quinta-feira, julho 30, 2009
se me perguntarem, eu digo
Nada me deu uma sensação mais familiar nesta minha estadia em São Paulo do que a garoa que teimou em cair ontem o dia inteiro. A madrugada começou com uma chuvarada brava na verdade que amansou e virou uma bela garoa... uma garoa de gotas finas e intermitentes que eu não via cair desde minha infância, aqueles dias negros nos quais a metrópole paulistana ainda tinha indústrias dentro do perímetro urbano, indústrias que emitiam gases poluentes no ar muito antes do infortúnio da poluição emitida pelos automóveis de hoje, muita sujeira espalhada no ar mesmo. O mês de Julho registrou o maior volume de chuvas na cidade desde 1943 e isso me pareceu uma nota musical da natureza, estou aqui ela bradou, e tende a equilibrar o que os homens tendem a desequilibrar. Essa garoa era chuva ácida nos anos 80. Hoje limpa os céus paulistanos e evita que o ar seco se misture ao dióxido de carbono em excesso e nos mate à todos de intoxicação.
terça-feira, julho 28, 2009
se me perguntarem, eu digo
Estou revivendo este momento único, misto de ansiedade por estar lançando uma nova canção, viajando e passando mais tempo fora de Brasília, consolidando os planos de 2008 e da vontade de assentar o corpo na cama, descansar mais um pouco e voltar a escrever novas canções. A realidade me coloca sempre em meios tempestuosos e me força a tomar as mais rápidas decisões sobre estar e o que fazer, eu sempre tenho que me antecipar e deixar uma mala pronta, muitas contas acertadas, preciso me organizar com relação ao meu filho, muita saudade, telefonemas, muita dor de cabeça e dor de barriga por causa das circunstâncias que separam filho e pai nos muitos dias em que preciso trabalhar fora de casa, ensaios inócuos, a solitude na Avenida Corifeu de Azevedo Marques em puro contraste comigo, tanto amor para dar e receber, doando o mais puro sêmen da minha alma durante o sono em que não descanso. Enfim, para quem precisa ir trabalhar em São Paulo e precisa escrever uma canção não basta avião ou uma hospedagem 5 estrelas. Eu preciso me concentrar em outro tipo de beleza, a beleza na curva do decote ou na cintura feminina, a beleza nos cabelos da Juliana BBB ou no cheiro da japonesa que povoa meus sonhos mais mundanos. Este momento único, misto de ansiedade e vontade, precisa ter seu final feliz descrito em lábios femininos, nas cordas do violão ser dedilhado e em Brasília ser aproveitado.
terça-feira, julho 14, 2009
segunda-feira, julho 13, 2009
se me perguntarem, eu digo: esse foi o dia mais louco da minha vida
Me sinto tomado por uma força inacreditavelmente maior do que eu para revelar algo que eu mesmo havia esquecido. Até ontem eu achava que minha vida estava prestes a se tornar uma comédia, gênero que não me agrada inclusive. Fui confundido com o novo marido da minha ex-mulher pela síndica do prédio dela, tenho que ir lá buscar meu filho e essa foi a piada mais sem graça que já vivi, tenho que me contentar com a idéia de que viver de música é maneiro, porque está foda viver exclusivamente de música e digo isso com pesar, se passam 9 anos de pura autonomia pessoal e agora ficou muito difícil de planejar algo duradouro com o lamentável meio musical econõmico vigente, não rola de guardar dinheiro pra nada.
Sou tomado por essa força que hoje me fez rolar de brincar no chão descalço com meu filho, ele sim, a única força que me tira de 0 a 10, me põe no eixo, me faz sentir que tenho uma função importante. Eu estava sentado nesse mesmo computador, em frente ao nada, sem nada mesmo querer quando comecei a rever minha vida... como estou lendo muita coisa séria sobre o universo, e tomo o universo como algo tão grande e tão velho que segundos representam mil anos nas esferas cósmicas... e eu estou aqui no último milésimo de segundo da existência humana na Terra... bom, em minutos eu vi minha vida toda, os pontos bons e ruins, as coisas legais e as não... eu sempre soube quando, onde, como e com quem eu queria estar. Eu sempre soube onde fica o meu pedaço de paraíso e as pessoas mais lindas que eu já pude conhecer. A melhor família do mundo, o melhor exemplo de beleza e amor humano. Não ouso dividir esse local com ninguém, mas algo me atraiu a essa imagem, algo como "não quero essa comédia para mim" ou melhor, onde foi que eu resolvi perder essa mulher, onde foi que eu perdi minha coragem, coragem que só o meu filho trouxe de volta com firmeza de titãnio, de fibra de carbono mesmo. Onde foi que eu desisti da felicidade plena? E no entanto, me sinto como esse normal relez ser humano que, com meus erros, tento estabelecer um padrão moral legítimo, feliz, pleno e rico para esse meu filho que eu amo tanto e que, se não fosse por minhas falhas, talvez nem tivesse nascido desse jeito porque eu teria me perdido nos braços de uma outra mulher, mulher que era menina e que nunca foi uma piada, foi o maior amor da minha vida. Acho que me redimi de algo agora porque me sinto muito bem... bem... bem...

Sou tomado por essa força que hoje me fez rolar de brincar no chão descalço com meu filho, ele sim, a única força que me tira de 0 a 10, me põe no eixo, me faz sentir que tenho uma função importante. Eu estava sentado nesse mesmo computador, em frente ao nada, sem nada mesmo querer quando comecei a rever minha vida... como estou lendo muita coisa séria sobre o universo, e tomo o universo como algo tão grande e tão velho que segundos representam mil anos nas esferas cósmicas... e eu estou aqui no último milésimo de segundo da existência humana na Terra... bom, em minutos eu vi minha vida toda, os pontos bons e ruins, as coisas legais e as não... eu sempre soube quando, onde, como e com quem eu queria estar. Eu sempre soube onde fica o meu pedaço de paraíso e as pessoas mais lindas que eu já pude conhecer. A melhor família do mundo, o melhor exemplo de beleza e amor humano. Não ouso dividir esse local com ninguém, mas algo me atraiu a essa imagem, algo como "não quero essa comédia para mim" ou melhor, onde foi que eu resolvi perder essa mulher, onde foi que eu perdi minha coragem, coragem que só o meu filho trouxe de volta com firmeza de titãnio, de fibra de carbono mesmo. Onde foi que eu desisti da felicidade plena? E no entanto, me sinto como esse normal relez ser humano que, com meus erros, tento estabelecer um padrão moral legítimo, feliz, pleno e rico para esse meu filho que eu amo tanto e que, se não fosse por minhas falhas, talvez nem tivesse nascido desse jeito porque eu teria me perdido nos braços de uma outra mulher, mulher que era menina e que nunca foi uma piada, foi o maior amor da minha vida. Acho que me redimi de algo agora porque me sinto muito bem... bem... bem...

sábado, julho 11, 2009
se me perguntarem sobre azar, eu digo
eu sou desse tipo de homem que identifica e anda lado à lado com o azar. O que é azar? Se me falam sobre azar com mulher, não acredito. Se me falam de azar com dinheiro, acredito. Azar é má sorte, ou seja, pode ser identificado como um símbolo, uma pessoa ou um ato de falta de fortuna, oportunidade. Eu sou do tipo de homem que tem azar quando encontra determinadas pessoas que me causam um mal presságio, mal agouro mesmo, eu chego a vomitar as vezes de tanto azar que eu sinto.
Ontem eu saí de casa disposto a me divertir com meus irmãos. Fomos, os três, para uma festa característica de Brasília, uma festa de roqueiros. Dançamos, um de nós até se engafinhou, o outro bebeu, nos divetimos. E eu ali, com aquele sentimento de roda presa, uma coisa esquisita nas vértebras, um sentimento de que algo me rondava e me deixava borocoxô. Identifiquei a pessoa, disse a ela o quanto eu me sentia azarado do lado dela, assim como essa pessoa teve o azar de me ouvir dizer isso, é tudo azar, a pessoa falou, ok, eu não falo mais com você. Como se isso fosse resolver o meu problema... o fato é que, as vezes eu digo aquilo que não preciso para pessoas que não conheço e isso não é legal. Por outro lado, apesar de estar escrevendo sobre esse azarado filho da puta que me causa enjôo, eu poderia não ter explicitado à ele minha opinião. Poderia ter ficado calado.... mas daí o azar seria só meu e isso não pode.
Ontem eu saí de casa disposto a me divertir com meus irmãos. Fomos, os três, para uma festa característica de Brasília, uma festa de roqueiros. Dançamos, um de nós até se engafinhou, o outro bebeu, nos divetimos. E eu ali, com aquele sentimento de roda presa, uma coisa esquisita nas vértebras, um sentimento de que algo me rondava e me deixava borocoxô. Identifiquei a pessoa, disse a ela o quanto eu me sentia azarado do lado dela, assim como essa pessoa teve o azar de me ouvir dizer isso, é tudo azar, a pessoa falou, ok, eu não falo mais com você. Como se isso fosse resolver o meu problema... o fato é que, as vezes eu digo aquilo que não preciso para pessoas que não conheço e isso não é legal. Por outro lado, apesar de estar escrevendo sobre esse azarado filho da puta que me causa enjôo, eu poderia não ter explicitado à ele minha opinião. Poderia ter ficado calado.... mas daí o azar seria só meu e isso não pode.
sexta-feira, julho 10, 2009
se me perguntarem sobre viver de música em 2009, eu digo
Tenho certeza que hoje eu curto mais ouvir música do que tocar música. Já foi o inverso, já vivi o tesão das multidões e dos pequenos espaços, do indie ao mainstream sem ser nem um e nem o outro. Contudo, isso me causa um certo desgosto pessoal. Não sei se posso dizer que estou realizando nada de novo. Não tenho certeza de que Tudo de Bom dará certo nas rádios, nos shows, não sei mais quais são os padrões a serem seguidos no meio musical. No conforto do meu estúdio, trabalhando em família e com muito pouco dinheiro eu sou mais feliz, mais completo e mais livre. O abismo que se abre entre ouvir música e tocar música é uma ferida exposta. Não me parece sadio curá-la na atual conjuntura. No que vou me agarrar? Nos sonhos alheios? Não é do meu feitio encostar nas costas dos outros ou depender dos outros assim como aconteceu no meu trabalho. A solidão das respostas que tenho para meu problema é infinitamente pequena frente a desilusão de saber que, se não foi pela qualidade e pela vontade e tamanha dedicação, que seja pelo menos pelo exemplo do Maskavo que eu prossiga os meus anseios mais internos, continuar desempenhando meu papel nessa banda, nesse mundo, sem muitas pretensões pois não sou filho de mãe virgem e nem de pai milionário. Misteriosamente, sinto uma fé muito grande nas músicas que tenho ouvido, me sinto feliz pelos outros que me agraciam com tamanho sentimento, dedicação, prazer. Queria estar lá, no Dó Maior, no Lá menor e no Fá sustenido maior. O sol está brilhando lá fora e eu vou ter com ele uma conversa solar.
quinta-feira, julho 09, 2009
se me perguntarem, eu digo
sábado, julho 04, 2009
se me perguntarem sobre deus, eu digo
Estou bem longe de casa e sempre trafegando pela internet neste distanciamento obrigatório. Gosto de observar as fotos dos meus amigos porque alguns deles realmente curtem fotografia. Estava observando uma foto do pôr do sol na casa do Guri, uma do Demian, e lendo os comentários, principalmente quando deus é mencionado, estartou em minha cachola um repúdio muito grande a essa palavra, uma coisa que vem me incomodando a anos. É uma constatação pessoal muito forte, atômica, quando junto todo o conhecimento que pude adquirir sobre o divino, sobre essa busca espiritual, sobre fé, sobre religião e crenças, sobre a natureza em si, sobre nós todos envolvidos em algum plano de deus, ou do TAO... nada saciou, respondeu a pergunta que as sete sementes de hawaiian baby estalaram dentro de mim e para os meus olhos, a pergunta que me fez voltar a escrever em 2002, existe deus?
O lao-tsé disse que o caminho, o céu, a terra e o grande sábio estão com as pessoas que nele crêem, que a ele enxergam e com quem é indiferente à sua existência também. Me coloco nesse jogo filosófico, boto fé em Confúcio quando ele diz que o músico brinca com o sublime mas não passa de mero obreiro. Fico feliz com esse valor muito mais do que com a graça de deus que nunca me deu senão desconfiança e discussões inócuas. Meu irmão gêmeo teve um sonho onde ele e lúcifer conversavam, lúcifer fora do inferno. E ele dizia que não havia deus porque deus foi embora daqui. O mundo era coisa pra humano desde que deus tinha ido embora... sonho doido.
Minha experiência foi totalmente psicodélica, mas a visão e o silêncio infinito que meu coração sentiu ao tentar encontrar deus no vasto universo que somos e estamos me fez avaliar se esse divino é realmente importante, se é realmente uma pergunta: deus existe? porque não faz diferença, não está fazendo diferença alguma as propostas divinas que não são aquelas defendidas unicamente pelo uno, ou seja, cada uno cada ser cada qual ao mesmo tempo. É uma utopia das bravas a fé em deus. Isso porque nem apresentei o maior equívoco dos tempos: o amor de jesus. Estamos ocidentalmente desesperados nessa busca ideológica por algo que só é necessário sentir o tempo todo por tudo e por todos, é um exercício mais do que um ofício; é a obra de arte que pode existir em cada um de nós.
quando eu leio sobre deus, ou sobre pessoas falando de deus, sublimando deus, eu fico com pena de deus, essa palavra de 4 letras...
Ramara Bello

Demian Moura
Bruno Prieto

Ramara Bello
O lao-tsé disse que o caminho, o céu, a terra e o grande sábio estão com as pessoas que nele crêem, que a ele enxergam e com quem é indiferente à sua existência também. Me coloco nesse jogo filosófico, boto fé em Confúcio quando ele diz que o músico brinca com o sublime mas não passa de mero obreiro. Fico feliz com esse valor muito mais do que com a graça de deus que nunca me deu senão desconfiança e discussões inócuas. Meu irmão gêmeo teve um sonho onde ele e lúcifer conversavam, lúcifer fora do inferno. E ele dizia que não havia deus porque deus foi embora daqui. O mundo era coisa pra humano desde que deus tinha ido embora... sonho doido.
Minha experiência foi totalmente psicodélica, mas a visão e o silêncio infinito que meu coração sentiu ao tentar encontrar deus no vasto universo que somos e estamos me fez avaliar se esse divino é realmente importante, se é realmente uma pergunta: deus existe? porque não faz diferença, não está fazendo diferença alguma as propostas divinas que não são aquelas defendidas unicamente pelo uno, ou seja, cada uno cada ser cada qual ao mesmo tempo. É uma utopia das bravas a fé em deus. Isso porque nem apresentei o maior equívoco dos tempos: o amor de jesus. Estamos ocidentalmente desesperados nessa busca ideológica por algo que só é necessário sentir o tempo todo por tudo e por todos, é um exercício mais do que um ofício; é a obra de arte que pode existir em cada um de nós.
quando eu leio sobre deus, ou sobre pessoas falando de deus, sublimando deus, eu fico com pena de deus, essa palavra de 4 letras...
Demian Moura
Ramara Bello
sexta-feira, julho 03, 2009
se me perguntarem sobre estética e beleza, eu digo
preferências físicas são como quadros, pinturas... tem padrões que nos fazem gostar ou repudiar
sexta-feira, junho 26, 2009
se me perguntarem sobre Michael Jackson, eu digo
Confesso que só estou escrevendo sobre Michael Jackson por causa de um pensamento. Minha amiga diz que lutou muito para ser livre, expansiva, doida, mas que as vezes sonha com o oposto disso. Acho que ela dizia isso em relação à sair de noite, festerês, muito bem. A noite toda essas duas idéias ecoando no sistema, a morte e o desprendimento, e eu sinto que estou muito adaptado e acostumado a elas. Quando eu era pequeno lembro do lançamento do disco Thriller, realmente deve ter vendido mais de 100 milhões de álbuns porque todo mundo tinha ele em casa em vinil, em Brasília principalmente. Lembro da festa do Zé Fera onde foi feito um campeonato de break dance, o Breno era bom, o Guimba também, eu era ruim. No final, o Zé ganhou e até hoje eu ressinto que o resultado foi em favor do aniversariante... pois bem. Jackson começou em minha vida antes disso. O desenho animado dos Jacksons 5 era realmente legal, bastante dinâmico, colorido e divertido de assistir. Tinha o irmão grande, magro e bem cabeludo, o irmão dentuço e tinha os dois pequeninos que dançavam bem, cantavam e tinham as idéias. Tinha outro irmão, mas eu nem lembro o que ele fazia. Lembro de pedir muito para ter um cabelo black power, lembro de pedir isso pros meus átomos mudarem, se afinarem nos cabelos e enrolá-los. Foram pedidos em vão.
O moonwalker, aquele andar de costas flutuante criado pelo gênio de um artista no auge da juventude e fama foi um grande desafio juvenil. Nunca consegui fazer aquele passo. Achava as meias e as luvas com lantejoulas demais, arrasavam porque brilhavam. Na televisão aquilo era o que chamamos de efeito especial. O fantástico fazia uma matéria: qual meia Michael Jackson usa para tal passo? Qual a cor da lantejoula? Tudo isso no...... mundinho aqueles tempos de ditadura.
Não posso falar mais sobre o cara. Daí por diante me afastei do BAd, daquela coisa norte americana pra caralho, peguei asco mesmo daquele mais do mesmo. No Brasil tínhamos Ultraje a Rigor no auge, RPM em vias do auge, Titãs em vias do auge, Legião Urbana em vias do auge. Lobão em vias do auge. Enfim, Paralamas do Sucesso. Michael Jackson virou o que virou decadentemente para o mundo: tablóide. Nunca li uma matéria da Madonna pedindo uma canção inédita pro cara. Nunca ouvi falar do Quincy Jones criando um piano bar jackson pra ganhar grammy com ele, nunca li nada sobre ninguém suportando a carreira dele. Apenas tablóide, filhos, casamentos, dinheiro, fama, sucesso, cirurgias plásticas, divórcios, pedofilia.
Minha amiga disse que ia, mas as vezes queria parar. Bem, ninguém precisava dizer pro gênio dos anos 80 que ele já tinha tudo. É inerente ao homem continuar e quais seriam os desejos do homem que consolidou o que os The Beatles criaram? Quando eu li que ele conquistou 25 grammys, puta merda, tenho que me alegrar. Talento assim reconhecido em vida, olha, é para poucos até hoje. Com minha consciência paterna eu pensei nos filhos que ele deixou e em quem vai dar suporte a eles muito mais do que no pesar mundial sobre a perda de um ícone. Ícone do que? Talvez nisso a Madonna tenha acertado em dizer: ficou a música dele que é o bem maior dele.
O moonwalker, aquele andar de costas flutuante criado pelo gênio de um artista no auge da juventude e fama foi um grande desafio juvenil. Nunca consegui fazer aquele passo. Achava as meias e as luvas com lantejoulas demais, arrasavam porque brilhavam. Na televisão aquilo era o que chamamos de efeito especial. O fantástico fazia uma matéria: qual meia Michael Jackson usa para tal passo? Qual a cor da lantejoula? Tudo isso no...... mundinho aqueles tempos de ditadura.
Não posso falar mais sobre o cara. Daí por diante me afastei do BAd, daquela coisa norte americana pra caralho, peguei asco mesmo daquele mais do mesmo. No Brasil tínhamos Ultraje a Rigor no auge, RPM em vias do auge, Titãs em vias do auge, Legião Urbana em vias do auge. Lobão em vias do auge. Enfim, Paralamas do Sucesso. Michael Jackson virou o que virou decadentemente para o mundo: tablóide. Nunca li uma matéria da Madonna pedindo uma canção inédita pro cara. Nunca ouvi falar do Quincy Jones criando um piano bar jackson pra ganhar grammy com ele, nunca li nada sobre ninguém suportando a carreira dele. Apenas tablóide, filhos, casamentos, dinheiro, fama, sucesso, cirurgias plásticas, divórcios, pedofilia.
Minha amiga disse que ia, mas as vezes queria parar. Bem, ninguém precisava dizer pro gênio dos anos 80 que ele já tinha tudo. É inerente ao homem continuar e quais seriam os desejos do homem que consolidou o que os The Beatles criaram? Quando eu li que ele conquistou 25 grammys, puta merda, tenho que me alegrar. Talento assim reconhecido em vida, olha, é para poucos até hoje. Com minha consciência paterna eu pensei nos filhos que ele deixou e em quem vai dar suporte a eles muito mais do que no pesar mundial sobre a perda de um ícone. Ícone do que? Talvez nisso a Madonna tenha acertado em dizer: ficou a música dele que é o bem maior dele.
segunda-feira, junho 22, 2009
se me perguntarem, eu digo
Hoje me flagro naturalmente feliz em meio ao caos das lembranças de muitas coisas boas que vem acontecendo. Feliz por ter gravado duas canções do Acusticuzinho, feliz pelo Corinthians, feliz por tocar com o Felipe Joe, com o Breno, com o Ivan Bicudo, com o Guga, com a Mari Z, com a Júlia Ferrari. Feliz, porém atento.
Feijoada com o Guri, que coisa mais doida. Viramos todos um cortadores de carne, fatiadores de cebola, caldereiros. Estou aprendendo muito com a influência de meus parceiros e sendo muito bem tratado pelas minhas companhias femininas, melhores amigas do mundo! Tem também o Gás e a Mari e a Paulinha, os meus Marchands preferidos, a Sara Marques, minha fotógrafa preferida. Eu só ando de meias por ser tão feliz.
Feijoada com o Guri, que coisa mais doida. Viramos todos um cortadores de carne, fatiadores de cebola, caldereiros. Estou aprendendo muito com a influência de meus parceiros e sendo muito bem tratado pelas minhas companhias femininas, melhores amigas do mundo! Tem também o Gás e a Mari e a Paulinha, os meus Marchands preferidos, a Sara Marques, minha fotógrafa preferida. Eu só ando de meias por ser tão feliz.
sábado, junho 20, 2009
se me perguntarem, eu digo
Tive um daqueles lampejos de felicidade dentro do avião rumando pra São Paulo dois dias atrás. Foi uma coisa muito solitária toda aquela sensação porque demorei alguns meses para aprender, entender e sentir algo que um velho livro de meu pai continha, uma dessas velhas lições sobre relação entre pais e filhos. O livro, em si, é sobre psicologia. Mas é marcante a parte onde o autor do livro descreve sobre o equilíbrio das nossas necessidades amorosas e ele dá como exemplo, justamente, a adequação do filho em uma relação de pais casados e de pais separados.
Muitas vezes eu sinto que recebo amor demais. Não estou reclamando, mas eu sou uma pessoa cercada de amor como uma ilha, tenho minhas pessoas queridas muito próximas de mim e ainda faço o que considero ser minha missão na vida. Tem amor de mãe, dos meus irmãos, de várias amizades, tem amor de filho. E eu me amo. Daí eu retribuo esse amor em todos os níveis e sentidos e me dei conta de que falta um certo tipo de amor na minha vida. Quando você ama o que admira e eu estou devendo ou em dívida ou me devem alguma coisa nesse âmbito aí, esse amor por admiração, seria paixão mas não é.
Pensei comigo no avião, não amo uma só mulher e não consigo ser amado por uma só mulher. Por outro lado, eu amo muito algumas mulheres, todas minhas amigas, uma ex-amante, uma futura pode ser, uma fotógrafa, uma musa e uma fantasia. Em questão de minutos comecei a fazer, para cada uma delas, uma pequena canção de amor composta por duas estrofes e um refrão de dois versos e usei o nome de todas elas em cada canção. Além do exercício prazeroso de criar tudo isso e lançar fora de mim tanto sentimento ainda pude exercitar minha memória, porque decorei tudo na quarta-feira de manhã no avião e escrevi tudo na quinta-feira de noite no aeroporto voltando pra Brasília...
Sem dúvida é amor demais em uma só vida.
Muitas vezes eu sinto que recebo amor demais. Não estou reclamando, mas eu sou uma pessoa cercada de amor como uma ilha, tenho minhas pessoas queridas muito próximas de mim e ainda faço o que considero ser minha missão na vida. Tem amor de mãe, dos meus irmãos, de várias amizades, tem amor de filho. E eu me amo. Daí eu retribuo esse amor em todos os níveis e sentidos e me dei conta de que falta um certo tipo de amor na minha vida. Quando você ama o que admira e eu estou devendo ou em dívida ou me devem alguma coisa nesse âmbito aí, esse amor por admiração, seria paixão mas não é.
Pensei comigo no avião, não amo uma só mulher e não consigo ser amado por uma só mulher. Por outro lado, eu amo muito algumas mulheres, todas minhas amigas, uma ex-amante, uma futura pode ser, uma fotógrafa, uma musa e uma fantasia. Em questão de minutos comecei a fazer, para cada uma delas, uma pequena canção de amor composta por duas estrofes e um refrão de dois versos e usei o nome de todas elas em cada canção. Além do exercício prazeroso de criar tudo isso e lançar fora de mim tanto sentimento ainda pude exercitar minha memória, porque decorei tudo na quarta-feira de manhã no avião e escrevi tudo na quinta-feira de noite no aeroporto voltando pra Brasília...
Sem dúvida é amor demais em uma só vida.
sábado, junho 13, 2009
se me perguntarem, eu digo com prazer
Quando chove fora de época tenho a impressão de que alguma coisa boa está por vir. A instabilidade da natureza se faz sentir de forma mais veemente. É um sinal de que, assim como as dores e as sensações de prazer, o grandioso plano da natureza também tem seu próprio caminho e chora quando precisa, as suas lágrimas ionizadas umidecem o ar e a noite brasiliense; eu até poderia dizer que a melhor coisa seria poder estar abraçado com alguém, mas isso é meia verdade, eu preferia estar dançando com alguém ouvindo Phoenix sem ter que me preocupar com a minha condição mental para fazer o vestibular amanhã, que deveras é coisa de gente acostumada a ficar sentada e eu estou acostumado a ficar de pé, e sentir os fios de cabelo, dos longos cabelos feminino correndo pelos meus dedos suavemente, meus olhos olhando os olhos dela profundamente, minha respiração em comunhão com a respiração dela, em comunhão com esse ar fresco da noite, eu não me esqueço de sentir que algo bom está aqui tilintando ao meu redor, é saudade de tudo o que tenho e do que nunca tive ao mesmo tempo. Quando eu penso que encontrei, sou o alvo e ela é a flecha, um motivo para acalmar vem uma chuva boa dessas e me faz lembrar que não é tempo de se acomodar nos braços de ninguém. Agora é a hora de bailar.
segunda-feira, junho 08, 2009
s e m e p e r g u n t a r e m, e u d i g o
desenvolvi nos últimos três anos uma capacidade de organização do tempo da qual estou me sentindo escravo e a causa deste pensamento libertador é saber que não tenho muita função no mundo quando fico longe da rotina do meu filho. Toda a minha agenda profissional é uma brecha dentro do que é a minha agenda pessoal e dentro desta pessoalidade existe o fato de eu valorizar a paternidade e tentar corresponder as necessidades deste novo ser e dos estímulos e limites que ele precisa ter e que precisam ser expostos de maneira natural, com todo o amor que a autoridade paterna exige e com toda a força que a educação permite. Daí estou eu aqui, em Brasília, no inverso daquilo que quase toda semana acontece, eu em casa e meu filho passeando com a mãe pelo país, fico desolado. Não sou sortudo e nem azarado. Mas sinto que é o tempo que eu organizei para cuidar tanto dessa rotina saudável que está em jogo e eu estou aqui sem ter o que fazer e sem como falar com ele, ouvir a vozinha fina de criança é muito bom, e estar com o senso alerta 200% sabendo que, daqui do meu assento, não posso e não tenho muito o que fazer. Saudade é foda.
quarta-feira, maio 27, 2009
se me perguntarem, eu falo depois
Amor, não é fácil lidar com o amor, o amor que não é apenas um sentimento, é uma palavra de difícil definição, é um anagrama de Roma, o Amor com A maiúsculo e o amor com a minúsculo. Aos meus olhos, o amor é todo dia, todo o tempo se manifestando na matéria humana, nos seres bichinhos, no trânsito, por que não? No olhar absoluto da mulher para o homem. No convite absoluto do homem para a mulher. Na tentação de estar, no sentimento de estar, na realidade daquilo que é estar, na memória que nos eleva aos montes mais olímpios do amor, na saudade de nunca ter tido ou na saudade de pra sempre ter perdido, o amor indescritível.
Amor, se é por uma pessoa apenas, é pouco, é indivisível, é menos do que por si e, por definição, insípido.
Amor, se é por uma pessoa apenas, é pouco, é indivisível, é menos do que por si e, por definição, insípido.
terça-feira, maio 26, 2009
se me perguntarem, eu digo
tenho sido negligente com meu esporte favorito. cada grande prêmio que passa e uma série de expeculações sobre o futuro da f1 em 2010 não tiram de mim o espanto que é ver Jenson Button ganhando 5 corridas seguidas. Em 2007, Lewis Hamilton se tornou o mais bem sucedido novato da história ganhando 6 corridas seguidas. Mas button é um caso muito estranho. Piloto veterano que não fez em 9 anos o que está fazendo agora. Numa f1 repleta de talentos e com 3 campeões disputando o campeonato o comentário de alain prost, 4 vezes campeão de f1, é pertinente: ross brawn é bem sucedido, a brawn foi a honda por 3 anos e o motor é mercedes-benz. só mudou a cor do carro.
Adendo. Barrichello tem esse mesmo carro, mas seu estilo de pilotagem dá certos prejuízos nos freios e pneus traseiros. um piloto com certos trejeitos em um carro muito sensível. interessante de pensar sobre isso.
O desenho do campeonato de 2009 está favorável ao britânico piloto da brawn. a melhora dos carros da ferrari, em particular o pódio de haikkonen e o 4 lugar de massa no gp de mônaco, provam que o campeonato pode esquentar nas etapas européias. Dizem que a brawn esconde o jogo e tem muito carro ainda pra mostrar. veremos.
Adendo. Barrichello tem esse mesmo carro, mas seu estilo de pilotagem dá certos prejuízos nos freios e pneus traseiros. um piloto com certos trejeitos em um carro muito sensível. interessante de pensar sobre isso.
O desenho do campeonato de 2009 está favorável ao britânico piloto da brawn. a melhora dos carros da ferrari, em particular o pódio de haikkonen e o 4 lugar de massa no gp de mônaco, provam que o campeonato pode esquentar nas etapas européias. Dizem que a brawn esconde o jogo e tem muito carro ainda pra mostrar. veremos.
se me perguntarem, eu direi
Estou em busca de uma novidade, uma notícia que desencadeará algo novo, um novo rosto e uma nova música.
Tudo o que já foi feito me parece bem estabelecido, aceito e digerido. Não é ruim. Só é velho e isso tem me chateado.
Em se tratando de arte moderna, algo que me parece bem emparedado, o sujeito das coisas não é necessariamente bonito, mas representa algo que apenas as cabeças mais astutas podem enxergar como beleza. E tem muita coisa ruim em artes plásticas assim como em música popular em geral.
Fiz uma canção e tentei de tudo para ela não ficar muito comum. Sugeri muitas idéias, defendi o lado da arte como alimento do povo que quer comer coisa boa, acho que a luta ainda não acabou mas a canção já está ficando comum. Uma pena. Não é culpa minha: no futuro me perguntarão algo sobre isso. A culpa é das pessoas que produzem para produtores de idéias, eu direi. Isso não é ganha pão, isso é como assessoria de deputado federal: muito trabalho por nada.
Eu não gosto de mexer nem interferir na arte dos outros. Mas fazem isso comigo direto. E isso me deixa irritado. Mas é uma irritação que o peso do dinheiro derrubará e eu sou o cobrador. De boa.
Tudo o que já foi feito me parece bem estabelecido, aceito e digerido. Não é ruim. Só é velho e isso tem me chateado.
Em se tratando de arte moderna, algo que me parece bem emparedado, o sujeito das coisas não é necessariamente bonito, mas representa algo que apenas as cabeças mais astutas podem enxergar como beleza. E tem muita coisa ruim em artes plásticas assim como em música popular em geral.
Fiz uma canção e tentei de tudo para ela não ficar muito comum. Sugeri muitas idéias, defendi o lado da arte como alimento do povo que quer comer coisa boa, acho que a luta ainda não acabou mas a canção já está ficando comum. Uma pena. Não é culpa minha: no futuro me perguntarão algo sobre isso. A culpa é das pessoas que produzem para produtores de idéias, eu direi. Isso não é ganha pão, isso é como assessoria de deputado federal: muito trabalho por nada.
Eu não gosto de mexer nem interferir na arte dos outros. Mas fazem isso comigo direto. E isso me deixa irritado. Mas é uma irritação que o peso do dinheiro derrubará e eu sou o cobrador. De boa.
segunda-feira, maio 25, 2009
se me perguntarem, eu falo
é pela calmaria das próximas 1000 horas que valeram a pena os dois ou três de dias de enormes estripulias.
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