segunda-feira, fevereiro 23, 2009

na piscina

quando eu fico satisfeito me sinto estranho porque o meu caminho sempre foi essa necessidade de acabar com a insatisfação que eu sinto dentro de mim. daí eu estava na piscina rodeado de talentosos amigos e conhecidos e tudo me pareceu natural, meu filho já estava dormindo de barriga cheia e banho tomado, eu só não deixei o sono me vencer. na piscina alguém comentou algo sobre nietzsche, algo sobre a invalidade das soluções deste cara ou sobre o egocentrismo deste personagem, e eu não pude concordar com ele porque gosto muito do que li, do tipo de narrativa que ilustra a mente dos seres que se fundiram as minhas próprias convicções, até porque eu só li nietzsche com mais de 20 anos, eu sou mais influenciado por morrissey ou ginsberg inclusive, de que é preciso um grau de insatisfação nas conquistas para a superação do tipo de humanidade que fazemos parte, não uma vontade de ganhar dinheiro ou de fazer uma viagem mirabolante, uma humanidade que respira o mesmo ar da liberdade e que se iguala pelas diferenças, que se soma e alcança o ápice pela diversidade e pelo forte apelo à vontade de ser grande como gigantes na terra.
na piscina também teve o seguinte comentário: moisés é o homem que mais influenciou o mundo, depois jesus e depois aristóteles. também não pude concordar com essa afirmação. eu sou um átomo tão antigo como os átomos antigos dos tempos antidiluvianos, somos todos átomos de uma singular especialidade. somos átomos pensativos e nossos pensamentos não são palavras de fé apenas ou mandamentos ou diálogos. pra mim, o homem mais influente do mundo foi a primeira pessoa que amou sem ser bicho e, por isso, estamos todos aqui tentando ser uma família.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

25 confissões íntimas

1 - eu nadava de cueca branca durante anos
2 - eu rôo as unhas
3 - uma vez eu acertei um carro de polícia com uma zarabatana e culpei o irmão de um amigo meu
4 - joguei um abacate pela cerca e atingi um carro, pura falta de sorte
5 - eu matei mais de 200 ratos com minha espingarda de chumbo
6 - já beijei uma namorada do meu irmão gêmeo
7 - eu já tirei um cartão da C&A em 5 minutos por ser de banda
8 - já soltaram cachorros em mim porque eu gostava de espiar duas irmãs que tomavam banho de sol peladas aqui no Lago Norte nos anos 80
9 - eu já me envolvi em um acidente de carro em que eu salvei três pessoas do afogamento e fugi dos repórteres depois por medo da publicidade
10 - eu não corto os cabelos por preguiça
11 - eu gosto de dirigir sempre do lado esquerdo da via
12 - minha maior obsessão é a arte de mentir
13 - minha segunda maior obsessão é ser um bom homem
14 - as minhas melhores canções foram feitas para minha ex-mulher
15 - tenho uma canção chamada A HORA MARCADA nunca finalizada. Ela começou a ser escrita em Janeiro de 2001 e ainda não está pronta
16 - um cachorro meu já me esperou chegar para morrer me olhando nos olhos
17 - eu enterrei ao todo 8 cachorros e 3 gatos desde que me mudei para Brasília. Todos em minha família confiam a mim esse trabalho. Tiveram 3 animais que eu não enterrei.
18 - eu acredito em Feng Shui
19 - eu leio o mesmo livro muitas vezes
20 - eu paro de ler um livro quando eu acho que ele já me ensinou o que eu precisava
21 - a mulher que eu mais amei na vida eu nunca nem beijei, nem conheci, eu vi em um sonho
22 - eu sonhei que era o pai da primeira filha da Madonna e ela me amava por eu não ter ciúmes do sucesso dela
23 - eu nunca digo totalmente o que eu penso por uma questão simples: cada um tem que ter sua própria opinião sobre as coisas
24 - eu nunca conheci uma musa de verdade que me fizesse ser menos eu e mais ela, sempre me ocorreu o contrário
25 - eu nunca fiquei com uma mulher mais velha do que eu

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Mexicanos batem recorde mundial de mais beijos simultâneos

Eu estava fora do centro de Brasília desde Sábado. Fui pro interior dar uma pequena pausa, ouvir o barulho da água correndo no córrego, dormir na rede, sonhar, ficar de bode como a calopsida, que é a largata que corrói o célebro, tudo bem, é errado mesmo, é uma piada do youtube.
Pensei, faltam beijos no mundo, todo mundo se beija no rosto, mas o brasil é a terra do amor e as pessoas deveriam dar mais selinhos.
Hoje eu li a notícia: mexicanos quebram recorde mundial de beijos simultâneos. Poxa, essa idéia tinha que ter sido nossa!

descarrego

Me lembro muito bem do ano de 2001 quando consegui, através de uma amiga, tirar um encosto imenso de minha aura. Era uma meleca preta que me perseguia desde 1998 fruto de raiva, ódio e decepção. Mas eu não me sentia ruim. Todo caso de amor finito deixa suas seqüelas e aquela mancha preta era a minha. Mas os anos correram e eu queria me apaixonar de novo. Conheci nos meus primeiros anos de banda três mulheres que eram perfeitas pra isso. Uma japonesa espetacular, uma gaúcha espetacular e uma coreana espetacular. Nenhuma delas, no entanto, conseguia tirar aquele encosto de mim e eu estava precisando do descarrego e aliviar as minhas costas daquele peso antigo. Conheci o meu amuleto árabe, uma pessoa que tinha mais problemas do que eu, merecia sair de suas tolices e não tinha ninguém melhor do que eu para ajudar. Um homem mais velho, mais maduro e totalmente seco por dentro, ou seja, no que eu poderia dar trabalho? Nossa amizade foi bombástica, uma coisa forte de pele que explodia nas festas e nas mesas do bares, éramos duas almas erradas muito animadas. Quando eu pedi a ela que me livrasse daquela sensação, daquela meleca preta, ela não teve dúvidas: tirou a roupa, me levou para um esconderijo, tirou a minha roupa e me benzeu dos pés a cabeça com todo o seu carinho e respeito e amor. E eu fui ficando leve com todo aquele sentimento e lembro perfeitamente a hora quando tudo acabou, o meu fardo de 1998 tinha se esvaído pelo ralo da minha coluna, saiu como um peido, e foi essa amiga árabe que produziu este milagre. Ontem eu a reencontrei aqui em Brasília e, apesar dos anos separados, é ela ainda quem eu acho que tem o segredo para todas as minhas macumbas e mau-olhados... ela é uma amiga boa demais pra ser verdade.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Dilúvio

Não foi o barulho do dilúvio que me acordou, não foi o barulho da água batendo na calçada que me instigou, não foi o sonho cíclico em estado alfa que me tirou o sono e não foi a vontade de ir ao banheiro que me fez levantar. Foi a necessidade de ler que, como o cão da arma de fogo, foi engatilhada e disparada pela minha mente esta manhã. Me sinto muito distante de Anais Nin em toda e qualquer comparação, que seja o estúpido o elemento que dirá "ela é de Paris, está morta, você está aqui" mas, meu caro estúpido, não é o caso de todos os átomos estarem aqui? E eu desejando tanto mulheres que não tenho chance e sendo perseguido pelas doidas que não me causam nenhuma paixão, meu vidro está limpo, sem riscos, é de uma translucidez invejável e, cá estou, inacessível a toda forma de contato sexual ao amanhecer porque durmo sozinho. Durmo sozinho faz meses e ainda não estou em forma, não sinto o vaso cheio e nem vazio. Acordei e senti saudades de uma menina chamada Marina, de Goiânia, que era uma pessoa poética, musical e o tipo de gente que transforma café com leite em algo desejável e, da forma como fala, dá vontade de ouví-la sem parar horas a fio. Sinto isso com outra Marina também, uma brasiliense, cuja maior qualidade é a potência de sua voz e o tamanho de seus seios. Esteriótipos de força que deixam um homem minúsculo amedrontado: como posso segurar uma mulher dessas com apenas duas mãos? Meus braços estão fortes mas meus dedos estão muito mais fortes e isso está errado. A força deveria estar em meus cabelos e eles já estão compridos demais, não suportam o calor de Salvador. Quando estive em Salvador, encontrei com Paty; Paty é outra poetisa da vida. Usa vestidos florais ou listrados curtos para mostrar suas longas pernas. Ela é mais forte que eu, pelo menos ela aparenta isso, mas é a delicadeza de suas mãos e o charme do seu sotaque que me causam forte impressão. Da forma como puxei seu corpo contra o meu é da forma como se dilacera a carne cozida entre os dentes que é do jeito que elas gostam. Um beijo doce, suspiros suaves, ritmo crescente, olhos fechados, esse transe mental que se misturou com a saudade de estar com ela misturado com tesão reprimido, esse tesão que me tirou da cama as sete horas da manhã. Tem essa menina chamada Isadora, cearense, ela é linda, inteligente e, quando está de óculos não deixa-os pendendo no nariz. Ela é decidida, apesar de não ter uma opinião firme sobre os assuntos que debate; ainda não tem porque é jovem e se arrisca pouco; ainda. Quando eu conheci a "careca" achei ter notado algo de feminino ao quadrado nela mas me enganei. A careca é apenas mais uma mulher que trocou as tempestades dos relacionamentos heterossexuais pelo charme da bissexualidade enrustida, pela penetração artificial do dia-a-dia. Dou risada disso sempre que posso. Já fumei todos os cigarros que pude e hoje só sinto que ainda tenho muitas cervejas pra degustar, muitas vodcas para vomitar e muito champagne para espocar. A chuva parou.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

o louco

em uma cidade grande
onde tudo parece distante
bem longe do centro urbano
ouvindo latidos em seqüência caótica
apostando suas fichas na felicidade
nos momentos que se acumulam aos tantos no passado
na saudade do presente que se esvaí
observador das belezas da natureza
o louco
apenas o som do seu coração
nada a pensar ou filosofar
está lá na vereda, na mexeriqueira
louco por água de coco
que não derrama do coqueiro

domingo, janeiro 25, 2009

intenso

sabe viver intensamente?
diria, o iogue, que viver intensamente é o que há
é o jeito, é o caminho
intensidade me tira do mundo
e o êxtase de estar me divertindo com meus irmãos
fazendo um som meticulosamente improvisado
amigos ao redor cantando
gente que nunca vi pode ter percebido nossa alegria
entre as pálpebras semi cerradas eu podia ver
era linda, era linda, na cadeira de balanço
no entanto, o êxtase de estar fazendo um som era total
abandonar?
ir em frente
a gente é o que veio pro mundo
importante dizer
isso não é um poema

Até porque escrever tem sido uma tarefa muito difícil. Quanta imaginação está me faltando aqui na frente do computador porque minha cabeça está no mundo. Essa intensidade é algo magnético que atraí muita gente interessante e eu estou cercado pela obsessão. O único objetivo é respirar na mesma velocidade que o vento e conversar no volume do vento e ouvir atenciosamente a história de outras pessoas, ver aquela linda garota dançar desengonçada e o pandeiro cadenciando o vento das minhas idéias parece me fazer estar naquele lugar. Memória boa. Ficou.
O oposto também ocorre comigo. Estou esperando algo dessa linda mulher mas não faço nada para que a atenção saia do lugar. Ao invés disso, eu empunho uma guitarra e canto um pouquinho para me concentrar, afinal mulheres podem me fazer pensar muita bosta ultimamente, e não é no bom sentido essa bosta. É um medo terrível de encontrar alguém um dia que me tire do eixo como já me aconteceu. Está sempre acontecendo desde Julho de 2008.
Tanta intensidade na observação da vida também tem a ver com a paternidade e com o grau de responsabilidade que é acompanhar de perto o crescimento do meu filhote e no modelo de homem que eu sou para ele. Gostaria muito de que ele estive lá no Goma ontem me vendo tocar com o tio dele. É o tipo de homem que eu sou mesmo. Sem máscaras, sem medo, sem preocupação com o tempo e com a cabeça mais vazia do que o vazio. Na verdade eu aprendi a ser assim de novo pois viver com criança despertou em mim a criança que eu sou. Uma criança grande, tudo bem, mas que suja a bunda no chão pra brincar e que toma água na cara para que o filho da puta dirigindo um carro não molhe minha cria enquanto andamos na rua para ele ver o mundo. O céu de Brasília é muito bonito então cada dia tem um quadro novo para olhar. Se essa menina linda me visse com meu filho acho que ela não entenderia nada. E eu nem olharia ou prestaria atenção nela porque com criança tem que ter muito cuidado. Criança só olha pra frente. O pai é quem olha pro chão, pros lados, pra cima, etc. Tem que olhar muito, tanto que os olhos ficam aguçados, precisos e fortes. E cansados também no final do dia.
Só quando eu fecho meus olhos é que eu percebo como a imagem daquela linda mulher ficou intensamente grudada no meu pensamento. E pensamentos são fáceis de lidar. O iogue diria que é só você você querer o pensamento fora da cabeça. É doido, mas funciona. Quando você pensa fora de si você enxerga o mundo de outro jeito.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Sinfonia

Quando meus olhos ardem
ardem de horror e ódio neste Janeiro
e a noite fica tão estranhamente silenciosa
os animais não fazem barulho
os cães não latem
e o vento nem soa
não é um deserto de emoções
é este negócio na cabeça
que não para de imaginar e de formar uma certa opinião sobre o mundo
e sobre os fatos e sobre o conteúdo e a qualidade da informação
que não cansa de se espantar com a juventude de hoje
eu que não sou mero espectador
mas sou muito menos, muito menos do que o sonhador almejou
sinto meus olhos arderem por terem derramado demasiadas lágrimas
ácidas lagoas de meu eterno procurar e nada achar
o horizonte tem sua beleza
e as moças tem seu charme
e meu filho joga tudo para o ar quando dá na telha
Sem poder extravazar de maneira tão veemente meu ódio
deixei ele de lado, troquei ele por um estado de confusão
que não é doença ou mesmo uma coisa ruim
é apenas uma direção
eu dirijo mas não vou a muitos lugares
eu me apresento mas não vou além do oi, tudo bem
sou mais artístico em casa do que na rua
cozinho muitas coisas boas mas meu filho só quer comer massa
preciso mudar urgente meus hábitos matinais
fazer exercícios
largar os vícios
aplicar os ritos
exercitar ideias
educar meu filho
e deixar de lado esse ódio de uma vez
e deixar ir embora essa confusão de vez
pretendo dormir para, então, meus olhos umidecerem

Nunca me perguntaram nada sobre a questão israel/palestina.
hoje eu li no observatório da imprensa que morreram muito mais pessoas no sudão e que existe uma revolução acontecendo no sri lanka e que estas questões parecem não ter a mesma atenção da mídia. A explicação do texto compara a OLP e a questão palestina com ideais nazistas. é doido, é surreal. O texto faz muito sentido de tão louco porque o mundo está muito louco e, como se a verdade já não mais fosse o bastante, cai o telhado de uma igreja nomeada renascer sobre seus fiéis. Doido demais. Confúcio diria que eu sou um tolo. Pois a minha tolice é bem pequena. Distingua os tipos de fiéis que foram soterrados pelo telhado. Uns acreditam que isso é obra de deus, um teste. outros não acreditam nesse tipo de coincidência mas não irão mais naquela igreja especificamente. E outros mudarão de igreja, irão cultuar em outra vertente da mesma fé e pronto. Distingua as vítimas de guerra. Mártires que não passam de escudos humanos. Crianças, mulheres, idosos, adultos, todo mundo vivendo em um lugar porque já está envolvido na guerra até os ossos dos parentes que já se foram desta para outra por causa de bomba ou de bala e julgam ali estar no lugar que lhes pertence. É doido. Não restam muitas opções de sobrevivência. Ou você se apega à sua origem ou se apega ao nada. E se apegar ao nada é o mesmo que abandonar em plena consciência conceitos e idéias muito fortes e bem definidas atualmente como a idéia de Estado, de Religião, de Dinheiro, de Saúde, de Educação. O nada é um lugar muito distante disso tudo. É interior demais para que a superfície da origem ali se manifeste de alguma forma. Ou somos rasos demais ou profundos demais e reside no equilíbrio disso algo que podemos considerar ideal?
Existem estímulos desnecessários demais.
Existem ruídos demais.

terça-feira, dezembro 23, 2008

O último do ano

Motivado pelo enunciado de um blog do site UOL sobre o diário de um brasileiro viajando pela África, assim como Emile Hirsch o Speed Racer, pensei nisso aqui:

Quando alguém viaja para os e.u.a escreve emails
quando fica em casa e escreve o que pensa, blog
quando alguém vai à europa escreve cartões postais
quando alguém vai à ásia escreve sobre retiro espiritual
e quando alguém vai à áfrica escreve um diário de viagem

eita etnocentrismo que não escapa nem ao povo brasileiro!
preciso de coragem. preciso me mudar pra Angola. Pra sempre!

segunda-feira, dezembro 22, 2008

O Segundo Sorriso - 02102001

Quando me dei conta, já tinham se passado dois anos e eu ainda pensava em como as coisas podiam ter sido menos diferentes desde então. Não houve momento nem de glória ou alegria, apenas aquele sorriso amarelo de quem acabou de ser jogado de lado pelo destino ao cair do dia, com uma nota de R$10 na mão e algumas gotas de chuva começando a cair sobre elas. HOje é que eu me dei conta de como esses anos passaram lentos pelas lentes da vida, lentos como uma cena em câmera lenta vista dezenas vezes, nos seus mínimos detalhes. daí, parou de chover. Era realmente de dia e o dia seguinte parecia não ter mais fim, e fim. Do que se trata o segundo sorriso? é a segunda chance que me foi dada para reaprender a olhar com mais paciência o que aprendo a cada viagem ou pausa que faço. O segundo sorriso é meu disfarce para mostrar que o verdadeiro eu nunca morre, mas vai se esquecendo de aparecer de dia para me assustar de noite. Pois a dicotomia é tida como uma regra do mundo e eu jogo o mesmo jogo que todo mundo joga a tempos. Sonho de dia, vivo uma realidade estranha quando me ocupo com o ócio, trabalho de noite... tem 3 dias que eu não consigo dormir porque tenho em mim uma síndrome japonesa de negócios... mas ela vai passar, ahahahahhahahahahhahaha. Outro dia fiz uma matemática do sono que me foi muito cara para aguentar o sol nascendo e eu com insônia e o resultado disso é que notívagos e boêmios afrontam a sanidade com muita presteza, até descartando a possibilidade de sucesso de suas noitadas. A matemática é simples: uma noite bem dormida consome 6 garrafinhas de cerveja em um dia. Uma noite péssima é aquela que nunca termina. Duas noites sem dormir equivale a um dia inteiro. Quatro noites seguidas sem dormir equivalem a 36hs acordado... e nessa sequencia (tremas?) chega-se a conclusão que não dormir é não aproveitar o sol da devida maneira. Eu sempre me sento para escrever sobre a mesma coisa, mas nunca consigo. O que é uma pena.

terça-feira, dezembro 16, 2008

A influência de Coltrane nos neurônios despertos cheios de saudades (escrito em 2006)

A Maioria dos excelentes discos que eu já ouvi e ouço, porque já me acostumei a idéia de que bastam cem discos para você saciar toda sua fome de música, tem como figuras essenciais ritmistas, os quais eu admiro tanto que dói. Me lembro de quando eu era uma criança e as pessoas queriam ser guitarristas, solistas como Stevie Vai ou Joe Satriani, tocar uns rocks velozes como os do Megadeth. Pô, os três primeiros discos do Metallica o meu irmão mais bonito tem, eu já ouvi muito tudo aquilo e acho autêntico pra caralho, mas não é a minha música preferida. Mas lá nos idos de 92 o que pegava em Brasília era o Metal, não esse metal Massacration que de tão bom me dá uma certa nostalgia a lá Mamonas Assassinas, esta sim, um fenômeno do excraxo ridículo, que salve-se o Premeditando o Breque, coisa sensacional e marcante de minha infância, e os músicos da época iam ter aulas na Musimed com o Parente e com o Fred. Eu mesmo fui aluno por dois meses do Fred, mas algo chamado dinheiro, depois a preguiça de andar de ônibus duas vezes por semana com o baixo no lombo me fizeram acreditar que eu era capaz de aprender a tocar baixo sozinho. Foi a melhor decisão que eu já tomei na vida. Me guia até hoje por qualquer caminho. Tocar a vida sozinho. A raça mais difícil de encontrar pra fazer um som legal é baterista. Na época tinha o César Borgatto, eu achava ele um baterista de jam, mas adorava as técnicas que ele usava pra tirar um som. Eu pensava “preciso de um Borgatto mais porra louca, mais novo e que não seja careca!” Tinha um fenômeno da bateria chamado Maurício, um desses talentos genuínos que o pai apoiava porque é assim que um pai tem que agir. Tinha 13 anos, tocava Pink Floyd, Led Zeppelin e tinha pratos Zyldjan, todos. Aquilo me motivou. Eu tinha 16 anos, era mais velho, mais pobre e não tinha apoio algum em casa pra levar música a sério. Por isso mesmo que um baterista sério seria a chave para que uma banda desse certo. Se fizesse os meus pais rebolarem o jogo estaria meio-ganho. A outra parte, é claro, era a escola. Sempre ensaiei em casa com meu irmão gêmeo e o meu irmão mais novo ensaiava com a banda de rock psicodélico dele. Tinha um menino canhoto-guitarrista chamado Filipe, o cara mais talentoso que eu já vi tocar guitarra e, com um detalhe, com o coração. Ele era o hendrix, pra mim. E é sério quando eu digo que ele era o HENDRIX. Canhoto, solista e compositor e extremamente livre dedilhando sua péssima guitarra, uma Jennifer Strato. Que guitarrinha ruim! Mas o menino era fantástico e motivava todo mundo, eu e a minha banda, a banda dele todinha, meus pais e a vizinhança sentava na varanda, um dos meus vizinhos fumava um e ficava ouvindo a gente tocando The Beatles, Nirvana, Smashing Pumpkis, The Pixies, Led Zeppelin, Rolling Stones, Mutantes, Raul Seixas, The Smiths, Pink Floyd e todas as nossas composições. Era o nosso Woodstock porque, pra melhorar tudo, tinha platéia feminina. Isso era um hábito desde que eu me entendo por banda. Minha primeira banda, os The Sounders, tinha esse apelo feminino. A gente convidava as amigas da escola pra ir ouvir a gente ensaiando The Beatles, Raul e Roberto Carlos, tomar banho de piscina. Todo Sábado na casa do James, onde começou a minha crença de que toda banda boa não ensaia em estúdio pago. Pagar pra tocar dói muito! O menino Hendrix-Filipe foi a excessão sobre guitarra que eu já vi. Ele explodia ao vivo, solava muito bem e tinha espírito, um feeling pro bom gosto da porra. Meu irmão gêmeo é outro excelente guitarrista porque sabe criar harmonias que cantam, dobram a voz. Isso, depois que eu descobri o Jazz, é a coisa mais linda a se fazer em uma música. E se o guitarrista for bom, a magia fica rock n'roll. Tanto que os quartetos de Jazz mais famosos do mundo NUNCA tiveram um guitarrista. O baterista que tocou comigo durante anos era musical, esforçado, mas era uma merda. A minha mãe costumava dizer que o esforço que eu colocava individualmente e na própria banda era desequilibrado, superior ao dos demais integrantes. Na época eu achava isso um absurdo, mas hoje eu dou razão a minha mãe. Todos os dias eu e o Breno tocávamos de manhã, antes de ir pra escola, de tarde, de noite. Todos os dias, mais os ensaios de Sábados e Domingos. E, no fundo, por ser autodidata, eu via que meu desenvolvimento musical era lento, progressivo e estiloso. Uma coisa eu aprendi. Ninguém toca como eu. Ninguém mesmo. Já me convenci que uma das razões pelas quais eu apoie o experimentalismo em todos os sentidos é o fato de que a auto-influência somada a convivência com o meio será capaz de dar instrumentos para que cada um seja bom naquilo que se dedica. Meu colega baterista era baterista de final de semana. Pra mim isso nunca bastou. Quando eu entrei no Maskavo eu percebi que tinha muita coisa a aprender sobre baixo. O reggae estava em minhas veias, mas não nos meus dedos e no meu coração. Com o Prata, com o Quim e com o Marceleza eu pude extrapolar, dar vazão a um coisa que eu sempre admirei no contrabaixo: a capacidade instrumental de poder ser um instrumento melódico e rítmico. Nas minhas experiências e músicas anteriores eu conseguia, de uma certa maneira, ser melódico. Mas o rock, em si, faz o baixo parecer muito mais um som raso e presente do que pontuante, profundo e misterioso. James Jamerson, Jimmy Garrison, Sting, Andy Rourke, o cara do New Order, Geddy Lee são alguns exemplos de contrabaixistas que iam além do instrumento e de suas limitações. Um instrumento de 4 cordas muito elegante, inclusive. O reggae, com Aston Barret e Robbie Shakespeare, pra mim não seria nada sem Carlton Barret e Sly Dunbar. Os dois melhores bateristas do MUNDO! Tem uma caralhada de caras bons no rock, Stuart Copeland, John Boham, Mitch Mitchell, etc, mas esses dois jamaicanos deram o toque final que mais influencia as batidas de dance no mundo hoje em dia. O Raggamuffin, o DanceHall, o Funk, o HipHop, o Rap, o Reggae, o Rock. Eis que o up-down beat do reggae dominou o mundo sobre a forma de uma quimera, uma Hidra de Lerna de 200 cabeças. Mas ninguém se pergunta de onde vem e pra onde vai o reggae? Eu me pergunto todos os dias porque eu gosto tanto de reggae e de jazz, afinal são músicas genuinamente mestiças, como o forró, o baião, o xaxado, o bumba-meu-boi, muitas outras que eu não conheço. Aprendi a gostar de músicas dos orixás, a música da Bahia antiga e mística e brasileira, da música chamada Bossa Nova e estou aprendendo violão. Que instrumento bonito e charmoso. Se tiver um bom percussionista, então...

o bicho da seda ou o fungo do shitake

tenho uma visão muito privilegiada
da varanda do meu casulo enxergo as avenidas
o trânsito que não pára nunca
a exorbitante quantidade de ultrapassagens
todas elas emitem um som
então são meus ouvidos?
tenho um ouvido muito privilegiado
agradeço à genética de meus antepassados
são tantas canções, tantos sons naturais
todas elas me fazem pensar
então é meu cérebro?
Antes fosse
assim como não somos
o bicho da seda
ou o fungo do shitake
também não somos apenas fruto do que pensamos
então é o que sinto?
é isso
e é como se estive em contato direto
com o bicho da seda
ou com o fungo do shitake

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Turns out we don't want Fabrizio to give up the day job. New York (November 13)

A couple of hundred people are packed into a Mercury Lounge that could have sold three times as many tickets tonight. It’s not because the headliner features Strokes drummer Fabrizio Moretti, although that may have garnered the initial interest. No, tonight people simply wanted to be here because Little Joy have made a great album, released just a week before, on election day.

Moretti last year joined forces with Brazilian musician Rodrigo Amarante and diminutive vocalist Binki Shapiro and, together, the trio masterfully morphed together a sound as if The Strokes had decamped to a beach in Rio, hooked up with famed brazilian singer Astrud Gilberto and made a record under the stars. Tonight Amarante and Moretti sit side by side on the low stage, and open with the last song on the album, ‘Evaporar’, gently sung in Portuguese by the former and accompanied acoustically by the bearded latter. The room is shushed into silence with just a wave of nervous giggling among some girls at the front.

Shapiro’s vocals, a silky smooth blend of Nina Persson and Feist, ease softly into ‘Unattainable’, before being joined by Albert Hammond Jr’s drummer Matt Romano and The Dead Trees’ Todd Dahlhoff, who pick up the pace first with the charming, country-ish ‘Brand New Start’ then ‘The Next Time Around’, which even prompts some subtle shimmies from the cool kids at the back. The jangly guitars of ‘How To Hang A Warhol’ deem it the most Strokesy moment of the set, while a cover of ’60s songstress and Binki’s mother Helen Shapiro’s ‘Walking Back To Happiness’ reminds us of where tonight’s singer inherited her vocal prowess.

Amarante may assume the majority of the vocals, but it’s Moretti who takes charge of the between-song banter. His easy wit and ability to get the crowd going are something we rarely get to see when he’s behind the kit in his other band. It’s a little unusual to see him out front, yet despite an admission of pre-show nerves, he seems entirely comfortable taking the role of band spokesman. After playing the album in its entirety, and throwing in a new uplifting pop track, the band wrap up with the catchy ‘Keep Me In Mind’ and head off for the East Village aftershow party.Yes, The Strokes may be getting back together next year, but a debut album and a debut New York show later, we for one are hoping that Little Joy can stick around, too.

Fiona Byrne

Billie Joe Armstrong speaks about recording process

"I really like fucking with arrangements," Armstrong told Altpress.com. "I always try to look at the possibilities of how you write power-pop music.

"How do you take something - and it could be anything from The Creation and The Who to The Beatles to Cheap Trick to The Jam - and try to expand on the idea of what is supposed to be three-chord mayhem?

"How do you do it in a way where the arrangements are just unpredictable? So I'm pushing myself to be progressive in songwriting and being a songwriter."

terça-feira, dezembro 02, 2008

Extemporâneas do Amor

Um brinde ao amor!
Um brinde do drinque preferido, gelado ou ao natural, fermentado, adoçado, sem alcóol, destilado!
Não há mais porque temer o amor. Esse sentimento novo? que não parece fenecer jamais sempre buscando novas formas de expansão através da música, da poesia, e das fotografias reclama até nos tablóides o seu cantinho. O amor está na moda de novo.
Nu, o jovem com seu peito aberto deitado de costas olhava com os cantos dos olhos a jovem ao seu lado que dormia, ou fingia dormir, entre a fresta do lençol aparecia o redondo dos seios amassadinhos no colchão e não havia nada de sexual nisso, não havia um pêlo pubiano que pudesse sugerir algo mais do que apreciar a beleza daquela jovem e de ter tido o prazer de ser o objeto de desejo dela até aquele momento.
Você abre uma tela no computador e só lê sobre Marcelo e Mallu. Duas entrevistas, dois jovens, duas almas apaixonadas e o que se lê são linhas e linhas que desdobram entre comentários insossos sobre música, a paixão de ambos os apaixonados, mas que tentam de tempos em tempos chegar ao fundo do poço da reportagem, falar sobre o que os dois não querem falar. É obvio: não tem como descrever! Não tem como fazer reportagem sobre amor. Só tablóide. Ao amor é necessário dedicação, paixão, carinho, dedicação e bom senso. Um poema sobre Marcelo e Mallu deveria ser escrito. Quando muito leio sobre os dois serem chatos, etc, eu prefiro crer que essa é a história deles dois e que seja feliz enquanto durar. Por experiência eu sei que dura e é muito gostoso. É o substrato das minhas canções, inclusive.
O jovem sentiu um fogo fodido ardendo no seu coração. Uma vontade de gritar com um senso de liberdade enorme e uma estranheza de estar sozinho novamente deitado em seu lençól com aquela pergunta grudada na fronte de sua testa: qual será o meu novo caminho? E para desafiar a gravidade levantou-se de uma só vez e nunca mais pensou em desistir de procurar um novo amor. O velho amor nunca deixou de existir.
E por ser o amor um sentimento tão antigo e muito discutido, distorcido e manipulado diversas vezes na história do mundo e das nossas vidas também, é ele também o gerador das mais diversas estranhezas dentro do sistema vigente de rotular a todos nós como números, por isso que pessoas de idades estranhas parecem estranhas ao estarem juntas. Uma inverdade de pequeno porte que é levada a sério demais. E pra quem estiver pensando: mas e a pedofilia? Minha resposta é: só quem tem potencial para pedófilo pensa em pedofilia. Não é o meu caso. Eu penso no amor, em coisas bonitas e em como resolver meus problemas com soluções que gerem boas ações.
Meditar é uma forma de se entender a mensagem do amor. Quando o yogue medita ele entra em contato com ele mesmo, com o todo e emana de si e recebe para si toda sorte de influências universais. Isso é amar. Quando eu coloco um fone de ouvido para ouvir uma canção não faço isso à tôa. Quando alguém me mostra uma coisa nova eu presto atenção. Quando eu vejo o anil do céu no final de tarde eu paro e fico ali alguns minutos contemplando o azul mudar de tonalidade. Quando estou ao lado do meu filho eu esqueço que o mundo é esse caos humano e eu brinco com ele e esqueço de tudo. Quando ouço um pássaro cantando eu ouço sua melodia e suas nuances. Quando eu me alimento mastigo tudo com paciência e percebo diferentes texturas, misturas e canais sensíveis de um prazer que eu desconhecia. Quando teve uma festa aqui em casa fi-la por amor ao vinis que estavam aqui um tanto empoeirados.
Se causa estranheza um amor de idades tão diferentes procure ver os casos mais próximos na família de tios, avós, até pais... isso é a vida. Acontece todos os dias desde sempre, não é?

domingo, novembro 30, 2008

Mallu

Quando você percebeu que tinha composto uma música?
Não lembro. Foi uma coisa natural. Pra mim nem era música. Eu escrevia muita coisa, mas jogava fora. Não era nada até que elas começaram a me tocar de verdade. Foi quando eu deixei de pensar em aula, em teoria. Fiz pouco tempo de aula, mas foi inútil. Foi ótimo pra eu aprender a pegar o instrumento. Mas para compor, nada mais bonito do que a auto-aceitação de mudar.

Mudar você mesma ou mudar as coisas?
Se você muda você mesmo, você já muda as coisas. E as coisas são as suas coisas.

"trecho da entrevista de Mallu Magalhães para a revista época"