Os brasileiros saudaram o anúncio, feito em 1º de outubro, de que os Jogos Olímpicos de 2016 acontecerão no Rio de Janeiro com uma onda de manifestações de orgulho nacional, uma festa na praia de Copacabana e um sentimento de alívio porque o país está recebendo um pouco de reconhecimento já atrasado por sua liderança regional e internacional.
Politicamente, o GOB (governo brasileiro) quer capitalizar sobre as Olimpíadas no país para consolidar a imagem do Brasil como líder da América do Sul e potência global emergente. Internamente, a decisão do COI está sendo retratada como validação da administração do presidente Lula. O GOB entende que enfrenta desafios críticos na preparação para os Jogos de 2016 e, como resultado, demonstrou abertura maior para a cooperação com o USG (governo dos EUA) em áreas como a partilha de informações --tendo chegado a admitir que pode haver a possibilidade de ameaças terroristas.
O governo Lula vem tomando cuidado para vincular a candidata escolhida por Lula para sucedê-lo em 2011, Dilma Rousseff, com a decisão do COI, e espera que a euforia gerada pela escolha do Rio se traduza em mais votos para Rousseff nas eleições. Contudo, ainda restam problemas significativos que podem prejudicar o sucesso dos Jogos, especialmente em termos de fazer frente a preocupações de segurança. A liderança brasileira permanece altamente sensível a percepções de ingerência do USG e ainda não iniciou os preparativos para a coordenação internacional. Além de preparar-se para as oportunidades comerciais que os Jogos vão proporcionar para empresas dos EUA, o USG deve buscar alavancar o interesse brasileiro de sucesso olímpico de modo a fomentar o avanço da cooperação bilateral em áreas como segurança e intercâmbios de informação.
Em meio à comemoração da escolha feita em 1º de outubro do Rio de Janeiro para abrigar as Olimpíadas de 2016, um forte sentimento de alívio se verifica entre líderes brasileiros. O presidente Lula descreveu a sensação como "o fim do complexo de vira-lata", a ideia de que o Brasil, de alguma maneira, não mereça o status de país importante.
A coordenadora de Cooperação Esportiva do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Vera Alvarez, observou que o fato de o Brasil ter sido o primeiro país sul-americano escolhido para sediar os Jogos foi visto como prova de que o mundo (ou, pelo menos, o COI) reconhece a primazia e liderança regional do Brasil no continente. Alvarez fez eco a um ponto de vista expresso com frequência na imprensa brasileira: as concorrentes do Rio tinham sido Chicago (Estados Unidos), Madri (UE) e Tóquio (Borda Pacífica), e a vitória do Rio deve, portanto, refletir o êxito comparativo que se considera que o Brasil vem tendo em enfrentar a crise financeira global. "O COI apreciou que fomos os primeiros a emergir da crise", disse ela.
Indagada sobre quais são as metas do Brasil em relação às Olimpíadas que acontecerão no Rio, Alvarez repetiu a afirmação do presidente Lula de que estes serão os "jogos da América do Sul" e disse que o GOB pretende abrir suas fronteiras a seus vizinhos para incentivar o comparecimento de fãs de esportes vindos de todo o continente. A ministra-chefe da Casa Civil e provável candidata presidencial Dilma Rousseff disse que os Jogos darão oportunidades para uma geração de brasileiros mais jovens e que o governo vai disponibilizar muitos ingressos para jovens da América do Sul.
Alvarez comparou o efeito das Olimpíadas acontecendo no Rio à chegada da corte portuguesa, em 1808, quando o Rio passou de cidade litorânea a capital de um império. Em seguida ela prometeu que os Jogos de 2016 serão as Olimpíadas "mais verdes" já promovidas e que seu sucesso vai melhorar a imagem internacional do Brasil.
Embora o Brasil tenha alguma experiência com grandes eventos como os Jogos Panamericanos, as Olimpíadas serão um desafio sem precedentes. O grande ponto de interrogação relativo à seleção do Rio tem sido a situação de segurança, dúvida esta que ganhou destaque em 17 de outubro, quando um tiroteio entre quadrilhas de drogas resultou na derrubada de um helicóptero da polícia (Ref c).
Contatos no MRE vêm falando em tom defensivo sobre questões de segurança, dizendo aos membros da Missão (americana) no Brasil (com frequência sem que nada tenha sido perguntado) que o COI evidentemente não considera inadequada a situação de segurança do Rio. Tirando a resposta padrão do MRE, contudo, funcionários do GOB têm demonstrado compreender que a segurança será uma preocupação séria nas Olimpíadas.
O assessor político do MRE Marcos Pinta Gama sugeriu que o Acordo Geral de Segurança da Informação Militar (GSOMIA), cuja assinatura está pendente, poderia ser seguido por outro acordo para compartilhar informações de segurança para as Olimpíadas. Alvarez chegou a admitir que terroristas podem alvejar o Brasil em função das Olimpíadas, uma afirmação extremamente incomum vinda de um governo que acredita oficialmente que o terrorismo não existe no Brasil. A Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça) foi encarregada da segurança nas Olimpíadas e vai coordenar os esforços totais do GOB para garantir a segurança em campo. Enquanto isso, as autoridades cariocas expressaram confiança no impacto que o Plano de Pacificação das Favelas (Ref d) terá sobre a segurança geral da cidade.
O Plano --que envolve a expulsão de traficantes de drogas, a implantação de uma presença policial sustentada e a prestação de serviços básicos aos moradores das favelas-- prevê a "pacificação" de mais de cem comunidades de favelas até 2016 (Ref e).
Antes mesmo da seleção do Rio, o governo Lula já estava trabalhando arduamente para converter a decisão em vantagem política. A candidata escolhida por Lula para sucedê-lo, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, estava a seu lado em Copenhague durante a seleção, fato que o ministro dos Esportes, Orland Silva, declarou que "vai ajudar a candidatura de Dilma". O papel de grande visibilidade exercido por Lula em fazer lobby em favor das Olimpíadas é retratado no Brasil como validação internacional de sua administração e reconhecimento de Lula como ator mundial chave.
Na verdade, a realidade é que boa parte do planejamento e da preparação reais para a candidatura do Rio foram feitas pelos governos estadual e municipal do Rio. Mas as autoridades cariocas contavam com a presença de Lula para fornecer o prestígio internacional necessário para que a candidatura ganhasse. Em reunião recente, o governador Cabral explicou ao Cônsul-Geral em detalhes coloridos sobre os esforços incansáveis de lobby feitos por Lula em Copenhague. De acordo com Silva, "a oposição vai ter que engolir a liderança de Lula". Ao reivindicar o crédito pela vitória do Rio, Lula está procurando reforçar seu índice de aprovação, já alto, e utilizar sua popularidade para criar apoio para Dilma Rousseff na eleição presidencial de outubro de 2010. Como primeiro passo, a administração anunciou um Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) olímpico especial sob a liderança de Rousseff.
Uma das iniciativas que trazem a marca de Lula, o PAC é um plano de utilização de recursos governamentais para alavancar os investimentos do setor privado na infraestrutura (ref. A). Embora a implementação do PAC venha sendo extremamente lenta, o programa goza de imagem positiva entre os brasileiros, e, ao colocar Rousseff na liderança, Lula ajuda a fortalecê-la como a candidata que vai preparar o Rio para os Jogos Olímpicos.
O fato de ser escolhido para sediar as Olimpíadas é visto como grande vitória para o Brasil naquilo que os brasileiros enxergam como uma luta pelo reconhecimento merecido. "Chega de sermos o país do futuro. Somos o país do presente", afirmou Rousseff. O risco é que o GOB opte por deitar-se sobre seus louros e não comece o trabalho de fazer o planejamento para os Jogos --Jogos estes que Lula já qualificou de grande sucesso.
Apesar da afirmação de Rousseff de que "aprendemos com os Jogos Panamericanos", a coordenação para a Copa do Mundo de 2014, especialmente com relação à segurança, está atrasada. As tentativas de pessoal da Embaixada de entrar em contato com o Ministério dos Esportes foram rejeitadas. O GOB apresentou uma visão para as Olimpíadas --uma Olimpíada baseada na cultura sul-americana, na abertura à juventude e que será ecologicamente saudável_ que funcionou bem em termos de política doméstica e agradou ao COI. Até agora, contudo, embora o planejamento estadual e municipal venha avançando constantemente, pouco planejamento prático foi feito ao nível federal para a implementação desta visão grandiosa.
NOTA: Os desafios do Rio na construção de infraestrutura e no financiamento dos Jogos serão relatados em telegrama separado. Por exemplo, para tornar os eventos mais acessíveis ao público sul-americano, Lula disse que o GOB vai distribuir ingressos gratuitos à classe trabalhadora e aos jovens do continente. O MRE admitiu que ainda não se pensou concretamente em como isto vai impactar as projeções de receita com ingressos ou a segurança, nem em como será administrado o potencial fluxo de espectadores jovens que vão atravessar as fronteiras do Brasil. O Rio também enfrenta uma multidão de desafios na construção da infraestrutura e no financiamento dos Jogos.
Do mesmo modo, Lula declarou que o Brasil vai ganhar mais medalhas nos Jogos do Rio do que ganhou no passado, mas não há nenhum programa sendo implementado para aprimorar o desenvolvimento de atletas de elite.
O Brasil já mostrou que é capaz de sediar eventos de grande escala como os Jogos Panamericanos de 2007, mas as Olimpíadas vão encerrar um tipo diferente de desafio. Ao mesmo tempo em que festeja a vitória do Rio, o GOB atual, que tem menos de um ano de mandato pela frente, parece estar adotando uma abordagem descontraída aos preparativos. A Embaixada do Reino Unido informa que teve menos contato com o GOB sobre as Olimpíadas do que nós, apesar de estar ansiosa para compartilhar as lições aprendidas com o planejamento inicial para Londres 2012.
Embora o muito fraco Ministério dos Esportes exerça a liderança nominal na coordenação dos preparativos olímpicos, a Missão prevê que a próxima administração possa organizar os preparativos de maneira diferente, possivelmente através do Ministério do Planejamento ou da Casa Civil, ou até mesmo criar um novo órgão especificamente para coordenar a infraestrutura, o planejamento de segurança e a logística das Olimpíadas. Embora a polícia e as Forças Armadas tenham iniciado seu planejamento, é muito possível que a realidade seja que o próximo governo, que tomará posse em janeiro de 2011, tenha esforços sérios pela frente.
Formular as grandes metas e deixar os detalhes para o último minuto pode ser uma abordagem tipicamente brasileira, mas ela pode levar a problemas. Os atrasos que prevemos por parte do GOB no planejamento e na execução das obras preparatórias para uma Copa do Mundo e Jogos Olímpicos bem-sucedidos quase certamente imporão ao USG um ônus maior para assegurar que os padrões necessários sejam respeitados. A Missão no Brasil já começou a fazer a coordenação entre agências do USG em Brasília e no Rio de Janeiro e já iniciou o planejamento prévio para aumentos importantes em pessoal, instalações e recursos que serão necessários para administrar o envolvimento dos EUA nos Jogos.
Levando em conta o alto grau de interesse visto entre os brasileiros em relação às Olimpíadas e o valor alto atribuído pelo Brasil à realização de Olimpíadas bem-sucedidas, já existem oportunidades para o USG buscar uma cooperação com vista para os Jogos e para ele fazer uso dessa cooperação para fomentar objetivos mais amplos do USG no Brasil, incluindo o aumento da cooperação e a perícia brasileira em atividades de contraterrorismo. Olhando para o futuro, aproveitar as Olimpíadas para trabalhar questões de segurança deve ser uma prioridade, como também devem ser a cooperação em relação à cibercriminalidade e à segurança de informação mais ampla (ver ref B sobre áreas adicionais de cooperação potencial). Também devemos procurar embutir ofertas de diálogo nos preparativos para grandes eventos esportivos, como parte de todos os contatos de alto nível com os brasileiros. KUBISKE
quinta-feira, dezembro 02, 2010
Brasil tem mais influência que EUA na América Latina, diz pesquisa
O povo latino aponta o Brasil como país mais influente na região, superando até mesmo a potência Estados Unidos, segundo pesquisa Latinobarômetro, que avalia opiniões, atitudes e valores na América Latina.
A pesquisa mostra ainda que a crença na democracia e o otimismo em relação ao progresso do país aumentou na maioria dos países da região e, apenas pela segunda vez desde o início da pesquisa, em 1995, crime superou desemprego como maior preocupação.
A margem da liderança brasileira é de significativos nove pontos percentuais, embora o número absoluto seja relativamente baixo. Segundo o Latinobarômetro, publicado com exclusividade pela revista "The Economist", 19% dos entrevistados em todos os países da região veem o Brasil como país mais influente --um aumento de um ponto percentual em relação ao ano passado.
Em segundo lugar, com 9% dos votos, vêm os EUA (que se manteve inalterado) e a Venezuela (que perdeu dois pontos percentuais desde 2009). A revista ressalta, contudo, que os EUA continua mais influente para o povo mexicano e de boa parte da América Central. A Venezuela, por sua vez, lidera neste quesito no Equador, República Dominicana e Nicarágua.
O Brasil lidera ainda a lista de países mais otimistas com o progresso do país, com quase 70% dos brasileiros entrevistados respondendo que sim. A "Economist" afirma que o bom número brasileiro se deve à forte performance econômica do país durante a crise econômica mundial e a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que encerra seu mandato.
No fim da lista está Honduras, país que sofreu um golpe de Estado no ano passado e viu seu presidente se refugiar na Embaixada Brasileira em Tegucigalpa. O golpe causou ainda o esfriamento das relações bilaterais com os EUA, parceiro econômico crucial da nação empobrecida.
Em um quesito diretamente relacionado, relata a "Economist", a pesquisa mostra ainda um aumento do apoio do povo latino-americano à democracia e suas instituições. Ao todo, 44% dos entrevistados se disseram satisfeitos com a democracia atual em seu país natal --mesmo número de 2009, mas um aumento de 19 pontos desde 2001.
O número cai para 34% quando se pergunta sobre a confiança no Congresso e fica em 45% quando os latino-americanos são questionados sobre a confiança no governo. Em 2003, estes números eram 17% e 24% respectivamente.
Esta lista é liderada pela Venezuela, onde 84% acreditam que a democracia é preferível a outros tipos de governo. O Brasil aparece apenas em 14º, com 54% de apoio --uma queda de um ponto percentual em um ano, mas aumento de 14 pontos desde 2001.
A "Economist" atribui a melhora significativa ao pouco impacto da crise econômica mundial na América Latina e uma segurança social que ajudou a reduzir os níveis de pobreza.
CRIME
A pesquisa aponta ainda que, apenas pela segunda vez desde que o Latinobarômetros foi lançado, o crime supera o desemprego como maior preocupação, com cerca de 25% das respostas contra cerca de 20% do desemprego.
Este resultado havia aparecido apenas em 2008, quando crime superou o desemprego por menos de cinco pontos percentuais.
Segundo a "Economist", 31% dos entrevistados dizem que eles ou um parente próximo foram vítimas de crime no ano passado. Curiosamente, este número é sete pontos menor do que o resultado de 2009 e o menor índice desde o primeiro ano da pesquisa, em 1995.
Este resultado pode ser reflexo de um ano especialmente violento na região. No México, a guerra do governo contra os cartéis fez o país fechar 2010 com um número recorde de assassinatos ligados ao crime organizado. Em novembro, o tétrico "Executômetro", do jornal local "Reforma", superou os 10.035, em uma demonstração da escalada da violência no país sob Felipe Calderón, que assumiu em 2006.
Honduras viu as ruas tomadas por confrontos entre manifestantes e a polícia durante o cerco ao presidente deposto Manuel Zelaya. E o Rio de Janeiro virou cenário de guerra com a tomada das favelas --embora a ação tenha acontecido após a pesquisa.
A Latinobarômetro é uma organização sem fins lucrativos com base em Santiago, no Chile. A pesquisa foi realizada em 18 países, com 20.204 pessoas, entre 4 de setembro e 6 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
A pesquisa mostra ainda que a crença na democracia e o otimismo em relação ao progresso do país aumentou na maioria dos países da região e, apenas pela segunda vez desde o início da pesquisa, em 1995, crime superou desemprego como maior preocupação.
A margem da liderança brasileira é de significativos nove pontos percentuais, embora o número absoluto seja relativamente baixo. Segundo o Latinobarômetro, publicado com exclusividade pela revista "The Economist", 19% dos entrevistados em todos os países da região veem o Brasil como país mais influente --um aumento de um ponto percentual em relação ao ano passado.
Em segundo lugar, com 9% dos votos, vêm os EUA (que se manteve inalterado) e a Venezuela (que perdeu dois pontos percentuais desde 2009). A revista ressalta, contudo, que os EUA continua mais influente para o povo mexicano e de boa parte da América Central. A Venezuela, por sua vez, lidera neste quesito no Equador, República Dominicana e Nicarágua.
O Brasil lidera ainda a lista de países mais otimistas com o progresso do país, com quase 70% dos brasileiros entrevistados respondendo que sim. A "Economist" afirma que o bom número brasileiro se deve à forte performance econômica do país durante a crise econômica mundial e a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que encerra seu mandato.
No fim da lista está Honduras, país que sofreu um golpe de Estado no ano passado e viu seu presidente se refugiar na Embaixada Brasileira em Tegucigalpa. O golpe causou ainda o esfriamento das relações bilaterais com os EUA, parceiro econômico crucial da nação empobrecida.
Em um quesito diretamente relacionado, relata a "Economist", a pesquisa mostra ainda um aumento do apoio do povo latino-americano à democracia e suas instituições. Ao todo, 44% dos entrevistados se disseram satisfeitos com a democracia atual em seu país natal --mesmo número de 2009, mas um aumento de 19 pontos desde 2001.
O número cai para 34% quando se pergunta sobre a confiança no Congresso e fica em 45% quando os latino-americanos são questionados sobre a confiança no governo. Em 2003, estes números eram 17% e 24% respectivamente.
Esta lista é liderada pela Venezuela, onde 84% acreditam que a democracia é preferível a outros tipos de governo. O Brasil aparece apenas em 14º, com 54% de apoio --uma queda de um ponto percentual em um ano, mas aumento de 14 pontos desde 2001.
A "Economist" atribui a melhora significativa ao pouco impacto da crise econômica mundial na América Latina e uma segurança social que ajudou a reduzir os níveis de pobreza.
CRIME
A pesquisa aponta ainda que, apenas pela segunda vez desde que o Latinobarômetros foi lançado, o crime supera o desemprego como maior preocupação, com cerca de 25% das respostas contra cerca de 20% do desemprego.
Este resultado havia aparecido apenas em 2008, quando crime superou o desemprego por menos de cinco pontos percentuais.
Segundo a "Economist", 31% dos entrevistados dizem que eles ou um parente próximo foram vítimas de crime no ano passado. Curiosamente, este número é sete pontos menor do que o resultado de 2009 e o menor índice desde o primeiro ano da pesquisa, em 1995.
Este resultado pode ser reflexo de um ano especialmente violento na região. No México, a guerra do governo contra os cartéis fez o país fechar 2010 com um número recorde de assassinatos ligados ao crime organizado. Em novembro, o tétrico "Executômetro", do jornal local "Reforma", superou os 10.035, em uma demonstração da escalada da violência no país sob Felipe Calderón, que assumiu em 2006.
Honduras viu as ruas tomadas por confrontos entre manifestantes e a polícia durante o cerco ao presidente deposto Manuel Zelaya. E o Rio de Janeiro virou cenário de guerra com a tomada das favelas --embora a ação tenha acontecido após a pesquisa.
A Latinobarômetro é uma organização sem fins lucrativos com base em Santiago, no Chile. A pesquisa foi realizada em 18 países, com 20.204 pessoas, entre 4 de setembro e 6 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Google Earth revela estrela de Davi no topo de prédio no Irã e causa furor
A imprensa iraniana reagiu com ultraje nesta quinta-feira quando uma das imagens de satélite feitas pelo site Google Earth revelou o que seria uma estrela de Davi, símbolo do judaísmo, no topo da sede da companhia aérea Iran Air, em Teerã, capital iraniana.
O governo iraniano é inimigo declarado de Israel, com quem rompeu relações em 1979, após a Revolução Islâmica. Seu presidente, Mahmoud Ahmadinejad, é conhecido por repetir inúmeras vezes que o Holocausto, a morte de 6 milhões de judeus durante o regime nazista, foi um exagero histórico e por ter dito que queria varrer Israel do mapa.
O site de notícias israelense Ynetnews.com afirma que a estrela é real e teria sido construída por engenheiros israelenses que trabalharam no Irã antes da revolução, durante o governo do xá Mohamed Reza Pahlavi, quando as relações bilaterais eram muito melhores. Entre 1960 e 1979, aviões faziam regularmente a rota entre o Aeroporto Internacional Mehrabad, em Teerã, e o Aeroporto Internacional Ben Guron, em Tel Aviv.
"É interessante que mesmo após 32 anos da vitória da revolução, a estrela símbolo do sionismo ainda tem que ser removida do prédio", afirma um site iraniano, citado pelo Ynetnews.com.
O Ynetnews.com afirma que a descoberta levou a pedidos imediatos de autoridades iranianas para que a estrela seja retirada.
O site ressalta ainda que este incidente não é inédito. Em agosto, uma estrela judaica foi vista em um prédio na principal praça de Teerã, o que levou a alegações da imprensa de que "o regime sionista está conquistando a Praça da Revolução".
O jornal britânico "Daily Mail", que também traz as imagens retiradas do Google Earth, questiona se a estrela não seria apenas um jogo de luz.
O governo iraniano é inimigo declarado de Israel, com quem rompeu relações em 1979, após a Revolução Islâmica. Seu presidente, Mahmoud Ahmadinejad, é conhecido por repetir inúmeras vezes que o Holocausto, a morte de 6 milhões de judeus durante o regime nazista, foi um exagero histórico e por ter dito que queria varrer Israel do mapa.
O site de notícias israelense Ynetnews.com afirma que a estrela é real e teria sido construída por engenheiros israelenses que trabalharam no Irã antes da revolução, durante o governo do xá Mohamed Reza Pahlavi, quando as relações bilaterais eram muito melhores. Entre 1960 e 1979, aviões faziam regularmente a rota entre o Aeroporto Internacional Mehrabad, em Teerã, e o Aeroporto Internacional Ben Guron, em Tel Aviv.
"É interessante que mesmo após 32 anos da vitória da revolução, a estrela símbolo do sionismo ainda tem que ser removida do prédio", afirma um site iraniano, citado pelo Ynetnews.com.
O Ynetnews.com afirma que a descoberta levou a pedidos imediatos de autoridades iranianas para que a estrela seja retirada.
O site ressalta ainda que este incidente não é inédito. Em agosto, uma estrela judaica foi vista em um prédio na principal praça de Teerã, o que levou a alegações da imprensa de que "o regime sionista está conquistando a Praça da Revolução".
O jornal britânico "Daily Mail", que também traz as imagens retiradas do Google Earth, questiona se a estrela não seria apenas um jogo de luz.
NATAL 2010 - ESPALHE ESTA IDÉIA!
Que tal fazer algo diferente, este ano, no Natal?
Sim... Natal... daqui a pouco ele chega .
Que tal ir a uma agência dos Correios e pegar uma das 17 milhões de cartinhas de crianças pobres e ser o Papai ou Mamãe Noel delas?
Há a informação de que tem pedidos inacreditáveis.
Tem criança pedindo um panetone, uma blusa de frio para a avó, uma bola, uma caixa de leite, um chocolate, um caderno... etc.
É uma idéia.
É só pegar a carta e entregar o presente numa agência do correio até dia 20 de Dezembro.
O próprio correio se encarrega de fazer a entrega.
Imagina uma criança pobre, recebendo o presente que pediu ao Papai Noel...
http://www.correios.com.br/papainoelcorreios2010/
Na vida, a gente passa por 3 fases:
a primeira, quando acreditamos no Papai Noel;
a segunda, quando deixamos de acreditar;
a terceira, quando nos tornamos Papai Noel.
Sim... Natal... daqui a pouco ele chega .
Que tal ir a uma agência dos Correios e pegar uma das 17 milhões de cartinhas de crianças pobres e ser o Papai ou Mamãe Noel delas?
Há a informação de que tem pedidos inacreditáveis.
Tem criança pedindo um panetone, uma blusa de frio para a avó, uma bola, uma caixa de leite, um chocolate, um caderno... etc.
É uma idéia.
É só pegar a carta e entregar o presente numa agência do correio até dia 20 de Dezembro.
O próprio correio se encarrega de fazer a entrega.
Imagina uma criança pobre, recebendo o presente que pediu ao Papai Noel...
http://www.correios.com.br/papainoelcorreios2010/
Na vida, a gente passa por 3 fases:
a primeira, quando acreditamos no Papai Noel;
a segunda, quando deixamos de acreditar;
a terceira, quando nos tornamos Papai Noel.
segunda-feira, novembro 29, 2010
WikiLeaks revela o que os EUA pensam dos líderes mundiais; veja - DA FRANCE PRESSE, EM WASHINGTON
Os diplomatas são conhecidos pelo tom politicamente correto de suas declarações públicas, mas documentos secretos americanos divulgados neste domingo pelo site WikiLeaks revelam o que os funcionários de Washington pensaram a portas fechadas. Os documentos diplomáticos secretos divulgados pelo WikiLeaks a vários jornais do mundo revelam descrições pouco amistosas de líderes mundiais.
Presidente da Argentina, Cristina Kirchner
O Departamento de Estado americano pediu à embaixada em Buenos Aires informações sobre "o estado de saúde mental" da presidente, segundo um dos documentos vazados, informa o jornal espanhol "El País".
Presidente da Venezuela, Hugo Chávez
Um vice-secretário americano, Philip Gordon, conta uma conversa que teve com um conselheiro do presidente francês, Jean-David Lévitte, na qual foi dito que Chávez está "louco" e que até mesmo o Brasil não podia apoiá-lo. Outro documento mostra que a diplomacia americana trabalhou para isolar o presidente venezuelano.
Primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi
Um importante diplomata o descreve como "irresponsável, vão e pouco eficaz como líder europeu moderno". Outro documento o descreve como "frágil física e politicamente", que não descansa apropriadamente por causa das festas que dá até altas horas da madrugada.
Presidente afegão, Hamid Karzai
Um documento o descreve como "extremadamente frágil" e passível de acreditar em teorias conspiratórias. Karzai mantém uma relação difícil com o presidente americano, Barack Obama.
Líder líbio, Muammar Gaddafi
Um texto diz que Gaddafi é "quase obsessivamente dependente de um pequeno núcleo de funcionários de confiança" e aparentemente não pode viajar se não estiver acompanhado de uma "voluptuosa" enfermeira ucraniana.
Acredita-se que Gaddafi tenha medo de voar sobre o mar e de pernoitar em andares altos de edifícios.
Presidente russo, Dimitri Medvedev
Apesar de ser oficialmente o chefe de Estado e chefiar o primeiro-ministro, Vladimir Putin, a embaixada americana em Moscou diz que Medvedev "é o Robin do Batman, Putin".
Presidente francês, Nicolas Sarkozy
A embaixada dos Estados Unidos em Paris acredita que o presidente é "suscetível e autoritário", destacando suas críticas a colaboradores.
Chanceler alemã, Angela Merkel
Um documento a considera "contrária à tomada de riscos e raramente criativa". Seu ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, teria uma "personalidade exuberante", mas pouco conhecimento de política externa.
Presidente da Argentina, Cristina Kirchner
O Departamento de Estado americano pediu à embaixada em Buenos Aires informações sobre "o estado de saúde mental" da presidente, segundo um dos documentos vazados, informa o jornal espanhol "El País".
Presidente da Venezuela, Hugo Chávez
Um vice-secretário americano, Philip Gordon, conta uma conversa que teve com um conselheiro do presidente francês, Jean-David Lévitte, na qual foi dito que Chávez está "louco" e que até mesmo o Brasil não podia apoiá-lo. Outro documento mostra que a diplomacia americana trabalhou para isolar o presidente venezuelano.
Primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi
Um importante diplomata o descreve como "irresponsável, vão e pouco eficaz como líder europeu moderno". Outro documento o descreve como "frágil física e politicamente", que não descansa apropriadamente por causa das festas que dá até altas horas da madrugada.
Presidente afegão, Hamid Karzai
Um documento o descreve como "extremadamente frágil" e passível de acreditar em teorias conspiratórias. Karzai mantém uma relação difícil com o presidente americano, Barack Obama.
Líder líbio, Muammar Gaddafi
Um texto diz que Gaddafi é "quase obsessivamente dependente de um pequeno núcleo de funcionários de confiança" e aparentemente não pode viajar se não estiver acompanhado de uma "voluptuosa" enfermeira ucraniana.
Acredita-se que Gaddafi tenha medo de voar sobre o mar e de pernoitar em andares altos de edifícios.
Presidente russo, Dimitri Medvedev
Apesar de ser oficialmente o chefe de Estado e chefiar o primeiro-ministro, Vladimir Putin, a embaixada americana em Moscou diz que Medvedev "é o Robin do Batman, Putin".
Presidente francês, Nicolas Sarkozy
A embaixada dos Estados Unidos em Paris acredita que o presidente é "suscetível e autoritário", destacando suas críticas a colaboradores.
Chanceler alemã, Angela Merkel
Um documento a considera "contrária à tomada de riscos e raramente criativa". Seu ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, teria uma "personalidade exuberante", mas pouco conhecimento de política externa.
quinta-feira, novembro 25, 2010
terça-feira, novembro 23, 2010
quarta-feira, novembro 17, 2010
Mulher dá falso aviso de bomba para evitar casamento de filha com marroquino
Uma russa que queria evitar a todo custo o casamento de sua filha com um cidadão marroquino foi presa por ter emitido um falso alarme de bomba em um voo com destino ao Marrocos, informou nesta quarta-feira o Ministério do Interior da Rússia.
A polícia do aeroporto moscovita de Domodedovo recebeu um telefonema anônimo de uma mulher que informou que sua filha era uma terrorista suicida e estava disposta a detonar uma bomba em um voo com destino ao Marrocos.
Agentes da polícia e soldados do serviço de segurança aérea investigaram a denúncia, mas não encontraram a suposta bomba, informou a agência russa RIA Novosti.
Segundo a polícia, a denunciante era uma mulher de 56 anos, residente em Yaroslavl, cidade a 250 quilômetros de Moscou.
"Sua filha estava apaixonada por um cidadão marroquino e tinha planos de casar e viver com ele. A mãe era contra a união com um estrangeiro", afirmou a porta-voz do Departamento de Transporte, Tatiana Agápova.
A polícia do aeroporto moscovita de Domodedovo recebeu um telefonema anônimo de uma mulher que informou que sua filha era uma terrorista suicida e estava disposta a detonar uma bomba em um voo com destino ao Marrocos.
Agentes da polícia e soldados do serviço de segurança aérea investigaram a denúncia, mas não encontraram a suposta bomba, informou a agência russa RIA Novosti.
Segundo a polícia, a denunciante era uma mulher de 56 anos, residente em Yaroslavl, cidade a 250 quilômetros de Moscou.
"Sua filha estava apaixonada por um cidadão marroquino e tinha planos de casar e viver com ele. A mãe era contra a união com um estrangeiro", afirmou a porta-voz do Departamento de Transporte, Tatiana Agápova.
terça-feira, novembro 16, 2010
Drogas: defendidas com canhões e combatidas pelas leis - Joaquín Rábago
Londres, 16 nov (EFE).- O mundo das drogas é mesmo estranho: às vezes são defendidas por Estados a tiros de canhão e em outras ocasiões são combatidas pelo rigor das leis, como documenta uma exposição que acaba de ser inaugurada na capital britânica.
É conhecida a brutalidade utilizada pela Grã-Bretanha para proteger o comércio de ópio com o qual a East India Company pagava o chá, a seda, a porcelana e outras mercadorias que importava da China, no século XIX.
O ópio era ilegal no país e quando o comissário chinês do imperador decidiu requisitar todo o ópio importado da Índia pelos britânicos para atirá-lo ao mar, a Grã-Bretanha, em nome do livre comércio, atacou com canhões vários portos chineses e obrigou a China a assinar o Tratado de Nanquim (1842).
A partir desse momento, as plantações de ópio da Índia se transformaram em um dos ativos mais rentáveis do império britânico e o comércio com a China permitiu ao Reino Unido impor-se claramente sobre as potências comerciais rivais, como Espanha, Portugal e Holanda.
A exposição da Wellcome Collection, que ficará aberta ao público até 27 de fevereiro e que também conta com o lançamento de um livro, "High Society: Mind-Altering Drugs" (Alta Sociedade: Drogas que Alteram a Mente, em tradução livre), de Mike Jay, traz um olhar crítico e isento de moralismos sobre o mundo dos alucinógenos e entorpecentes.
O fenômeno, que de uma forma ou de outra atingiu todas as sociedades, é examinado historicamente pela exposição desde suas origens nas culturas mediterrâneas e do Oriente Médio até sua propagação por outras partes do mundo.
"High Society" (Alta Sociedade) - título que brinca com a palavra "high" (alto), que também pode significar "estar drogado" - parte da ideia que a alteração da consciência mediante a ingestão de determinadas substâncias, mesmo que hoje sejam lícitas, como o álcool, ou ilícitas, como a heroína, é um "impulso universal".
A partir dessa constatação, a exposição examina o uso de diferentes tipos de drogas em todo o planeta com propósitos recreativos, religiosos, medicinais ou sociais, em uma tentativa de demonstrar que as drogas não são um problema exclusivo da sociedade moderna.
A maioria das drogas que atualmente são consideradas ilícitas, como a maconha, a cocaína e a heroína, são derivadas de plantas que foram utilizadas como remédios durante milhares de anos.
O cannabis é uma planta encontrada originalmente na Ásia Central, mas já era conhecida dos antigos gregos, enquanto os exploradores espanhóis que chegaram à América foram testemunhas do consumo das folhas de coca pelos indígenas andinos.
As drogas foram e continuam sendo consumidas também para a interação social, explica a exposição, que dá como exemplos o uso que se faz de bebidas como a ayahuasca, produzida a partir de plantas alucinógenas e empregada nos rituais xamânicos dos tukano, da Amazônia colombiana, e o uso do peiote, um pequeno cacto rico em mescalina, pelo povo huichol, do México.
No final do século XIX, conforme as drogas ganharam potência, as pessoas começaram a tomar consciência de que é preciso controlá-las e as formas adotadas para este fim são distintas: educação, medicação ou a mais radical, a criminalização.
Esta última segue sendo aplicada a diversos narcóticos graças a uma convenção da ONU que não extinguiu o mercado ilegal, calculado por essa mesma organização em US$ 320 bilhões de lucro ao ano.
A exposição da Wellcome Collection reúne objetos e depoimentos de etnógrafos, cientistas, escritores e artistas relacionados com a história das drogas.
Entre esses nomes estão Sigmund Freud, que escreveu um panfleto sobre a coca, Albert Hofmann, o primeiro que descreveu a síntese do LSD e seus efeitos, Samuel Taylor Coleridge, autor de "Kubla Khan", poema escrito sob a influência do ópio, e Thomas de Quincey, autor das "Confissões de um Comedor de Ópio".
Também estão na exposição o poeta francês Charles Baudelaire ("Paraísos Artificiais"), seu compatriota Théophile Gautier ("O Clube dos Fumadores de Haxixe") e Henri Michaux, que pintou muitas vezes sob os efeitos da mescalina.
É conhecida a brutalidade utilizada pela Grã-Bretanha para proteger o comércio de ópio com o qual a East India Company pagava o chá, a seda, a porcelana e outras mercadorias que importava da China, no século XIX.
O ópio era ilegal no país e quando o comissário chinês do imperador decidiu requisitar todo o ópio importado da Índia pelos britânicos para atirá-lo ao mar, a Grã-Bretanha, em nome do livre comércio, atacou com canhões vários portos chineses e obrigou a China a assinar o Tratado de Nanquim (1842).
A partir desse momento, as plantações de ópio da Índia se transformaram em um dos ativos mais rentáveis do império britânico e o comércio com a China permitiu ao Reino Unido impor-se claramente sobre as potências comerciais rivais, como Espanha, Portugal e Holanda.
A exposição da Wellcome Collection, que ficará aberta ao público até 27 de fevereiro e que também conta com o lançamento de um livro, "High Society: Mind-Altering Drugs" (Alta Sociedade: Drogas que Alteram a Mente, em tradução livre), de Mike Jay, traz um olhar crítico e isento de moralismos sobre o mundo dos alucinógenos e entorpecentes.
O fenômeno, que de uma forma ou de outra atingiu todas as sociedades, é examinado historicamente pela exposição desde suas origens nas culturas mediterrâneas e do Oriente Médio até sua propagação por outras partes do mundo.
"High Society" (Alta Sociedade) - título que brinca com a palavra "high" (alto), que também pode significar "estar drogado" - parte da ideia que a alteração da consciência mediante a ingestão de determinadas substâncias, mesmo que hoje sejam lícitas, como o álcool, ou ilícitas, como a heroína, é um "impulso universal".
A partir dessa constatação, a exposição examina o uso de diferentes tipos de drogas em todo o planeta com propósitos recreativos, religiosos, medicinais ou sociais, em uma tentativa de demonstrar que as drogas não são um problema exclusivo da sociedade moderna.
A maioria das drogas que atualmente são consideradas ilícitas, como a maconha, a cocaína e a heroína, são derivadas de plantas que foram utilizadas como remédios durante milhares de anos.
O cannabis é uma planta encontrada originalmente na Ásia Central, mas já era conhecida dos antigos gregos, enquanto os exploradores espanhóis que chegaram à América foram testemunhas do consumo das folhas de coca pelos indígenas andinos.
As drogas foram e continuam sendo consumidas também para a interação social, explica a exposição, que dá como exemplos o uso que se faz de bebidas como a ayahuasca, produzida a partir de plantas alucinógenas e empregada nos rituais xamânicos dos tukano, da Amazônia colombiana, e o uso do peiote, um pequeno cacto rico em mescalina, pelo povo huichol, do México.
No final do século XIX, conforme as drogas ganharam potência, as pessoas começaram a tomar consciência de que é preciso controlá-las e as formas adotadas para este fim são distintas: educação, medicação ou a mais radical, a criminalização.
Esta última segue sendo aplicada a diversos narcóticos graças a uma convenção da ONU que não extinguiu o mercado ilegal, calculado por essa mesma organização em US$ 320 bilhões de lucro ao ano.
A exposição da Wellcome Collection reúne objetos e depoimentos de etnógrafos, cientistas, escritores e artistas relacionados com a história das drogas.
Entre esses nomes estão Sigmund Freud, que escreveu um panfleto sobre a coca, Albert Hofmann, o primeiro que descreveu a síntese do LSD e seus efeitos, Samuel Taylor Coleridge, autor de "Kubla Khan", poema escrito sob a influência do ópio, e Thomas de Quincey, autor das "Confissões de um Comedor de Ópio".
Também estão na exposição o poeta francês Charles Baudelaire ("Paraísos Artificiais"), seu compatriota Théophile Gautier ("O Clube dos Fumadores de Haxixe") e Henri Michaux, que pintou muitas vezes sob os efeitos da mescalina.
terça-feira, novembro 09, 2010
Fúria campeã do mundo e Mourinho ganham versão como 'caganers' - Por GLOBOESPORTE.COM
Os tradicionais bonecos "caganers", usados em festas de Natal na Catalunha, ganharam 51 novos personagens em 2010. Entre eles, a seleção espanhola campeã do mundo e o técnico José Mourinho, que assumiu o Real Madrid nesta temporada. Há ainda uma versão de Lionel Messi com o troféu da Bola de Ouro, que o craque do Barcelona recebeu por ter sido o melhor do mundo em 2009.
Os novos bonecos são vendidos pela empresa "caganer.com", que agora tem cerca de 200 personagens representados nas imagens de barro. Outra personalidade envolvida com futebol que ganhou um "caganer" neste ano é o presidente do Barcelona, Sandro Rosell.
O "caganer", ou "santo cagão", é sinônimo de fertilidade e simboliza a necessidade de fertilizar a terra para ter uma boa colheita no ano seguinte.
Os novos bonecos são vendidos pela empresa "caganer.com", que agora tem cerca de 200 personagens representados nas imagens de barro. Outra personalidade envolvida com futebol que ganhou um "caganer" neste ano é o presidente do Barcelona, Sandro Rosell.
O "caganer", ou "santo cagão", é sinônimo de fertilidade e simboliza a necessidade de fertilizar a terra para ter uma boa colheita no ano seguinte.
Abertura da Copa-2014 será no estádio do Corinthians - Por Tatiana Ramil
"A nossa vontade e a nossa certeza absoluta é que a abertura da Copa do Mundo será em São Paulo", afirmou o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do comitê organizador, Ricardo Teixeira, após reunião com o governador paulista, Alberto Goldman, e o prefeito da capital, Gilberto Kassab.
O projeto do estádio do Corinthians com capacidade ampliada de 48 mil para ao menos 65 mil lugares, a ser construído no bairro de Itaquera, agora será encaminhado para o comitê organizador da Copa, que analisará a proposta entre sete a 10 dias. A Fifa exige capacidade mínima de 65 mil lugares para o jogo de abertura do Mundial.
AMPLIAÇÃO DO ESTÁDIO
O estádio paulista para o Mundial era uma das maiores preocupações dos organizadores. O Morumbi, primeira escolha paulista, foi descartado pela Fifa depois que o São Paulo Futebol Clube, proprietário do estádio, não apresentou as garantias financeiras para as reformas necessárias para a Copa.
No final de agosto, após reunião entre autoridades paulistas e Teixeira, foi definido que o futuro estádio do Corinthians seria a sede dos jogos na maior cidade do país, porém somente nesta segunda-feira o governo de São Paulo oficializou essa escolha e enviará ao comitê organizador os detalhes do projeto.
O governador Goldman garantiu que dois terços das garantias financeiras já estão viabilizadas.
Teixeira também não demonstrou preocupação a respeito das garantias financeiras. "O comitê irá trabalhar com os arquitetos do Corinthians para algumas eventuais alterações, e depois virão as garantias financeiras", afirmou o dirigente numa rápida entrevista no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.
No projeto inicial do clube paulista, a Odebrecht seria a responsável por apresentar as garantias ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para a liberação de um empréstimo. O BNDES dispõe de uma linha de crédito de até 400 milhões de reais para cada um dos 12 estádios que serão utilizados no Mundial.
A previsão do início da obras é para março do próximo ano e sua conclusão deverá ocorrer no último trimestre de 2013, "sempre sujeito à velocidade de aprovação do projeto", disse o Corinthians em nota. Com isso, o estádio ficaria fora da Copa das Confederações, em meados de 2013.
O projeto do estádio do Corinthians com capacidade ampliada de 48 mil para ao menos 65 mil lugares, a ser construído no bairro de Itaquera, agora será encaminhado para o comitê organizador da Copa, que analisará a proposta entre sete a 10 dias. A Fifa exige capacidade mínima de 65 mil lugares para o jogo de abertura do Mundial.
Apesar da declaração anunciando a abertura da Copa na arena corintiana, o próprio Teixeira afirmou em nota posteriormente que o local ainda precisa da aprovação da Fifa "para ser o estádio utilizado no jogo de abertura da competição, como sempre desejou o comitê organizador e a própria Fifa".
Em comunicado, o Corinthians informou que um pré-projeto do estádio com capacidade para 65 mil pessoas já está sendo analisando pelos "órgãos competentes locais e nacionais", e que somente após essa revisão "ele poderá ser definitivamente detalhado; e seus custos, e necessidades de financiamento, equacionados".
AMPLIAÇÃO DO ESTÁDIO
O estádio paulista para o Mundial era uma das maiores preocupações dos organizadores. O Morumbi, primeira escolha paulista, foi descartado pela Fifa depois que o São Paulo Futebol Clube, proprietário do estádio, não apresentou as garantias financeiras para as reformas necessárias para a Copa.
No final de agosto, após reunião entre autoridades paulistas e Teixeira, foi definido que o futuro estádio do Corinthians seria a sede dos jogos na maior cidade do país, porém somente nesta segunda-feira o governo de São Paulo oficializou essa escolha e enviará ao comitê organizador os detalhes do projeto.
O projeto inicial do Corinthians era para um estádio de 48 mil lugares ao custo de 335 milhões de reais a serem bancados pela construtora Odebrecht, que realizaria a obra em troca do direito de explorar o nome da arena.
O valor necessário para a ampliação do projeto ainda não foi definido, e os dirigentes do clube têm afirmado que não vão bancar o montante que será acrescido ao projeto.
O governador Goldman garantiu que dois terços das garantias financeiras já estão viabilizadas.
"O restante acreditamos que juntos encontraremos a saída para isso. O fato é que tudo que era preciso para chegar a esse ponto foi resolvido", disse Goldman, que voltou a descartar o uso de recursos públicos na obra.
Teixeira também não demonstrou preocupação a respeito das garantias financeiras. "O comitê irá trabalhar com os arquitetos do Corinthians para algumas eventuais alterações, e depois virão as garantias financeiras", afirmou o dirigente numa rápida entrevista no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.
No projeto inicial do clube paulista, a Odebrecht seria a responsável por apresentar as garantias ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para a liberação de um empréstimo. O BNDES dispõe de uma linha de crédito de até 400 milhões de reais para cada um dos 12 estádios que serão utilizados no Mundial.
A previsão do início da obras é para março do próximo ano e sua conclusão deverá ocorrer no último trimestre de 2013, "sempre sujeito à velocidade de aprovação do projeto", disse o Corinthians em nota. Com isso, o estádio ficaria fora da Copa das Confederações, em meados de 2013.
segunda-feira, novembro 08, 2010
Engenheiros da Nasa queriam enviar humanoide à Lua - KENNETH CHANG DO "THE NEW YORK TIMES"
Com US$ 150 bilhões, a Nasa (agência espacial norte-americana) poderia ter enviado astronautas novamente à Lua. Mas o governo dos EUA julgou que era caro demais e, em setembro, o Congresso concordou em cancelar o programa.
Com uma fração desse valor --menos de US$ 200 milhões, além de aproximadamente US$ 250 milhões por um foguete--, engenheiros da Nasa no Centro Espacial Johnson, em Houston, afirmaram que podem enviar com segurança um robô humanoide à Lua e em menos de três anos.
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Um hábil robô humanoide --ao menos a metade superior-- já existe: o Robonaut 2. Desenvolvido pela Nasa e pela General Motors, foi colocado no ônibus espacial Discovery.
Com destino à ISS (sigla em inglês de Estação Espacial internacional), ele será o primeiro robô humanoide no espaço. Ele deve ajudar em obrigações "domésticas" na estação espacial, enquanto a Nasa aprende como astronautas e robôs trabalham juntos. No final, um Robonaut mais avançado deverá participar de operações no espaço.
O Projeto M também trabalha com outros projetos da Nasa que já estavam sendo conduzidos, incluindo motores de foguetes que queimam oxigênio líquido e metano --uma combinação de combustível barata e não-tóxica-- e um sistema automatizado de pouso que conseguiria evitar rochas, penhascos e outros perigos.
A integração das tecnologias em protótipos funcionais acelerou esse desenvolvimento. "Essa é a mágica", explicou Altemus. "Muitas vezes as tecnologias ficam cozinhando no laboratório, e ali existe um vale da morte onde elas nunca atingem a maturação esperada."
Os planejadores do Projeto M dizem que um robô caminhando na Lua capturaria a imaginação de estudantes, assim como os pousos lunares da Apollo inspiraram uma geração de cientistas e engenheiros há 40 anos.
"Imagino que isso vá acender algumas velas", disse Neil Milburn, vice-presidente da Armadillo Aerospace, uma pequena empresa texana trabalhando no Projeto M. Mas, conforme a atenção da Nasa se afasta da lua --"Já fomos lá, já fizemos isso", declarou o presidente Barack Obama em abril--, as possibilidades de enviar um robô para lá são no mínimo incertas.
O dilema a respeito do Projeto M condensa muitos dos contínuos debates sobre o futuro da agência espacial: o que a Nasa deve fazer quando não há dinheiro para tudo? Qual a melhor forma de incitar avanços em tecnologias espaciais? E, dados os custos e perigos, qual a real importância de enviar pessoas ao espaço?
"A parte delicada é se isso combina com a estrutura da agência para exploração", diz Altemus.
Um ano atrás, uma equipe de notáveis revisava o programa de voos espaciais tripulados da Nasa, em especial um ambicioso projeto chamado Constellation, que enviaria astronautas novamente à lua. Embora a Nasa tivesse gasto US$ 10 bilhões no Constellation, a maior parte do programa será cancelada quando o Congresso americano definir o orçamento para 2011.
Altemus ficou frustrado com as críticas da Nasa que surgiram durante a discussão do Constellation. "Sempre me senti como se nossa organização fosse uma Ferrari, e nós nunca podíamos dirigir pisando fundo no acelerador", disse ele. "Era como se estivéssemos sempre em marcha lenta."
O Projeto M surgiu de uma conversa com o filho à mesa da cozinha. Altemus queria algo que fosse instigante, mas não tão grande que exigisse anos de deliberações. A ideia surgiu em sua mente: um robô caminhando na Lua, um que pudesse enviar imagens em vídeo ao vivo, e fazer isso em cerca de mil dias.
"Eu disse 'vocês me apoiarão se eu colocar isso na organização? Não sei se conseguiremos fazê-lo. Não sei se conseguiremos a verba ou se isso será aprovado, vamos tentar'. E assim nós simplesmente começamos, e a coisa pegou como fogo", lembra.
Enviar um robô à Lua é muito mais fácil que enviar um ser humano. Para começar, um robô não precisa de oxigênio ou comida. E não existe viagem de volta.
O prazo de mil dias era arbitrário, explica o gerente do Projeto M, Matthew Ondler. "Isso cria uma sensação de urgência. A Nasa funciona melhor quando tem pouco tempo para descobrir as coisas. Se temos seis ou sete anos para pensar em algo, não somos tão bons. As administrações trocam e as prioridades do país mudam, e fica difícil manter as coisas rodando por tanto tempo."
Com a finalidade de auxiliar a educação científica, mil dias cabem facilmente nos quatro anos que um estudante passa na faculdade. Em comparação, mesmo se a Nasa cumprisse a meta definida por Obama de enviar astronautas a um asteroide até 2025, uma criança de sete anos já teria um diploma universitário.
Para conseguir as peças de que precisavam, Altemus e Ondler recorreram à permuta. A empresa Boston Power deu um protótipo de US$ 300 mil de uma avançada bateria de lítio, em troca de ajuda de engenharia em questões de gerenciamento de baterias.
"Era uma troca fácil, então fizemos muitos acordos como esse", disse Ondler.
A Armadillo forneceu um protótipo que havia construído para uma competição de módulos lunares, e a Nasa contribuiu com tecnologia de motores e acesso a instalações de testes.
A Nasa também pagou cerca de US$ 1 milhão à Armadillo, mas os tradicionais processos de desenvolvimento da agência teriam custado mais e levado mais tempo. Em seis meses, o módulo lunar voou 18 vezes com cabos e duas vezes em voo livre.
Nem todos os voos foram perfeitos, o que era o objetivo. "Não tem problema abrir um buraco no chão de vez em quando", disse Ondler. "Não tem problema vermos chamas saindo do lado errado do motor de vez em quando, contanto que estejamos aprendendo rapidamente, construindo e repetindo."
Ondler contou a história de um engenheiro que foi a uma loja de materiais de construção para comprar cerca de 80 dólares em materiais, para testar se o borrifo do combustível nos tanques poderia desestabilizar o módulo durante a descida. "A partir disso, fomos capazes de confirmar nossos modelos matemáticos e projetar o teste em escala natural", explicou ele, tudo em duas semanas.
O Projeto M passou por baixo do radar de todos da Nasa, incluindo seu administrador, o major general Charles F. Bolden Jr. Em fevereiro, em resposta a uma pergunta sobre projetos que a Nasa poderia empreender junto a outros países, Bolden citou um robô bípede que a agência espacial japonesa pretende enviar à lua até 2020.
"Se eu acho que consigo fazer isso?" disse Bolden. "Provavelmente não."
Naquela ocasião, a equipe do Projeto M estava esperando obter um sinal verde para iniciar em março, e realizar um pouso lunar robótico no final de 2012.
Apesar da sofisticação do projeto, as capacidades do robô seriam pequenas perto do que um humano poderia fazer na superfície da lua. O Projeto M foi concebido como uma demonstração de tecnologia, não uma missão científica.
Uma das principais tarefas pretendidas para o robô seria simplesmente levantar uma pedra e soltá-la, como parte de uma transmissão educacional para escolas. Os alunos poderiam fazer o mesmo e comparar a gravidade relativa da Terra.
O trabalho continua no Projeto M, com um custo de aproximadamente US$ 9 milhões até agora. A Armadillo está construindo um segundo protótipo de módulo, mas não há dinheiro para outros aspectos, como finalizar as pernas do Robonaut. A visão de Obama para a Nasa propunha um investimento de US$ 16 bilhões ao longo de cinco anos para tecnologias espaciais, mas o projeto de compromisso do congresso encaminha a maior parte da verba para um foguete pesado.
O projeto gerou interesse entre os gerentes da ISS, que é o motivo pelo qual o Robonaut está sendo enviado para lá. "Estou animado para ver como podemos evoluir a tecnologia no espaço e realmente ter um par de mãos e um robô humanoide na estação espacial", disse Altemus. "Isso é um grande passo para a agência".
Por enquanto, porém, os planos de enviar um deles ao espaço estão suspensos.
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