tem muitas novidades. AGORA mesmo estou ouvindo uma artista canadense de nome Feist. A música que toca no som tem ao fundo sons de passarinhos... isso me lembra a mim mesmo porque eu tenho diversas gravações caseiras com meu irmão e com amigos tocando com os afinados piares de Durval, nosso canário azul. O próprio foi deste mundo para o dos mortos pela música que produzíramos em um ensaio em 1996. E está aí Feist homenageando pessoas como eu, simples personalidades do cotidiano que são meros eus dos entes queridos que agregamos ao nosso mundo durante o ciclo da vida.
Próxima canção:
vou repetir a segunda canção, so sorry, porque o hábito de me repetir repetindo repetições é o que me dá a sensação de bem-estar comigo mesmo. Eu mando em mim. Eu vou e volto quando quero, com meus pensamentos, com minhas promessas e com minhas canções e audições. E, deveras sortudo, o ser humano comum mais acerta do que erra em suas decisões. Acho isso de um fatalismo maravilhoso que se esconde na poeira das lentes e retinas dos gases que saem dos escapamentos dos carros, vejo vida quando um desconhecido canta como louco atrás de seu volante, fechado em seus vidros, canta feito a puta que o pariu!!! Felicidade é, as vezes, um sintoma da loucura.
Silêncio.

quinta-feira, abril 12, 2007

É melhor a gente crescer depressa enquanto depressa é o que nos resta!

Profético..."transe em mim... capital federal, ar seco rarefeito excelente para pensar..."
O Brasil já passou por uma catástrofe de morte e de guerra únicos no mundo. Milhões de índios cairam mortos, mais do que as centenas de milhares de japoneses que morreram com dois ataques atômicos, com a guerra biológica da colonização portuguesa e invasões estrangeiras no seio da natureza virgem do Eldorado, o ouro é o sol que nos ilumina todos os dias desde a Pangéia, e a herança nos castiga a todos; a herança está no semblante do jovem burguês ou no semplante do jovem operário: o cansaço nos pesa, ombros cansados das chibatadas que nunca nos açoitaram porque machucaram e feriram e mataram outras gerações de brasileiros e estrangeiros que aqui se miscigenaram com a natureza e com as caravelas e seu vento europeu.
A arte no Brasil morreu porque matou-se o que é o efeito da arte: quem aprecia, o apreciador de arte, que é o índio mais do que tudo e todos, depois o negro e depois o primitivo homem crô-magnon; o branco feudal e moderno jamais soube enxergar além do que pode se chamar de lixo cultural salvo exceções maravilhosas que romperam e rompem as ligas e tripas da massa encantadamente acomodada e sem cérebro.
Me permito dizer que o brasil só terá solução com descendentes e pais e educadores online pensando e vivendo felizes no brasil. Eu vivo de arte, mas muito longe me encontro dela em meu trabalho. É no meu estilo de vida que está toda a beleza. O céu azul, a terra vermelha, meu filho e minha mulher e eu criando vida o tempo todo, música no toca-discos ou na rádio e os badulaques chineses que emitem sons e reflexos... a guitarra que eu toco desligada para compor soa melhor do que 10 hendrixes juntos, quem dera eu pudesse ouví-lo tocar uma fender desplugada, quem dera... seria belo demais!
Arte... monitores quadrados, prédios quadrados, avenidas e linhas simétricas, o mousepad quadradinho, a impressora multifuncional é um retângulo... e onde está a beleza?
China - http://www.myspace.com/chinaina - expoente da música pernambucana sempre foi observado. Eu lembro do Sheik Tosado lançando disco antes do Maskavo e sabe, era como a minha vida faltando alguma coisa e o nonsense sem sentido parecia apenas imaginável nos livros beatniks ou na minha cabeça, era mais uma banda. Daí o vocal, China, some, se recompõe, faz a sua vida, tem sua arte pessoal online e pum, disponibiliza gratuitamente arte.
Devo muito de tudo à responsabilidade agarrada om dentes e dedos, à paternidade total, porque motiva o cérebro a ser e fazer o melhor em tudo o tempo todo em prol do que é bom, na vida não é preciso BBB, é preciso coragem para ser alguém pro seu filho e pro amigo do seu filho, que é filho de alguém que deveria ser tão bom e honesto como você ou eu. Nozes...
a guerra do brasileiro, se quiser ter artistas genuínos, deve ser menos voltada para a capitalização, ou seja, atingir meta financeira e deve ser educada, preparada para viver e agradecer por um país que tem tanta beleza de graça espalhada pelos seus cantos. Menos linhas e quadrados e deve ter mais curvas. Viva Gaudí!

sexta-feira, abril 06, 2007

Cristovam Buarque dá show nos EUA

Essa merece ser lida, afinal não é todo dia que um brasileiro dá um esculachoeducadíssimo nos americanos!Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:
"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso."Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia,posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que temimportância para a humanidade."Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro.Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço."Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado."Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada.Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro."Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA.Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil."Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!

quinta-feira, março 29, 2007

O Brasileiro é racista?

Gozaimasu estava um dia sentado no chão mordiscando migalhas de pão quando avistou dois cachorros brincando. Um deles era grande e peludo; o outro cachorro era pequenino e quase sem pêlos. Morder, correr, abanar o rabo e deixar a língua de fora eram suas atividades. Um corria ao lado do outro incansavelmente. Gozaimasu avistou alguns homens que saiam da taberna bêbados, um ralhava com o outro, gritava com o outro e todos pareciam brigar ao invés de brincar. O que é o racismo? - perguntou-se Gozaimasu e parou de comer naquele exato momento.

quarta-feira, março 28, 2007

A verdade sobre as nações indígenas

Se alguém deve reclamar de ameaça à soberania somos nós, que, hoje, temos apenas 13% de um território que já foi 100% indígenaPODERÍAMOS aqui elencar uma série de dados reais sobre a Amazônia, sobre os povos indígenas e sobre os ganhos que têm a sociedade e o Estado brasileiro por reconhecer seu multiculturalismo. Vamos deixar isso para que Helio Jaguaribe o faça. Ou, então, continue publicando esses artigos burlescos e oportunistas ("Tendências/Debates", 19/ 2) que só servem de pretexto para denegrir a imagem dos povos indígenas. Primeiro, a Amazônia nunca esteve abandonada, não pelos povos indígenas, que desde sempre estiveram e estão lá, guardando as fronteiras e garantindo a integridade territorial do nosso país. Perguntamo-nos: Quem é Helio Jaguaribe para falar de nacionalismo e de perda da Amazônia, para nos acusar de formar nações com a ajuda dos americanos para reivindicarmos nossa autonomia etc.? Para informação de Jaguaribe e de mais algum nacionalista de plantão que busca culpados para a suposta "perda da Amazônia", não estamos construindo nações -nós somos nações indígenas! Não com a ajuda dos americanos, mas porque os cerca de 480 mil índios brasileiríssimos são sobreviventes de uma história de extermínio, de massacres, de chacinas e de toda sorte de discriminação e preconceito de que um povo pode ser vítima, mas que, teimosamente, sobrevive num país que, em pleno século 21, ainda abriga pensamentos e conceitos tão retrógrados sobre o direito à diferença, explicitando a intolerância que sempre caracterizou as relações de uma minoria deste país que detém o poder econômico e político em detrimento de uma maioria de diferentes. Preconceito esse que nos faz sofrer cotidianamente todos os tipos de violência, que nos faz diminuídos diante de tanta impunidade, que faz nosso sangue espesso em nossas veias finas que já não suportam tanta revolta. Somos apenas 480 mil graças a uma errônea e equivocada política de extermínio adotada durante séculos e que matou milhões em só 500 anos. Somos nações, somos povos, sim. Falamos mais de 180 línguas diferentes. É mais do que justo que o Estado que nos submeteu aos horrores do extermínio assuma a responsabilidade de proteger o que ainda resta de nossas culturas, crenças e tradições e os parcos territórios dos quais usufruímos. Não sabemos a que "americanos" se refere Jaguaribe. Se for aos estadunidenses, são do país mais resistente ao reconhecimento dos direitos humanos coletivos dos povos indígenas nos fóruns internacionais, como a ONU e a Organização dos Estados Americanos, que estão discutindo e formulando as declarações internacionais sobre os direitos dos povos indígenas. Nesses fóruns, como líderes indígenas, participamos em condições de eqüidade e igualdade com o Estado brasileiro, representado por seu corpo diplomático, os conceitos de soberania, integridade territorial, direito à livre determinação dos povos indígenas, direitos e soberania sobre suas terras, territórios e recursos naturais, entre outros. Discutimos tais direitos fundamentais para garantir um futuro digno aos povos indígenas e estabelecer, entre o Estado brasileiro e os povos indígenas, novas relações que tenham como base o respeito mútuo. Se alguém deve reclamar da ameaça à soberania somos nós, que, hoje, temos apenas 13% de um território que já foi 100% indígena e tivemos roubados e saqueados pelo menos 87% do nosso Brasil indígena. Somos os responsáveis por ainda haver grandes riquezas nas terras que nos empresta o Estado brasileiro porque respeitamos, preservamos e cuidamos delas. Jamais permitiremos nenhum tipo de intervenção estrangeira nos territórios que ocupamos. Esses territórios são as nossas casas e a única garantia de vida que resta aos nossos filhos, de quem, ao entardecer de cada dia, olhamos bem no fundo dos olhos e damos a esperança de ver no dia seguinte seus territórios desocupados e livres de invasões, para o exercício pleno e efetivo do seu direito humano à vida. Um artigo como o de Helio Jaguaribe é uma afronta às nossas árduas lutas pela conquista, e não simples "concessão", de cada palmo dos nossos territórios tradicionais. É uma afronta aos nossos povos e à memória dos nossos grandes líderes que foram assassinados pelo Brasil afora em nome da liberdade de viver como povos diferentes e dignos.

Escrito por: AZELENE KAINGÁNG, socióloga, e UBIRATAN WAPICHANA, advogado, são técnicos do Warã Instituto Indígena Brasileiro.

terça-feira, março 27, 2007

A mesa de três pernas

O monge Gozaimasu andava com seu companheiro peregrinando de uma cidade a outra e pedindo esmola ou comida pelo caminho. Um dia, um senhor e sua mulher já idosos acolheram os dois monges cansados. Convidados para tomar um chá, ao perceber que a mesa tinha apenas três pés um dos monges falou: como é que quatro pessoas podem sentar à sua mesa sem que haja um desastre? O senhor disse: quem senta com os cotovelos é o senhor. Tendo encontrado seu mestre e, abandonando seu companheiro de viagem, Gozaimasu permaneceu com ele por seis anos até alcançar à iluminação.

segunda-feira, março 26, 2007

É IMPORTANTE TER OS PÉS NO CHÃO

O Zé Pessoa olhava atentamente o quebradinho do azulejo do banheiro. Por entre suas pernas, sentado nas cabeluras do nordeste, cagando infinitamente aquele quebradinho ali era uma chateação. Quem tinha quebrado o azulejo novinho do banheiro? Até por que, era a primeira casa com banheiro do Zé. Era a primeira casa com telefone do Zé. Por entre suas pernas o Zé recordava a primeira visão de sua infância: a casa de barro de sua avó toda carcomida pelo tempo. Mas ela dizia feliz que morria onde tinha enterrado seu saco de dinheiro, e no caso do Zé, o saco era um depósito na caixa econômica financiado por muitos anos. o saco estaria ali todo mês a ser enchido aos poucos como pequeninos grãos de terra seca.
O azulejo era de uma qualidade inferior, sim, o Zé sabia disso. Mas como tinha sido instalado por ele a pouco mais de três dias cabia tomar conhecimento de quem tinha maltrado a integridade da porcelana barata. Cagando, o Zé olhava aquela lasquinha esfacelada e se sentia desrespeitado como um proletário.
Todo trabalho exige umas besteiras modernas. Telefone para ser encontrado, carteira de identidade para ser registrado, conta corrente para ser cpmfezado e um crediário das casas Bahia para dar um ânimo nas despesas mensais. O Zé levantava muros como ninguém, fazia um cimento fininho, invejável, daqueles bons de se fazer calçadas, escrever nelas enquanto úmidas e deixar para a posteridade a palavra amor ou seu nome. O Zé assinava seus cimentos antes que algum moleque o fizesse, muito por orgulho, mas por artismo também. O muro do Zé era alinhado com fio de pesca porque era isso que ele carregava no bolso o tempo todo. Tijolo por tijolo, fio por fio, massa por massa, chapisco por chapisco. E voltava pra casa muito feliz depois de ter erguido muros nas cidades.
O Zé gostava muito de café forte e bastante açucarado. Mas o açúcar acabava muito rápido em sua casa atacado pelas formigas e pela esposa gordinha das tetas gigantes, a terceira mesma que gostava de chifrá-lo de vez em quando. O café, no entanto, era ela quem fazia e com muito gosto. Passava do jeitinho que o Zé preferia: coado na meia usada durante dia de trabalho. O Zé tinha desejo de amendoim e acreditava piamente que meia usada coada dava o mesmo efeito no manjar árabe. E drinks, drinks drinks...
toc toc toc
toc toc toc toc
toc
plumft tloc toc plumpft
xóoooooooooooo
xó
tsssssssssssssss
pá
ssssssssssssss
m
quem fazia tanto barunho assim no banheiro de madrugada? O Zé, meio bebum de sono, foi lá pra ver e olha lá a lasqueira de azulejo cagando e batendo o salto do sapato alto na lasquinha e aumentando o desgosto do Zé: a cunhada!!!
Pô, Cremeide, sua filha da puta. Como é que você entra aqui, caga e quebra meu azulejo? E como você entrou aqui?
Pela porta, seu chifrudo. Sua irmã me deu as chaves ontem. Cadê ela, inclusive a essa hora? Corno, pf!
Limpou a bunda, fechou a tampa da privada, levantou a calcinha, a saia e, com uma risadinha, passou pelo Zé na porta do banheiro.
Zé, eu pago o conserto do azulejo amanhã, seu bosta, tem café?
Ela, Cremeide, nem sabia que o azulejo e o desrespeito por ele, para o Zé, seriam a gota d'água de uma crise de existência fodida. Rápido como um tatu e forte como a anta o Zé deu um tapa na Cremeide que fez ela voar. Ela se levantou, foi até o lado de fora da casa e voltou com um azulejo extra, uma sobra, igual ao que ela tinha lascado. Será que foi ela quem lascou primeiro em primeiro lugar? O Zé ficou tão confuso que saiu de casa e só voltou seis dias depois iluminado: que é um azulejo?

segunda-feira, março 12, 2007

Zé Pessoa quer ter um filho

Casado com sua primeira esposa, Guilheumina, ZéPessoa já tinha seus dezenove anos de cabra-homi quando resolveu que, com ela, haveria de ter um filho logo conseguisse o desejado emprego de peão-de-obra na capital. Até entãoZéPessoa achava que tinha casado com uma Guilheumina grávida, mas que nada. Como diziam seus melhores amigos, ela deu o golpe da barriga no pobre que tinha um corcel II e agora queria ir pra São Paulo com ele. Como previsto pelos amigos, isso aconteceu em um dia sete de setembro. o Zé e a Mina foram de mala e cuia até a Bahia e depois desceram de ônibus até São Paulo; o corcel II ficou em Salvador, virou sucata de desmanche e patrocinou alguns meses de hospedagem no hotel Mirage, centro de São Paulo. Lá os dois migrantes arranjaram empregos: um de peão-de-obra e a outra faxineira do boteco da esquina. Logo, logo já passados onze meses longe de casa, numa bela manhã de Domingo, o Zé Pessoa foi dar um rolê com sua nova camisa do timão de mãos dadas com Guilheumina. Ambos sorriam felizes um para o outro e em suas testas brilhava o sol da manhã, sorridentes por saberem que Mina estava grávida de cinco semanas e sem ela ter enjôos ou tonteiras; que mulher de ferro. Desde que chegaram à São Paulo, Zé e Mina passaram a frequentar classes de aceleração. Ele com 19 e ela com 20 anos mal tinham terminado a terceira série do elementar. Mas queriam tanto aprender a escrever um para o outro cartas de amor e de saudades ou suas memórias e desabafos e faziam isso juntos todas as semanas. Se amavam feito loucos proletários, o Zé e a Guilheumina. O Zé Pessoa estava decidido pelo nome que daria, afinal tinha aprendido algo na escola que influenciava seus pensamentos: o nome do primeiro elemento químico. Aquele nome zanzava em sua cabeça o tempo todo e o Zé só se permitia sonhar com ele se o bebê fosse menino. A Guilheumina já tinha em mente o nome da herdeira: Felícia, pela felicidade que era aquela família de Pessoas.
No vigésimo mês de saudades de casa e da farinha d'água, nascia em São Paulo o menino batizado Zé Hélio Pessoa; Mina seria mãe as 18:11hs enquanto o Zé terminava um belo muro na obra em que estava acompanhada da mãe, Dona Rizaldina, que chorava de emoção ao ver o menino cabeludinho todo sujo de sangue. Dona Rizaldina achava que um milagre estava acontecendo à sua frente e, sem poder conectar o Zé pela benção, rezou em seu nome pela felicidade. O Zé finalmente era alguém para a família de Guilheumina.
Zé Hélio traduzia os sonhos realizados do casal Pessoa e agregava os sonhos dos outros familiares ali, em seus pequeninos olhos fechados. O menino mamou ao sair da barriga da mãe e, como o gás hélio, peidou logo após o último gole de colostro.

quinta-feira, março 08, 2007

Da Paternidade

Aos vinte e nove anos de idade eu, Bruno Prieto, fiquei sabendo as 18:36hs de um 04/05/06 que minha mulher havia dado à luz ao nosso filho. Naquele momento eu estava me preparando para apresentar um show de bolso na Fnac da Av. Paulista. Sou músico e por isso já havia me preparado para esta eventualidade. Mas eu não estava pronto para nada...


Uma das coisas mais difíceis de se assimiliar sobre a paternidade é que ela não é debatida nos almoços familiares ou nas rodas de amizade. A paternidade é um caminho solitário que margeando à normalidade, todo mundo é filho de alguém afinal de contas, desbotou-se do imaginário social e do mundo. Ser pai, para um homem, é normal. Tão normal que meu primeiro pensamento ao olhar meu filho foi: por onde eu começo? E, acessando um conhecimento adormecido, um amor profundamente resguardado dentro de mim, usei a intuição e meu lado animal. Foi isso que me deu à luz à paternidade. Ninguém me ensinou nada. Eu aprendi o que pude e todo mundo terá destino igual se não houver uma verdadeira avaliação e debate sobre o tema, pois como homens que somos não podemos alegar que isso, ter um filho, é tarefa de mãe ou coisa parecida.

A responsabilidade paterna é, sobretudo, criar um campo de força favorável para que a mulher em gestação sinta-se o mais confortável possível para ser o ambiente perfeito de desenvolvimento do bebê. Um fato importante é entender que as mudanças de comportamento e hábitos da mulher com quem você terá um filho influenciam e transformam as 24 horas do seu dia. Mesmo que você e sua mulher não sejam um casal, inclusive, e não morem no mesmo teto é preciso ter coragem para amparar e dar toda confiança para a mãe em questão. A natureza humana e sua imperfeição provavelmente minará a energia, a vontade de ser companheiro o tempo todo e sempre nos reservaremos a hora do futebol, da cerveja com os amigos ou uma saída pra comprar pão. A gravidez não é uma doença. É importante frisar isso porque não é preciso iludir e enganar uma mulher grávida. As condições sobre a saúde dela e o que ela pode ou não fazer, além do resguardo natural, são indicadas pela(o) obstetra de confiança dela. Perder a confiança de uma mulher grávida é pedir pra ela se irritar com você e isso não é bom pra ninguém.

Obstetras são profissionais muito difíceis de se confiar. No Brasil existe uma grande tendência ao parto de cesariana, ao aleitamento com mamadeira e outros catalisadores de desenvolvimento do bebê que estão longe de serem os melhores. Claro que existem casos onde existe rejeição ao leite ou sintoma alérgico, que as vezes uma cesariana de emergência poupa o bebê de uma situação desconfortável ou de risco. Mas, no meu caso, foram precisos mais de cinco consultas diferentes para encontrar a obstetra que fez o parto do meu filho. Minha mulher queria ter nosso bebê de forma natural e três obstetras tentaram convencê-la do contrário. Com eles não houve uma segunda consulta. A quarta médica, quatro semanas antes da quadragésima semana, nos disse que não aceitava mais nosso plano e que nos indicaria outra pessoa, caso fôssemos pobres. E a quinta médica acabou sendo a que fez o parto. Isso gera um stress enorme para a família e por isso é muito importante apoiar a decisão da mulher nestes casos e, se possível, mostrar que o caminho da natureza é o melhor apesar dos médicos apelarem para a dor e outros recursos para demover a mãe deste procedimento. O caso é que a cesariana é controlada, é uma intervenção cirúrgica rápida e que custa mais caro para o hospital. A recuperação da mulher é mais demorada e, para que tudo dê certo, você deve estar preparado para trocar a primeira fralda, colocar a primeira roupinha e ajudar o bebê na primeira mamada.

Os três primeiros meses de gestação são muito estranhos em vários sentidos. À começar pela primeira diferenciação entre sexos, o homem não sente e não entende nada do que está acontecendo com sua parceira. E a mãe já começa a experimentar os enjôos, as náuseas e a indisposições naturais das primeiras doze semanas. Ao homem cabe tomar à dianteira sobre as decisões rotineiras, presevar e criar um ambiente saudável. A alimentação e sono da gestante são muito importantes nesta fase; são fundamentais para o desenvolvimento do bebê e das diversas camadas que o compõe. Nesta fase forma-se o coração, o cérebro e a medula óssea, a coluna vertebral. Com isso seu bebê passa de um feijãozinho a um alienzinho e é emocionante a hora de ouvir seu coração, normalmente batendo a mais de 150 ritmos por minuto, no ultrasom.

A maior dúvida do homem é saber se ele já é pai ou não. Já que a experiência física do pai é diretamente relacionada à observação do desenvolvimento físico e emocional da mãe resta a ele direcionar seus atos e pensamentos ao que interessa: informações atualizadas sobre tudo relacionado à gravidez. A internet é a grande responsável pela democratização de textos, experiências, teses e notícias sobre o assunto. Revistas especializadas são ótimas para descobrir os debates sobre infância e papel dos pais nesta fase tão importante da vida da criança. Conversar com outros jovens pais é mais útil e fácil do que se imagina nessas horas. Novos pais se reconhecem e falam a mesma língua, acredite. É crescente o interesse do homem pela maternidade e vale todo o esforço saber algo que pode deixar a mãe geradora mais confortável e segura em sua cachola.

Quanto mais cedo você encontrar um(a) obstetra de confiança da família que mostre domínio sobre todas as situações fundamentais para uma gestação tranqüila e ajeitada, melhor. Não deixe ninguém criar expectativas sobre o parto, sobre enxoval, sobre o sexo ou o nome do bebê. Nada disso importa ainda. Observe os horários em que a sua parceira enjoa. Se for de manhã, por exemplo, faça um bom jantar pra ela comer antes de dormir. Enjôos normalmente acontecem porque o bebê demanda muita energia para crescer. Uma grávida exige dieta rica em muitas coisas. A internet possuí muitas receitas disponíveis para alegrar estes momentos. É importante enriquecer a dieta com ácido fólico, presente em verduras e legumes crus. Muitas mulheres enjoam com o cheiro de alho, cebola e feijão cozinhando. Normal.

Existe um grande debate sobre o parto natural e amamentação. Muitas mulheres temem a dor, a demora e a explosão de sentimentos que antecede o parto natural. Para o homem, este momento é mais do que ser “aquela mão apertando a mão”. A verdade é que nas primeiras doze semanas é muito difícil saber quais são as condições de nascimento do bebê. Eu e minha esposa fizemos juntos um curso de parto que, além de esclarecer dúvidas, nos colocou à disposição dezenas de opiniões singulares sobre como resolver os medos e estar preparado para o dia do nascimento, qual tipo de parto escolher, qual maternidade faz isso ou aquilo, como amamentar, etcetera. Mas a minha esposa tinha tanto sono que sua maior preocupação era acordar na hora de ir pra faculdade ou se teria eu já cozinhado o feijão quando ela chegasse em casa.

segunda-feira, março 05, 2007

É o começo do século desde o ano 2001 - só você ainda não sabia

Vamos partir do princípio de que há um interesse em massa sobre o aquecimento global e uma real preocupação individual capaz de justificar a tese de que um grão de areia é o mar e etcetera. Um cigarro joga alguns gramas de carbono no ar, dióxido de carbono. Um fumante que plantasse uma árvore poderia fumá-la muito bem durante anos. Um carro à gasolina joga 1500kg de dióxido de carbono por tanque. Uma árvore é capaz de absorver 180kg de dióxido de carbono por ano. Um carro à alcóol joga 50kg do mesmo lixo no ar por tanque.
Epa, será que o Brasil será invadido? Tive um sonho estranho demais. O Brasil seria invadido por uma coligação de países interessados na reciclagem de carbono da floresta amazônica, nas reservas de urânio e no potencial do alcóol para ser o combustível do futuro. Eu tive a impressão de regressar no tempo e me dividir entre colonizador e colonizado. E o colonizado seria colonizado de novo. O Brasil seria agregado a tal coligação por meio de uma expropriação pacífica de bens prioritários para o equilíbrio ambiental que não seríamos capazes de sustentar sozinhos. A Coréia do Norte entrava em guerra contra a Mongólia, a Rússia e China e o Japão apoiaria a Coréia do Norte juntamente com o auxílio norte-americano e desmantelaria em seis dias todas as reservas chinesas de energia, submetendo o dragão molestado à mil anos de submissão e retrocessos industriais que equilibrariam em 200 anos o efeito estufa, já então controlado por mecanismos bacteriófagos aéreos que absorveriam o dióxido de carbono à níveis tolerantes e de acordo com os previstos pela ciência espacial. Não haveria música como a conhecemos e sim métodos extra-sensoriais adequados para que os indivíduos pudessem purificar sua audição e escolher o que ouvir através de ondas musicais infinitas que seriam jogadas no ar. A internet seria real, sem fios e interior, como uma enciclopédia invisível e de livre acesso. O dinheiro será de tão poucas pessoas que não importará muito. Outras coisas seriam mais relevantes como ir à praia ou ir à Chapada dos Veadeiros.
No meu sonho, eu era uma baleia.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

O nome dele é Gilberto Kassab - Extemporâneas

Demorei mais de um dia pra me recuperar do baque que foi ver o atual prefeito, ex-vice-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab explodindo seus nervos, preconceitos e medo contra um senhor desempregado que resolveu protestar miudamente em um posto de saúde sobre a situação dele e de muitos outros cidadãos desrespeitados, isolados, sem recursos e meios e tempo e muito mais, integridade social, sobre a demora do atendimento e a qualidade do posto de saúde em si. Todos nós brasileiros não precisamos mais saber, é fato que a saúde no Brasil é uma pouca vergonha. Vergonha que este senhor teve que passar na frente de seu filho de 7 anos, vergonha que desanuviou nas lágrimas do senhor depois do ocorrido. O senhor...
Gilberto Kassab aproveitou-se da lei da vantagem. Popularmente conhecida no futebol, a lei da vantagem é aquela onde a bola permanece em jogo depois de uma parada de jogada, mas que permanece nos pés de alguém que é do mesmo time, permanece com a bola e por isso pode continuar o lance, principalmente se for algo como perigo de gol. Protestar em local público é legitimizar a democracia e como Gilberto Kassab parece não entender esse conceito, ele resolveu, claro que amparado por seguranças, agregados políticos, expulsar aos gritos de "vagabundo!" e puxando o senhor "Kaiser" pelos ombros, braços, pela manga da camisa, escurraçando-o do posto de saúde. Não foi aplaudido pela multidão, o prefeito. Não foi ovacionado. Não foi nem agredido verbalmente, de fato. Gilberto Kassab foi, literalmente, um filho da puta de um burguês mal-intencionado que, usando a carapaça de um cargo público sério, resolveu ser o justiceiro dos paulistanos. Bom, Gilberto Kassab, os paulistas e paulistanos não votaram em você. O pior sítio eleitoral do país, o mais absurdo, o mais cínico e hipócrita dos celeiros eleitoras tem seu prefeito, assim como o Rio de Janeiro tem os justiceiros, querendo provar que é macho. Não é macho e não fez a coisa certa, Gilberto Kassab. Você humilhou um cidadão necessitado. É o oposto do que deveria ser feito. É justamente a clareza das imagens do prefeito perdendo o controle, perdendo também a compostura e dignidade, que representam para todo o país o imaginário paulista: prepotência, ignorância total e superficialidade. Gilberto, ainda bem que o metrô caiu sob seu mandato. As mortes são 7 pequenas histórias como a do senhor Kaiser, que estava no lugar certo na hora errada, e pedir desculpas não será nunca de bom tamanho pra mim. O Brasil cai e cai na desgraça global. Mas calma lá. Estamos em total desgraça aqui!!!
Democracia. O prefeito de São Paulo fere até agora o direito do cidadão de protestar porque é a liberdade de expressão uma das ferramentas de inclusão social e de desalienação da informação. A democracia deveria aplaudir pessoas que apontam verdadeiramente a verdade das coisas. Postos de saúde, e eu fui a alguns deles nos últimos meses, são locais onde trabalham pessoas dispostas a enfrentar diariamente as reclamações de seus usuários porque falta muito, senão quase tudo, para que se possa chamar o local de atendimento de um posto. Na real, é quase isso. Meu filho quase não tomou uma vacina importante em Marília, interior de São Paulo, e foi uma ameaça da minha esposa de ir aos orgãos de imprensa que acelerou o processo. Isso é bom e isso tem um lado ruim. O lado ruim é que só temos coragem de reclamar na frente das câmeras e são as próprias câmeras hoje que flagram os deslizes de artistas, políticos e de quem mais atravessar o seu caminho. Silêncio.

....um dia depois...

"Vagabundo" diz que trabalha desde os 10 e que votou na chapa Serra/Kassab
LAURA CAPRIGLIONE
DA REPORTAGEM LOCAL (Folha Online - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0702200717.htm )

Ainda com dor de dente, o microempresário Kaiser Paiva Celestino da Silva, 47, disse que perdoa o prefeito Gilberto Kassab (PFL), que anteontem enxotou-o de um posto de saúde em São Paulo, xingando-o de "Vagabundo, vagabundo".
Kaiser recusou a ajuda em dinheiro oferecida por um programa vespertino de televisão. "Eu sou trabalhador, não aceito esmola", disse no ar. Em vez disso, ofereceu-se para adesivar e pintar o ônibus da emissora de TV -remuneradamente, é claro, "porque senão vicia o cidadão", disse, citando.
Na casa da rua Cecília Calovini, na Vila Zatt, que Kaiser divide com a mulher, Lúcia, com os filhos Samuel, 7, e Maiara, 5, e com a oficina de cartazes praticamente desativada desde o final do ano passado, por causa da Lei Cidade Limpa (que restringe a publicidade exterior), o aluguel está atrasado. Credores são driblados à custa de empréstimos de vizinhos e parentes. Também a igreja evangélica Cristo Centro dá uma força.
Anteontem, nem era para Kaiser ter ido ao posto de saúde Pereira Barreto, bairro de Pirituba, onde o prefeito Kassab inaugurava uma unidade de assistência médica ambulatorial. Quem costuma levar as crianças ao médico é Lúcia. Mas a mulher tinha outro destino -conseguir alguém que ajudasse nas contas de água e luz, antes que as concessionárias cortassem o fornecimento.
Sobrou para Kaiser levar os potinhos com fezes e urina das crianças ao posto, conforme pedido médico de 31 de janeiro. Aproveitaria para pedir que algum dos dentistas extirpasse o dente do ciso do lado esquerdo, inflamado e latejando. Não foi atendido (encaminharam-no para outro posto, na Vila Zatt, onde ele está cadastrado).
Kaiser estava confuso, sob efeito de calmantes, quando falou à Folha, mais de 24 horas depois do "Vagabundo, vagabundo". Na pizzaria vizinha, o funcionário conta que viu quando o homem chegou em casa, "chorando como criança".
Líder comunitário, ex-membro do conselho do parque Rodrigo de Gasperi (perto de sua casa), diplomado em cursos de responsabilidade social no terceiro setor, Kaiser diz que votou na chapa José Serra/Kassab em 2004. "Foi o meu filho Samuel que, na cabine indevassável, digitou o número 45", conta. O menino aprova.
O mesmo Samuel acompanhava Kaiser anteontem no posto de saúde. Assustado com a gritaria, o menino escondeu-se atrás de um poste do outro lado da rua. Ontem, Samuel se lembrava da primeira coisa que disse ao pai, depois do incidente: "Pai, por que ele chamou você de vagabundo?"
"Isso é o que mais dói. Eu trabalho desde os dez anos", diz Kaiser, órfão de pai e mãe que ajudou a criar os cinco irmãos menores.
Logo depois da confusão, a prefeitura soltou uma nota oficial em que dizia que Kaiser estava no posto de saúde Pereira Barreto só "para tumultuar", já que ele e seu filho "são cadastrados na Vila Zatt". Ontem, a assessoria de imprensa da secretaria da Saúde admitiu que os filhos do microempresário são pacientes do posto de saúde Pereira Barreto.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Jeito google - Análise global

É uma enrascada que o indivíduo inserido na sociedade virtual e que transfere para o mundo virtual parte do acervo de informações vitais, os back ups cada vez maiores, e de fotos digitais que nunca acabam compõem nossa pasta de Minhas Imagens e armazenar tanto quanto ter a coragem de separar e imprimir as melhores é grande tarefa. Uma grande tarefa é o que faz parecer fácil o google com seu enorme banco de dados virtual que, na minha opinião, não tem proporcões. Faz parecer fácil transmitir, enviar e receber dados, armazenar os backups, é tudo muito bem feito que parece ser do nosso mundo... acho brilhante como o google tomou conta da hidra de lerna que foi a microsoft. O cérebro, microsoft, depende dos imensos tentáculos que o google desenvolveu à partir de seu supermotor de buscas. Eu lembro do "google" começando. Lembro do yahoo se juntando à geocities. Hotmail parece coisa do passado pois todo ser tem um, até quem não tem computador pessoal possuí hotmail. É a inclusão digital que permite, sim, compactar pessoas do mesmo interesse em ips públicos, alugados ou contratados. Uma facilidade que se torna absurda, modifica-se com a velocidade dos processadores intel. Sou usuário do firefox netscape, openoffice, winamp, coisas gratuitas. Escrevo neste blog que me oferece a opção de não transformá-lo em sala de conferência ou discussões egóticas, opiniões e interesses cruzados, mas já é ele do google. me dei conta disso semana passada. também uso gmail, acho muito bom inclusive. O google tomou conta de todos os meus bancos de dados. Como o maskavo tem conta com a locaweb, meu mail ainda é a única coisa que o google não é dono, ma domina com certeza. Isso porque tem, na página inicial, uma foto do Bill Gates com cara de safado dizendo porque a locaweb é boa. E é mesmo, pena que não curte fazer negócios com gente pequena. Peixe pequeno na internet é o que eu sou. Fico muito abismado, acho brilhante inclusive, quem consegue promover um site, uma banda no myspace ou um blog, flog, youtube videolog, e isso gerar uma grande procura tanto quanto o vídeo da Cicarelli (eu vi) ou do enforcamento de Saddam Hussein (não assisti) sem anarquismo algum ou pudoridade. Acho meio sacanagem o lance da pedofilia virtual e dos excessos e traumas que isso causa nos confins do infinito interior das pessoas e das cidades e das famílias. Abomino isso. Comércio de animais, pessoas, a escravidão é uma das maiores tristezas do mundo. É perverso e infinito, velho como o mundo e como isso é possível eu não sei. Só sei que a internet permite uma velocidade em negócios ilícitos que é uma beleza. O celular é ainda pior e hoje em dia ele é a ferramenta que o google vai dominar junto com a apple. O ipod é sensacional e caro e fora dos padrões brasileiros. Um celular de 1 giga que conecta-se wifi o realiza transferências, lê e responde mails e tem funcionabilidade, putz, é o luxo. Eu gostaria de ter um desses porque é isso que eu faço. Mas é caro. será que o google não poderia dar um jeito nisso?

quarta-feira, janeiro 17, 2007

favoritas de BP - janeiro de 2007

Matisyahu - Ancient Lullaby
Céu - Concrete Jungle
John Coltrane Quartet - Vigil
John Coltrane Quartet - Dusk Dawn
UB40 - One in Ten
Paralamas do Sucesso - Alagados

terça-feira, janeiro 16, 2007

Essa tal pena de morte

Não sou favorável à pena de morte porque é impossível tornar mais humana à morte, que é da própria natureza do homem morrer assim implicando e submetido ao caos equilibrado da existência. Morre-se e pronto como na cratera aberta na marginal Pinheiros, grande São Paulo, 2007. Morre-se como morreu Saddam Hussein mas sob quais circunstâncias ambas as mortes são tão diferentes? Dona Abigail andou até sua morte. Saddam foi assassinado sendo muito pior do que qualquer uma das vítimas encontradas no deslizamento do metrô da linha 4.
A pena de morte é assassinato. Não importa sob qual tipo de ética ou senso de justiça se aplica. É falsa a impressão de sucesso quando o sistema letal aflinge o assassinado. Ele morre vítima de seus atos, mas é morto como uma lebre ou uma zebra no mato. Porque a cidade é a selva do homem, foi onde ele lançou toda a sua força e capacidade: para viver em uma sociedade controlada, diferente das selvas e do desordenamento equilibrado do ciclo da existência viva.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Extemporânea do Brasil n°1

Vou ser bem direto. Esse papo de aumento salarial para deputados e senadores é para boi dormir. Eles chutaram alto e ganharam uma pequena elevação de quatro mil reais por mês. Também quero ser deputado...

Vale à pena ser desempregado desde que você tenha mais de dois filhos. Explico: somando os benefícios assistenciais do governo Lula, Bolsa-Escola - R$ 175,00 para cada filho que freqüente as aulas - R$ 350,00 (em dinheiro) Cartão-cidadão (que o intuito é restituir a cidadania) - R$ 350,00 (em dinheiro) Vale-Gás - (um por mês) - R$ 70,00 - Transporte (calculamos 4 passagens diárias, que é uma boa média) - R$ 8,00/dia x 20 dias = R$ 160,00 - Vale-Refeição - (uma por dia) R$ 3,50/dia x 30 dias x 4 pessoas - ele, a esposa e os dois filhos) - R$ 420,00. Em dinheiro - R$ 700,00; em serviços - R$ 650,00, totalizando hum mil trezentos e conqüenta reais. Vale à pena...

No que diz respeito à seriedade, estamos milhares de anos-luz de distãncia de algo que se possa chamar ideal. Eu digo que o Brasil está vivendo em colapso total. Não é culpa do atual governo. Isso é o que podemos chamar de fator histórico. O Brasil é um grande colapso.

Marxistamente falando, se me permite o termo, o Brasil de hoje tem ótimos números e pode até enganar o mais bobo cidadão com promessas e acesso ao crediário, à vadiagem política ou mesmo à vadiagem assistencialista, mas não engana ninguém de verdade. O grande colapso que aqui se instaurou é mental e intelectual. De que adianta a ambição de crescimento econômico se, para manter e ampliar o crescimento, é necessária capacidade intelectual e especializada manutenção de projetos, o chamado continuismo das coisas? De que adianta plantar cana-de-açúcar para os automóveis e soja para os chineses se o preço ambiental a se pagar no futuro serão os tornados e furacões na terra conhecida por paraíso, Hi-Brasil?
Andando de carro, saí de Marília até São José do Rio Preto, 186Km da minha porta de casa. Fui apreensivo embarcar minha mulher e filho para Brasília em um vôo da TAM que estava marcado e previsto para as 18:20hs. Dirigi em uma estrada estadual da mais péssima qualidade, mais de 70 Km de buracos e remendos e pistas de mão única, algumas partes não tinham nem acostamento ou divisões na pista, um perigo; Quem diabos iria investir algum dinheiro em Lins ou Getulina? Não tem nem como chegar lá sem tomar um pequeno prejuízo! Não tem nem polícia rodoviária depois de Lins porque, se passar dos buracos, a maconha merece ser distribuída no centro-oeste brasileiro. Me pareceu isso de verdade. Um descaso enorme.
Esperamos das 16:30hs até as 20:32hs para que descolassem minha felicidade e família. Eu ainda tinha que voltar os 186Km, de noite, chovendo e, por causa da buraqueira, deu pane no painél do meu carro, um Tipo 1.6 1994, deu pane no limpador de parabrisa do lado esquerdo, nas luzes do painél, no cd player e no vidro elétrico. Tudo por causa de trepidação e olha que eu não estava rápido. Eu estava com medo de morrer e perder tudo de uma vez só.
Demorou mais de três horas e meia para que eu chegasse me casa. Não me sinto muito bem. Estou todo dolorido...
O colapso aéreo é o final da reta. ACORDEMOS PARA À VIDA. Tudo já está em declínio nesta civilização brasileira faz séculos. As estradas estaduais e federais são péssimas, tirando algumas rodovias paulistas, pedagiadas inclusive. Solução: acabemos com o IPVA e pedagiemos o país todo. Quem quer comprar de verdade estes pedaços de chão? Cargas pesadas e veículos longos destróem o asfalto. O peso é excessivo e o asfalto é de péssima qualidade. Solução: investir em ferrovias para transporte de produtos que andam em veículos longos. Esses veículos são muito perigosos na estrada, principalmente quando carregados e em uma descida. Eles são impossíveis de brecar! As estradas terão maior durabilidade com uma decisão dessas. Os carros não irão desmontar à cada viagem de 200Km. Inclusive eu ajudei dois senhores que tinham acabado de quebrar seu carro em um buraco de quase um metro de largura e profundo, até a canela de profundidade, desviando de um caminhão que vinha na direção oposta desviando dos buracos mas passando por cima daqueles o qual seus pneus aguentam. Inclusive é isso que deteriora o deteriorado, o asfalto e o buraco. O sistema de saúde todo é um caos. Não tem mais solução da forma como está. Quer dizer: DINHEIRO. Saúde é investimento pesado em tecnologia e profilaxia, estudantes de medicina e de universidades para desenvolver pesquisas nas mais diversas áreas da medicina, da cura e da solução dos problemas orgânicos. Medicina é instrumental.

Vê-se que os problemas aqui apresentados desviam nossa sua atenção o tempo todo do que é importante: SER BRASILEIRO DE VERDADE. Os políticos não se importam, os gringos também não, mesmo os chilenos ou venezuelanos não tem porque se preocupar conosco. Se a atenção fica sempre voltada para o colapso é evidente que uma medida salvadora e reparadora criará uma falsa impressão de cura do sistema. A isso deu-se o nome de nazismo, facismo, mao tse tungismo, fidelismo (e olha que do Fidel histórico, eu gosto); É provável que confisquem nossa poupança assim como em 1990, presidente Fernando Collor de Melo, em breve. É provável que a CPMF vire CMF. Ah, lembrando que o último colapso aqui vindouro foi a destruição em 1968 da classe artística brasileira. Os heróis envelhecidos de ontem são apenas sobreviventes da máquina de fazer dinheiro que virou o meio cultural. É uma máquina de restituição de imposto de renda, isso sim. Não tem cinema, nem teatro, nem música e nada de vanguarda. É quase tudo enlatado Made in Brazil e com sotaque do Rio de Janeiro ou São Paulo. É quase sempre de péssima qualidade.
Não existe uma elite pensante no país. Existe, sim, economistas, jornalistas, cientistas políticos e sociólogos, proletários, mas elite mesmo, intelectual, não. Morreu na ditadura militar também esta galera e com isso veio o Brasil de Lula, um homem do povo engajado em porra nenhuma. Infelizmente, ele se afasta do povo a cada dia que passa no poder. Por isso os filósofos palestravam ao ar livre e andando: Para provar aos seus alunos a eficiência do movimento, cada ato em si, cada coisa da natureza por si mesma tem efeito prático e educativo. Os políticos temiam os filósofos e muitos deles foram obrigados a se matar.

O propósito da terra Brasil é a beleza. Mas aqui o negócio está muito feio.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Pena

Sinto muita pena dos jovens artistas e das bandas novas que estão aparecendo por aí. Sinto que não tenho como ajudá-las porque, se posso, poderia soar doideira ou que eu sou um cara metido, sabichão ou simplesmente seria mal interpretado. Conselho e opinião, particularidades são difíceis de serem digeridas naturalmente. Acho que, se os jovens artistas e as novas bandas não se tocarem, elas irão para o buraco mais rápido do que elas mesmas podem imaginar.
Engana-se a pessoa que está desinformada. Apesar da falta de gosto e aptidão, eu tenho o costume de sempre estar buscando nas novidades algo que me interesse, segundos de reflexão. As músicas de hoje em dia não são boas. São carentes de verdade, são previsíveis e tolas. As bandas jovens, que me perdoem sempre se possível, não são bandas, são apenas clubes de reuniões semanais onde existe a tentativa de se fazer algo próximo do que se chama um álbum, ou uma canção. Elas não tem como ser culpadas do caminho que trilham e nem de como se realizam os negócios musicais de hoje em dia. Uma grande ilusão mascarada de glória, da realização de gravar um disco em estúdio ou de tocar para grandes multidões, uma grande ilusão é tudo o que permeia a vida do artista. E os jovens artistas, claro que existem excessões bem vindas, são despreparados pela própria família e por uma sociedade que vive dos resultados obtidos, das estatísticas da Crowley, das aparições articuladas em programas de T.V populares, das grandes vendagens que nada representam para o artista do que, senão, mais responsabilidade e mais trabalho.
Tomo como exemplo a banda NX Zero. Já tinha ouvido falar nesta banda, assim como já tinha ouvido Fresno, Edu Ribeiro, Leela, Canto do Malditos na terra do nunca, Móveis Coloniais de Acajú, Ludov, etc. Essas bandas são muito similares entre si porque conseguiram, algumas, ser contratadas por um selo ou Major e outras por terem destaque nos canais jovens de rádio e televisão. O NX Zero tem execução garantida na Jovem Pan, é a banda do momento. Minha vizinha ouve a música deles todos os dias e da janela eu já sei a letra e as partes da música de cór, mas é só isso. Quando eu lembro da minha própria banda, no ano 2000, fazendo uma turnê de 3 semanas sem roadie ou técnicos de som e de luz, sem empresário ou mesmo sem um contrato, percebi que estava me preparando para o que é realmente importante: saber conectar com o fã, fazer um show que produza fãs, que seja uma verdadeira aula de vontade musical e, claro, com músicas boas. Nós tínhamos Um anjo do Céu, Quero Ver, Lua... já estávamos compondo Folhas Secas e Quando o Sol Nascer, Asas estava sendo preparada para o repertório... Ela, só ela era uma realidade; o Maskavo nem dormia de tanto perseguir o contato fiel com seu público e deixar de depender das ondas do momento... sim, viramos uma banda ousada, cabra-homem mesmo, e aprendemos assim como se faz para continuar no mercado musical.
Daí, me flagro temendo pelo NX Zero, vejo meus amigos do Alma D'jem na mesma rota de colisão com o submundo da fama, quê? É, o mercado de shows se pergunta: por que uma banda iniciante chega aqui com tanta estrutura, cobrando por essa estrutura, quem disse que ela tem público? O contratante só quer ver um show bom e lotado. Não interessa seu coração, o importante é o resultado. E as bandas iniciantes tem tudo, menos o tal show. Aposto bolinhas que o NX Zero tem um cachê de R$5000,00, R$ 6000,00, mas ela deveria pensar que, além destes cinco mil, é preciso fazer valer os cinco mil reais. No fundo, NX Zero ficou com menos da metade do bolo. Foi tudo gasto para manter a tal teoria do Status, que uma banda iniciante tem que ter postura de banda grande, séria e profissional. E, na verdade, o que eu sugiro é que as bandas tenham a coragem de ser elas mesmas. Essa banda tem que ser eximida de culpa.
Eu só comecei a ganhar algum dinheiro com banda depois de mais de 3 anos investindo tudo, tempo e dinheiro, em mim, em instrumentos musicais, em discos, livros e viagens. Três anos sem dormir, sem sossego, sem alguém para afagar os cabelos. Era tudo um só sentimento: preciso fazer o máximo necessário, o perfeito, para ser um artista duradouro, com uma carreira além das gravadoras, das rádios. O Maskavo todo é esse sentimento. Como? Como?
Lembro do Renato Russo, ele tinha 18 anos quando escreveu Faroeste Caboclo, uns 22 anos quando escreveu Índios, canções profundas que não condiziam com sua idade tamanho realismo e maturidade contidas nas linhas e nas melodias dessas canções. E hoje em dia um menino de 18 já sofreu tudo no amor, já sofreu decepções profundas, desilusões... mas elas são comuns, superficiais, todo mundo sente que foi abandonado ou que uma paixão se perdeu... mas é tudo tão raso e mal escrito, fácil, entregue, que não me passa a epiderme, as canções dos jovens não me afetam em nada. As vezes eu me pergunto se minhas canções tem alguma profundidade. Posso dizer que sim, mas menos da metade da metade delas são honestas. As que foram gravadas, as canções, são mais formatos simplificados de idéias do que peças de alta qualidade auditivas. Um artista sofre muito com isso, o verdadeiro artista sofre por muitas coisas.
Eu espero dos jovens talentos coragem e seriedade, mas também rebeldia e jovialidade. Os jovens me parecem fantoches caretas, reflexos do Green Day ou do Simple Plan, caretas no aspecto mais simples possível: não estão aí para ousar! E sem ousadia, elas não terão nada de brilhante para contar. Eu acho que o Maskavo é uma banda ousada. Fomos pra São Paulo devendo dinheiro pra Deus e o mundo, mas certos de que esta era a única saída, a fagulha atômica que desencadearia a nossa trajetória bem sucedida para a vida de artista como músicos, compositores, intérpretes, personalidades. Nunca nos apoiamos na idéia de que uma só canção tocando na rádio ou que um vídeoclipe ou ida de 30 segundos ao programa do Faustão iria nos alavancar como banda. Isso nunca ocorreu. O Maskavo sempre se apoiou no seu trabalho e veja como deu certo tudo o que nos propusemos.
Riscos. Uma banda não é nada se não sabe assumir os riscos! Ainda estou com pena dos jovens artistas depois de tudo isso.