Confesso que só estou escrevendo sobre Michael Jackson por causa de um pensamento. Minha amiga diz que lutou muito para ser livre, expansiva, doida, mas que as vezes sonha com o oposto disso. Acho que ela dizia isso em relação à sair de noite, festerês, muito bem. A noite toda essas duas idéias ecoando no sistema, a morte e o desprendimento, e eu sinto que estou muito adaptado e acostumado a elas. Quando eu era pequeno lembro do lançamento do disco Thriller, realmente deve ter vendido mais de 100 milhões de álbuns porque todo mundo tinha ele em casa em vinil, em Brasília principalmente. Lembro da festa do Zé Fera onde foi feito um campeonato de break dance, o Breno era bom, o Guimba também, eu era ruim. No final, o Zé ganhou e até hoje eu ressinto que o resultado foi em favor do aniversariante... pois bem. Jackson começou em minha vida antes disso. O desenho animado dos Jacksons 5 era realmente legal, bastante dinâmico, colorido e divertido de assistir. Tinha o irmão grande, magro e bem cabeludo, o irmão dentuço e tinha os dois pequeninos que dançavam bem, cantavam e tinham as idéias. Tinha outro irmão, mas eu nem lembro o que ele fazia. Lembro de pedir muito para ter um cabelo black power, lembro de pedir isso pros meus átomos mudarem, se afinarem nos cabelos e enrolá-los. Foram pedidos em vão.
O moonwalker, aquele andar de costas flutuante criado pelo gênio de um artista no auge da juventude e fama foi um grande desafio juvenil. Nunca consegui fazer aquele passo. Achava as meias e as luvas com lantejoulas demais, arrasavam porque brilhavam. Na televisão aquilo era o que chamamos de efeito especial. O fantástico fazia uma matéria: qual meia Michael Jackson usa para tal passo? Qual a cor da lantejoula? Tudo isso no...... mundinho aqueles tempos de ditadura.
Não posso falar mais sobre o cara. Daí por diante me afastei do BAd, daquela coisa norte americana pra caralho, peguei asco mesmo daquele mais do mesmo. No Brasil tínhamos Ultraje a Rigor no auge, RPM em vias do auge, Titãs em vias do auge, Legião Urbana em vias do auge. Lobão em vias do auge. Enfim, Paralamas do Sucesso. Michael Jackson virou o que virou decadentemente para o mundo: tablóide. Nunca li uma matéria da Madonna pedindo uma canção inédita pro cara. Nunca ouvi falar do Quincy Jones criando um piano bar jackson pra ganhar grammy com ele, nunca li nada sobre ninguém suportando a carreira dele. Apenas tablóide, filhos, casamentos, dinheiro, fama, sucesso, cirurgias plásticas, divórcios, pedofilia.
Minha amiga disse que ia, mas as vezes queria parar. Bem, ninguém precisava dizer pro gênio dos anos 80 que ele já tinha tudo. É inerente ao homem continuar e quais seriam os desejos do homem que consolidou o que os The Beatles criaram? Quando eu li que ele conquistou 25 grammys, puta merda, tenho que me alegrar. Talento assim reconhecido em vida, olha, é para poucos até hoje. Com minha consciência paterna eu pensei nos filhos que ele deixou e em quem vai dar suporte a eles muito mais do que no pesar mundial sobre a perda de um ícone. Ícone do que? Talvez nisso a Madonna tenha acertado em dizer: ficou a música dele que é o bem maior dele.
sexta-feira, junho 26, 2009
segunda-feira, junho 22, 2009
se me perguntarem, eu digo
Hoje me flagro naturalmente feliz em meio ao caos das lembranças de muitas coisas boas que vem acontecendo. Feliz por ter gravado duas canções do Acusticuzinho, feliz pelo Corinthians, feliz por tocar com o Felipe Joe, com o Breno, com o Ivan Bicudo, com o Guga, com a Mari Z, com a Júlia Ferrari. Feliz, porém atento.
Feijoada com o Guri, que coisa mais doida. Viramos todos um cortadores de carne, fatiadores de cebola, caldereiros. Estou aprendendo muito com a influência de meus parceiros e sendo muito bem tratado pelas minhas companhias femininas, melhores amigas do mundo! Tem também o Gás e a Mari e a Paulinha, os meus Marchands preferidos, a Sara Marques, minha fotógrafa preferida. Eu só ando de meias por ser tão feliz.
Feijoada com o Guri, que coisa mais doida. Viramos todos um cortadores de carne, fatiadores de cebola, caldereiros. Estou aprendendo muito com a influência de meus parceiros e sendo muito bem tratado pelas minhas companhias femininas, melhores amigas do mundo! Tem também o Gás e a Mari e a Paulinha, os meus Marchands preferidos, a Sara Marques, minha fotógrafa preferida. Eu só ando de meias por ser tão feliz.
sábado, junho 20, 2009
se me perguntarem, eu digo
Tive um daqueles lampejos de felicidade dentro do avião rumando pra São Paulo dois dias atrás. Foi uma coisa muito solitária toda aquela sensação porque demorei alguns meses para aprender, entender e sentir algo que um velho livro de meu pai continha, uma dessas velhas lições sobre relação entre pais e filhos. O livro, em si, é sobre psicologia. Mas é marcante a parte onde o autor do livro descreve sobre o equilíbrio das nossas necessidades amorosas e ele dá como exemplo, justamente, a adequação do filho em uma relação de pais casados e de pais separados.
Muitas vezes eu sinto que recebo amor demais. Não estou reclamando, mas eu sou uma pessoa cercada de amor como uma ilha, tenho minhas pessoas queridas muito próximas de mim e ainda faço o que considero ser minha missão na vida. Tem amor de mãe, dos meus irmãos, de várias amizades, tem amor de filho. E eu me amo. Daí eu retribuo esse amor em todos os níveis e sentidos e me dei conta de que falta um certo tipo de amor na minha vida. Quando você ama o que admira e eu estou devendo ou em dívida ou me devem alguma coisa nesse âmbito aí, esse amor por admiração, seria paixão mas não é.
Pensei comigo no avião, não amo uma só mulher e não consigo ser amado por uma só mulher. Por outro lado, eu amo muito algumas mulheres, todas minhas amigas, uma ex-amante, uma futura pode ser, uma fotógrafa, uma musa e uma fantasia. Em questão de minutos comecei a fazer, para cada uma delas, uma pequena canção de amor composta por duas estrofes e um refrão de dois versos e usei o nome de todas elas em cada canção. Além do exercício prazeroso de criar tudo isso e lançar fora de mim tanto sentimento ainda pude exercitar minha memória, porque decorei tudo na quarta-feira de manhã no avião e escrevi tudo na quinta-feira de noite no aeroporto voltando pra Brasília...
Sem dúvida é amor demais em uma só vida.
Muitas vezes eu sinto que recebo amor demais. Não estou reclamando, mas eu sou uma pessoa cercada de amor como uma ilha, tenho minhas pessoas queridas muito próximas de mim e ainda faço o que considero ser minha missão na vida. Tem amor de mãe, dos meus irmãos, de várias amizades, tem amor de filho. E eu me amo. Daí eu retribuo esse amor em todos os níveis e sentidos e me dei conta de que falta um certo tipo de amor na minha vida. Quando você ama o que admira e eu estou devendo ou em dívida ou me devem alguma coisa nesse âmbito aí, esse amor por admiração, seria paixão mas não é.
Pensei comigo no avião, não amo uma só mulher e não consigo ser amado por uma só mulher. Por outro lado, eu amo muito algumas mulheres, todas minhas amigas, uma ex-amante, uma futura pode ser, uma fotógrafa, uma musa e uma fantasia. Em questão de minutos comecei a fazer, para cada uma delas, uma pequena canção de amor composta por duas estrofes e um refrão de dois versos e usei o nome de todas elas em cada canção. Além do exercício prazeroso de criar tudo isso e lançar fora de mim tanto sentimento ainda pude exercitar minha memória, porque decorei tudo na quarta-feira de manhã no avião e escrevi tudo na quinta-feira de noite no aeroporto voltando pra Brasília...
Sem dúvida é amor demais em uma só vida.
sábado, junho 13, 2009
se me perguntarem, eu digo com prazer
Quando chove fora de época tenho a impressão de que alguma coisa boa está por vir. A instabilidade da natureza se faz sentir de forma mais veemente. É um sinal de que, assim como as dores e as sensações de prazer, o grandioso plano da natureza também tem seu próprio caminho e chora quando precisa, as suas lágrimas ionizadas umidecem o ar e a noite brasiliense; eu até poderia dizer que a melhor coisa seria poder estar abraçado com alguém, mas isso é meia verdade, eu preferia estar dançando com alguém ouvindo Phoenix sem ter que me preocupar com a minha condição mental para fazer o vestibular amanhã, que deveras é coisa de gente acostumada a ficar sentada e eu estou acostumado a ficar de pé, e sentir os fios de cabelo, dos longos cabelos feminino correndo pelos meus dedos suavemente, meus olhos olhando os olhos dela profundamente, minha respiração em comunhão com a respiração dela, em comunhão com esse ar fresco da noite, eu não me esqueço de sentir que algo bom está aqui tilintando ao meu redor, é saudade de tudo o que tenho e do que nunca tive ao mesmo tempo. Quando eu penso que encontrei, sou o alvo e ela é a flecha, um motivo para acalmar vem uma chuva boa dessas e me faz lembrar que não é tempo de se acomodar nos braços de ninguém. Agora é a hora de bailar.
segunda-feira, junho 08, 2009
s e m e p e r g u n t a r e m, e u d i g o
desenvolvi nos últimos três anos uma capacidade de organização do tempo da qual estou me sentindo escravo e a causa deste pensamento libertador é saber que não tenho muita função no mundo quando fico longe da rotina do meu filho. Toda a minha agenda profissional é uma brecha dentro do que é a minha agenda pessoal e dentro desta pessoalidade existe o fato de eu valorizar a paternidade e tentar corresponder as necessidades deste novo ser e dos estímulos e limites que ele precisa ter e que precisam ser expostos de maneira natural, com todo o amor que a autoridade paterna exige e com toda a força que a educação permite. Daí estou eu aqui, em Brasília, no inverso daquilo que quase toda semana acontece, eu em casa e meu filho passeando com a mãe pelo país, fico desolado. Não sou sortudo e nem azarado. Mas sinto que é o tempo que eu organizei para cuidar tanto dessa rotina saudável que está em jogo e eu estou aqui sem ter o que fazer e sem como falar com ele, ouvir a vozinha fina de criança é muito bom, e estar com o senso alerta 200% sabendo que, daqui do meu assento, não posso e não tenho muito o que fazer. Saudade é foda.
quarta-feira, maio 27, 2009
se me perguntarem, eu falo depois
Amor, não é fácil lidar com o amor, o amor que não é apenas um sentimento, é uma palavra de difícil definição, é um anagrama de Roma, o Amor com A maiúsculo e o amor com a minúsculo. Aos meus olhos, o amor é todo dia, todo o tempo se manifestando na matéria humana, nos seres bichinhos, no trânsito, por que não? No olhar absoluto da mulher para o homem. No convite absoluto do homem para a mulher. Na tentação de estar, no sentimento de estar, na realidade daquilo que é estar, na memória que nos eleva aos montes mais olímpios do amor, na saudade de nunca ter tido ou na saudade de pra sempre ter perdido, o amor indescritível.
Amor, se é por uma pessoa apenas, é pouco, é indivisível, é menos do que por si e, por definição, insípido.
Amor, se é por uma pessoa apenas, é pouco, é indivisível, é menos do que por si e, por definição, insípido.
terça-feira, maio 26, 2009
se me perguntarem, eu digo
tenho sido negligente com meu esporte favorito. cada grande prêmio que passa e uma série de expeculações sobre o futuro da f1 em 2010 não tiram de mim o espanto que é ver Jenson Button ganhando 5 corridas seguidas. Em 2007, Lewis Hamilton se tornou o mais bem sucedido novato da história ganhando 6 corridas seguidas. Mas button é um caso muito estranho. Piloto veterano que não fez em 9 anos o que está fazendo agora. Numa f1 repleta de talentos e com 3 campeões disputando o campeonato o comentário de alain prost, 4 vezes campeão de f1, é pertinente: ross brawn é bem sucedido, a brawn foi a honda por 3 anos e o motor é mercedes-benz. só mudou a cor do carro.
Adendo. Barrichello tem esse mesmo carro, mas seu estilo de pilotagem dá certos prejuízos nos freios e pneus traseiros. um piloto com certos trejeitos em um carro muito sensível. interessante de pensar sobre isso.
O desenho do campeonato de 2009 está favorável ao britânico piloto da brawn. a melhora dos carros da ferrari, em particular o pódio de haikkonen e o 4 lugar de massa no gp de mônaco, provam que o campeonato pode esquentar nas etapas européias. Dizem que a brawn esconde o jogo e tem muito carro ainda pra mostrar. veremos.
Adendo. Barrichello tem esse mesmo carro, mas seu estilo de pilotagem dá certos prejuízos nos freios e pneus traseiros. um piloto com certos trejeitos em um carro muito sensível. interessante de pensar sobre isso.
O desenho do campeonato de 2009 está favorável ao britânico piloto da brawn. a melhora dos carros da ferrari, em particular o pódio de haikkonen e o 4 lugar de massa no gp de mônaco, provam que o campeonato pode esquentar nas etapas européias. Dizem que a brawn esconde o jogo e tem muito carro ainda pra mostrar. veremos.
se me perguntarem, eu direi
Estou em busca de uma novidade, uma notícia que desencadeará algo novo, um novo rosto e uma nova música.
Tudo o que já foi feito me parece bem estabelecido, aceito e digerido. Não é ruim. Só é velho e isso tem me chateado.
Em se tratando de arte moderna, algo que me parece bem emparedado, o sujeito das coisas não é necessariamente bonito, mas representa algo que apenas as cabeças mais astutas podem enxergar como beleza. E tem muita coisa ruim em artes plásticas assim como em música popular em geral.
Fiz uma canção e tentei de tudo para ela não ficar muito comum. Sugeri muitas idéias, defendi o lado da arte como alimento do povo que quer comer coisa boa, acho que a luta ainda não acabou mas a canção já está ficando comum. Uma pena. Não é culpa minha: no futuro me perguntarão algo sobre isso. A culpa é das pessoas que produzem para produtores de idéias, eu direi. Isso não é ganha pão, isso é como assessoria de deputado federal: muito trabalho por nada.
Eu não gosto de mexer nem interferir na arte dos outros. Mas fazem isso comigo direto. E isso me deixa irritado. Mas é uma irritação que o peso do dinheiro derrubará e eu sou o cobrador. De boa.
Tudo o que já foi feito me parece bem estabelecido, aceito e digerido. Não é ruim. Só é velho e isso tem me chateado.
Em se tratando de arte moderna, algo que me parece bem emparedado, o sujeito das coisas não é necessariamente bonito, mas representa algo que apenas as cabeças mais astutas podem enxergar como beleza. E tem muita coisa ruim em artes plásticas assim como em música popular em geral.
Fiz uma canção e tentei de tudo para ela não ficar muito comum. Sugeri muitas idéias, defendi o lado da arte como alimento do povo que quer comer coisa boa, acho que a luta ainda não acabou mas a canção já está ficando comum. Uma pena. Não é culpa minha: no futuro me perguntarão algo sobre isso. A culpa é das pessoas que produzem para produtores de idéias, eu direi. Isso não é ganha pão, isso é como assessoria de deputado federal: muito trabalho por nada.
Eu não gosto de mexer nem interferir na arte dos outros. Mas fazem isso comigo direto. E isso me deixa irritado. Mas é uma irritação que o peso do dinheiro derrubará e eu sou o cobrador. De boa.
segunda-feira, maio 25, 2009
se me perguntarem, eu falo
é pela calmaria das próximas 1000 horas que valeram a pena os dois ou três de dias de enormes estripulias.
domingo, maio 24, 2009
se me perguntarem, direi
talvez o exorcismo do pequeno monstro que reside no ponto menos favorecido do cérebro esteja quase completo. monstro pequeno que não acompanha a velocidade do pensamento e não tem forças para dividir um ser fragmentado, fragmentado por questão moderna e não por estar colado como uma porcelana chinesa de terceira categoria, não vencer este monstro é um pecado. Diante das jovens modelos que requebram ao som dos melhores dubs que se pode ouvir na madrugada e cercado de artistas, chega desse monstro, é preciso esse monstro? Enfim, ouviu-se o estopim do ódio e do amor deflagrados no beijo mais bonito que se poderia imaginar, enfim, acabou mais uma monstruosidade e outras tantas pessoas nem imaginariam que aquilo aconteceu na festa de reggae. Mas aquele foi o último beijo daquele jeito, um beijo desesperado. Agora é preciso uma nova missão.
sexta-feira, maio 22, 2009
se me perguntarem
tamos aí doido de cerveja e de sinuca, meus amigos todos comigo e eu lá no meio, em busca do impossível, do amor momentâneo pero mucho verdadeiro, eu, tomando mais uma banda de um conhecido, procurando um colo suave para eu esquecer de que tá foda, tá foda, difícil, velhos entregadores de panfletos sacanenado meu xaveco, meu próprio sócio me esquececendo de dizer I loV YOu, I LoV you para uma gata que me deu esse toco voraz, estou aqui sozinho em casa determinando essas palavras, mera pretensão, vai dormir ou acordar, vagabunda, e então procure uma coisa para limpar.
terça-feira, maio 19, 2009
se me perguntarem, eu digo
Uma coisa muito feia que eu faço, mas considero prudente e intrínseco a minha pessoa, é esconder de todo mundo, as vezes até de mim, alguma coisa legal que descubro. Acho feio fazer isso porque não fui criado para ser assim, aliás a minha criação foi baseada em saber dividir o tempo, os bens materiais, a comida, o quarto de dormir, o banheiro e as camisetas, os livros, os instrumentos musicais. Então considero isso, o ato de esconder novidades, um traço do meu caráter embrutecido por anos e anos de experiência em aprender que não é falando o que se sabe que chegamos a determinado lugar ou resultado. O contrário é que se provou mais eficiente para mim.
A prova da contradição que existe em mim é o fato de dividir esse conhecimento, essa novidade, de mostrar algo novo em algum momento oportuno, focalizado na vontade de mostrar algo bom, já que em se tratando de mostrar algo bom e valioso é melhor fazer isso bem feito e na hora certa. E daí adveio a minha incapacidade. Eu só divido aquilo que digiro por muito tempo e que me dá gosto de dizer "é bom" mesmo que já sinta que aquilo é bom demais pra ser verdade. É algo secreto e muito doce de não ser seu para sempre.
A prova da contradição que existe em mim é o fato de dividir esse conhecimento, essa novidade, de mostrar algo novo em algum momento oportuno, focalizado na vontade de mostrar algo bom, já que em se tratando de mostrar algo bom e valioso é melhor fazer isso bem feito e na hora certa. E daí adveio a minha incapacidade. Eu só divido aquilo que digiro por muito tempo e que me dá gosto de dizer "é bom" mesmo que já sinta que aquilo é bom demais pra ser verdade. É algo secreto e muito doce de não ser seu para sempre.
segunda-feira, maio 18, 2009
se me perguntarem, eu digo
Tenho muita satisfação em dizer que, neste exato momento em que datilografo meus pensamentos, ouço uma canção de uma mulher de 29 anos, algo como um atestado de valor muito forte sobre minha geração, dita geração X nos anos 90 do século passado, uma mulher como outras artistas que tanto tem me influenciado, me tirado do sério e do lugar comum em que me sentia a alguns meses atrás. Mesmo compondo, tocando, viajando, escrevendo e pensando, sempre naquele mesmo lugar comum de sempre, os sonhos e os desafios da vida, filosofia e futebol, bares e beijos na boca, menos o que eu queria de verdade. Daí vem essa geração de gente como eu e que está fazendo boas músicas para o mundo inteiro ouvir, essa inglesa de Brighton, cidade cuja saudade me faz sentir da minha juventude algo que nunca esquecerei, linda de morrer que é multiinstrumentista, cantora, compositora, pintora. Chocante demais! 29 anos. E eu tinha pensado em derrapar e olha aqui como estou loucamente apaixonado por uma canção.
quinta-feira, maio 14, 2009
se me perguntarem, eu digo
Quando sou obrigado pela força do que faço a sair de minha casa, de minha rotina planejada, de meu filho querido, quando sou um artista nivelado pelo ibope das rádios e quando estou fora da mídia é quando eu caio na real e vejo que, mais do que a necessidade de criar, eu tenho necessidade de estar e de ver e de viver e quando eu estou em São Paulo eu não sinto nada disso.
Aqui tem alguma coisa muito errada no modo de vida das pessoas que normalizou tudo e a todos, atinge da mesma forma azedos e doces, coloca no bolo dentistas, artistas, seguranças do metrô, produtores, modelos fotográficas, na mesma festa da luta pelo ganha-pão ou do ouro dos tolos e, lá estão todos, buscando um certo tipo de satisfação na felicidade de estar lá porque não há para onde ir sem um roubo acontecer, um trânsito enfrentar, numa calçada deformada tropeçar e uma japonesa namorada perder de vista.
O bahiano diz que quem faz o que gosta não precisa trabalhar e há um fundo de verdade nisso. O que é trabalho e o que é fazer o que gosta?
Da minha parte, trabalho é viajar, compor música, cuidar do quintal com meu irmão, cuidar do estúdio e dos equipamentos que tenho nele, fazer supermercado, lavar o carro e manter a churrasqueira nos trinques. O que faço que gosto é tocar ao vivo, tocar baixo em casa com meus irmãos e amigos, acusticuzinho de quarta-feira, ter meu filho comigo e cuidar dele, gravar uma canção muito boa, gosto de arrumar meu quarto para quando meu filho dorme comigo, eu arrumo ele todos os dias na verdade, gosto de cozinhar pros amigos e amigas, gosto de dirigir sob a influência de Miles Davis e do siricutico.
O resto é a vida, é a forma como se segue a vida e a forma do que se quer na vida.
Aqui tem alguma coisa muito errada no modo de vida das pessoas que normalizou tudo e a todos, atinge da mesma forma azedos e doces, coloca no bolo dentistas, artistas, seguranças do metrô, produtores, modelos fotográficas, na mesma festa da luta pelo ganha-pão ou do ouro dos tolos e, lá estão todos, buscando um certo tipo de satisfação na felicidade de estar lá porque não há para onde ir sem um roubo acontecer, um trânsito enfrentar, numa calçada deformada tropeçar e uma japonesa namorada perder de vista.
O bahiano diz que quem faz o que gosta não precisa trabalhar e há um fundo de verdade nisso. O que é trabalho e o que é fazer o que gosta?
Da minha parte, trabalho é viajar, compor música, cuidar do quintal com meu irmão, cuidar do estúdio e dos equipamentos que tenho nele, fazer supermercado, lavar o carro e manter a churrasqueira nos trinques. O que faço que gosto é tocar ao vivo, tocar baixo em casa com meus irmãos e amigos, acusticuzinho de quarta-feira, ter meu filho comigo e cuidar dele, gravar uma canção muito boa, gosto de arrumar meu quarto para quando meu filho dorme comigo, eu arrumo ele todos os dias na verdade, gosto de cozinhar pros amigos e amigas, gosto de dirigir sob a influência de Miles Davis e do siricutico.
O resto é a vida, é a forma como se segue a vida e a forma do que se quer na vida.
sexta-feira, abril 24, 2009
se me perguntarem..., eu digo
Susan Boyle foi ao cabelereiro, fez as sobrancelhas, pintou o cabelo, deu um trato na pele, ficou mais feliz consigo mesma provavelmente e, a imprensa britânica deu sua espetadinha. Por que a revelação de 47 anos britânica quis ficar bem na foto se, com aquela voz, encantou a todos no youtube e nos programas de sensacionalismo do mundo todo?
Simples de responder: aquela Susan Boyle que encantou a todos não existe mais porque se viu na televisão, no videotape, no youtube, nas fotos dos tablóides e sites e viu que, na televisão, aquilo lá estava pior do que feio. Tomou vergonha na cara e reviveu algo dentro dela que, existindo adormecido ou esquecido, brotou novamente. Quem quer se ver representado com aquele visual? Você? Os 40 milhões de britânicos? Os 100 milhões de pessoas que a viram no youtube? Nem Susan Boyle, né? Torço por ela, fiquei felizão por ela e ainda acho que a voz dela é um tanto chata porque é aguda demais pro meu gosto. Eu gosto é das latinas mesmo.
Mas é fato que a beleza é uma vontade e Susan Boyle não quer cantar mais na televisão sendo aquela dona esquecida em casa sem beijar ninguém. Putz, pense.
Simples de responder: aquela Susan Boyle que encantou a todos não existe mais porque se viu na televisão, no videotape, no youtube, nas fotos dos tablóides e sites e viu que, na televisão, aquilo lá estava pior do que feio. Tomou vergonha na cara e reviveu algo dentro dela que, existindo adormecido ou esquecido, brotou novamente. Quem quer se ver representado com aquele visual? Você? Os 40 milhões de britânicos? Os 100 milhões de pessoas que a viram no youtube? Nem Susan Boyle, né? Torço por ela, fiquei felizão por ela e ainda acho que a voz dela é um tanto chata porque é aguda demais pro meu gosto. Eu gosto é das latinas mesmo.
Mas é fato que a beleza é uma vontade e Susan Boyle não quer cantar mais na televisão sendo aquela dona esquecida em casa sem beijar ninguém. Putz, pense.
quarta-feira, abril 22, 2009
se me perguntarem, eu digo
já tinha embarcado no avião e estava devidamente acomodado na cadeira 11C, uma daquelas que não reclina, e tirava meu tênis quando ouça a pessoa da poltrona 11A reclamar: que frio dentro deste avião! A pequena mulher levantou seu dedo, apertou o botão de serviço de bordo e esperou a aeromoça que disse: senhora, talvez porque estejas perto da janela que a sensação de frio seja maior, quer mudar de assento? Não, eu sou friorenta, disse a pequena mulher. Eu, que não sou muito de falar, mas de fazer, levantei daquela semi confortável postura e procurei meu casaco para emprestar para a pequena mulher. Pronto, com aquela gentileza os problemas tinham acabado. O avião demorava para taxiar devido ao tráfego intenso de aviões naquele horário; esperamos 20 minutos dentro daquele tubo de aço e então rumamos para casa. A simpática pequena mulher contou bastante histórias dela com sua família, confessou ter um filho com um músico e que ela era muito trabalhadora para poder custear as coisas dos 4 filhos que tem. Eu ouvi bastante, discordei dela umas 3 vezes sobre temas cotidianos, coisas de como criar filhos, estimular a inteligência e música, é claro. O vôo foi suave e a pequena mulher desembarcou ainda me convidando para tomar café em sua botique. Londres, Nova Iorque, São Paulo, Brasília, ela falando de viagens e de trabalho e eu pensando no meu filho, na minha cama e nas minhas responsabilidades do dia posterior trajando a camisa do Corinthians. E lêlê.
sábado, abril 11, 2009
se me perguntarem:
eu digo que gravar um disco nos dias de hoje é um desafio que precisa de muita paciência, amor, senso de dever e crítica, beleza e estética e muita autenticidade. Ser autêntico na realidade dos tempos não é fácil e muito menos natural. Nos anos 60, 50 do século passado, quando a economia, a informação e os métodos de produção ainda eram bem artesanais no campo das artes em geral, um disco só era gravado quando você tinha 12 ou 13 canções muito boas para registrar. Os singles eram muito recorrentes: baratos, leves, pequenos, descartáveis. Assim como acontece hoje, haviam inúmeras bandas que gravavam singles, mas poucas delas gravavam um disco e muito menos ainda delas gravavam mais de dois discos durante a carreira. Veja bem, era um trabalho de arte consistente, duradouro um disco. Não é à tôa que o The Dark Side of The Moon, do Pink Floyd, ainda é considerado o álbum mais bem feito do mundo: tem conceito, uma idéia forte que une as canções do começo ao fim, 4 instrumentistas antenados e jovens, a voz do David Gilmor em Breath, a linha de baixo de Money, etc. É uma obra de engenharia de som também pois utilizou equipamentos eletrônicos que na época eram experimentais, loops de fitas de rolo presas com durex em pedestais de microfone para efeitos de relógio, transes hipnóticos, etc.
Enfim, se me perguntarem, eu digo que só gravo um disco quando tiver essas 12 ou 13 músicas na manga. Até lá, paciência com os singles.
Dica: ouvir Moon Safari, do Air e Funeral, do Arcade Fire. Dois álbuns excelentes do começo ao final.
Enfim, se me perguntarem, eu digo que só gravo um disco quando tiver essas 12 ou 13 músicas na manga. Até lá, paciência com os singles.
Dica: ouvir Moon Safari, do Air e Funeral, do Arcade Fire. Dois álbuns excelentes do começo ao final.
terça-feira, abril 07, 2009
se me perguntarem, eu digo...
sinto falta de mulheres no jornalismo brasileiro, virtual e impresso
as notícias sobre o Brasil no mundo sempre culminam em sexo, política ou futebol
o Lula foi chamado de presidente Teflon pelo www.NYTimes.com
ser músico/artista podia ser uma profissão normal
não tenho passatempo porque trabalho nos dias de ter passatempos
não vou ao cinema desde 2006
não faço carteira de estudante com data falsa. Pago inteira com orgulho
a igualdade de direitos ainda não beneficiou as mulheres do jeito que deveria
A Ilha, de Aldous Huxley, já foi muito lido e está muito esquecido pelas pessoas
Meu filho pediu pra eu cortar a barba e o cabelo, já fiz a barba por ele
sinto saudades de ter um lar
as notícias sobre o Brasil no mundo sempre culminam em sexo, política ou futebol
o Lula foi chamado de presidente Teflon pelo www.NYTimes.com
ser músico/artista podia ser uma profissão normal
não tenho passatempo porque trabalho nos dias de ter passatempos
não vou ao cinema desde 2006
não faço carteira de estudante com data falsa. Pago inteira com orgulho
a igualdade de direitos ainda não beneficiou as mulheres do jeito que deveria
A Ilha, de Aldous Huxley, já foi muito lido e está muito esquecido pelas pessoas
Meu filho pediu pra eu cortar a barba e o cabelo, já fiz a barba por ele
sinto saudades de ter um lar
se me perguntarem:
se me perguntarem, eu digo:
eu fico com meu filho 28 horas semanais, é pouco
nunca imaginei morar com minha mãe de novo
eu acordo as 5 da manhã pra ir ao banheiro
minha ex-mulher me vê como um obstáculo ou mina de dinheiro
eu não falo com meus colegas de banda durante a semana
não estou com vontade de tocar desde 2006
viajar me deixou com uma puta dor nas costas, incurável
escrever deixou de ser importante faz tempo
eu deveria ter ido pra Cuba em 1999 e ficado por lá
criar filho em Brasília é expô-lo em demasia aos torcedores de times cariocas
está difícil matar meu ego
está difícil uma sinergia do amor
está difícil misturar amizade com bebida
está difícil dizer a verdade
eu fico com meu filho 28 horas semanais, é pouco
nunca imaginei morar com minha mãe de novo
eu acordo as 5 da manhã pra ir ao banheiro
minha ex-mulher me vê como um obstáculo ou mina de dinheiro
eu não falo com meus colegas de banda durante a semana
não estou com vontade de tocar desde 2006
viajar me deixou com uma puta dor nas costas, incurável
escrever deixou de ser importante faz tempo
eu deveria ter ido pra Cuba em 1999 e ficado por lá
criar filho em Brasília é expô-lo em demasia aos torcedores de times cariocas
está difícil matar meu ego
está difícil uma sinergia do amor
está difícil misturar amizade com bebida
está difícil dizer a verdade
sábado, abril 04, 2009
se me perguntarem...
se me perguntarem, eu digo fácil:
Eva Mendes é a mais linda mulher
Scarlett Johansson é a mais versátil atriz
Gisele Bundchen é a mais linda modelo
Meg White é a pior baterista
Athina Onassis é a mais rica mulher
Eva Mendes é a mais linda mulher
Scarlett Johansson é a mais versátil atriz
Gisele Bundchen é a mais linda modelo
Meg White é a pior baterista
Athina Onassis é a mais rica mulher
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