A condenação do Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos, por 62 desaparecimentos na Guerrilha do Araguaia, abre caminho para novos processos contra militares acusados de matar e torturar na ditadura.
Segundo o juiz "ad hoc" da corte, Roberto Caldas, a sentença não se aplica apenas à guerrilha. "A decisão se aplica a todos os casos de tortura, desaparecimento forçado e execução sumária ocorridos na ditadura", disse Caldas.
"É uma sentença histórica, que estabelece que nenhum crime contra os direitos humanos pode ficar impune com base na Lei da Anistia."
A corte da OEA (Ordem dos Estados Americanos) decidiu que a Lei da Anistia não pode ser usada para proteger ex-agentes da ditadura.
O entendimento contraria decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que recusou a revisão da lei em abril.
O Ministério Público Federal deve ingressar com novas ações, com base na decisão da corte internacional.
Como signatário da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, o Brasil tem de acatar decisões da corte.
A sentença também determinou o pagamento de indenizações a 113 parentes de vítimas. Pais e filhos terão direito a US$ 45 mil, e irmãos, a US$ 15 mil. A corte não informou quantas pessoas estão classificadas em cada caso.
O presidente do STF, Cezar Peluso, afirmou que a decisão da corte internacional "não revoga, não anula, não cassa" a do Supremo.
Para Peluso, a determinação para que o Estado identifique e puna os responsáveis pelas mortes vale apenas no "campo da convencionalidade", isto é, das convenções internacionais.
Segundo ele, o Brasil até poderá sofrer sanções internacionais, mas internamente a lei continuará valendo.
Marco Aurélio Mello concorda. "É uma decisão tomada no âmbito internacional e não no interno. O que nós decidimos no STF foi a a partir do direito nacional. Na prática, o efeito será nenhum."
Em nota, o Itamaraty afirmou que o Brasil já adotou muitas das medidas determinadas na sentença da corte.
FAMILIARES
A decisão da corte internacional foi comemorada por familiares de vítimas do Araguaia, que cobraram seu cumprimento integral pelo governo brasileiro.
"Vencemos a arrogância dos militares e do Judiciário", disse Criméia Almeida, mulher de André Grabois, desaparecido na guerrilha.
Eles também cobraram a abertura dos arquivos da ditadura. "Lula elogiou a abertura do WikiLeaks. Por que ele não abre o nosso Wikileaks?", questionou Criméia.
Helenalda Nazareth, irmã de Helenira Nazareth, também desaparecida, afirmou que os familiares querem reparação não apenas por mortes e desaparecimentos, mas também por casos de tortura.
por:
BERNARDO MELLO FRANCO
FERNANDO GALLO
DE SÃO PAULO
FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA
sábado, dezembro 18, 2010
Brasil é 47º em ranking mundial de democracia - CLÓVIS ROSSI
O Brasil pode até avançar para o quinto lugar no campeonato da economia mundial no governo Dilma Rousseff, como prevê Luiz Inácio Lula da Silva, mas não chegará a uma posição similar ou próxima a ela no ranking planetário da democracia.
O país está em uma posição muito inferior, e, pior, retrocedendo, ao menos no Índice da Democracia 2010, que acaba de ser divulgado pela Economist Intelligence Unit, o braço de pesquisas da respeitada revista britânica "The Economist".
O Brasil recuou do 41º lugar em 2008 para o 47º agora (o levantamento é feito a cada dois anos). Caiu de 7,38 pontos para 7,12, em 10 possíveis. Nem aparece como "democracia plena", o belo rótulo reservado para apenas 26 dos 167 países ranqueados.
O Brasil é rotulado como "democracia imperfeita" ao lado de 52 outros países, entre eles França e Itália, o que mostra o rigor da avaliação.
O item que derruba o Brasil, entre os cinco que o índice leva em conta, é "cultura política". A nota do país nesse quesito é 4,38.
Um segundo critério ajuda a empurrar o país para baixo: chama-se "participação política", em que o Brasil leva 5.
Essas duas notas representam brutal contraste com os 9,58 recebidos em "processo eleitoral e pluralismo" e com os 9,12 de "liberdades civis", os dois quesitos que mais usualmente aparecem na discussão sobre democracia.
Significa, portanto, que o Brasil seria facilmente catalogado como "democracia plena" se o ranking considerasse apenas os aspectos mais convencionais.
Tanto é assim que a primeira do ranking, a Noruega, tem nota geral 9,8, não muito acima do que o Brasil obtém nos quesitos convencionais.
Mas, quando o ranking se sofistica um pouco, verifica-se que a nota norueguesa em "cultura política" é 9,38, quase o dobro da brasileira.
O Brasil perde pontos também em "funcionamento do governo". Tira 7,5, abaixo dos 8,21 da África do Sul, mas mais que os 7,14 da França e quase empatado com os 7,86 dos Estados Unidos --que, aliás, fica apenas na 16ª posição no ranking geral.
A América Latina só tem dois países entre as "democracias plenas" (Uruguai, 21º, com 8,10, e Costa Rica, 24ª, com 8,04). Dois países latino-americanos estão à frente do Brasil na lista de "democracias imperfeitas": Chile (34º) e Panamá (46º).
O relatório lamenta que "as liberdades políticas sofreram erosão em muitos países desde a publicação do índice anterior", em 2008, e culpa, principalmente a crise financeira global, "[por ter] minado a confiança pública no governo e tentado políticos a incomodar a oposição".
O país está em uma posição muito inferior, e, pior, retrocedendo, ao menos no Índice da Democracia 2010, que acaba de ser divulgado pela Economist Intelligence Unit, o braço de pesquisas da respeitada revista britânica "The Economist".
O Brasil recuou do 41º lugar em 2008 para o 47º agora (o levantamento é feito a cada dois anos). Caiu de 7,38 pontos para 7,12, em 10 possíveis. Nem aparece como "democracia plena", o belo rótulo reservado para apenas 26 dos 167 países ranqueados.
O Brasil é rotulado como "democracia imperfeita" ao lado de 52 outros países, entre eles França e Itália, o que mostra o rigor da avaliação.
O item que derruba o Brasil, entre os cinco que o índice leva em conta, é "cultura política". A nota do país nesse quesito é 4,38.
Um segundo critério ajuda a empurrar o país para baixo: chama-se "participação política", em que o Brasil leva 5.
Essas duas notas representam brutal contraste com os 9,58 recebidos em "processo eleitoral e pluralismo" e com os 9,12 de "liberdades civis", os dois quesitos que mais usualmente aparecem na discussão sobre democracia.
Significa, portanto, que o Brasil seria facilmente catalogado como "democracia plena" se o ranking considerasse apenas os aspectos mais convencionais.
Tanto é assim que a primeira do ranking, a Noruega, tem nota geral 9,8, não muito acima do que o Brasil obtém nos quesitos convencionais.
Mas, quando o ranking se sofistica um pouco, verifica-se que a nota norueguesa em "cultura política" é 9,38, quase o dobro da brasileira.
O Brasil perde pontos também em "funcionamento do governo". Tira 7,5, abaixo dos 8,21 da África do Sul, mas mais que os 7,14 da França e quase empatado com os 7,86 dos Estados Unidos --que, aliás, fica apenas na 16ª posição no ranking geral.
A América Latina só tem dois países entre as "democracias plenas" (Uruguai, 21º, com 8,10, e Costa Rica, 24ª, com 8,04). Dois países latino-americanos estão à frente do Brasil na lista de "democracias imperfeitas": Chile (34º) e Panamá (46º).
O relatório lamenta que "as liberdades políticas sofreram erosão em muitos países desde a publicação do índice anterior", em 2008, e culpa, principalmente a crise financeira global, "[por ter] minado a confiança pública no governo e tentado políticos a incomodar a oposição".
quinta-feira, dezembro 16, 2010
Dados da Educação desmentem balanço do governo Lula
O balanço oficial do governo Lula afirma, no item "educação", que houve "considerável aumento da matrícula" e "melhoria de qualidade no ensino médio". Dados oficiais do próprio Ministério da Educação, porém, divergem dessas conclusões.
Segundo o Censo Escolar, o número de alunos no ensino médio vem caindo: 9,1 milhões em 2003; 8,9 milhões em 2006; e 7,9 milhões em 2009 (último disponível).
Além disso, a qualidade nessa etapa está praticamente estagnada. O Ideb, indicador federal que vai de 0 a 10, mostra que o ensino médio do país foi de 3,4 em 2005 para 3,6 em 2009.
O balanço também cita a aplicação do Pisa, exame que avalia o nível de aprendizagem de jovens de vários países. Entre os piores do mundo, os resultados do Brasil não são apontados no texto.
O balanço, subdividido em seis volumes e que trata da macroeconomia ao combate à corrupção, ignora o maior escândalo de corrupção no governo: o mensalão.
No capítulo, são informadas várias ações investigativas do governo, entre elas as operações Sanguessuga e Vampiros, que foram feitas em ministérios. Mas as ações de investigação nos contratos de publicidade e nos Correios, que originaram a crise, foram ignoradas.
No capítulo econômico, o balanço destaca a expansão da renda, do emprego e do crédito, mas reconhece que a inflação e o deficit nas transações de bens e serviços com o exterior se elevaram no final da administração.
Na área energética, o governo ressaltou que foi feito um novo modelo de comercialização para o setor e houve a retomada do planejamento energético, o que assegurou a oferta de energia ao longo do mandato.
Sempre desprezada ou tratada por Lula como "entrave" ao progresso, a área ambiental acabou se tornando um dos setores em que seu governo teve mais a mostrar.
A maior conquista mencionada no balanço de governo é a redução de 53% na taxa de desmatamento.
As derrotas, porém, foram esquecidas. O governo federal não menciona o decreto do ano passado que permite a destruição da maior parte das cavernas do Brasil ou o adiamento da obrigação de fornecimento de diesel mais limpo.
Sobre a Política Externa, há referência ao acordo nuclear do Irã, selado com Brasil e Turquia. Porém o desfecho é omitido: o acordo não foi aprovado pela ONU.
Segundo o Censo Escolar, o número de alunos no ensino médio vem caindo: 9,1 milhões em 2003; 8,9 milhões em 2006; e 7,9 milhões em 2009 (último disponível).
Além disso, a qualidade nessa etapa está praticamente estagnada. O Ideb, indicador federal que vai de 0 a 10, mostra que o ensino médio do país foi de 3,4 em 2005 para 3,6 em 2009.
O balanço também cita a aplicação do Pisa, exame que avalia o nível de aprendizagem de jovens de vários países. Entre os piores do mundo, os resultados do Brasil não são apontados no texto.
O balanço, subdividido em seis volumes e que trata da macroeconomia ao combate à corrupção, ignora o maior escândalo de corrupção no governo: o mensalão.
No capítulo, são informadas várias ações investigativas do governo, entre elas as operações Sanguessuga e Vampiros, que foram feitas em ministérios. Mas as ações de investigação nos contratos de publicidade e nos Correios, que originaram a crise, foram ignoradas.
No capítulo econômico, o balanço destaca a expansão da renda, do emprego e do crédito, mas reconhece que a inflação e o deficit nas transações de bens e serviços com o exterior se elevaram no final da administração.
Na área energética, o governo ressaltou que foi feito um novo modelo de comercialização para o setor e houve a retomada do planejamento energético, o que assegurou a oferta de energia ao longo do mandato.
Sempre desprezada ou tratada por Lula como "entrave" ao progresso, a área ambiental acabou se tornando um dos setores em que seu governo teve mais a mostrar.
A maior conquista mencionada no balanço de governo é a redução de 53% na taxa de desmatamento.
As derrotas, porém, foram esquecidas. O governo federal não menciona o decreto do ano passado que permite a destruição da maior parte das cavernas do Brasil ou o adiamento da obrigação de fornecimento de diesel mais limpo.
Sobre a Política Externa, há referência ao acordo nuclear do Irã, selado com Brasil e Turquia. Porém o desfecho é omitido: o acordo não foi aprovado pela ONU.
ONGs terão que devolver R$ 6 mi ao Ministério do Turismo
Seis ONGs com ligações com políticos ou partidos estão sendo cobradas a devolver aos cofres públicos R$ 6 milhões por causa de irregularidades nas prestações de contas de convênios com o Ministério do Turismo para a realização de festas.
Conforme a Folha mostrou em reportagem de abril, das 50 organizações que mais haviam recebido recursos entre 2007 e 2009 do Turismo para esse tipo de evento, em 26 os responsáveis tinham vínculos com parlamentares ou partidos.
O total de cobranças do ministério alcança R$ 68 milhões. A maioria é porque a ONG ou a prefeitura nem sequer apresentou documentos para comprovar os gastos. Há ainda cobranças por irregularidades constatadas.
É o caso do convênio com a Comissão 21 de Desenvolvimento Sócio-Cultural, que recebeu R$ 2,4 milhões para realizar o evento Brasília Capital Cultural. Segundo o ministério, houve irregularidade na execução do projeto.
A ONG recebeu emendas do deputado Bispo Rodovalho (PP-DF). A empresa que foi subcontratada para a realização do evento prestou assessoria para o deputado. A assessoria do congressista afirmou que ele não é responsável pela prestação de contas da organização.
A Igreja Tabernáculo Evangélico de Jesus, ligada ao então deputado distrital Júnior Brunelli não apresentou documentação pedida pelo ministério e terá que devolver R$ 680 mil.
A Cria Brasil (SP), a Brasol (MG), o Iatec (PE), e a Associação Cena Aberta (GO) eram controladas por ex-candidatos ou integrantes de partidos quando assinaram convênios e também são cobradas a devolver verbas.
O ministério também analisa 3.000 prestações de contas, a maioria de festas. Entre elas está a da Premium Avança Brasil e a do Instituto Educar e Crescer.
Ontem, a CGU (Controladoria-Geral da União) confirmou que os responsáveis por essas instituições possuem vínculo entre si, conforme a Folha mostrou em abril.
A CGU apontou que elas eram controladas por laranja e fraudavam convênios e disse que encaminhará informações para a Polícia Federal e o Ministério Público. Elas estão proibidas de receber recursos federais.
Conforme a Folha mostrou em reportagem de abril, das 50 organizações que mais haviam recebido recursos entre 2007 e 2009 do Turismo para esse tipo de evento, em 26 os responsáveis tinham vínculos com parlamentares ou partidos.
O total de cobranças do ministério alcança R$ 68 milhões. A maioria é porque a ONG ou a prefeitura nem sequer apresentou documentos para comprovar os gastos. Há ainda cobranças por irregularidades constatadas.
É o caso do convênio com a Comissão 21 de Desenvolvimento Sócio-Cultural, que recebeu R$ 2,4 milhões para realizar o evento Brasília Capital Cultural. Segundo o ministério, houve irregularidade na execução do projeto.
A ONG recebeu emendas do deputado Bispo Rodovalho (PP-DF). A empresa que foi subcontratada para a realização do evento prestou assessoria para o deputado. A assessoria do congressista afirmou que ele não é responsável pela prestação de contas da organização.
A Igreja Tabernáculo Evangélico de Jesus, ligada ao então deputado distrital Júnior Brunelli não apresentou documentação pedida pelo ministério e terá que devolver R$ 680 mil.
A Cria Brasil (SP), a Brasol (MG), o Iatec (PE), e a Associação Cena Aberta (GO) eram controladas por ex-candidatos ou integrantes de partidos quando assinaram convênios e também são cobradas a devolver verbas.
O ministério também analisa 3.000 prestações de contas, a maioria de festas. Entre elas está a da Premium Avança Brasil e a do Instituto Educar e Crescer.
Ontem, a CGU (Controladoria-Geral da União) confirmou que os responsáveis por essas instituições possuem vínculo entre si, conforme a Folha mostrou em abril.
A CGU apontou que elas eram controladas por laranja e fraudavam convênios e disse que encaminhará informações para a Polícia Federal e o Ministério Público. Elas estão proibidas de receber recursos federais.
quinta-feira, dezembro 09, 2010
Holanda prende jovem de 16 anos suspeito de ciberataques pró-WikiLeaks - DA ASSOCIATED PRESS, EM AMSTERDÃ
Promotores da Holanda disseram nesta quinta-feira que um jovem de 16 anos foi preso por suspeita de envolvimento com os ataques de hackers a sites financeiros que cancelaram seus serviços ao site de vazamentos WikiLeaks.
Em comunicado, eles afirmam que o jovem participou dos ataques contra os sites da operadora de cartões de crédito MasterCard e o popular site de pagamento online Paypal, entre outros. Ele foi preso em Haia e seu nome não foi revelado.
Não se sabe exatamente qual a extensão da participação do jovem nos ataques, reivindicados por um grupo de cerca de 1.500 hackers autointitulado Anônimo --e que ganhou notoriedade com ataques à Igreja da Cientologia e ao músico Gene Simmons.
O grupo anunciou nos últimos dias a Operation PayBack (Operação Vingança, em tradução livre), uma série de ataques contra sites de empresas que cancelaram os serviços prestados ao WikiLeaks desde o início do vazamento de 250 mil documentos diplomáticos americanos.
Entre as vítimas, estão os sites da Mastercard, da Visa, que suspenderam contas de doações ao site, além do banco suíço PostFinance, que fechou a conta do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, e o governo sueco.
As ações dos ativistas envolvem um "ataque distribuído de negação de serviço" --um método praticado por hackers para reduzir a velocidade de um site ou mesmo tirá-lo do ar. Conhecido como DDoS (um acrônimo em inglês para Distributed Denial of Service), o ataque é uma tentativa de tornar os recursos de um sistema indisponíveis através de sobrecarga.
Um computador mestre tem sob seu comando até milhares de outras máquinas, preparadas para acessar um site em uma mesma hora de uma mesma data. Como servidores web possuem um número limitado de usuários que pode atender simultaneamente, o grande e repentino número de requisições de acesso esgota o atendimento.
MAIS ATAQUES
O grupo prometeu ainda mais ataques cibernéticos contra os "inimigos" do WikiLeaks, incluindo o site de pagamentos online PayPal e o serviço de servidor Amazon --para a qual admitem precisar de mais forças.
"Não podemos atacar a Amazon, atualmente. [...] Nós não temos forças suficientes", escreveu o grupo em uma mensagem no Twitter.
Em uma carta online, o Anônimo disse que seus militantes não eram nem justiceiros, nem terroristas. "O objetivo é simples: conquistar o direito de manter a internet livre de qualquer controle de qualquer entidade, empresa ou governo".
Algumas das motivações para a campanha cibernética parecem resultar da raiva com a prisão de Assange, suspeito de crimes sexuais alegadamente cometidos na Suécia. Ele está preso em Londres, à espera de uma audiência de extradição.
PROCESSO
A empresa processadora de pagamentos do WikiLeaks, a Datacell, da Islândia, prepara-se para mover uma ação contra Visa e Mastercard, que se recusaram a intermediar as doações feitas ao site que é alvo de críticas dos EUA por ter divulgado mais de 250 mil documentos diplomáticos do país.
O presidente da empresa, Andreas Fink, disse que procuraria uma indenização das companhias americanas por terem bloqueado os fundos do WikiLeaks.
"É difícil acreditar que empresas tão grandes como a Visa podem tomar uma decisão política", disse Fink. Em uma declaração anterior, a DataCell defendeu o WikiLeaks concluindo que "é simplesmente ridículo concluir que o site tenha feito algo criminoso".
O WikiLeaks tem estado sob intensa pressão desde que começou a publicar uma série de telegramas do Departamento de Estado americano, com ataques ao seu website e ao seu fundador, que está preso no Reino Unido e luta contra extradição para Suécia sob acusações de crimes sexuais.
Serviços de hospedagem de empresas americanas de internet e finanças suspenderam suas ligações com o WikiLeaks, a maioria alegando violação dos termos de uso. No começo desta semana, Visa e Mastercard disseram que parariam de processar pagamentos para o WikiLeaks.
O presidente da DataCell disse que o foi oficialmente notificado das duas suspensões pela empresa de serviços financeiros Teller, que gerencia parte da infraestrutura de pagamentos da companhia e deve agora se dirigir à Islândia para conduzir procedimentos de auditoria.
Enquanto isso, segundo Fink, as doações de cartões de crédito ao WikiLeaks estavam congeladas até pelo menos a próxima semana, algo que ele disse deverá custar dinheiro para sua empresa.
"Não aceitar nenhuma autorização de cartão de crédito é praticamente matar o negócio", disse ele, que não especificou que tipo de indenização ele estaria buscando.
As declarações de Fink surgiram quando a empresa de pagamento pela internet PayPal comunicou que vai devolver o dinheiro da conta do WikiLeaks para a fundação que estava recolhendo os fundos. Em uma mensagem de blog, a PayPal defendeu sua decisão e negou ter sido um resultado do lobby americano.
Procurada pela Associated Press, a MasterCard se recusa a comentar o caso. Já um porta-voz da Visa Europe, Simon Kleine, disse que organizações podem receber fundos por meio da Visa desde que sejam legais e não quebrem as regras de operação da companhia.
Em comunicado, eles afirmam que o jovem participou dos ataques contra os sites da operadora de cartões de crédito MasterCard e o popular site de pagamento online Paypal, entre outros. Ele foi preso em Haia e seu nome não foi revelado.
Não se sabe exatamente qual a extensão da participação do jovem nos ataques, reivindicados por um grupo de cerca de 1.500 hackers autointitulado Anônimo --e que ganhou notoriedade com ataques à Igreja da Cientologia e ao músico Gene Simmons.
O grupo anunciou nos últimos dias a Operation PayBack (Operação Vingança, em tradução livre), uma série de ataques contra sites de empresas que cancelaram os serviços prestados ao WikiLeaks desde o início do vazamento de 250 mil documentos diplomáticos americanos.
Entre as vítimas, estão os sites da Mastercard, da Visa, que suspenderam contas de doações ao site, além do banco suíço PostFinance, que fechou a conta do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, e o governo sueco.
As ações dos ativistas envolvem um "ataque distribuído de negação de serviço" --um método praticado por hackers para reduzir a velocidade de um site ou mesmo tirá-lo do ar. Conhecido como DDoS (um acrônimo em inglês para Distributed Denial of Service), o ataque é uma tentativa de tornar os recursos de um sistema indisponíveis através de sobrecarga.
Um computador mestre tem sob seu comando até milhares de outras máquinas, preparadas para acessar um site em uma mesma hora de uma mesma data. Como servidores web possuem um número limitado de usuários que pode atender simultaneamente, o grande e repentino número de requisições de acesso esgota o atendimento.
MAIS ATAQUES
O grupo prometeu ainda mais ataques cibernéticos contra os "inimigos" do WikiLeaks, incluindo o site de pagamentos online PayPal e o serviço de servidor Amazon --para a qual admitem precisar de mais forças.
"Não podemos atacar a Amazon, atualmente. [...] Nós não temos forças suficientes", escreveu o grupo em uma mensagem no Twitter.
Em uma carta online, o Anônimo disse que seus militantes não eram nem justiceiros, nem terroristas. "O objetivo é simples: conquistar o direito de manter a internet livre de qualquer controle de qualquer entidade, empresa ou governo".
Algumas das motivações para a campanha cibernética parecem resultar da raiva com a prisão de Assange, suspeito de crimes sexuais alegadamente cometidos na Suécia. Ele está preso em Londres, à espera de uma audiência de extradição.
PROCESSO
A empresa processadora de pagamentos do WikiLeaks, a Datacell, da Islândia, prepara-se para mover uma ação contra Visa e Mastercard, que se recusaram a intermediar as doações feitas ao site que é alvo de críticas dos EUA por ter divulgado mais de 250 mil documentos diplomáticos do país.
O presidente da empresa, Andreas Fink, disse que procuraria uma indenização das companhias americanas por terem bloqueado os fundos do WikiLeaks.
"É difícil acreditar que empresas tão grandes como a Visa podem tomar uma decisão política", disse Fink. Em uma declaração anterior, a DataCell defendeu o WikiLeaks concluindo que "é simplesmente ridículo concluir que o site tenha feito algo criminoso".
O WikiLeaks tem estado sob intensa pressão desde que começou a publicar uma série de telegramas do Departamento de Estado americano, com ataques ao seu website e ao seu fundador, que está preso no Reino Unido e luta contra extradição para Suécia sob acusações de crimes sexuais.
Serviços de hospedagem de empresas americanas de internet e finanças suspenderam suas ligações com o WikiLeaks, a maioria alegando violação dos termos de uso. No começo desta semana, Visa e Mastercard disseram que parariam de processar pagamentos para o WikiLeaks.
O presidente da DataCell disse que o foi oficialmente notificado das duas suspensões pela empresa de serviços financeiros Teller, que gerencia parte da infraestrutura de pagamentos da companhia e deve agora se dirigir à Islândia para conduzir procedimentos de auditoria.
Enquanto isso, segundo Fink, as doações de cartões de crédito ao WikiLeaks estavam congeladas até pelo menos a próxima semana, algo que ele disse deverá custar dinheiro para sua empresa.
"Não aceitar nenhuma autorização de cartão de crédito é praticamente matar o negócio", disse ele, que não especificou que tipo de indenização ele estaria buscando.
As declarações de Fink surgiram quando a empresa de pagamento pela internet PayPal comunicou que vai devolver o dinheiro da conta do WikiLeaks para a fundação que estava recolhendo os fundos. Em uma mensagem de blog, a PayPal defendeu sua decisão e negou ter sido um resultado do lobby americano.
Procurada pela Associated Press, a MasterCard se recusa a comentar o caso. Já um porta-voz da Visa Europe, Simon Kleine, disse que organizações podem receber fundos por meio da Visa desde que sejam legais e não quebrem as regras de operação da companhia.
Presidente Lula critica prisão de fundador do site WikiLeaks - Nathalia Passarinho e Robson Bonin
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta-feira (9), durante balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a prisão do fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, e pediu protestos contra restrições à liberdade de imprensa. O australiano Assange, de 39 anos, foi preso sob a acusação de estupro e agressão sexual. Ele se encontra detido na prisão londrina de Wandsworth e teve o pedido de liberdade sob fiança negado pela Justiça na última terça-feira (7).
“O rapaz que estava desembaraçando a diplomacia norte-americana, o rapaz do WikiLeaks foi preso e não estou vendo nenhum protesto pela liberdade de expressão. É engraçado. Não tem nada, nada pela liberdade de expressão e contra a prisão de um rapaz que estava colocando a nu um trabalho menor que muitos embaixadores fizeram”, afirmou.
Em referência a cartas sobre o Brasil enviadas pelo ex-embaixador norte-americano no país Clifford Sobel, Lula afirmou que é melhor ficar quieto do que “escrever bobagens”. “A Dilma tem que falar para os seus ministros que se não tiver o que escrever, não escreva nada. Não escreva bobagem. Daí aparece o tal do Wikileaks e desnuda essa diplomacia”, afirmou.
O site WikiLeaks divulgou nesta semana um telegrama da embaixada dos Estados Unidos de janeiro de 2008 em que é relatado um encontro entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e Clifford Sobel, que na época era embaixador dos EUA no Brasil. Durante a conversa sobre um acordo de cooperação, segundo o documento, Jobim diz a Sobel que o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Guimarães, "odeia os Estados Unidos" e estava tentando criar problemas na relação entre os dois países.
Segundo o presidente, o “culpado não é quem divulgou [o conteúdo de documentos secretos], é quem escreveu”. "Portanto, ao invés de culpar quem divulgou, culpe quem escreveu a bobagem. Fica registrado o meu protesto pela liberdade de imprensa”, complementou o presidente ao encerrar o discurso.
“O rapaz que estava desembaraçando a diplomacia norte-americana, o rapaz do WikiLeaks foi preso e não estou vendo nenhum protesto pela liberdade de expressão. É engraçado. Não tem nada, nada pela liberdade de expressão e contra a prisão de um rapaz que estava colocando a nu um trabalho menor que muitos embaixadores fizeram”, afirmou.
Em referência a cartas sobre o Brasil enviadas pelo ex-embaixador norte-americano no país Clifford Sobel, Lula afirmou que é melhor ficar quieto do que “escrever bobagens”. “A Dilma tem que falar para os seus ministros que se não tiver o que escrever, não escreva nada. Não escreva bobagem. Daí aparece o tal do Wikileaks e desnuda essa diplomacia”, afirmou.
O site WikiLeaks divulgou nesta semana um telegrama da embaixada dos Estados Unidos de janeiro de 2008 em que é relatado um encontro entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e Clifford Sobel, que na época era embaixador dos EUA no Brasil. Durante a conversa sobre um acordo de cooperação, segundo o documento, Jobim diz a Sobel que o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Guimarães, "odeia os Estados Unidos" e estava tentando criar problemas na relação entre os dois países.
Segundo o presidente, o “culpado não é quem divulgou [o conteúdo de documentos secretos], é quem escreveu”. "Portanto, ao invés de culpar quem divulgou, culpe quem escreveu a bobagem. Fica registrado o meu protesto pela liberdade de imprensa”, complementou o presidente ao encerrar o discurso.
Wikileaks: a nova guerra de Brancaleone - Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa
O novo episódio da guerra entre a mais poderosa nação do mundo e um site da internet, descrito nos jornais de quinta-feira (9/12), pode ser visto como o ensaio de futuros conflitos que nos aguardam com o avanço das tecnologias de informação e comunicação, num momento em que os poderes nacionais precisam se abrir cada vez mais para compromissos de alcance global.
A feroz perseguição do governo americano ao australiano Julian Assange, criador do Wikileaks, provocou uma reação em cadeia de hackers profissionais e amadores ao redor do mundo. Como resultado, os sites de empresas e outras organizações que colaboraram no cerco a Assange tiveram que sair do ar.
A tentativa de sufocar financeiramente o negócio de Assange provocou retaliações contra a Amazon, o sistema de pagamentos eletrônicos PayPal, a Mastercard e outras empresas. O cerco judicial pode causar problemas a instituições da Suécia, onde Julian Assange está sendo processado por supostos crimes sexuais.
O novo inimigo, uma horda sem líderes que se move por sua própria conta e vontade, pode crescer exponencialmente e causar prejuízos muito mais graves do que os constrangimentos provocados até agora pelo vazamento de intrigas diplomáticas através do Wikileaks.
Lições de Canetti
Por enquanto, trata-se de um movimento anárquico, porém efetivo. Amanhã, essa armada sem comando pode ganhar adesões poderosas e se transformar em oponente de respeito. A mesma cadeia de interesses que faz com que outros governos se aliem, ainda que discretamente e de forma extraoficial, à ofensiva dos Estados Unidos contra Julian Assange, tentando aniquilar seu empreendimento e tirá-lo de circulação, pode se virar contra o sistema.
Na medida em que novos vazamentos revelarem, por exemplo, os bastidores das negociações sobre as mudanças climáticas e os acertos por baixo do pano em torno das bilionárias operações de socorro a bancos e fundos de investimento a partir da crise de 2008, o exército de Brancaleone que começa a se mobilizar em defesa do Wikileaks pode agregar elementos mais poderosos e eficientes, e uma reação inicialmente difusa acabar se transformando em um conflito de grandes proporções.
Seria como alguns cenários descritos no clássico Massa e Poder, do pensador Elias Canetti.
Como ficaria a imprensa tradicional numa circunstância como essa?
Problema para a imprensa
Elias Canetti, cuja obra é considerada um dos mais reveladores ensaios sobre a humanidade do século 20, pode ser convocado também para ilustrar muitos desafios deste século que já avança para sua segunda década.
O conflito entre a nação mais poderosa do mundo e um negócio despretensioso – cujo único produto é a informação que se pretende ocultar – pode ajudar a desnudar o sistema sobre o qual muito se fala e que de fato pouco se conhece.
No momento em que o futuro do poder americano é colocado em xeque por causa de crises financeiras sucessivas e sua fragilidade exposta na ação do terrorismo, o uso excessivo de força contra o criador do Wikileaks pode ser visto como sinal de fraqueza.
À margem da profusão de vazamentos que todos os dias circulam pela internet, e que tem uma pequena parcela publicada diariamente em jornais de todo o mundo, consolidam-se velhas teorias conspiratórias, e o mundo se dá conta de que a imprensa tradicional nunca foi capaz de informar a humanidade sobre como as coisas realmente funcionam.
Dor de cabeça
Um comentário da jurista Maristela Basso, publicado na Folha de S.Paulo, revela que Julian Assange não está desamparado. Pelo contrário, ele ainda pode reverter a situação e obter uma indenização milionária do governo dos Estados Unidos. Se isso vier a acontecer, e iniciativas como o Wikileaks se tornarem dominantes na preferência dos leitores, qual será o futuro da imprensa tradicional?
Por enquanto, os jornais se deliciam com intrigas e selecionam criteriosamente o material exposto pelo Wikileaks, conforme suas próprias conveniências. Mas quanto tempo ainda vai demorar para que seus leitores percebam que, na verdade, a imprensa tradicional sempre esteve do lado do sistema, omitindo do público certas razões de Estado que na verdade escondem interesses muito particulares?
Aquilo que no princípio parecia muito divertido para algumas redações pode acabar virando uma grande dor de cabeça no futuro.
A feroz perseguição do governo americano ao australiano Julian Assange, criador do Wikileaks, provocou uma reação em cadeia de hackers profissionais e amadores ao redor do mundo. Como resultado, os sites de empresas e outras organizações que colaboraram no cerco a Assange tiveram que sair do ar.
A tentativa de sufocar financeiramente o negócio de Assange provocou retaliações contra a Amazon, o sistema de pagamentos eletrônicos PayPal, a Mastercard e outras empresas. O cerco judicial pode causar problemas a instituições da Suécia, onde Julian Assange está sendo processado por supostos crimes sexuais.
O novo inimigo, uma horda sem líderes que se move por sua própria conta e vontade, pode crescer exponencialmente e causar prejuízos muito mais graves do que os constrangimentos provocados até agora pelo vazamento de intrigas diplomáticas através do Wikileaks.
Lições de Canetti
Por enquanto, trata-se de um movimento anárquico, porém efetivo. Amanhã, essa armada sem comando pode ganhar adesões poderosas e se transformar em oponente de respeito. A mesma cadeia de interesses que faz com que outros governos se aliem, ainda que discretamente e de forma extraoficial, à ofensiva dos Estados Unidos contra Julian Assange, tentando aniquilar seu empreendimento e tirá-lo de circulação, pode se virar contra o sistema.
Na medida em que novos vazamentos revelarem, por exemplo, os bastidores das negociações sobre as mudanças climáticas e os acertos por baixo do pano em torno das bilionárias operações de socorro a bancos e fundos de investimento a partir da crise de 2008, o exército de Brancaleone que começa a se mobilizar em defesa do Wikileaks pode agregar elementos mais poderosos e eficientes, e uma reação inicialmente difusa acabar se transformando em um conflito de grandes proporções.
Seria como alguns cenários descritos no clássico Massa e Poder, do pensador Elias Canetti.
Como ficaria a imprensa tradicional numa circunstância como essa?
Problema para a imprensa
Elias Canetti, cuja obra é considerada um dos mais reveladores ensaios sobre a humanidade do século 20, pode ser convocado também para ilustrar muitos desafios deste século que já avança para sua segunda década.
O conflito entre a nação mais poderosa do mundo e um negócio despretensioso – cujo único produto é a informação que se pretende ocultar – pode ajudar a desnudar o sistema sobre o qual muito se fala e que de fato pouco se conhece.
No momento em que o futuro do poder americano é colocado em xeque por causa de crises financeiras sucessivas e sua fragilidade exposta na ação do terrorismo, o uso excessivo de força contra o criador do Wikileaks pode ser visto como sinal de fraqueza.
À margem da profusão de vazamentos que todos os dias circulam pela internet, e que tem uma pequena parcela publicada diariamente em jornais de todo o mundo, consolidam-se velhas teorias conspiratórias, e o mundo se dá conta de que a imprensa tradicional nunca foi capaz de informar a humanidade sobre como as coisas realmente funcionam.
Dor de cabeça
Um comentário da jurista Maristela Basso, publicado na Folha de S.Paulo, revela que Julian Assange não está desamparado. Pelo contrário, ele ainda pode reverter a situação e obter uma indenização milionária do governo dos Estados Unidos. Se isso vier a acontecer, e iniciativas como o Wikileaks se tornarem dominantes na preferência dos leitores, qual será o futuro da imprensa tradicional?
Por enquanto, os jornais se deliciam com intrigas e selecionam criteriosamente o material exposto pelo Wikileaks, conforme suas próprias conveniências. Mas quanto tempo ainda vai demorar para que seus leitores percebam que, na verdade, a imprensa tradicional sempre esteve do lado do sistema, omitindo do público certas razões de Estado que na verdade escondem interesses muito particulares?
Aquilo que no princípio parecia muito divertido para algumas redações pode acabar virando uma grande dor de cabeça no futuro.
quarta-feira, dezembro 08, 2010
Pisa 2009: Meninas brasileiras superam meninos em leitura, mas perdem em matemática e ciências - Rafael Targino
As meninas brasileiras superaram os meninos nas provas de leitura do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) 2009, segundo relatório divulgado na terça-feira (7) pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). As notas médias delas foram 29 pontos maiores que as deles.
Os garotos, no entanto, viram o jogo em matemática e ciências. A média em matemática foi 16 pontos melhor e, em ciências, 3 pontos superior.
Esses índices acompanham os resultados apurados nos países membros da OCDE, em que a diferença de scores ficou em 39 pontos (a favor das meninas) em leitura. Em matemática e ciências, os homens também levaram vantagem: 15 e 4 pontos a mais, respectivamente.
Em todas as provas, a província de Xangai, na China, obteve as maiores notas de meninos e meninas entre os países onde os testes foram aplicados. O Quirguistão teve os piores índices em todos.
Entre 2000 e 2009, a diferença entre eles e elas subiu em leitura. No final do século passado, as meninas do bloco da OCDE conseguiram uma média 32 pontos maior (contra 39 agora); as brasileiras, 17 (contra 29 em 2009).
Notas médias gerais
Se considerado histórico das médias das notas brasileiras no Pisa, o Brasil teve o terceiro melhor crescimento na década. Houve crescimento de 33 pontos da nota geral, o que dá ao país o terceiro lugar no ranking -- Luxemburgo, o 1º, cresceu 38 pontos; e o Chile, que está em 2º, cresceu 37.
O maior avanço do país foi em matemática, com 52 pontos - foi de 334 (em 2000) para 386 (em 2009). Em leitura, o patamar de 2009 ficou em 412 - em 2000 era 396, um aumento de 16 pontos. Na área de ciências, que passou a ser avaliada em 2006, o país saiu de 390 para 405. Para se ter uma ideia, os países top da lista ficaram com 539 em leitura (Coreia do Sul), 546 em matemática (Coreia do Sul) e 554 em ciências (Finlândia).
Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, é preciso ponderar que estamos competindo com países mais ricos e desenvolvidos quando elaboramos essas listas. "Temos um século de atraso [para recuperar]", afirma. O MEC qualifica a evolução brasileira, um dos destaques do relatório de 2009, como "considerável". Em linhas gerais, a OCDE credita as melhorias ao aumento de investimento e à criação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação).
"[A criação do Ideb] mexeu na educação do Brasil", afirmou Haddad. Segundo ele quando o Inep divulgou os resultados por escola em 2006, mudou o foco do trabalho. "Colocamos um elemento que estava faltando, o aprendizado", disse.
"Bem abaixo" da média
As notas brasileiras ainda se encontram "bem abaixo" da média dos países desenvolvidos. No entanto, Haddad comenta que o crescimento dos integrantes da OCDE na última década foi pequeno, enquanto o Brasil aumentou em 33 pontos sua média geral. "Estamos em ritmo", afirmou. "Aquela história de que estaremos distantes do restante do mundo não está se confirmando." O PDE (Programa de Desenvolvimento das Escolas) estabelece metas de 417 em 2012, 438 (2015), 455 (2018) e 473 (2021). O objetivo de 2021 é atingir a média dos países da OCDE. A "história" a que se refere o ministro é uma crítica às metas de que em 2021 atingiríamos a média do mundo desenvolvido com atraso de 20 anos.
O que é o Pisa
O Pisa busca medir o conhecimento e a habilidade em leitura, matemática e ciências de estudantes com 15 anos de idade tanto de países membro da OCDE quanto de países parceiros. Essa é a quarta edição do exame, que é corrigido pela TRI (Teoria de Resposta ao Item). O método é utilizado também na correção do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio): quanto mais distante o resultado ficar da média estipulada, melhor (ou pior) será a nota.
A avaliação já foi aplicada nos anos de 2000, 2003 e 2006. Os dados divulgados hoje foram baseados em avaliações feitas em 2009, com 470 mil estudantes de 65 países. A cada ano é dada uma ênfase para uma disciplina: neste ano, foi a vez de leitura.
Fazem parte da OCDE, como membros, Alemanha, Grécia, Chile, Coreia do Sul, México, Holanda e Polônia, entre outros. Dentre os países parceiros, estão Argentina, Brasil, China, Peru, Qatar e Sérvia, entre outros.
Os garotos, no entanto, viram o jogo em matemática e ciências. A média em matemática foi 16 pontos melhor e, em ciências, 3 pontos superior.
Esses índices acompanham os resultados apurados nos países membros da OCDE, em que a diferença de scores ficou em 39 pontos (a favor das meninas) em leitura. Em matemática e ciências, os homens também levaram vantagem: 15 e 4 pontos a mais, respectivamente.
Em todas as provas, a província de Xangai, na China, obteve as maiores notas de meninos e meninas entre os países onde os testes foram aplicados. O Quirguistão teve os piores índices em todos.
Entre 2000 e 2009, a diferença entre eles e elas subiu em leitura. No final do século passado, as meninas do bloco da OCDE conseguiram uma média 32 pontos maior (contra 39 agora); as brasileiras, 17 (contra 29 em 2009).
Notas médias gerais
Se considerado histórico das médias das notas brasileiras no Pisa, o Brasil teve o terceiro melhor crescimento na década. Houve crescimento de 33 pontos da nota geral, o que dá ao país o terceiro lugar no ranking -- Luxemburgo, o 1º, cresceu 38 pontos; e o Chile, que está em 2º, cresceu 37.
O maior avanço do país foi em matemática, com 52 pontos - foi de 334 (em 2000) para 386 (em 2009). Em leitura, o patamar de 2009 ficou em 412 - em 2000 era 396, um aumento de 16 pontos. Na área de ciências, que passou a ser avaliada em 2006, o país saiu de 390 para 405. Para se ter uma ideia, os países top da lista ficaram com 539 em leitura (Coreia do Sul), 546 em matemática (Coreia do Sul) e 554 em ciências (Finlândia).
Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, é preciso ponderar que estamos competindo com países mais ricos e desenvolvidos quando elaboramos essas listas. "Temos um século de atraso [para recuperar]", afirma. O MEC qualifica a evolução brasileira, um dos destaques do relatório de 2009, como "considerável". Em linhas gerais, a OCDE credita as melhorias ao aumento de investimento e à criação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação).
"[A criação do Ideb] mexeu na educação do Brasil", afirmou Haddad. Segundo ele quando o Inep divulgou os resultados por escola em 2006, mudou o foco do trabalho. "Colocamos um elemento que estava faltando, o aprendizado", disse.
"Bem abaixo" da média
As notas brasileiras ainda se encontram "bem abaixo" da média dos países desenvolvidos. No entanto, Haddad comenta que o crescimento dos integrantes da OCDE na última década foi pequeno, enquanto o Brasil aumentou em 33 pontos sua média geral. "Estamos em ritmo", afirmou. "Aquela história de que estaremos distantes do restante do mundo não está se confirmando." O PDE (Programa de Desenvolvimento das Escolas) estabelece metas de 417 em 2012, 438 (2015), 455 (2018) e 473 (2021). O objetivo de 2021 é atingir a média dos países da OCDE. A "história" a que se refere o ministro é uma crítica às metas de que em 2021 atingiríamos a média do mundo desenvolvido com atraso de 20 anos.
O que é o Pisa
O Pisa busca medir o conhecimento e a habilidade em leitura, matemática e ciências de estudantes com 15 anos de idade tanto de países membro da OCDE quanto de países parceiros. Essa é a quarta edição do exame, que é corrigido pela TRI (Teoria de Resposta ao Item). O método é utilizado também na correção do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio): quanto mais distante o resultado ficar da média estipulada, melhor (ou pior) será a nota.
A avaliação já foi aplicada nos anos de 2000, 2003 e 2006. Os dados divulgados hoje foram baseados em avaliações feitas em 2009, com 470 mil estudantes de 65 países. A cada ano é dada uma ênfase para uma disciplina: neste ano, foi a vez de leitura.
Fazem parte da OCDE, como membros, Alemanha, Grécia, Chile, Coreia do Sul, México, Holanda e Polônia, entre outros. Dentre os países parceiros, estão Argentina, Brasil, China, Peru, Qatar e Sérvia, entre outros.
Investigação francesa aponta que tropas da ONU levaram cólera ao Haiti
A epidemia de cólera no Haiti que deixou mais de 2.000 mortos começou no acampamento dos soldados nepaleses da a Minustah (a missão da ONU no Haiti), aponta um relatório de especialistas pedido pelo governo francês.
Em novembro, rumores de que os capacetes azuis da Organização das Nações Unidas foram os responsáveis pela epidemia de cólera no Haiti levou a uma onda de protestos que deixou ao menos dois haitianos mortos e seis soldados feridos. A missão é comandada pelo batalhão brasileiro da missão, que mantém 2.200 homens no país.
O renomado epidemiologista francês Renaud Piarroux coordenou no mês passado uma investigação no Haiti e concluiu que a epidemia foi gerada por uma cepa importada e se propagou a partir do pequeno povoado de Mirebalais, no centro do país --onde soldados nepaleses mantêm seu acampamento.
O relatório, entregue ao Ministério de Relações Exteriores francês, aponta ainda que os casos vieram logo após a chegada das tropas no local. O estudo explica também a forma de propagação da enfermidade --os resíduos sanitários eram drenados do acampamento para o rio Artibonite, que abastece os habitantes do povoado. Pela análise, a corrente fluvial facilitou o contágio.
O cólera é causado por bactérias que proliferam em água ou comida contaminada, frequentemente por fezes. Se não for tratada, a doença pode matar de desidratação em um dia. As pessoas mais vulneráveis são os mais jovens e os idosos.
Uma fonte ligada à investigação afirmou à France Presse, em condição de anonimato, que o ponto de partida foi localizado de forma muito precisa na base da ONU em Mirebalais.
"Não há outra explicação possível, em vista de que não havia cólera no país, e levando em conta a intensidade e a velocidade de disseminação e a concentração da bactéria no delta do Artibonite", enfatizou. "A explicação mais lógica é a introdução maciça de matéria fecal no rio Artibonite em uma única ocasião".
O porta-voz do ministério, Bernard Valero, não se pronunciou sobre as conclusões do relatório, mas afirmou que uma cópia será enviada a investigadores da ONU.
A ONU ainda não se pronunciou sobre a nova investigação, mas disse no passado que não há evidências de que o Vibrio cholerae que circula no país tenha sido trazido por militares da missão. Segundo a organização, a bactéria causadora da epidemia no Haiti é encontrada em várias partes da região sul da Ásia, não apenas no Nepal.
No mês passado, Edmond Mulet, chefe civil da missão das Nações Unidas no Haiti, havia dito que nenhum soldado da ONU, policial ou funcionário civil havia tido exame positivo para cólera, defendendo os nepaleses, que foram alvo de protestos. Segundo Mulet, todas as amostras retiradas de latrinas, cozinhas e suprimentos de água no campo nepalês suspeito tiveram resultado negativo.
A epidemia de cólera tornou ainda mais difícil a situação neste miserável país caribenho, que já tinha sido devastado por um forte terremoto, em janeiro deste ano, que matou 250 mil pessoas e deixou 1,3 milhão de desabrigados vivendo em tendas de campanha.
Segundo balanço divulgado nesta segunda-feira pelas autoridades haitianas, mais de 2.070 morreram por cólera no Haiti. O número de pessoas atendidas com cólera chegou a 91.700, das quais 43.200 foram hospitalizadas. A mortalidade é de 2,3% dos casos, segundo o Ministério da Saúde do Haiti.
No país vizinho, a República Dominicana, foram declarados 16 casos da doença, mas ainda não há mortes.
Em novembro, rumores de que os capacetes azuis da Organização das Nações Unidas foram os responsáveis pela epidemia de cólera no Haiti levou a uma onda de protestos que deixou ao menos dois haitianos mortos e seis soldados feridos. A missão é comandada pelo batalhão brasileiro da missão, que mantém 2.200 homens no país.
O renomado epidemiologista francês Renaud Piarroux coordenou no mês passado uma investigação no Haiti e concluiu que a epidemia foi gerada por uma cepa importada e se propagou a partir do pequeno povoado de Mirebalais, no centro do país --onde soldados nepaleses mantêm seu acampamento.
O relatório, entregue ao Ministério de Relações Exteriores francês, aponta ainda que os casos vieram logo após a chegada das tropas no local. O estudo explica também a forma de propagação da enfermidade --os resíduos sanitários eram drenados do acampamento para o rio Artibonite, que abastece os habitantes do povoado. Pela análise, a corrente fluvial facilitou o contágio.
O cólera é causado por bactérias que proliferam em água ou comida contaminada, frequentemente por fezes. Se não for tratada, a doença pode matar de desidratação em um dia. As pessoas mais vulneráveis são os mais jovens e os idosos.
Uma fonte ligada à investigação afirmou à France Presse, em condição de anonimato, que o ponto de partida foi localizado de forma muito precisa na base da ONU em Mirebalais.
"Não há outra explicação possível, em vista de que não havia cólera no país, e levando em conta a intensidade e a velocidade de disseminação e a concentração da bactéria no delta do Artibonite", enfatizou. "A explicação mais lógica é a introdução maciça de matéria fecal no rio Artibonite em uma única ocasião".
O porta-voz do ministério, Bernard Valero, não se pronunciou sobre as conclusões do relatório, mas afirmou que uma cópia será enviada a investigadores da ONU.
A ONU ainda não se pronunciou sobre a nova investigação, mas disse no passado que não há evidências de que o Vibrio cholerae que circula no país tenha sido trazido por militares da missão. Segundo a organização, a bactéria causadora da epidemia no Haiti é encontrada em várias partes da região sul da Ásia, não apenas no Nepal.
No mês passado, Edmond Mulet, chefe civil da missão das Nações Unidas no Haiti, havia dito que nenhum soldado da ONU, policial ou funcionário civil havia tido exame positivo para cólera, defendendo os nepaleses, que foram alvo de protestos. Segundo Mulet, todas as amostras retiradas de latrinas, cozinhas e suprimentos de água no campo nepalês suspeito tiveram resultado negativo.
A epidemia de cólera tornou ainda mais difícil a situação neste miserável país caribenho, que já tinha sido devastado por um forte terremoto, em janeiro deste ano, que matou 250 mil pessoas e deixou 1,3 milhão de desabrigados vivendo em tendas de campanha.
Segundo balanço divulgado nesta segunda-feira pelas autoridades haitianas, mais de 2.070 morreram por cólera no Haiti. O número de pessoas atendidas com cólera chegou a 91.700, das quais 43.200 foram hospitalizadas. A mortalidade é de 2,3% dos casos, segundo o Ministério da Saúde do Haiti.
No país vizinho, a República Dominicana, foram declarados 16 casos da doença, mas ainda não há mortes.
Com impasse dos caças, FAB teme apagão - IGOR GIELOW
O adiamento na decisão sobre a compra dos novos caças da FAB (Força Aérea Brasileira), agora nas mãos da presidente eleita, Dilma Rousseff, trouxe de volta aos militares o temor de um apagão no sistema de defesa aérea do país.
Entre os concorrentes da disputa, houve surpresa com o resultado da reunião entre a presidente eleita e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ocorrida anteontem.
Já entre brigadeiros, além da decepção de ver o enredo que se arrasta desde 2001 sem desfecho, a Folha apurou que há a preocupação com a aposentadoria dos 12 Mirage-2000 que compõem a primeira linha de defesa do núcleo do poder do país.
Baseados em Anápolis (GO), os caças já haviam sido comprados como solução-tampão em 2005, quando a primeira concorrência para adquirir novos aviões foi cancelada pelo governo Lula.
Eles deverão parar de voar a partir de 2014 e, mesmo que o novo modelo esteja escolhido em 2011, dificilmente voará antes de 2015.
Aí surgem as mesmas opções anteriores para evitar o apagão: a compra emergencial de aviões para tapar buraco e a intensificação do uso das versões modernizadas do F-5, aviões da década de 1970 que ganharam recheio eletrônico novo e são elogiados.
No exercício militar Cruzex, em novembro, os F-5 derrubaram na simulação o visitante francês Dassault Rafale --ironicamente, o modelo apontado por Jobim para equipar a FAB.
Os brigadeiros preferiram em sua avaliação o sueco Saab Gripen contra o Rafale e o americano Boeing F-18. Porém, o comandante Juniti Saito enviou, no início do ano passado, ofício asseverando que os três aviões cumpririam o papel previsto.
Dilma agora deverá analisar o parecer de Jobim e, especula-se, o da FAB. Não há prazo, uma decisão é esperada para o início de 2011. A compra não custará menos de R$ 10 bilhões para 36 aviões, armas e logística.
"Estamos prontos para qualquer consulta", disse Bengt Janér, da Saab. Dassault e Boeing não falaram.
A decisão pró-Rafale era dada como certa, embora a permanência de Jobim na Defesa mantenha o concorrente francês como favorito.
Entre os concorrentes da disputa, houve surpresa com o resultado da reunião entre a presidente eleita e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ocorrida anteontem.
Já entre brigadeiros, além da decepção de ver o enredo que se arrasta desde 2001 sem desfecho, a Folha apurou que há a preocupação com a aposentadoria dos 12 Mirage-2000 que compõem a primeira linha de defesa do núcleo do poder do país.
Baseados em Anápolis (GO), os caças já haviam sido comprados como solução-tampão em 2005, quando a primeira concorrência para adquirir novos aviões foi cancelada pelo governo Lula.
Eles deverão parar de voar a partir de 2014 e, mesmo que o novo modelo esteja escolhido em 2011, dificilmente voará antes de 2015.
Aí surgem as mesmas opções anteriores para evitar o apagão: a compra emergencial de aviões para tapar buraco e a intensificação do uso das versões modernizadas do F-5, aviões da década de 1970 que ganharam recheio eletrônico novo e são elogiados.
No exercício militar Cruzex, em novembro, os F-5 derrubaram na simulação o visitante francês Dassault Rafale --ironicamente, o modelo apontado por Jobim para equipar a FAB.
Os brigadeiros preferiram em sua avaliação o sueco Saab Gripen contra o Rafale e o americano Boeing F-18. Porém, o comandante Juniti Saito enviou, no início do ano passado, ofício asseverando que os três aviões cumpririam o papel previsto.
Dilma agora deverá analisar o parecer de Jobim e, especula-se, o da FAB. Não há prazo, uma decisão é esperada para o início de 2011. A compra não custará menos de R$ 10 bilhões para 36 aviões, armas e logística.
"Estamos prontos para qualquer consulta", disse Bengt Janér, da Saab. Dassault e Boeing não falaram.
A decisão pró-Rafale era dada como certa, embora a permanência de Jobim na Defesa mantenha o concorrente francês como favorito.
Governo estuda regular conteúdo de rádio e televisão - ANDREZA MATAIS
A primeira versão do projeto do governo para o setor de telecomunicação e radiodifusão prevê a criação de um novo órgão, a ANC (Agência Nacional de Comunicação), para regular o conteúdo de rádio e TV.
A Folha teve acesso à minuta da proposta, batizada de Lei Geral da Comunicação Social. O texto tem cerca de 40 páginas e vem sendo mantido em sigilo.
É resultado do grupo de trabalho criado há seis meses e coordenado pelo ministro Franklin Martins para discutir um novo marco regulatório para o setor.
A nova agência para regular conteúdo substituiria a Ancine (Agência Nacional do Cinema) e teria poderes para multar empresas que veicularem programação considerada ofensiva, preconceituosa ou inadequada ao horário.
O presidente da Ancine, Manoel Rangel, disse à Folha que não tem "opinião formada" sobre a mudança.
O texto prevê ainda a proibição que políticos com mandato sejam donos ou controlem rádio e TV. A atual legislação proíbe apenas que eles ocupem cargos de direção nas empresas.
Não está claro no anteprojeto se a vedação atingiria quem já tem concessões.
Levantamento da ONG Transparência Brasil aponta que 160 parlamentares têm concessões de rádio e TV.
O ministro já afirmou que o governo Lula não vai encaminhar o projeto ao Congresso, e sim entregá-lo a Dilma Rousseff como sugestão.
Caso Dilma decida enviar a proposta ao Congresso, o texto pode sofrer alterações e passar por consulta pública. Se a lei for aprovada, o funcionamento da agência será detalhado em decreto.
Na semana passada, Lula disse, em entrevista, que Dilma fará a regulação.
O processo de outorga de novos canais ou renovação também passará pela nova agência, além do circuito Ministério das Comunicações-Congresso, e se tornaria mais transparente, com o passo a passo publicado na internet.
A Folha apurou ainda que a proposta incorpora vários pontos do PL 116, que cria novas regras para o mercado de TV por assinatura e de conteúdo audiovisual, mas não trata de regras para cumprimento do limite de participação de capital estrangeiro nos meios de comunicação.
Será mantida a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que cuida de questões mais técnicas, como a elaboração de planos e distribuição de canais.
Para o governo, a agência não significa censura, porque o conteúdo será analisado depois de veiculado.
Representantes do setor, porém, avaliam que a proposta abre brechas para cercear jornalismo e dramaturgia. Além disso, dizem, a Constituição já prevê punição para os abusos.
A criação da agência para regular conteúdo tem apoio de entidades que defendem o "controle social da mídia".
A Folha teve acesso à minuta da proposta, batizada de Lei Geral da Comunicação Social. O texto tem cerca de 40 páginas e vem sendo mantido em sigilo.
É resultado do grupo de trabalho criado há seis meses e coordenado pelo ministro Franklin Martins para discutir um novo marco regulatório para o setor.
A nova agência para regular conteúdo substituiria a Ancine (Agência Nacional do Cinema) e teria poderes para multar empresas que veicularem programação considerada ofensiva, preconceituosa ou inadequada ao horário.
O presidente da Ancine, Manoel Rangel, disse à Folha que não tem "opinião formada" sobre a mudança.
O texto prevê ainda a proibição que políticos com mandato sejam donos ou controlem rádio e TV. A atual legislação proíbe apenas que eles ocupem cargos de direção nas empresas.
Não está claro no anteprojeto se a vedação atingiria quem já tem concessões.
Levantamento da ONG Transparência Brasil aponta que 160 parlamentares têm concessões de rádio e TV.
O ministro já afirmou que o governo Lula não vai encaminhar o projeto ao Congresso, e sim entregá-lo a Dilma Rousseff como sugestão.
Caso Dilma decida enviar a proposta ao Congresso, o texto pode sofrer alterações e passar por consulta pública. Se a lei for aprovada, o funcionamento da agência será detalhado em decreto.
Na semana passada, Lula disse, em entrevista, que Dilma fará a regulação.
O processo de outorga de novos canais ou renovação também passará pela nova agência, além do circuito Ministério das Comunicações-Congresso, e se tornaria mais transparente, com o passo a passo publicado na internet.
A Folha apurou ainda que a proposta incorpora vários pontos do PL 116, que cria novas regras para o mercado de TV por assinatura e de conteúdo audiovisual, mas não trata de regras para cumprimento do limite de participação de capital estrangeiro nos meios de comunicação.
Será mantida a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que cuida de questões mais técnicas, como a elaboração de planos e distribuição de canais.
Para o governo, a agência não significa censura, porque o conteúdo será analisado depois de veiculado.
Representantes do setor, porém, avaliam que a proposta abre brechas para cercear jornalismo e dramaturgia. Além disso, dizem, a Constituição já prevê punição para os abusos.
A criação da agência para regular conteúdo tem apoio de entidades que defendem o "controle social da mídia".
terça-feira, dezembro 07, 2010
Em entrevista, Assange nega acusações e diz que 'é fascinante ver os tentáculos da elite americana corrupta' - Natália Viana
O fundador do site Wikileaks, Julian Assange, falou com exclusividade ao Opera Mundi nesta segunda-feira (06/12). Assange não escondeu a irritação com o congelamento de sua conta bancária na Suíça, por estar registrada em um endereço local, apesar de ele não morar mais no país europeu e com outras ações tomadas contra a organização desde o lançamento de documentos sigilosos de embaixadas dos Estados Unidos.
Ele se preparava para se apresentar à polícia britânica, o que aconteceu na manhã de hoje (07/12) em Londres. Assange é acusado de crimes sexuais na Suécia. A acusação não é clara, mas inclui a prática de sexo desprotegido com duas mulheres, na mesma época em dava uma palestra em Estocolmo. Desde o dia 18 de novembro, a justiça sueca expediu mandado de prisão com o objetivo de interrogá-lo por "suspeitas razoáveis de estupro, agressão sexual e coerção". O fundador do Wikileaks deve ser ouvido ainda hoje num tribunal de Westminster, na região central de Londres, onde será decidido se ele será extraditado à Suécia.
Nesse momento, quais acusações pesam sobre você?
São muitas as acusações. A mais séria é que eu e o nosso pessoal praticamos espionagem contra os EUA. Isso é falso. Também a famosa alegação de "estupro" na Suécia. Ela é falsa e vai acabar se extinguindo quando os fatos reais vierem à tona, mas até lá está sendo usada para atacar nossa reputação.
Sobre essa acusação de espionagem, há algum processo judicial correndo?
Não. É uma investigação formal envolvendo os diretores do FBI, da CIA e o advogado-geral norte-americano. A Austrália, meu país, também está conduzindo uma investigação do mesmo tipo - em que se junta todo o governo - e ao mesmo tempo estão asssessorando os EUA. Uma da fontes alegadas para essa investigação, Bradley Manning [militar acusado de ser a fonte do Wikileaks], está preso em confinamento solitário em uma cela na prisão no estado da Virginia, nos EUA. Ele pode pegar até 52 anos de prisão se for condenado por todas as acusações, que incluem espionagem.
Qual a diferença entre o que faz o Wikileaks e espionagem?
O Wikileaks recebe material de "whistle-blowers" (pessoas que denunciam algo errado nas organizações onde trabalham) e jornalistas e os entrega ao público. Nos acusar de espionagem quer dizer que nós teriamos que trabalhar ativamente para adquirir o material e o repassar a um estrangeiro.
No caso da Suécia, o que as mulheres alegam?
Elas dizem que houve sexo consensual. O caso chegou a ser arquivado por 12 horas quando a procuradora-geral em Estocolmo, Eva Finne, leu os depoimentos. Depois foi reaberto, após uma articulação política. Todo esse caso é bastante perturbador. Agora, eles acabaram de congelar minha conta em um banco na Suíça, nosso fundo para pagar minha defesa.
Com base em quê?
Eles estão alegando que eu os coloco em risco. Mas não têm nada que sugira isso, e de qualquer forma isso é falso.
E qual é a sua opinião sobre o congelamento de transferêcias de dinheiro pela empresa PayPal, e o fato de que a Amazon retirou o site do ar? Como você vê essas ações?
É fascinante ver os tentáculos da elite norte-americana corrupta. De certo modo, observar essa reação é tão importante quanto ver o material que publicamos. A Paypal e a Amazon congelaram nossas contas por razões políticas. Com o Paypal, 70 mil euros foram congelados. Com o nosso fundo de defesa, cerca de 31 mil euros.
O que eles alegam?
Eles dizem que estamos fazendo "atividades ilegais", o que é, claro, uma inverdade. Mas estão ecoando as acusações de Hillary Clinton [secretária de Estado norte-americana] sobre como publicamos documentos que podem causar transtornos aos EUA. Mesmo assim, o líder do comitê de segurança nacional no Senado disse com muito orgulho que ele havia ligado para a Amazon e exigido o fechamento no site.
O que o Wikileaks está fazendo para se defender do congelamento das doações?
Nós perdemos 100 mil euros somente nesta semana como resultado do congelamento dos pagamentos. Temos outras contas em bancos - na Islândia e Suécia, por exemplo, que o público pode usar. Estão em um site. Também aceitamos cartões de crédito.
O que mais o Wikileaks está fazendo para se defender?
Nós estamos contando com a diversidade e o apoio de boas pessoas. Temos mais de 350 sites pelo mundo que reproduzem nosso conteúdo. Precisamos disso mais do que nunca.
Ele se preparava para se apresentar à polícia britânica, o que aconteceu na manhã de hoje (07/12) em Londres. Assange é acusado de crimes sexuais na Suécia. A acusação não é clara, mas inclui a prática de sexo desprotegido com duas mulheres, na mesma época em dava uma palestra em Estocolmo. Desde o dia 18 de novembro, a justiça sueca expediu mandado de prisão com o objetivo de interrogá-lo por "suspeitas razoáveis de estupro, agressão sexual e coerção". O fundador do Wikileaks deve ser ouvido ainda hoje num tribunal de Westminster, na região central de Londres, onde será decidido se ele será extraditado à Suécia.
Nesse momento, quais acusações pesam sobre você?
São muitas as acusações. A mais séria é que eu e o nosso pessoal praticamos espionagem contra os EUA. Isso é falso. Também a famosa alegação de "estupro" na Suécia. Ela é falsa e vai acabar se extinguindo quando os fatos reais vierem à tona, mas até lá está sendo usada para atacar nossa reputação.
Sobre essa acusação de espionagem, há algum processo judicial correndo?
Não. É uma investigação formal envolvendo os diretores do FBI, da CIA e o advogado-geral norte-americano. A Austrália, meu país, também está conduzindo uma investigação do mesmo tipo - em que se junta todo o governo - e ao mesmo tempo estão asssessorando os EUA. Uma da fontes alegadas para essa investigação, Bradley Manning [militar acusado de ser a fonte do Wikileaks], está preso em confinamento solitário em uma cela na prisão no estado da Virginia, nos EUA. Ele pode pegar até 52 anos de prisão se for condenado por todas as acusações, que incluem espionagem.
Qual a diferença entre o que faz o Wikileaks e espionagem?
O Wikileaks recebe material de "whistle-blowers" (pessoas que denunciam algo errado nas organizações onde trabalham) e jornalistas e os entrega ao público. Nos acusar de espionagem quer dizer que nós teriamos que trabalhar ativamente para adquirir o material e o repassar a um estrangeiro.
No caso da Suécia, o que as mulheres alegam?
Elas dizem que houve sexo consensual. O caso chegou a ser arquivado por 12 horas quando a procuradora-geral em Estocolmo, Eva Finne, leu os depoimentos. Depois foi reaberto, após uma articulação política. Todo esse caso é bastante perturbador. Agora, eles acabaram de congelar minha conta em um banco na Suíça, nosso fundo para pagar minha defesa.
Com base em quê?
Eles estão alegando que eu os coloco em risco. Mas não têm nada que sugira isso, e de qualquer forma isso é falso.
E qual é a sua opinião sobre o congelamento de transferêcias de dinheiro pela empresa PayPal, e o fato de que a Amazon retirou o site do ar? Como você vê essas ações?
É fascinante ver os tentáculos da elite norte-americana corrupta. De certo modo, observar essa reação é tão importante quanto ver o material que publicamos. A Paypal e a Amazon congelaram nossas contas por razões políticas. Com o Paypal, 70 mil euros foram congelados. Com o nosso fundo de defesa, cerca de 31 mil euros.
O que eles alegam?
Eles dizem que estamos fazendo "atividades ilegais", o que é, claro, uma inverdade. Mas estão ecoando as acusações de Hillary Clinton [secretária de Estado norte-americana] sobre como publicamos documentos que podem causar transtornos aos EUA. Mesmo assim, o líder do comitê de segurança nacional no Senado disse com muito orgulho que ele havia ligado para a Amazon e exigido o fechamento no site.
O que o Wikileaks está fazendo para se defender do congelamento das doações?
Nós perdemos 100 mil euros somente nesta semana como resultado do congelamento dos pagamentos. Temos outras contas em bancos - na Islândia e Suécia, por exemplo, que o público pode usar. Estão em um site. Também aceitamos cartões de crédito.
O que mais o Wikileaks está fazendo para se defender?
Nós estamos contando com a diversidade e o apoio de boas pessoas. Temos mais de 350 sites pelo mundo que reproduzem nosso conteúdo. Precisamos disso mais do que nunca.
quinta-feira, dezembro 02, 2010
Avião projetado na UFMG bate quatro recordes mundiais
Um avião construído por alunos e professores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) quebrou quatro recordes mundiais, ontem e hoje, na categoria C1A0, que engloba modelos com motor a pistão, hélice e peso total de decolagem de até 300 quilos. "Nunca na história da aviação brasileira houve sequer a tentativa de quebrar recordes mundiais com aeronave motorizada", disse, orgulhoso, o professor de Engenharia Aeronáutica da UFMG e coordenador do projeto, Paulo Iscold.
A aeronave CEA 308 bateu ontem o recorde russo de tempo de subida até três mil metros de altitude - baixou de 13 minutos e 40 segundos para 8 minutos e 15 segundos. Também deixou para trás ontem duas marcas que pertenciam a norte-americanos: velocidade em linha reta em 15 quilômetros - atingiu 329 km/h contra 292 km/h - e velocidade de ida e volta em cem quilômetros, chegou a 326 km/h ante 297 km/h. Hoje foi a vez de superar os austríacos na velocidade em linha reta em três quilômetros - 360 km/h contra 351 km/h.
Questionado sobre o que representa a quebra desses recordes para a aviação, Iscold comparou o projeto com carros de corrida. "Você não vai ver um carro de corrida ser vendido numa loja, mas detalhes dele podem ser usados na construção de carros de passeio. Funciona da mesma forma com o avião", explicou. Ele também disse que fica muito satisfeito em poder contribuir com a formação de alunos da UFMG no curso de Engenharia da Aeronáutica. "Vale ainda para mostrar que o Brasil é capaz de desenvolver tecnologia de ponta, sem precisar recorrer a outros países."
As quebras de recorde contaram com a aferição da CAB (Comissão de Aerodesporto Brasileira), órgão vinculado à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), e da National Aeronautic Association, entidade equivalente à CAB nos Estados Unidos, ambas representando a FAI (Federação Aeronáutica Internacional).
História
O projeto da aeronave mineira foi desenvolvido por Iscold em 1999 como trabalho de conclusão do curso de Engenharia Aeronáutica na UFMG. O primeiro voo ocorreu em 2001. "Naquela época as dificuldades eram muitas, a maior delas financeira", disse. Em 2007 os voos passaram a ser regulares. O piloto que desde 2005 participa dos teste é Gunar Armin, ex-comandante da Varig.
Feito de materiais compostos, como fibra de vidro e espuma rígida, também chamada de espuma de PVC, o avião hoje possui 80 cavalos de potência, pouco mais que a potência de um carro de mil cilindradas, e atinge 360 km/h, velocidade superior a de carros de Fórmula 1. O peso da aeronave sem piloto, paraquedas e combustível é de 206 quilos. "Nessa categoria há limitação do peso em até 300 quilos, o que traz uma limitação de potência, porque é difícil conseguir no mercado motor leve e potente", afirmou Iscold.
A aeronave CEA 308 bateu ontem o recorde russo de tempo de subida até três mil metros de altitude - baixou de 13 minutos e 40 segundos para 8 minutos e 15 segundos. Também deixou para trás ontem duas marcas que pertenciam a norte-americanos: velocidade em linha reta em 15 quilômetros - atingiu 329 km/h contra 292 km/h - e velocidade de ida e volta em cem quilômetros, chegou a 326 km/h ante 297 km/h. Hoje foi a vez de superar os austríacos na velocidade em linha reta em três quilômetros - 360 km/h contra 351 km/h.
Questionado sobre o que representa a quebra desses recordes para a aviação, Iscold comparou o projeto com carros de corrida. "Você não vai ver um carro de corrida ser vendido numa loja, mas detalhes dele podem ser usados na construção de carros de passeio. Funciona da mesma forma com o avião", explicou. Ele também disse que fica muito satisfeito em poder contribuir com a formação de alunos da UFMG no curso de Engenharia da Aeronáutica. "Vale ainda para mostrar que o Brasil é capaz de desenvolver tecnologia de ponta, sem precisar recorrer a outros países."
As quebras de recorde contaram com a aferição da CAB (Comissão de Aerodesporto Brasileira), órgão vinculado à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), e da National Aeronautic Association, entidade equivalente à CAB nos Estados Unidos, ambas representando a FAI (Federação Aeronáutica Internacional).
História
O projeto da aeronave mineira foi desenvolvido por Iscold em 1999 como trabalho de conclusão do curso de Engenharia Aeronáutica na UFMG. O primeiro voo ocorreu em 2001. "Naquela época as dificuldades eram muitas, a maior delas financeira", disse. Em 2007 os voos passaram a ser regulares. O piloto que desde 2005 participa dos teste é Gunar Armin, ex-comandante da Varig.
Feito de materiais compostos, como fibra de vidro e espuma rígida, também chamada de espuma de PVC, o avião hoje possui 80 cavalos de potência, pouco mais que a potência de um carro de mil cilindradas, e atinge 360 km/h, velocidade superior a de carros de Fórmula 1. O peso da aeronave sem piloto, paraquedas e combustível é de 206 quilos. "Nessa categoria há limitação do peso em até 300 quilos, o que traz uma limitação de potência, porque é difícil conseguir no mercado motor leve e potente", afirmou Iscold.
CONFIDENCIAL - Classificado por: Vice-Embaixadora Cherie Jackson
Em 10 de novembro às 22h13 o Brasil sofreu um apagão que mergulhou 18 de seus 27 Estados na escuridão por períodos que variaram entre 20 minutos e seis horas. O blecaute representou uma perda de 28 mil megawatts de eletricidade --ou seja, 45% do consumo brasileiro total naquele instante-- e deixou estimados 87 milhões de pessoas sem energia elétrica. O escrutínio vem sendo intenso e as especulações sobre o incidente vêm correndo soltas, em grande medida devido ao anúncio recente de que o Rio vai sediar os Jogos Olímpicos de 2016.
O QUE O GOVERNO DETERMINOU ATÉ AGORA? 3. (C) Em 18 de novembro, o adido econômico se reuniu com Plinio de Oliveira, presidente do ONS, o órgão governamental responsável pela rede elétrica interligada do país, juntamente com Wilkens Geraldes Filho, diretor de Análise Estatística do ONS, e Elione Vierira de Araújo, uma engenheira de alto nível. Eles haviam passado boa parte da semana passada investigando o incidente e apresentando explicações sobre o que aconteceu. Geraldes e Oliveira se juntaram à conversa com atraso, após uma reunião de improviso com o diretor-geral do ONS para discutir o incidente. A equipe fez para o adido econômico a mesma apresentação que fez ao ministro da Energia, Edison Lobão, após o incidente. Em 20 de novembro o adido econômico se reuniu em separado com José Coimbra, chefe-de-gabinete do Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. Coimbra foi o funcionário do Ministério convocado para trabalhar no problema na noite de 10 de novembro e era quem carregava a responsabilidade geral pelo planejamento do setor elétrico.
Com base nessas discussões detalhadas, segue o governo agora afirma que aconteceu. A queda de eletricidade se originou em uma subestação próxima de São Paulo chamada Itaburi, na linha de transmissão Tijuco Preto, que abastece São Paulo e depois Rio de Janeiro com eletricidade da barragem de Itaipu (uma barragem hidrelétrica binacional na fronteira com o Paraguai, responsável por 12.600 MW de energia, ou seja, 20% do abastecimento de energia do Brasil. A matriz energética brasileira é fortemente dependente da hidroeletricidade 80%, sendo o restante uma combinação de termo, nuclear e alguma bioeletricidade.). Naquele ponto no sistema há três linhas de transmissão separadas que conectam Itaipu a São Paulo, carregando 765 kilovolts de 60HZ AC. Há uma linha de transmissão separada de Itaipu a São Paulo ao norte da linha de transmissão de Tijuco Preto, que carrega 50 HZ de energia DC. A região São Paulo/Rio também é ligada ao sul do país por linhas separadas, e também com o norte e nordeste, que também estão interligados. O consumo global diário do sistema é 60 GW, bem abaixo da capacidade total do sistema, 105 GW.
Às 22h13 ocorreu um curto-circuito em uma das três linhas de Itaburi, no que chamam de ciclo "B". 13,5 milésimos de segundo mais tarde, o ciclo "A" sofreu um curto-circuito na segunda linha. 3,2 milésimos de segundo depois, a subestação de Itaber deixou de funcionar, derrubando a terceira e última linha e interrompendo completamente o fluxo da linha de transmissão sul de Itaipu a São Paulo. Quando isso aconteceu, controles automatizados entraram em ação para preservar o sistema. Os geradores de Itaipu se desligaram quando detectaram a interrupção na transmissão, com isso também desligando a linha de abastecimento norte para São Paulo. Os sistemas interligados nas regiões nordeste e norte do país, ao detectar oscilação no fornecimento vindo de São Paulo, desligaram as linhas de transmissão para proteger essas regiões. Na região sul do país, que também fornecia eletricidade a São Paulo, as oscilações repentinas de frequência desencadearam o ERAC (um sistema de emergência no qual cada subestação monitora o equilíbrio entre o fornecimento e a carga), isolando a seção sul do restante da rede. Essas modificações preservaram o restante do sistema, permitindo um retorno rápido ao fornecimento de energia elétrica para a maior parte do país, mas deixaram os principais centros populacionais sem energia por até seis horas.
QUAIS FORAM OS FATORES QUE EXACERBARAM O EVENTO?
Geraldes descreveu os fatos de 10 de novembro como sendo incomuns, não em termos da interrupção do sistema mas da confluência de eventos que levou à escala catastrófica do apagão. Ele disse que um problema semelhante que deixou desligada a mesma linha tinha acontecido no passado, mas que o sistema estava operando de tal maneira que o fluxo foi redistribuído com poucas consequências negativas. No caso de 10 de novembro, os reservatórios estavam cheios devido às chuvas abundantes recentes, e as usinas termais, às quais se recorre com frequência para aumentar o fluxo, não estavam operando. O sistema interligado que permite que eletricidade de qualquer parte do país seja distribuída para qualquer outra parte estava exportando energia das hidrelétricas principais no sul do país para a região de São Paulo/Rio. De acordo com Geraldes, em casos anteriores a situação foi revertida, com fluxo exportado de São Paulo para o sul durante períodos com menos chuva, e os problemas tiveram efeito muito pequeno sobre o fornecimento elétrico geral.
Grudtner disse que os padrões internacionais geralmente pedem que um sistema tenha capacidade que permita operação desimpedida com uma linha de transmissão estando inoperante. No momento do incidente, o sistema brasileiro estava operando na capacidade de operações desimpedidas com duas linhas desligadas, mas o incidente derrubou as três linhas que alimentam São Paulo. Além disso, observou Coimbra, cada uma das linhas que foi derrubada leva dez segundos para se recuperar, mas os curto-circuitos ocorreram com diferença de tempo de milésimos de segundos, desabilitando o sistema de transmissão com desligamentos automáticos, antes das linhas terem tempo de se recuperar. Geraldes disse que foi a pior configuração possível de fatos que levou ao efeito em cascata.
Uma comissão governamental composta do ONS e da ANEEL, a agência brasileira reguladora da energia elétrica, está investigando exatamente o que aconteceu em 10 de novembro. A comissão tem prazo de 30 dias a partir de sua formação, em 13 de novembro, para redigir um relatório de suas constatações, incluindo possíveis recomendações. O governo irá então apresentar o relatório a um grupo independente de acadêmicos e especialistas não ligados ao governo, para ser revisto por eles. O governo finalizará o relatório após essa revisão. Na ausência de um relatório final, nem o ONS nem o MME (Ministério de Minas e Energia) ofereceram uma explicação definitiva das causas dos blecautes. Mas ambos afirmaram que os curtos-circuitos são condizentes ou com um raio (embora o ONS tenha feito questão de mostrar fotos de satélite mostrando que não havia tempestades na área naquele momento específico) ou com uma combinação de pressão barométrica baixa com ventos fortes e alto índice de umidade. O ONS também mostrou fotos de torres de transmissão apresentando descoloração visível, o que, segundo afirmou, representa evidência adicional em favor dessas duas teorias e exclui a possibilidade de danos causados por árvores, sabotagem física ou hackers. (Nota: O adido econômico não teve meios de verificar a localização das torres vistas nas fotos, o momento em que ocorreu a descoloração, nem a causa. Fim da nota.)
Oliveira e Geraldes ainda excluíram a possibilidade de ação de hackers porque, após algumas interferências reconhecidas como tais ocorridas nos últimos anos, o GOB restringiu o acesso ao sistema a um grupo pequeno de operadores autorizados, separou o sistema de controle da transmissão dos outros sistemas e instalou filtros. Coimbra confirmou que o sistema do ONS é uma rede CLAN que emprega seus próprios fios, estendidos acima dos fios elétricos. Oliveira observou que, mesmo que alguém tivesse conseguido ter acesso ao sistema, é preciso um comando de voz para interromper a transmissão. Coimbra disse que, embora os blecautes pudessem ter sido provocados por sabotagem, esse tipo de problema teria sido mortal, e investigadores teriam encontrado evidências físicas, incluindo o corpo do perpetrador. Ele também observou que quaisquer tentativas internas de interromper o sistema cometidas por funcionários do sistema teriam sido facilmente rastreáveis, fato que seria do conhecimento de qualquer pessoa com acesso ao sistema.
Para evitar grandes apagões futuros, disse Pires ao adido econômico do Rio, o governo brasileiro precisa diversificar suas fontes para que não se limitem a Itaipu, aumentando a geração de energia termoelétrica e não focando unicamente os custos de operação. Relatos da imprensa sugeriram que, para enfrentar as necessidades da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, o GOB precisa modernizar suas linhas de transmissão e construir usinas elétricas em escala menor, independentes da rede nacional, mis próximas dos grandes centros de consumo, como Rio de Janeiro e São Paulo.
Na reunião com o adido econômico de Brasília, funcionários do ONS foram unânimes em rejeitar as alegações de que a rede elétrica seria antiquada, observando que a rede atual foi modernizada após os blecautes de 2001 e hoje satisfaz ou supera os critérios de desempenho internacionais, abastecendo de energia cerca de 98% do país. Coimbra riu da sugestão de que a solução estaria na construção de mais usinas térmicas, não apenas porque há usinas térmicas já existentes que não estão sendo utilizadas devido aos altos custos da geração elétrica mas também porque, mesmo que elas tivessem estado em uso, as usinas térmicas teriam precisado ser carregadas por 12-13 horas após um apagão. Itaipu voltou a funcionar com sua capacidade plena menos de 30 minutos após a interrupção.
Dois dias após o incidente, de acordo com uma fonte digna de crédito, autoridades de segurança no Brasil estavam atribuindo a queda de energia a "erro humano" por parte de um brasileiro que era operador do sistema. De acordo com a fonte, o operador estava sendo investigado. A fonte está indisponível para fazer mais comentários sobre a possibilidade de novas avaliações terem modificado essa hipótese, e o status atual dessa investigação em particular é desconhecido. Também houve especulações reservadas em pelo menos uma conversa entre alguns funcionários governamentais, aparentemente baseadas em parte em um programa "60 Minutes" exibido por coincidência alguns dias antes e que sugeria que houvesse vulnerabilidades no sistema brasileiro, que interesses do setor privado dos EUA pudessem ter arquitetado os blecautes visando conseguir melhor acesso comercial à rede elétrica.
MEDIDAS INTERINAS PARA PREVENIR INCIDENTES DE SEGURANÇA E BLECAUTES
Geraldes reconheceu que os holofotes voltados para os Jogos Olímpicos submetem o sistema a um escrutínio maior. O ONS possui um protocolo para proteger contra quedas de fornecimento elétrico e que já foi utilizado durante eventos especiais como os Jogos Panamericanos em 2007 e será usado em eventos futuros, incluindo a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O protocolo inclui a operação de todas as usinas térmicas, muitas das quais se localizam perto de grandes cidades, incluindo o Rio, durante o evento, para minimizar a possibilidade de quedas de eletricidade e para garantir que os padrões regulares de transmissão sejam mantidos, assegurando a consistência de um fluxo normal. Geraldes reconheceu que a segurança física real é uma prioridade baixa sob esse protocolo e disse que não são feitos planos especiais, mesmo durante eventos. Como ele disse, "esta tem sido uma preocupação menor para nós que para vocês". Contudo, ele concordou que pode haver um foco maior sobre a segurança física no período que antecede as Olimpíadas, particularmente depois de este incidente ter chamado a atenção para possíveis pontos fracos do sistema.
A visão do MME foi um tanto quanto diferente. Coimbra observou que "não estamos imunes aos tipos de ameaças que vocês têm visto nos últimos anos". Existe no gabinete do presidente Lula um grupo conhecido como Gabinete de Segurança da Infraestrutura (GSI) que está analisando a segurança da infraestrutura. Coimbra recordou que eles foram os primeiros a procurá-lo após o incidente. Grudtner foi encarregado de liderar o esforço de segurança física do próprio Ministério e disse que o grupo de trabalho do MME está no processo de definir quais instalações são mais cruciais para o sistema e constituem motivo maior de preocupação, logo, mais precisam de proteção física.
Representantes do ONS disseram ao adido econômico que também há um processo intensivo em andamento na Empresa de Pesquisa Energética, EPE, para desenvolver recomendações sobre como evitar problemas de apagões no futuro. Uma medida imediata tomada pelo Brasil para prevenir uma repetição do fato durante o período da investigação é reduzir o volume de fluxo em qualquer direção dada para reduzir a pressão sobre o sistema _mas um subproduto da medida é o aumento da dependência das usinas térmicas, mais caras, fato que eleva o preço da eletricidade. Outra opção de prazo mais longo que está sob consideração seria a construção de equipamentos de transmissão mais novos, maiores e, portanto, mais fortes; seria uma opção cara, e os contatos do ONS deram a entender que a hipótese altamente improvável de se repetir o blecaute de 10 de novembro não justificaria esse custo. O ONS mostrou o plano quinquenal de energia do país, que prevê aumentos importantes na demanda energética, a serem atendidos em grande medida, no curto prazo, com novas hidrelétricas e aumentos nas usinas elétricas movidas a óleo. Embora as projeções indiquem que haverá energia suficiente para atender à demanda, Geraldes avisou que a situação pode mudar se ocorrerem atrasos imprevistos na conclusão da hidrelétrica de Belo Monte, prevista para entrar em operação em abril de 2014, alguns meses antes da Copa do Mundo.
Embora Coimbra, do MME, não tenha oferecido sugestões de possíveis recomendações tecnológicas após esse evento, ele disse que uma área que o GOB poderia focar em um exercício do tipo "lições aprendidas" seria a melhora das comunicações com o público durante ocorrências como essa, e também antes de manutenções programadas que possam causar apagões temporários. Ele ficou interessado em saber mais sobre o sistema de Transmissões (de rádio e televisão) de Emergência americano como uma maneira possível de enfrentar esse desafio. O adido econômico se comprometeu a pesquisar o programa americano e enviar informações para ver se uma cooperação nessa área seria viável.
Tanto o MME quanto o ONS estavam ansiosos para contextualizar o apagão de 10 de novembro. O ONS ofereceu um slide mostrando outros apagões internacionais comparáveis ocorridos nos últimos 30 anos, incluindo o blecaute de quatro dias que atingiu a Costa Leste dos EUA em 2003, detalhando a extensão e duração dos blecautes; o blecaute brasileiro saiu favorecido na comparação. Coimbra disse ao adido econômico que uma associação americana de engenharia enviou uma carta oficial parabenizando o Centro de Pesquisas Elétricas, CEPAL, pela recuperação rápida do sistema e convidando a entidade a participar de uma conferência nos EUA no início do próximo ano para compartilhar suas experiências. Tanto o ONS quanto o MME destacam a rapidez com que a maior parte do sistema voltou a funcionar (a maioria das áreas afetadas sofreu apagões de 20 minutos; o apagão mais longo foi de seis horas, em São Paulo). Como disse Grudtner, o setor elétrico ficou satisfeito porque o sistema funcionou como deveria e voltou com relativa rapidez, mas os políticos não estão satisfeitos. Enquanto isso, ele observou em tom irônico, a imprensa fica satisfeita por ter material para suas matérias. O Congresso pediu sessões de discussão sobre o incidente, que tiveram que ser adiadas porque especialistas estavam viajando à área numa missão investigatória para concluir o relatório da investigação.
COMENTÁRIO: NOTÁVEL ABERTURA A DIÁLOGO COM O USG
As autoridades brasileiras se mostraram notavelmente abertas a discutir o incidente com funcionários da Embaixada, não adotaram postura defensiva ao responder a perguntas e foram francas em suas informações e avaliações. A disposição do presidente do ONS e do chefe-de-gabinete do MME em reunir-se conosco para discutir uma questão tão técnica e em fornecer informações detalhadas à Embaixada demonstra a importância que eles atribuem a assegurar que o USG entenda o blecaute e a capacidade do Brasil de fazer frente a eventos importantes no futuro. Os apagões não são incomuns no Brasil (na realidade o Rio sofreu outro apagão em 23 de novembro que foi atribuído a interrupções na transmissão, possivelmente devidas ao roubo de cabos). Contudo, a escala do apagão de 10 de novembro, que atraiu atenção internacional indesejada, pode levar o Brasil a buscar soluções duradouras a pontos de debilidade em seu abastecimento elétrico e ameaças a ele. Com o início de um importante ano eleitoral, o GOB provavelmente vai querer mostrar que está tomando medidas para reconstruir a confiança pública. À luz da abertura manifestada por funcionários do GOB para discutir esse fato, somada ao desejo de demonstrar avanços em fazer frente ao problema, o USG tem uma oportunidade de trabalhar com o GOB enquanto este busca aperfeiçoamentos possíveis que rendam resultados reais para a segurança física e confiabilidade de sua rede.
OPORTUNIDADES DE ENGAJAMENTO DO USG - APROVEITAR O MOMENTO
Tendo dedicado muito tempo e muitos recursos para corrigir problemas no fornecimento elétrico nacional que eram endêmicos em 2001, o GOB se orgulha de seu sistema de transmissão nacional interligada e tende a enxergar os apagões que ocorrem como incidentes isolados ou como problemas com sistemas de distribuição locais. Em visitas recentes aos Estados Unidos, o vice-ministro da Energia Zimmermann sugeriu que a transmissão e a distribuição de longo alcance possam ser um tema no qual o Brasil possui know-how que poderia compartilhar com os EUA em um acordo de cooperação energética. Embora o GOB seja altamente resistente à ideia de que outros países sejam mais avançados que o Brasil na transmissão e distribuição, representantes do GOB reconhecem que há espaço para aprimoramentos em seu sistema. Saberemos mais sobre a causa imediata do grande apagão brasileiro dentro de algumas semanas, mas, enquanto isso, há oportunidades para o USG tirar proveito da abertura do GOB, destacando o apagão como razão para mais engajamento e também preparativos com vista à Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas de 2016.
OPORTUNIDADES DE COOPERAÇÃO EM SEGURANÇA DE INFRAESTRUTURA CRÍTICA
Esta seria uma excelente ocasião para incentivar o Memorando de Acordo sobre Comunicações e Segurança de Informações (CISMOA) entre forças armadas, notando que, embora este incidente não pareça ter sido fruto de um ataque ao sistema, tal evento é possível, e firmar esse acordo permitiria cooperação no caso de ocorrer um ataque. Também consideraríamos um grupo de trabalho em ciber-segurança. O Brasil poderia estar aberto a buscar cooperação sobre a proteção da infraestrutura crítica, e o MME já nos disse que estaria interessado em saber mais sobre nosso sistema de transmissões (por ex. de televisão) de emergência. Está claro que a segurança física até agora não foi um alvo importante da atenção dos planejadores, mas autoridades reconhecem a possibilidade de um ataque e estão trabalhando para desenvolver proteções, outra área possível de cooperação frutífera após a visita de DHS no final de 2008.
Com relação ao desenvolvimento infraestrutural, a USTDA (Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA) estuda a possibilidade de patrocinar uma visita de orientação ou um estudo de campo sobre energia elétrica. Até agora a USTDA não buscou cooperações na área elétrica. A maioria dos projetos infraestruturais neste sistema elétrico centralizado é ao nível federal, o que geralmente se traduz em mais burocracia e tempos de implementação mais longos do que com projetos empreendidos ao nível estadual ou local. Existem, contudo, questões de distribuição elétrica que precisam ser tratadas aos níveis estaduais e locais que poderiam beneficiar-se do envolvimento da USTDA, possivelmente representando outro meio de engajamento para ajudar o Brasil a resolver seus desafios elétricos. Antes deste evento, o Ministério da Energia tinha destacado a tecnologia Smartgrid como sendo uma área na qual ele teria interesse em cooperação; é possível que o interesse seja maior agora. 23. (C) A Missão incentiva as agências do USG, incluindo o Departamento de Defesa, o Departamento de Segurança Interna, a Comissão Federal de Comunicações, a Agência de Comércio e Desenvolvimento e outras a explorar estas oportunidades no curto prazo. FIM DOS COMENTÁRIOS. 24. (U) Este telegrama foi coordenado com os Consulados Gerais no Rio de Janeiro e São Paulo.
O QUE O GOVERNO DETERMINOU ATÉ AGORA? 3. (C) Em 18 de novembro, o adido econômico se reuniu com Plinio de Oliveira, presidente do ONS, o órgão governamental responsável pela rede elétrica interligada do país, juntamente com Wilkens Geraldes Filho, diretor de Análise Estatística do ONS, e Elione Vierira de Araújo, uma engenheira de alto nível. Eles haviam passado boa parte da semana passada investigando o incidente e apresentando explicações sobre o que aconteceu. Geraldes e Oliveira se juntaram à conversa com atraso, após uma reunião de improviso com o diretor-geral do ONS para discutir o incidente. A equipe fez para o adido econômico a mesma apresentação que fez ao ministro da Energia, Edison Lobão, após o incidente. Em 20 de novembro o adido econômico se reuniu em separado com José Coimbra, chefe-de-gabinete do Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. Coimbra foi o funcionário do Ministério convocado para trabalhar no problema na noite de 10 de novembro e era quem carregava a responsabilidade geral pelo planejamento do setor elétrico.
Com base nessas discussões detalhadas, segue o governo agora afirma que aconteceu. A queda de eletricidade se originou em uma subestação próxima de São Paulo chamada Itaburi, na linha de transmissão Tijuco Preto, que abastece São Paulo e depois Rio de Janeiro com eletricidade da barragem de Itaipu (uma barragem hidrelétrica binacional na fronteira com o Paraguai, responsável por 12.600 MW de energia, ou seja, 20% do abastecimento de energia do Brasil. A matriz energética brasileira é fortemente dependente da hidroeletricidade 80%, sendo o restante uma combinação de termo, nuclear e alguma bioeletricidade.). Naquele ponto no sistema há três linhas de transmissão separadas que conectam Itaipu a São Paulo, carregando 765 kilovolts de 60HZ AC. Há uma linha de transmissão separada de Itaipu a São Paulo ao norte da linha de transmissão de Tijuco Preto, que carrega 50 HZ de energia DC. A região São Paulo/Rio também é ligada ao sul do país por linhas separadas, e também com o norte e nordeste, que também estão interligados. O consumo global diário do sistema é 60 GW, bem abaixo da capacidade total do sistema, 105 GW.
Às 22h13 ocorreu um curto-circuito em uma das três linhas de Itaburi, no que chamam de ciclo "B". 13,5 milésimos de segundo mais tarde, o ciclo "A" sofreu um curto-circuito na segunda linha. 3,2 milésimos de segundo depois, a subestação de Itaber deixou de funcionar, derrubando a terceira e última linha e interrompendo completamente o fluxo da linha de transmissão sul de Itaipu a São Paulo. Quando isso aconteceu, controles automatizados entraram em ação para preservar o sistema. Os geradores de Itaipu se desligaram quando detectaram a interrupção na transmissão, com isso também desligando a linha de abastecimento norte para São Paulo. Os sistemas interligados nas regiões nordeste e norte do país, ao detectar oscilação no fornecimento vindo de São Paulo, desligaram as linhas de transmissão para proteger essas regiões. Na região sul do país, que também fornecia eletricidade a São Paulo, as oscilações repentinas de frequência desencadearam o ERAC (um sistema de emergência no qual cada subestação monitora o equilíbrio entre o fornecimento e a carga), isolando a seção sul do restante da rede. Essas modificações preservaram o restante do sistema, permitindo um retorno rápido ao fornecimento de energia elétrica para a maior parte do país, mas deixaram os principais centros populacionais sem energia por até seis horas.
QUAIS FORAM OS FATORES QUE EXACERBARAM O EVENTO?
Geraldes descreveu os fatos de 10 de novembro como sendo incomuns, não em termos da interrupção do sistema mas da confluência de eventos que levou à escala catastrófica do apagão. Ele disse que um problema semelhante que deixou desligada a mesma linha tinha acontecido no passado, mas que o sistema estava operando de tal maneira que o fluxo foi redistribuído com poucas consequências negativas. No caso de 10 de novembro, os reservatórios estavam cheios devido às chuvas abundantes recentes, e as usinas termais, às quais se recorre com frequência para aumentar o fluxo, não estavam operando. O sistema interligado que permite que eletricidade de qualquer parte do país seja distribuída para qualquer outra parte estava exportando energia das hidrelétricas principais no sul do país para a região de São Paulo/Rio. De acordo com Geraldes, em casos anteriores a situação foi revertida, com fluxo exportado de São Paulo para o sul durante períodos com menos chuva, e os problemas tiveram efeito muito pequeno sobre o fornecimento elétrico geral.
Grudtner disse que os padrões internacionais geralmente pedem que um sistema tenha capacidade que permita operação desimpedida com uma linha de transmissão estando inoperante. No momento do incidente, o sistema brasileiro estava operando na capacidade de operações desimpedidas com duas linhas desligadas, mas o incidente derrubou as três linhas que alimentam São Paulo. Além disso, observou Coimbra, cada uma das linhas que foi derrubada leva dez segundos para se recuperar, mas os curto-circuitos ocorreram com diferença de tempo de milésimos de segundos, desabilitando o sistema de transmissão com desligamentos automáticos, antes das linhas terem tempo de se recuperar. Geraldes disse que foi a pior configuração possível de fatos que levou ao efeito em cascata.
Uma comissão governamental composta do ONS e da ANEEL, a agência brasileira reguladora da energia elétrica, está investigando exatamente o que aconteceu em 10 de novembro. A comissão tem prazo de 30 dias a partir de sua formação, em 13 de novembro, para redigir um relatório de suas constatações, incluindo possíveis recomendações. O governo irá então apresentar o relatório a um grupo independente de acadêmicos e especialistas não ligados ao governo, para ser revisto por eles. O governo finalizará o relatório após essa revisão. Na ausência de um relatório final, nem o ONS nem o MME (Ministério de Minas e Energia) ofereceram uma explicação definitiva das causas dos blecautes. Mas ambos afirmaram que os curtos-circuitos são condizentes ou com um raio (embora o ONS tenha feito questão de mostrar fotos de satélite mostrando que não havia tempestades na área naquele momento específico) ou com uma combinação de pressão barométrica baixa com ventos fortes e alto índice de umidade. O ONS também mostrou fotos de torres de transmissão apresentando descoloração visível, o que, segundo afirmou, representa evidência adicional em favor dessas duas teorias e exclui a possibilidade de danos causados por árvores, sabotagem física ou hackers. (Nota: O adido econômico não teve meios de verificar a localização das torres vistas nas fotos, o momento em que ocorreu a descoloração, nem a causa. Fim da nota.)
Oliveira e Geraldes ainda excluíram a possibilidade de ação de hackers porque, após algumas interferências reconhecidas como tais ocorridas nos últimos anos, o GOB restringiu o acesso ao sistema a um grupo pequeno de operadores autorizados, separou o sistema de controle da transmissão dos outros sistemas e instalou filtros. Coimbra confirmou que o sistema do ONS é uma rede CLAN que emprega seus próprios fios, estendidos acima dos fios elétricos. Oliveira observou que, mesmo que alguém tivesse conseguido ter acesso ao sistema, é preciso um comando de voz para interromper a transmissão. Coimbra disse que, embora os blecautes pudessem ter sido provocados por sabotagem, esse tipo de problema teria sido mortal, e investigadores teriam encontrado evidências físicas, incluindo o corpo do perpetrador. Ele também observou que quaisquer tentativas internas de interromper o sistema cometidas por funcionários do sistema teriam sido facilmente rastreáveis, fato que seria do conhecimento de qualquer pessoa com acesso ao sistema.
Para evitar grandes apagões futuros, disse Pires ao adido econômico do Rio, o governo brasileiro precisa diversificar suas fontes para que não se limitem a Itaipu, aumentando a geração de energia termoelétrica e não focando unicamente os custos de operação. Relatos da imprensa sugeriram que, para enfrentar as necessidades da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, o GOB precisa modernizar suas linhas de transmissão e construir usinas elétricas em escala menor, independentes da rede nacional, mis próximas dos grandes centros de consumo, como Rio de Janeiro e São Paulo.
Na reunião com o adido econômico de Brasília, funcionários do ONS foram unânimes em rejeitar as alegações de que a rede elétrica seria antiquada, observando que a rede atual foi modernizada após os blecautes de 2001 e hoje satisfaz ou supera os critérios de desempenho internacionais, abastecendo de energia cerca de 98% do país. Coimbra riu da sugestão de que a solução estaria na construção de mais usinas térmicas, não apenas porque há usinas térmicas já existentes que não estão sendo utilizadas devido aos altos custos da geração elétrica mas também porque, mesmo que elas tivessem estado em uso, as usinas térmicas teriam precisado ser carregadas por 12-13 horas após um apagão. Itaipu voltou a funcionar com sua capacidade plena menos de 30 minutos após a interrupção.
Dois dias após o incidente, de acordo com uma fonte digna de crédito, autoridades de segurança no Brasil estavam atribuindo a queda de energia a "erro humano" por parte de um brasileiro que era operador do sistema. De acordo com a fonte, o operador estava sendo investigado. A fonte está indisponível para fazer mais comentários sobre a possibilidade de novas avaliações terem modificado essa hipótese, e o status atual dessa investigação em particular é desconhecido. Também houve especulações reservadas em pelo menos uma conversa entre alguns funcionários governamentais, aparentemente baseadas em parte em um programa "60 Minutes" exibido por coincidência alguns dias antes e que sugeria que houvesse vulnerabilidades no sistema brasileiro, que interesses do setor privado dos EUA pudessem ter arquitetado os blecautes visando conseguir melhor acesso comercial à rede elétrica.
MEDIDAS INTERINAS PARA PREVENIR INCIDENTES DE SEGURANÇA E BLECAUTES
Geraldes reconheceu que os holofotes voltados para os Jogos Olímpicos submetem o sistema a um escrutínio maior. O ONS possui um protocolo para proteger contra quedas de fornecimento elétrico e que já foi utilizado durante eventos especiais como os Jogos Panamericanos em 2007 e será usado em eventos futuros, incluindo a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O protocolo inclui a operação de todas as usinas térmicas, muitas das quais se localizam perto de grandes cidades, incluindo o Rio, durante o evento, para minimizar a possibilidade de quedas de eletricidade e para garantir que os padrões regulares de transmissão sejam mantidos, assegurando a consistência de um fluxo normal. Geraldes reconheceu que a segurança física real é uma prioridade baixa sob esse protocolo e disse que não são feitos planos especiais, mesmo durante eventos. Como ele disse, "esta tem sido uma preocupação menor para nós que para vocês". Contudo, ele concordou que pode haver um foco maior sobre a segurança física no período que antecede as Olimpíadas, particularmente depois de este incidente ter chamado a atenção para possíveis pontos fracos do sistema.
A visão do MME foi um tanto quanto diferente. Coimbra observou que "não estamos imunes aos tipos de ameaças que vocês têm visto nos últimos anos". Existe no gabinete do presidente Lula um grupo conhecido como Gabinete de Segurança da Infraestrutura (GSI) que está analisando a segurança da infraestrutura. Coimbra recordou que eles foram os primeiros a procurá-lo após o incidente. Grudtner foi encarregado de liderar o esforço de segurança física do próprio Ministério e disse que o grupo de trabalho do MME está no processo de definir quais instalações são mais cruciais para o sistema e constituem motivo maior de preocupação, logo, mais precisam de proteção física.
Representantes do ONS disseram ao adido econômico que também há um processo intensivo em andamento na Empresa de Pesquisa Energética, EPE, para desenvolver recomendações sobre como evitar problemas de apagões no futuro. Uma medida imediata tomada pelo Brasil para prevenir uma repetição do fato durante o período da investigação é reduzir o volume de fluxo em qualquer direção dada para reduzir a pressão sobre o sistema _mas um subproduto da medida é o aumento da dependência das usinas térmicas, mais caras, fato que eleva o preço da eletricidade. Outra opção de prazo mais longo que está sob consideração seria a construção de equipamentos de transmissão mais novos, maiores e, portanto, mais fortes; seria uma opção cara, e os contatos do ONS deram a entender que a hipótese altamente improvável de se repetir o blecaute de 10 de novembro não justificaria esse custo. O ONS mostrou o plano quinquenal de energia do país, que prevê aumentos importantes na demanda energética, a serem atendidos em grande medida, no curto prazo, com novas hidrelétricas e aumentos nas usinas elétricas movidas a óleo. Embora as projeções indiquem que haverá energia suficiente para atender à demanda, Geraldes avisou que a situação pode mudar se ocorrerem atrasos imprevistos na conclusão da hidrelétrica de Belo Monte, prevista para entrar em operação em abril de 2014, alguns meses antes da Copa do Mundo.
Embora Coimbra, do MME, não tenha oferecido sugestões de possíveis recomendações tecnológicas após esse evento, ele disse que uma área que o GOB poderia focar em um exercício do tipo "lições aprendidas" seria a melhora das comunicações com o público durante ocorrências como essa, e também antes de manutenções programadas que possam causar apagões temporários. Ele ficou interessado em saber mais sobre o sistema de Transmissões (de rádio e televisão) de Emergência americano como uma maneira possível de enfrentar esse desafio. O adido econômico se comprometeu a pesquisar o programa americano e enviar informações para ver se uma cooperação nessa área seria viável.
Tanto o MME quanto o ONS estavam ansiosos para contextualizar o apagão de 10 de novembro. O ONS ofereceu um slide mostrando outros apagões internacionais comparáveis ocorridos nos últimos 30 anos, incluindo o blecaute de quatro dias que atingiu a Costa Leste dos EUA em 2003, detalhando a extensão e duração dos blecautes; o blecaute brasileiro saiu favorecido na comparação. Coimbra disse ao adido econômico que uma associação americana de engenharia enviou uma carta oficial parabenizando o Centro de Pesquisas Elétricas, CEPAL, pela recuperação rápida do sistema e convidando a entidade a participar de uma conferência nos EUA no início do próximo ano para compartilhar suas experiências. Tanto o ONS quanto o MME destacam a rapidez com que a maior parte do sistema voltou a funcionar (a maioria das áreas afetadas sofreu apagões de 20 minutos; o apagão mais longo foi de seis horas, em São Paulo). Como disse Grudtner, o setor elétrico ficou satisfeito porque o sistema funcionou como deveria e voltou com relativa rapidez, mas os políticos não estão satisfeitos. Enquanto isso, ele observou em tom irônico, a imprensa fica satisfeita por ter material para suas matérias. O Congresso pediu sessões de discussão sobre o incidente, que tiveram que ser adiadas porque especialistas estavam viajando à área numa missão investigatória para concluir o relatório da investigação.
COMENTÁRIO: NOTÁVEL ABERTURA A DIÁLOGO COM O USG
As autoridades brasileiras se mostraram notavelmente abertas a discutir o incidente com funcionários da Embaixada, não adotaram postura defensiva ao responder a perguntas e foram francas em suas informações e avaliações. A disposição do presidente do ONS e do chefe-de-gabinete do MME em reunir-se conosco para discutir uma questão tão técnica e em fornecer informações detalhadas à Embaixada demonstra a importância que eles atribuem a assegurar que o USG entenda o blecaute e a capacidade do Brasil de fazer frente a eventos importantes no futuro. Os apagões não são incomuns no Brasil (na realidade o Rio sofreu outro apagão em 23 de novembro que foi atribuído a interrupções na transmissão, possivelmente devidas ao roubo de cabos). Contudo, a escala do apagão de 10 de novembro, que atraiu atenção internacional indesejada, pode levar o Brasil a buscar soluções duradouras a pontos de debilidade em seu abastecimento elétrico e ameaças a ele. Com o início de um importante ano eleitoral, o GOB provavelmente vai querer mostrar que está tomando medidas para reconstruir a confiança pública. À luz da abertura manifestada por funcionários do GOB para discutir esse fato, somada ao desejo de demonstrar avanços em fazer frente ao problema, o USG tem uma oportunidade de trabalhar com o GOB enquanto este busca aperfeiçoamentos possíveis que rendam resultados reais para a segurança física e confiabilidade de sua rede.
OPORTUNIDADES DE ENGAJAMENTO DO USG - APROVEITAR O MOMENTO
Tendo dedicado muito tempo e muitos recursos para corrigir problemas no fornecimento elétrico nacional que eram endêmicos em 2001, o GOB se orgulha de seu sistema de transmissão nacional interligada e tende a enxergar os apagões que ocorrem como incidentes isolados ou como problemas com sistemas de distribuição locais. Em visitas recentes aos Estados Unidos, o vice-ministro da Energia Zimmermann sugeriu que a transmissão e a distribuição de longo alcance possam ser um tema no qual o Brasil possui know-how que poderia compartilhar com os EUA em um acordo de cooperação energética. Embora o GOB seja altamente resistente à ideia de que outros países sejam mais avançados que o Brasil na transmissão e distribuição, representantes do GOB reconhecem que há espaço para aprimoramentos em seu sistema. Saberemos mais sobre a causa imediata do grande apagão brasileiro dentro de algumas semanas, mas, enquanto isso, há oportunidades para o USG tirar proveito da abertura do GOB, destacando o apagão como razão para mais engajamento e também preparativos com vista à Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas de 2016.
OPORTUNIDADES DE COOPERAÇÃO EM SEGURANÇA DE INFRAESTRUTURA CRÍTICA
Esta seria uma excelente ocasião para incentivar o Memorando de Acordo sobre Comunicações e Segurança de Informações (CISMOA) entre forças armadas, notando que, embora este incidente não pareça ter sido fruto de um ataque ao sistema, tal evento é possível, e firmar esse acordo permitiria cooperação no caso de ocorrer um ataque. Também consideraríamos um grupo de trabalho em ciber-segurança. O Brasil poderia estar aberto a buscar cooperação sobre a proteção da infraestrutura crítica, e o MME já nos disse que estaria interessado em saber mais sobre nosso sistema de transmissões (por ex. de televisão) de emergência. Está claro que a segurança física até agora não foi um alvo importante da atenção dos planejadores, mas autoridades reconhecem a possibilidade de um ataque e estão trabalhando para desenvolver proteções, outra área possível de cooperação frutífera após a visita de DHS no final de 2008.
Com relação ao desenvolvimento infraestrutural, a USTDA (Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA) estuda a possibilidade de patrocinar uma visita de orientação ou um estudo de campo sobre energia elétrica. Até agora a USTDA não buscou cooperações na área elétrica. A maioria dos projetos infraestruturais neste sistema elétrico centralizado é ao nível federal, o que geralmente se traduz em mais burocracia e tempos de implementação mais longos do que com projetos empreendidos ao nível estadual ou local. Existem, contudo, questões de distribuição elétrica que precisam ser tratadas aos níveis estaduais e locais que poderiam beneficiar-se do envolvimento da USTDA, possivelmente representando outro meio de engajamento para ajudar o Brasil a resolver seus desafios elétricos. Antes deste evento, o Ministério da Energia tinha destacado a tecnologia Smartgrid como sendo uma área na qual ele teria interesse em cooperação; é possível que o interesse seja maior agora. 23. (C) A Missão incentiva as agências do USG, incluindo o Departamento de Defesa, o Departamento de Segurança Interna, a Comissão Federal de Comunicações, a Agência de Comércio e Desenvolvimento e outras a explorar estas oportunidades no curto prazo. FIM DOS COMENTÁRIOS. 24. (U) Este telegrama foi coordenado com os Consulados Gerais no Rio de Janeiro e São Paulo.
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