quinta-feira, novembro 17, 2005

Emoticons e Kibon - A americanização do Brasil - Extemporânea #2

Sempre fui defensor da internet como um excelente meio de propagar ídéias anárquicas ou absolutamente independentes, como veículo de pesquisa e divulgação alternativa. Até o msn foi um advento e o skype outra loucura para os internautas pessoas realmente necessitadas das vantagens do cybermundo.
Pois bem, mas o que são esses emoticons? A primeira vez que eu vi fiquei um pouco impressionado. As pontuações diferentes, os movimentos hipnóticos e a dança das cores pareciam dar um algo mais para a comunicação digital. Me impressonava o alto índice de gírias e cagüetes, abreviações errôneas e barbarismos da língua portuguesa na maioria das mensagens que eu recebia todos os dias. É impressionante como ficou difícil para os internautas digitar português corretamente. Ninguém se entende sem uma gíria ou vício virtual de escrita? Pois bem, criou-se o pior: o emoticon.
Agora não existem tantos textos errados e mal escritos. Existem mensagens cifradas, códigos de mau gosto e atalhos pros olhos, uma poluição visual grande e um efeito, em mim, quase tão desagradável quanto o episódio fatídico onde o pikachu brilha tanto que fez crianças enjoarem, terem ataques epilépticos e mal-estar no Japão. Me flagrei imaginando "quem poderia ter criado uma coisa tão anti-educacional?
A televisão fica muito tempo ligada na maioria das casas brasileiras. E ficam sintonizadas, em sua maioria, na rede Grobo. Uma propaganda da Kibon me chocou. Colocava um jovem derretendo-se por um sorvete do amor com uma trilha sonora em inglês, mas nitidamente cantada por brasileiros, e aquela festa do beijo rolando ao som do enlatado comercial ianque. Me deu nojo. Uma hora antes estávamos, o Maskavo, fazendo uma entrevista para a MixTv, em São Paulo, jogando consoles importados, jogos americanizados, incluindo o jogo de futebol. Sabe aquele futebol norte-americano que não tem lateral, não tem linha de fundo e é jogado em grama sintética. Esta é a nova sensação da Fifa Games. Eu joguei com a apresentadora do programa, perdi de 5X0 mas não entendi bulhufas do jogo, nem das jogadas e nem os comandos. Fiquei bobo. Mas lá o Prata comentou que fazer música em inglês no Brasil era meio estranho porque a própria população não aceita um grande nome brasileiro que cante apenas em inglês, a excessão do Sepultura que alcançou status mundial indo na contramão da MPB e do rock brasileiro. Mas uma rara excessão no Brasil. E eu assisto, quase como que por imposição, um comercial já suavizando nossos ouvidos pro futuro da língua portuguesa: o tupenglish.
Na medida em que o império norte-americano parece mais fragilizado, quando passa no canal do national geographic documentáro sobre o 11 de setembro contando apenas os mortos norte-americanos na tragédia, um número bem menor de mortos do que o real, quando os tufões, ciclones, furacões e enchentes expõem a miséria USA não tem um filme brasileiro passando na televisão. Nem na T.V. Cultura. Nas rádios é possível ouvir os hits e os dólares por trás deles em praticamente todas elas, rádios segmentadas do país. Onde a música brasileira se viu obrigada a aderir aos rótulos importados dos discos ianques, onde ficou difícil escrever com a certeza de que a poesia brasileira necessita de mais palavras, mais rimas, mais tempo para dizer "eu te amo" ou "estou com medo".
O jeans, a grife adidas ou wilson, os piratas ray ban estão em todas as bancas de camelôs do país. O que são os camelôs senão a massificação do sonho americano de possuir, possuir, possuir sem a necessidade real de ter?
O crediário é uma idéia que suga também a energia do brasileiro. Não sei sua origem, poderia ser até um excelente tópico de pesquisa antropológico visto que os antropólogos não tem mais o que estudar destruindo o frágil modo de vida anti-americano. Uma lástima. Estudem a origem do que mais nos tem tirado o sono: a urbanização de nossos sentidos, o medo de morrer e a necessidade capitalista de destruir sonhos. Obrigado.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Sangue Latino - minha alma cativa

Sábado aconteceu o inusitado. Estava indo em direção a Salvador do Sul, RS, sentado no banco de trás da van. Minha direção era o trabalho, mais uma noite onde o dever tinha que ser cumprido com profissionalismo e paixão. Ouvindo o amigo Everton Cunha prosar em seu programa notívago, ouvindo meus amigos se divertirem com as músicas de bom, excelente gosto que ele colocava às 23:30h, desembestou a idéia de ligarmos pro amigo. Alô? Fala, Everton. Bruno, do Maskavo. Massa... bom, a gente está ouvindo o seu programa, é uma praxe pois sempre que estamos no sul e estamos a caminho de alguma cidade, pro show obrigatoriamente, acabamos sintonizando e prestigiando o amigo... e tal... ok, obrigado, a vida? Está boa, sempre estamos viajando... o Prata? O Quim, o Celeza? Estão todos muito bem. A gente vai pra Salvador do Sul. Pode sim, pode divulgar. Claro, Everton. Muita paz pra ti também. Vai mesmo? Vamos ficar aqui ouvindo. Um abraço.
Na seqüência aconteceu a homenagem. primeiro o Everton dedicou Hotel California, dos Eagles, pra mim o que foi emocionante. Meu pai foi me visitar em casa. Era a primeira vez que ele ia me visitar em meu lar, ver minha mulher, minha gatinha e o que tem lá pra fazer. A cozinha, o sofá novo e a máquina de lavar roupa. Uma das coisas que ele fez questão de me mostrar foi um dvd do Eagles e me fez o desafio de descobrir quem cantava Hotel California, qual integrante era o crooner? Hoje eu sei, mas não vou dizer qual deles. Foi uma ótima homenagem.
Depois ele tocou Don't let me down, dos The Beatles. Dedicou-a a todos do Maskavo e foi aí que realmente a coisa fez sentido pra mim.
Fiquei com vontade de dividir esta emoção.
Obrigado!

sexta-feira, outubro 21, 2005

O que eu acho do referendo do dia 23/10. - Brasil, meu Brasil brasileiro.

Para questões de sociologia e política eu tenho estudado um pouco. Tenho me aprofundado nos conceitos que hoje ampliam as margens da sabedoria humana, como a filosofia é a água que flui intermitente pelo leito, pelas margens até o mar, discutindo o bê-a-bá da ciência política e da história com muitas pessoas, com a minha mulher estudiosa.
Eu moro no interior de São Paulo e já morei em muitas partes do país. Já residi em Brasília e em São Paulo. Já veraneei no litoral sul de Santa Catarina, morei meses em Porto Alegre e 35 dias no Rio de Janeiro. Já voei mais de duzentas vezes de avião, já rodei mais de cem mil quilômetros pelo país em um ônibus trabalhando, observando tudo com olhos de águia.
O referendo do dia 23 de Outubro é muito importante para os brasileiros, mas nem tanto. O problema do uso, do porte e da comercialização de armas é um véu que nos ilude dos verdadedeiros problemas que estão tendo que ser resolvidos neste país. Problemas que solucionados salvariam mais pessoas por dia de morte morrida, da fome e da hipocrisia que é ter de acordar para votar dia 23 de Outubro.
Do Marechal Deodoro da Fonseca até Fernando Henrique Cardoso, no governo Lula, ninguém foi capaz de juntar um conselho ou parlamentares para votar algo tão delicado e íntimo para o cidadão? Hoje serão os brasileiros que devem legitimar a sem-vergonhice parlamentar que não nos protege nunca, pois a violência urbana, familiar, mundial tem suas raízes na desinformação, na alienação do indivíduo no capitalismo material, na fome e nas disputas de territórios mau divididos nos períodos de invasões? O POVO DEVERIA ANULAR SEU VOTO DIA 23 para não ser forçado a decidir algo delicado e nobre para a vida humana. Somos capazes de quase tudo, até mesmo de decidir questões de ordem superior, vida e morte. Mas o povo já perde escolhendo o SIM e o NÃO. Eu preferia votar na CPI dos correios e do mensalão, cassar os políticos corruptos e tirar seus benefícios públicos do que decidir sobre o comércio de armas no país. Preferia usar o orçamento do referendo para aumentar o número de leitos e médicos no SUS, dar aumento salarial para os mesmos ou criar um fundo com os benefícios de parlamentares cassados para fins de pesquisa universitária. Qualquer coisa seria melhor do que votar sobre o comércio de armas.
Na minha opinião a incompetência legislativa e executiva não tem como prioridade solucionar o problema de armas no país com o referendo e sim enganar os olhos dos brasileiros com mais uma questão tradicionalista e atrasada. O que os olhos não vêm o coração sente. Eu não me engano com isso que está acontecendo. Eu fico feliz pela mobilização dos votos, mas haverá venda de armas pro exterior igualmente, as armas de lá virão pra cá, de um jeito ou de outro, e o que gera a verdadeira violência no país gerará outro tipo de violência no futuro. O homem, para fugir da agressão e da violência, precisa afastar-se de outros sentimentos primeiro. Precisa cumprir seu papel de criador diariamente e estabelecer prioridades para o corpo, a mente e espírito com equilíbrio. A violência cessará nele imediatamente. A pior arma é a vontade, depois é o tiro ou a facada, depois é a morte. Se ligue. Obrigado.

domingo, outubro 09, 2005

A esfera, o globo ocular - o ouvido, a personalidade

Tem uns meses já que eu me propus a escrever tudo aquilo que me vem à cabeça. E se engana quem pensa que eu só escrevo para a internet. Já tenho o hábito de guardar algumas memórias ou escrever ensaios e críticas pela internet desde o colegial. Eu, meus irmãos e o Jorge, um amigo de Brasília, criamos em 1993 junto com um grupo de alunos do Leonardo da Vinci, escola de renome na capital, o movimento Babaísta para fins literários, musicais, esculturais e de análise do cotidiano. Muitos anos depois, já na faculdade de história, foi que eu vi que a "história do cotidiano" estava abrindo suas janelas para a vida acadêmica depois de tantos anos de fatos, fatos e datas, datas.
O movimento babaísta tinha muitas cabeças pois partia do princípio moderno de que alguns temas eram especiais, vinham de nossa própria experiência e do surrealismo do imaginário que existia em cada pessoa que curtia rock inteligente, música clássica, quadrinhos europeus, Rush, fotografia, tatuagens, o sol, os eclipses lunares e a própria juventude. Um dos caras mais atuantes se chamava Alexandre, mais conhecido como Tampinha.
O Tampinha tinha a qualidade rara de juntar as pessoas certas no seu corcel II e distribuia rebeldia verbal e solavancos sexuais junto com suas camisetas cortadas e seu conhecimento da alma humana. O Tampinha sabia dizer coisas antes delas serem pensadas por professores. As vezes ultrapassava o limite do silêncio entre o som do giz da professora com seu grito seminal. O grito seminal convocava a todos para mais uma reunião babaísta nos intervalos ou no final da aula.
As reuniões babaístas era bastante rápidas. A meta era que cada integrante escrevesse o máximo de absurdos estéticos possíveis em forma de prosa ou poesia. Podia ser um desenho também. Os trabalhos seriam reunidos e colocados nos murais da escola para que todos tivessem acesso aos trabalhos. Geralmente o tema era criticar algo extremamente comum ou rotineiro e fazer do tema uma espécie de fuga do normal para os detalhes extravagantes das curvas. Da escatologia aos sapos, do amor perdido aos discursos veementes sobre a inexistência da girafa, matando uma aula ou outra por causa de um fenômeno natural, tudo girava em torno da compreenssão do que éramos como jovens alunos e filhos e do que poderíamos dividir entre os colegas, nossa alma.
Kanéforas, o homem que veio dos canos, filósofo babaísta que inspirava nossas ambições deve ter sido um dos primeiros a ter seus relatos publicados na internet. Eu mesmo fiz a primeira e única página babaísta na internet em 1996 com poesias minhas, do Breno e do Jorge contendo citações filosóficas sobre cinema, filosofia e música babaístas. Os babaístas, depois do colegial, se tornaram "as veias de seus próprios canos" e cada um foi estudar ou trabalhar em alguma parte do Brasil. Até que se perdeu o babaísmo em mim e eu me esqueci de como eu era...
...o exercício das palavras é pior do que a musculação. Pesos materiais, à medida em que você vai adaptando as técnicas de suporte de peso e massa muscular às suas, são medidas exatas amparadas pela gravidade. Nas palavras o peso é subliminar, depende exatamente do conhecimento da palavra, do seu sentido figurado e real, do seu estado de espírito com relação ao tempo presente e de repertório. As vezes meia palavra pode servir. As vezes nem meia palavra basta. Os pesos sempre terão utilidade enquanto existir papel.
De tanto escrever nesses meses acabei colecionando algumas palavras distantes que me fascinam até o osso, busquei detalhar os sentimentos que estão no ar implorando para serem revelados. Uma palavra desperta e agradece quando utilizada. O homem já não tem este talento. O homem curte o lance do ego. Ego é uma palavra. Apenas uma palavra a mais em nosso dicionário.

sexta-feira, setembro 30, 2005

O crime é a cidade - análise do paradigma social ocidental

Estou em frangalhos pois a distância de casa me torna uma pessoa incapaz de fazer aquilo que gosta. Eu gosto de espremer laranjas e fazer arroz com ervas; fazer café bem cedinho e deixar a louça limpa antes de tocar violão. Antes de dominar as palavras e escrevê-las, eu curto deixar a harmonia e as ressonâncias tomarem conta dos meus dedos e talvez seja nesta hora que eu pense nas soluções dos meus problemas. Estou com saudades de casa sempre!
Por isso minha mulher me deu um excelente livro para ler nesta viagem. A teoria das revoluções científicas, de Thomas Kuhn. O que me levou ao questionamento social mais próximo de um paradigma moderno que eu pude conceber. Seja ele verdadeiro ou não, exato não haveria de ser pois estou escrevendo de cabeça e sem muito discernimento do que há de vir, antecipo algumas coisas que me ocorre há anos, que me dá medo de antecipar uma condição inevitável de incerteza, o COMUNISMO CAPITALISMO CHINÊS.
Antes de estar onde estou eu tive a oportunidade de ler um texto do Osho sobre a impossibilidade de existência do que sugiro, dois sistemas fundamentalmente opostos, e que o comunismo era um vilão menos perigoso do que o capitalismo. O Osho não teve a oportunidade de ver a queda do muro de Berlin ou o advento da pirataria, este a ponta de lança do novo império mundial e virtual criador do novo sistema de controle do comércio global.
A pirataria é chinesa. Foi a forma como um país de economia planificada e sociedade baseada no equilíbrio estatal debruçou-se nas brechas da ganância capitalista, ou seja, na desigualdade social dos países pobres e em desenvolvimento para suprí-los com a alta tecnologia de cópia mandarim. A pirataria é também a melhor forma de testar uma tecnologia comprovada com baixíssimos custos em pequisas e pessoal especializado. Mão de obra na China serve para erguer suntuosos edifícios, construir estradas gigantescas ou pontes e simplesmente não estar nem aí pra tudo isso que é o capitalismo. Pois foram os países capitalistas, eles mesmos, que procuraram Deng Xiaoping nos anos 80 para produzir muito, mais muito mesmo na China pelo custo benefício da exploração da mão-de-obra chinesa. Talvez hoje um chinês possa usufruir com mais desejo alguns benefícios da vida ocidental mas não existe brasileiro ou argentino ou senegalês que não dependa dos produtos baratos fabricados na China. De tudo, um tudo. Pirataria virou sinônimo de "novo valor de mercado". O direito à exclusividade está com seus dias contados?
Uma nação de população global com um mercado alto suficiente precisa apenas de comida e de combustível fóssil na medida em que desenvolve esponecialmente seu comércio com capital gerado pela exploração de seu regime, com a apropriação de produtos sem licença e patente, com a adaptação das regras de comércio entre os países do mundo e por sua importância na criação de mercados piratas pelo mundo, cada um abastecido com os mais diversos produtos destinados a sustentar a circulação de dinheiro entre a população menos favorecida e de baixa renda e que atinge em cheio os olhos e os bolsos da classe média, danificada pelo consumismo e pea manutenção de juros sobre tudo na vida do cidadão em si.
Mas o que define o paradigma não é a ascensão da China como virtual potência global e sim o que transfere para a sociedade o medo do fim das cidades.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Radical - um processo químico que nos torna obsessivo ou livre.

Lembro muito bem dos tempos de escola. Os radicais livres das aulas de química e os alunos dando aquela sacaneada: "eu sou um radical livre. e eu sou um radical doido."
Na época o jogo de palavras era muito interessante. Cada nome, cada partícula, cada expressão inventada tinha sentido volátil. Outras idéias, de tão boas, permanecem até hoje. Os apelidos e a lembrança do dia em que duas turmas completas do segundo ano do ensino médio mataram aula no parque para ver o eclipse solar, uma raridade que motivou amigos e inimigos a se juntarem em prol de uma verdade momentânea. Uma verdade.
Estava ao telefone conversando com o Quim e, de repente, soltei que eu achava uma música muito boa, porém a letra ruim. Fui chamado de radical. Pensei, concordei com o Quim. Por que do meu radicalismo com tal música? Hoje tenho a resposta. A música é como o radical livre. Ela se associa. Ela surge do acaso microscópico, das vibrações que se misturam no ar, da humidade. A música é uma tentativa pessoal de expressão e pode ser boa ou não, diferente, ousada e intimista. Fazer uma música pelo sucesso pode ser parte da viagem e geralmente é essa que toca o subconsciente popular nos aspectos ruins dos radicais livres. Em uma banda uma música tem que tocar a alma de quem não a compôs. Tem que gerar aquela pulga xexelenta atrás da orelha que instiga "putz, esta música também é minha" e brilhar na escuridão de nossa mediocridade. OLha, eu amo tantas músicas que a lista seria infinita. Músicas radicais, em todos os sentidos. Lembrei de Frank Zappa e talvez o Quim ainda não tenha ouvido este tipo de radicalismo ou mesmo um disco do cara, talvez só o seu nome.
Um radical também sofre pois geralmente se sente confundido ou mal interpretado pela sorte das pessoas que orbitam sua vida. Sua opinião é tida como pouco espiritual, impensada e a estrutura da loucura medida pela intensidade com que defende suas idéias, atroz. Até o tom de sua voz interfere na digestão de um pensamento racional. Mas a busca pelo equilíbrio não é uma faceta do homem. É parte do mecanismo natural que dimensiona quanta loucura pode existir no meio de tanta caretice entre os seres vivos. Gorilas, abelhas, grilos, gatos, amebas, um rotovírus e você.
Nutro muita simpatia pelas idéias que rompem com a normalidade do cotidiano. Dizer CU ou foda-se quando dá vontade. Ou não dizer nada no meio de um temporal, ficar sem dizer nada para a pessoa amada (quem mais entenderia o silêncio?), tocar as cordas do violão as duas horas da manhã. Fumar charutos todos os dias sem ser incomodado e apreciar o sucesso alheio. Só não entendo emails pois considero tudo o que há neles supérfluo e inócuo até porque quem passa muito tempo lendo e escrevendo emails acaba se deparando com as aberrações da língua portuguesa escrita verborragicamente, as distorções do uso comum da palavra.
Um radical obssessivo já pode ser problemático. Ele não respeita as diferenças e tende a agredir seu ambiente com facetas naturais da humanidade. Faz coisas para mudar a atenção do senso comum, conflita o sim e o não através da divergência crônica dos laços pessoais e ganha, geralmente ganha, pela exaustão de seus gritos. Não conheci Buda, mas acho que quando criança todo mundo é meio assim. Ter uma obssessão na vida faz parte do pacote sistêmico do capitalismo, do individualismo e do materialismo. Tantos "ismos" amparam os reflexos da mente radical do descrente que propiciam terreno fértil para os manipuladores de opiniões e geram força quase nuclear para interromper o bem e fazer prevalecer a dissimulação do bem e do mal.
O verdadeiro radical está além de tudo isso.

terça-feira, setembro 13, 2005

Reflexão - demorou mas saiu

Em um Domingo a não muito tempo atrás estava eu assitindo ao quadro SE VIRA NOS 30, que na verdade é um scatch moderno do Gugu Liberato, empenhado em premiar com dinheiro artistas anônimos, os palhaços da casa, os desajustados da juventude que, enfim, se tornam úteis por 30 segundos. Eu ia assistir ao jogo das 16:00h e resolvi já ir esquentando o sofá antes do apito inicial quando me deparei com a seguinte cena. O Fausto Silva chama um rapaz que iria fazer uma caveira dançar. Estava o candidato disposto a fazer seu número, se concentrando, o cicerone do programa mantinha o público entretido exaltando a feiura do rapaz. Quando ia começar seu truque, da dança da caveira, nada deu certo pro rapaz. Para mim ficou evidente que o Fausto Silva tinha excedido nas piadas com o rosto do rapaz e ele não teve pulso firme para fazer seu número. Não obstante a falha, o apresentador ainda deu mais uma sacaneada no rapaz, em sua feiura pra ser mais exato, e pediu para que ele repetisse o número. No meio do sucesso do truque, e eu acho que a música ao fundo era do Michael Jackson, o rapaz foi cortado de sua ação e fim. Fiquei meio passado com o desrespeito imediato que assisti. Afinal o garoto tinha ido lá para mostrar uma habilidade e não para servir de motivo de piada para o programa. Fiquei meio triste com o que vi.
Uma vez a uns 2 anos atrás voltando de Florianópolis tive o prazer de conhecer um senhor e sua filha, ambos fãs de Maskavo, que iam apresentar-se no SE VIRA NOS 30. O truque do senhor era perigosíssimo pois envolvia passar corrente elétrica pelo corpo enquanto ele ia ligando lâmpadas, aparelhos eletro-eletrônicos e fogos de artifício. Uma batedeira dava o toque final ao truque. A tecnologia empregada para a transmissão de energia era das mais mambembes, os conectores de energia da bateria para o senhor eram forrados com papel laminado para favorecer a corrente. E ele ainda comentou que existia ali um perigo de morte caso um curto-cicuito ocorresse. Para mim, ao ouvir aquilo no avião soou muito perigoso, mas pela t.v. eu percebi o tamanho da ousadia daquele simples homem. O homem mais simples que eu já conheci. Era a primeira vez que ele andava de avião e ia para o Rio de Janeiro. Não lembro qual o valor do prêmio que ele estava pleiteando mas eu lembro que ele ia gastar com a filha dele ralizando um sonho dela e da famíiia. Quando ele ganhou, eu fiquei feliz.
Mas o programa em destaque não transmite inteligência nem coragem. Apenas o desespero das pessoas em serem descobertas e ficarem famosas em seu círculo de amizade ou pelo dinheiro. E dinheiro não é um bom motivo e nem uma boa motivação carnal. Existem coisas piores na televisão aberta, eu sei, mas pra mim a degradação da imagem do jovem rapaz que ia fazer a caveira dançar foi crucial para esta reflexão. O que é preciso fazer para nos contentarmos com a vida? Viver a vida no sistema impregnado e potente buscando sorte e fortuna ou saúde e vivacidade? Obrigado!

domingo, setembro 11, 2005

Existe ordem na desordem - trucidando

SInto muito por não estar em minha própria casa. Nada tem compensado a distância de casa. E flagrado por não sorrir me peguei ainda tentando fechar os olhos e vendo meu futuro ardente tão atrelado ao vai-e-vêm das viagens de ônibus em uma espiral de solidão, silêncio e pura paciência que chorar quieto ouvindo Velvet Underground infinito no fone de ouvido era a solução. Apenas uma lágrima me separa da paternidade do átomo e do leite materno e mesmo com tanta coisa para pensar e resolver, o trabalho cada dia mais opressor e a nebulosidade do mercado cdmatográfico talvez não tenha me feito entender. Pura dor no meu coração. Quando eu ouço uma asneira eu me sinto pior ainda. Fui contemplado com a imagem de um tristonho cachorro ao sair do aeroporto. Um daqueles cachorros feios e abandonados, despelados e sarnentos das ruas. Está tudo errado na cabeça daquele animal como uma febre veraneira ou ressaca das brabas enquanto justiça, justiça, nada de justiça para os desmemorizados pelo excesso de uso do celular nos aeroportos, clones urbanos. Números. Hoje eu me senti um número.

sexta-feira, agosto 26, 2005

O alimento da mente e do espírito = VIDA

Claude Leví-Strauss é um grande conselheiro meu. Na época da faculdade costumávamos pensar em nossos nomes artísticos, eu e os eus, e meu nome talvez fosse de um acadêmico auto-explicativo quase imperceptível aos laicos. Mas Leví-Strauss era um excelente nome. E Paul Little? Scott Randall Paine foi quase um ídolo anônimo para mim. Onde estará Paine? Leví-Strauss anda muito ocupado comigo. Nós temos muito em comum com relação ao conceito de raça. Muito me interessa o assunto e hoje em dia, tão em debate e moda estão as raças, é necessária a reflexão sobre o que é ser brasileiro e mais, brasileiro é raça?
Somos os brasileiros descendentes de uma porção grande de mestiços. Dos índios aqui nascidos aos europeus portugueses, africanos aqui exilados e traficados e colônias de embranquecimento italianas tudo nos leva a ser brasileiro. Muito me espanta o comentário do Ronaldinho onde ele afirma ser branco. Quem e o que é ser branco? O branco na quantidade de Gobineau, assim como o amarelo e o negro, nada tem de diferente entre si. Mas sua qualidade misturada seria uma degenerescência racial e um empobrecimento. Ser brasileiro já é, por herança cultural, uma mestiçagem bacana e talvez a melhor forma de prosseguirmos na escala do desenvolvimento humano pois raças acabam e culturas, idem.
Se ser brasileiro não é ser uma raça e a cultura brasileira está em franco deslizamento com a massificação cultural norte-americana e japonesa a melhor forma de surfar as ondas da modernidade é reconstituir a inteligência perdida nos anos de ditadura militar e vanguardismo social dos anos 30, 40 e 50. Na forma de pensamento, por favor, pois corrupção, perseguições políticas, movimentos armados e guerras não combinam com meu modo de ser. Quando eu morei em São Paulo vivia perto de uma rua chamada Tavares Bastos mas nunca me atentei ao seu nome ou a sua pessoa. Tavares Bastos era uma rua apenas. Hoje eu sei que ele foi um articulador das idéias renovadoras da república. "Conservador, liberal, monarquista e democrata, católico e protestante, eu tenho por base de todas as minhas convicções a CONTRADIÇÃO; não a contradição mais palavrosa do que inteligível das antinomias de Proudhon, porém a contradição entre duas idéias que na aparência se repelem mas na realidade se completam, a contradição, finalmente, que se resolve na harmonia dos contrastes. Eu declaro francamente que não sacrifico à lógica das teorias extremas. Guio-me pelos fatos, combino os opostos, encadeio as analogias e construo a doutrina. Não tenho um sistema preconcebido. Não idolatro o prejuízo. Aceito o sistema que os acontecimentos me impõem." BASTOS, A.C. Tavares. Cartas Solitárias, 1931. Ele foi meu vizinho durante 5 anos e só agora tomei conhecimento de sua pessoa. Do Leví, eu sou amigo há anos. Obrigado.

terça-feira, agosto 16, 2005

Política e capitalismo = Uma mão lava a outra

Estou aprendendo muito sobre república desde que minha mulher começou a estudar ciências sociais. As linhas gerais do que hoje é uma realidade, o capitalismo, a industrialização, a exclusão social e muitos outros problemas foram detalhados por intelectuais e filósofos da era moderna, dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX. Muitos séculos de exploração da humanidade e de descobertas incríveis para a nossa imaginação campesina. Fomos a Lua e de acordo com meu mecânico isso foi a coisa mais incrível do mundo. Foi em 1969 que o homem pisou a Lua.
A república tem um papel importante em nossas vidas pois estabele a relação de proteção e sobrevivência que buscamos desde que saímos todos da caverna. A república é o fogo do ocidental, eu diria. Aristóteles pensava que se conseguíssemos solucionar o problema da morte, da morte por dívidas ou por guerras, se criaria o ambiente centralizado que nos abrigaria. O centro do poder republicano então seria composto por famílias, os partidos que tomariam as decisões sobre nossas vidas, sobre os impostos, os gastos, a divisão dos direitos e do patrimônio público, da humanidade ocidental. Quando eu li Aristóteles eu tive a viagem de imaginar uma república com, no máximo, sete partidos. Não sei porque, mas discorrerei sobre isso outra hora.
No Brasil tem-se quantos partidos? Quantas famílias cuidando dos interesses da república? Quais famílias? A juíza deputada federal Denise Frossard e eu concordamos: ser político não é profissão válida, não é cargo nem carreira. Todo ser é político e pronto. Aristóteles dizia o mesmo. Se você não quer morrer pelas garras de um leão ou de um nõmade selvagem das histórias antigas, se não quer cair morto em solo inimigo ou quer acreditar que está salvo, então você quer a república e por isso DEVE sempre ser político.
Eu aprendi que infelizmente o capitalismo ou a visão política alienativa atual sobrevivem graças ao distanciamento da juventude do SER POLÍTICO. Quando eu tinha dezesseis anos todo mundo dizia "eu odeio política. Política é uma merda, é que nem futebol, não se discute." Cara, eram as coisas mais idiotas que eu ouvia todos os dias da boca da minha geração de jovens que preferiam a cachaça, o sexo livre e os alucinógenos às responsabilidades da cidadania. O que é ser cidadão? Bom, desde o dia em que eu nasci eu não vejo outra coisa senão a busca por encontrar um caminho entre o modo de vida capitalista e o bem estar da minha alma. Eu vejo todos os dias a luz no fim do túnel e quando é fim do dia, 18:36h no relógio eu vejo a luz e agradeço. Sou politizado. Não sou como a maioria. O que é a maioria?
Eu sou músico e descobri através da vida que cultura e música, arte e artistas não mudam o mundo. David Crosby disse o mesmo. Peter Townsend idem. John Lennon e BOb Dylan juntos ao mesmo tempo. O que muda o mundo é a política e uma guerra política. Territórios, terroristas, petróleo, vietnamitas, índios pele vermelha ou guaranis, xingus, ornitorrincos, músicos e atores não podem fazer nada além de viver. Viver como cidadãos politizados e fazendo bem aquilo que podem ou gostam. Onde é que você gostaria de estar no mundo da república? Eu estou ao lado de Cristo e de Gandhi. Em pensamento e vibração. Obrigado.

terça-feira, julho 19, 2005

O que é terrorismo? Onde ele começou?

Meu interesse por história é muito antigo. E tudo na história, desde os grandes fatos que marcaram o mundo, desde as mudanças mais profundas na humanidade e no nosso ambiente até aquelas coisas do cotidiano que fazem as engrenagens da história girar é importante. As pequeninas coisas, as pessoas anônimas e os fenômenos naturais influenciam os fatores externos de uma era, de um século, etc.
A primeira vez que eu ouvi falar sobre terrorismo foi sem querer. Estudei um pouco sobre a França e como um país imperialista invadiu e "colonizou" terras no norte da África, América, Ásia... um desses países chama-se Argélia. A fama dos franceses como colonizadores é terrível, assim como a dos alemães, belgas e espanhóis, como os romanos. Mas os franceses estão no topo dos horrores colonialistas. Todas as suas propriedades invadidas hoje são países mais miseráveis que o Brasil, por exemplo, mais corruptos, em guerra civil constante e pagam por isso com uma maciça imigração de marroquinos, surinameses, argelinos.
Pois bem. Dizem que na Argélia as pessoas já estavam cansadas da presença perfumada dos franceses, da violência total gerada por sua invasão e resolveram agir contra a vergonha de serem considerados piores, inferiores do que eles. Sem uma força política legítima, sem um exército organizado pela opressão, a população tomou uma atitude. Nos lugares onde os soldados imperialistas comiam começaram a sofrer ataques goela abaixo literalmente: os argelinos serviam bolinhos com gilete dentro para os franceses. Os gulosos comiam orgulhosos e morriam de hemorragia interna com cortes profundos no sistema digestivo. Foi a primeira vez que eu ouvi falar sobre um ato terrorista.
Outro fato são os Hashishins, grupo de mercenários liderados por Hasan Ibn al-Sabbah,
um persa de imensa cultura profundamente interessado em poesia e nos avanços da ciência na época dele. Com a queda da dinastia Xiita, os Buwayhids na Pérsia, e com a ascenção dos seljúcidas, autoridades ortodoxas sunitas ao longo da região, Hasan estabeleceu uma organização politico-religiosa secreta para reformar o califado Xiita e se vingar dos Sunitas. Eram conhecidos por sua lealdade mortal ao seu mestre podendo cometer atos de violência gratuita, cometer suicídio para poderem lograr os benefícios de um paraíso criado por Hasan para si e para seus discípulos. Os prazeres do palácio, aparentemente, eram tão importantes quanto a vida daqueles que serviam aos desígnios de Hasan. Foram também conhecidos por assassinos, etmologicamente falando, que significa haxixe, a iguaria que trazia a felicidade e o conforto dos seguidores dos hashishins. Famosos terroristas em sua época.
Isto é história. O que está abaixo é um ato terrorista. Verdadeiro ou não, é terrorismo.

ASSISTAM "UM FILME FALADO", DE MANOEL DE OLIVEIRA. Eu já assisti e sofri muito com ele.

Segue abaixo algo absurdo e inacreditável!
A POLÍCIA PEDE PARA REPASSAR PARA O MÁXIMO DE PESSOAS!!!! Até onde vai a maldade do ser humano? O ÚLTIMO CASO OCORREU COM UM GAROTO DE 15 ANOS, NO RIO DE JANEIRO! Ele estava voltando para casa, quando ouviu um bebê chorando dentro de uma construção. Ao entrar e se aproximar da criança, ele recebeu uma tijolada na cabeça e desmaiou.
Algumas horas depois ele se encontrava vendado no porta-malas de um carro em movimento. Depois, num galpão, ainda vendado, foi posto um pano contendo uma substância química, em seu nariz e boca, para que ele desmaiasse. Os seqüestradores
ligaram para a família do garoto pedindo uma certa quantia para o resgate. Como a quantia foi paga, os seqüestradores jogaram o menino amarrado, em plena madrugada, em frente casa da família ( tudo indica que eles já perseguiam o garoto há tempos ). A família encontrou uma estranha cicatriz na barriga do menino e o levou para o hospital, para que os médicos lhe examinassem. A surpresa foi que lá dentro (da barriga do garoto) foi encontrado um bilhete plastificado com a seguinte frase:
O dinheiro pode salvar a vida de seu filho, mas não pode poupá-lo da morte...´
Depois de alguns exames, descobriram que o garoto estava Infectado com várias doenças, como: Tuberculose, Mal de Chagas e até HIV positivo!
O garoto se lembra de ter levado picadas no corpo que seriam, supostamente, seringas contendo tais doenças!
12 CASOS SÓ NO ESTADO DE SÃO PAULO.
A POLÍCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO JÁ ESTÁ AVISANDO A POPULAÇÃO:
NÃO PASSE EM FRENTE CONSTRUÇÕES OU CAÇAMBAS DE LIXO.
A MAIORIA DOS RELATOS CONTAM QUE TAL FATO ACONTECE NO PERÍODO NOTURNO, PRINCIPALMENTE COM CRIANÇAS OU ADOLESCENTES DE 13 A 20 ANOS. CASOS COMO ESTE ESTÃO OCORRENDO PELO BRASIL INTEIRO, PRINCIPALMENTE EM BAIRROS NOBRES. A POLÍCIA PEDE A TODOS PARA FICAREM ATENTOS, PRINCIPALMENTE EM RUAS ESCURAS.
CASOS COMO ESTE OCORREM TODA SEMANA, ACREDITAM QUE O TAL BEBÊ CHORÃO POSSA SER FILHO DOS SEQÜESTRADORES OU ATÉ MESMO NÃO EXISTAM, SENDO APENAS VOZES DELES. EXISTEM CASOS QUE VARIAM COM MULHERES CHORANDO.
ISSO NÃO É BRINCADEIRA. - O AVISO É SÉRIO E DEVEMOS FICAR ALERTAS NAS RUAS A POLÍCIA ALERTA: PASSE ESTA MENSAGEM ADIANTE PARA TODOS COM QUEM VOCÊ SE IMPORTA. QUANTO MAIS SE ESPALHAR, MAIS CHANCE TEMOS DE VENCER CONTRA ESTAS TERRÍVEIS
PESSOAS.

Luiz Fernando Arantes Paulo OAB/SP 205.147

Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco.

domingo, julho 10, 2005

Um telescópio apontado para o meu coração - Extemporânea n# 1

Já tive muito tempo para questionar a sanidade das coisas que penso sobre política, sobre o papel da humanidade, tecnologia e modernidade, pós-modernidade, artes plásticas. Sei quais são minhas preferências e tenho tido grande prazer estudando novamente os conceitos do que revolucionou o modo de pensar científico do século retrasado. O que são ideologias deixou de ser uma preocupação pois estou entretido na observação do que está acontecendo conosco. Sim! Conosco pois a cada dia que passa eu me sinto mais e mais compromissado com o todo do que comigo de um jeito especial. Nas fases boas da vida, onde tudo conspira a nosso favor, realmente vemos a maldade nas coisas e a podridão dos nossos anos de escravidão intelectual moldados em nosso sorriso. Apenas o amor toca de verdade o ser humano, isto eu aprendi na carne.
O que penso é simples. Eu vejo uma espiral de fatos todos rolando sobre nós e cada um destes fatos representa uma idéia do que está acontecendo, acontecerá e as conseqüências do que já foi ao mesmo tempo em que esqueço minha origem e tento refletir a humanidade. Uma meditação instantânea e pronto. Assim, vinte e quatro horas por dia, desde o dia em que eu nasci e constantemente. O sono representa uma fração do que é a experiência do saber.
Por exemplo. O referendo sobre desarmamento foi votado e estabelecido que o voto popular irá decidir se armas serão ou não vendidas no Brasil. Fato: mais de trezentos mil armas foram recolhidas pela campanha de desarmamento do governo. Efeito: a classe média não tem interesse em mudar o que está presenciando. O povo está efetivamente desarmado e qualquer situação de revolução civil seria facilmente controlada pelas forças do governo. O voto seria a democratização do sentimento mais do que especial sobre a preservação da vida em todos os sentidos. Então por que votar?
A verdadeira vitória seria vivenciar um desinteresse geral na agressão do cidadão através do que se tornou uma guerra urbana. Parar de pensar em contas e contas, em C.P.I.s, em política opressiva, na escolaridade dos presidiários e empreender o tempo útil, converter tudo o que há de mais sagrado em horas de ócio criativo. Incluir a todos na mesma idéia. Até hoje me espanta a idéia de que, sob qualquer justificativa, alguém possa me dizer que há alguma boa coisa nas idéias do segundo anti-cristo de Nostradamus, Hitler, safado. Pois bem, até hoje discutimos muito coisas antiquadas, passadas mesmo a tempos demais. Minha perplexidade se estende aos anos 20 e 30 do século XX, um período onde o Brasil flutuava nas mesmas ondas, nas mesmas vibrações, em sua corrente única no fluxo da modernidade. Alguém em nossa terra esqueceu de acabar de vez com os resquícios do império, da colonização e modernizar o pensamento fomentando ruptura com tudo o que nos afasta de ser humano no sentido mais profundo do que era ser brasileiro no mundo moderno. Estou sempre atento à televisão. Panis et circensis!
Para que ter acesso a tecnologia se apenas nos atentamos ao que há de mais fútil nela? Pois é isso que está em minha espiral. Eu trabalho com tecnologia e me interesso por tecnologia em tempo real. Tudo o que engloba comunicação em tempo real, streaming, downloads me interessa. Interessa também o que existe no pensamento de Foucault, Niestzche, na tecnologia da mente do Dalai Lama, o som universal e o silêncio absoluto, eletro-acústica, baixo elétrico, freqüências sonoras e tecnologia de gravação e registro de sons.
Política me interessa. E muito. Aristóteles sabia que na nossa era todo mundo seria tão político que repudiaria esta faceta de si em troca da abstinência, do comodismo e das proteções filosóficas da república. A república do Brasil é estranha, pelo que eu tenho estudado. No fundo eu aprendi que em todo governo republicano é impossível conter as humanidades no poder legislativo pois ele se alimenta do calcanhar de Aquiles do homem:querer mais do que precisa! O poder judiciário é que não pode ter falhas de caráter. Tem que defender as nossas falhas pessoais de maneira imparcial nos sentidos mais profundos. Um jovem advogado de Marília me disse que nosso sistema judiciário bebe em fontes demais, de todas elas bebe apenas o paleativo remédio que nos aproxima da Itália, EUA, Inglaterra, Portugal, Grécia. Mas e nossas raízes? são apenas estas nossas referências? Temos que exigir um sistema próprio para nossos problemas e vivê-lo calado, pagando em impostos as diferenças entre bolsas de valores, preço do aluguel e das parcelas do cartão de crédito? Pois bem, não entendo isso como ser adulto nem político. Entendo por isso escravidão forçada.

quinta-feira, junho 30, 2005

Tripudiando sobre os cadáveres - Ensaio veemente sobre justiça e moral.

Me preocupa muito a forma como o povo brasileiro tem aceitado sem manifestações as denúncias de corrupção, desvios de verbas públicas e a safadeza presentes no governo federal. Me preocupa pois o povo não sabe diferenciar justiça de moral e eu, com 28 anos, enfim posso compreender melhor porque está difícil ser músico no meu país.
As leis são criadas para não serem transgredidas, enfim, são limites do livre arbítrio e da moral. A justiça é a legitimação dos indivíduos. A moral humana é o que livra o homem do pecado de matar pois a fome e as desigualdades humanas validam qualquer atitude do nosso básico instinto. A sociedade é a forma que construímos para não nos comermos a todos. A moral foi devidamente trocada pela vontade coletiva, ou seja, pela proteção contra a morte, pela segurança civil e pelos direitos públicos respeitados pelo regime governamental. E no Brasil somos uma república democrática manca, de fragmentos europeus, norte-americanos e da antiguidade grega. A justiça é um fragmento de tudo o que deveria ser mais sólido e prático no país. Não é! A federação e a população estão aos pedaços.
Fiquei feliz com o tratoraço em Brasília. Enfim, quem mora lá parece não estar nem aí pro Roriz ou pras manifestações verdadeiras. Para quem não sabe, em 1998 eu decidi ir embora de minha cidade por causa do governador eleito Roriz e hoje moro em Marília, SP. Aqui rolam politicagens econômicas e roubo igualmente, mas o custo de vida mais justo e a facilidade de alienação são menores do que na capital do país.
Outra coisa injusta pra caramba é a CPMF, dinheiro separado na fonte dos contribuintes para resolver problemas da saúde pública que não está em uso. Daqui a pouco vem um espertalhão e desvia tudo para o exterior e nunca mais veremos estes tributos.
Outra pouca vergonha é o IPVA. Imposto sobre veículos, com seguro obrigatório e tudo o menos para cuidar das estradas e rodovias federais. Você paga ainda um pedágio, uma invenção neo-liberal, ou pedágios em rodovias estaduais para ter o direito de trafegar decentemente. Então para que serve o IPVA?
Privatizações? Maior vergonha pela qual já passamos. Ali retrocedemos uns 40 anos em questão de política pública. O povo foi deixado de lado mais uma vez.
Hoje pagamos por muitos serviços. Mas o que me preocupa mesmo é a justiça. Serão os condenáveis presos e obrigados a devolver o dinheiro público? Serão eles moralizados pelo esquecimento popular? Bom, é direito de quem está com fome ir atrás de alguns deles e comê-los, seria uma arte moderna antropofágica pois os imorais não cometem suicídio no Brasil.

sábado, junho 18, 2005

Tanta distancia; tanta verdade para ser dita - O antigo espirito do Bem

O distanciamento deste espaco me colocou em um computador sem acentos e muito ruim. Tomei como desafio a tarefa de escrever qualquer coisa hoje pelo fato de nutrir uma revolta pelo que esta acontecendo no Brasil e pelo que tenho lido. Nao sei mensurar a raiva que sinto de Dirceus, Jeffersons, Cavalcantis. Nao sei se as familias deles se envergonham deles assim como deveriam e nao tenho nada contra quem possui os mesmo sobrenomes destes malandros, pos-modernamente, sem nepotismos e favoritismos. Afinal, figura publica ao pe da letra tem que sofrer ao passar o povo para tras. Lamentavel, mas como diria meu pai "a ignorancia do Lula foi o veu da ignorancia." Estamos ai assistindo, acompanhando o caso de longe tal como sempre. Intocada, pessimista como a classe media eh, pagando os juros de uma sociedade atrasada, dependente de tudo e de todas as forcas segue o caminho predestinado pelos franceses e ingleses no seculo XVIII, sem armas para combater a heranca da arcaica Europa, sem forcas para levantar da cama diferente, revolucionaria e muda. Incrivelmente muda em se tratando de aceitar o que este ou todos os governos anteriores nos impuseram. Eu gostaria de dizer algo serio: nao ha possibilidade neste mundo de uma pessoa que queira viver e aproveitar os direitos civis ser apolitica ou alienada. A ancora do Brasil eh esta, infelizmente. E pobre dos filhos dos novos ricos, que sao o futuro do que os EUA previram, que os europeus previram ao pisarem aqui, indios e florestas por toda parte como eles o sao. Indio, negro e branco, a mistura benefica dos DNAs. O brasileiro nao tem o sentimento soberano "isto eh meu, ninguem tasca. Nem sobre o meu cadaver!" Nao tem porque criticar a Daslu. Ao inves de dividirmos o bolo e deixarmos todos expostos a ela, `a Daslu, a experiencia do bom e belo, e nao fugirmos da verdade que esta na cara de todo mundo: existe algo no mundo que eh nosso por direito!
Decisoes da rotina diaria sao tao politicas que cansam. Mas ate termos reforma agraria, direito a saude publica, 96% das pessoas alfabetizadas e com nivel fundamental de ensino, 43% de jovens nas universidades e todo o dinheiro e energia do mundo para gastar temos que ser politicos. Eu diria que sairiamos da pre-modernidade hoje.
Ouca Bob Dylan. Obrigado.

segunda-feira, maio 16, 2005

Para meu amigo Marceleza, Quim, Prata e a todos que interessar - Meu reggae é:?

Muitas vezes, milhões de vezes eu sou questionado se o que eu toco e faço é reggae ou não. A distância entre música e estilo de vida reggae é tão pequena, seu limite tão surreal que me dou conta de que reggae é ser e não saber. Por mais tênue que seja a linha entre reggae pop e roots é a atitude por trás do conteúdo das músicas e dos artistas que dá as cores do reggae no meio musical. As roupas do cotidiano, as conversas filosóficas sobre a origem do sentimento reggae, a luta pela sobrevivência dentro dos tentáculos comerciais e a poesia são as chaves para que o reggae cresça no Brasil e no mundo de hoje. O que eu percebo é um véu fino que distingue o sujo do mau lavado apenas. A origem do povo brasileiro é totalmente fiel a escravidão do pensamento e da alienação do indivíduo visto que ele já sabe que a vida é apenas trabalho e muito pouco lazer. A música reggae é um protesto em prol da vida. Viver de música, de fazer bijouterias, de vender camisetas, discos, dexavadores, piteiras de durepox falando de amor, da não-violência e das desgraças que somos obrigados a aceitar desta existência capitalista e selvagem. Eu diria que debater o reggae é uma necessidade pois o que é reggae senão fazer algo que rompe com os laços da pirataria cultural do Brasil? A sabedoria do povo é única, uma grande mãe que abraça a todos com a mesma força e carinho, nos afaga os cabelos até que no sono caíamos e nos traz bons sonhos, esperança de acordar com uma bela melodia e muito amor. Os debates são apenas rusgas, agouros. E a música é cada um no seu galho. Reggae é tudo o que leva ao bom pensamento e a boa ação. Até mesmo a disputa pode levar a uma situação reggae desde que os feridos sejam salvos e naturalmente curados até o final dos tempos, com a proteção de todos, eu e eu ou Eu-teção. Obrigado!

domingo, maio 15, 2005

O Inverso do Mantra - Reggae em profusão

É importante lembrar sempre que a luta de classes não foi superada pela humanidade.
E existe uma força favorável aos ventos do reggae no Brasil pois o estilo de vida filosófico dele vem semeando pessoas com dons extraordinariamente artísticos e genuínos dentre os perdidos e os vencidos. Vendidos não sei, quem lida com arte sofre este dilema. Viver o reggae é uma nova onda. A realidade do Brasil é clara com relação ao reggae: caminho marginal! Muitas bandas tem reagido a isso com coragem enfrentando a situação sem desesperos comerciais e norteando a tendência à discriminalização da música e do estilo reggae de ser. Chamo de estilo pois o reggae é composto de ritmo, harmonia, melodia, poesia e estas são características que um regueiro leva consigo 24 horas sem dor nem agonia.
Fiz um show ontem em Santo André que me deixou encucado. Não sei porque os limites da sociedade tem agido com tanta força nos eventos e no modo como são feitas as grandes festas de reggae mas é fato que não existe nenhuma discussão entre as bandas quanto a privilégios ou imposições que nos façam refletir de maneira favorável a todos que estejam trabalhando nesses eventos. Horários, tempo de show e atrasos fazem parte do meu dia-a-dia, quase não me afeta mais os nervos. Ontem foi diferente. O Maskavo tocou um show bem curto, 35 ou 40 minutos, depois da Tribo de Jah e daria seqüência a noite uma banda conhecida por Filosofia Reggae. Eu estava muito afim de conhecer este trabalho tão bem quisto aqui em São Paulo e comentado pelas cabeças do reggae da vida quando recebemos a notícia de que o show seria interrompido na segunda música por causa do horário de encerramento da casa. A decepção da banda ficou transparente nas lágrimas da vocalista. Senti uma sinceridade muito grande, uma sintonia fina entre a música, a cantora e sua banda e nós, o público. Veio aquele "se" na minha mente que dizia:"se eu soubesse da situação tinha tocado menos músicas". Enfim, a gente sabe de tão pouco com relação as coisas a nossa volta, fico a par das notícias, tento dar relevância ao pouco que tenho perto de mim, mas ali senti um reggae brotando geral e isso também me encantou. Não é para isso que somos nascidos? Para chorar um pouquinho?

domingo, maio 08, 2005

Roleta Russa

Tudo o que tenho lido sobre o Brasil e seu governo me impressiona. O povo sente que tem sido enganado. Eu me sinto enganado, de olhos bem abertos e penso que o legado brasileiro para nós é a certeza de que seguir e copiar os modelos políticos e comerciais, e os religiosos também, interferem diretamente na melhor forma de resolver nossos problemas. A bomba da economia explode em nossos colos, a presença da censura indireta e moral ainda ronda a liberdade de expressão artística e, se não existe a modernidade, proclamo aberto o período do Novo Conservadorismo.
O período moderno foi de ruptura e hoje nenhuma classe popular ou elitista rompe tradições. Não se choca mais com a violência e com a pobreza extrema das cidades e aceita a realidade que a indústria de massa impõe ao nossos olhos e ouvidos. As tendências humanas ao preconceito e separatismo estão voltando, fracas, espalhadas e escondidas e presentes nas mesmas minorias que defendiam o seu direito de existência. E o Brasil não deveria jogar com suas origens multiraciais e seu legado colonial defendendo as diferenças? Aceitando o Novo Conservadorismo como filosofia política e econômica atende a todos os pré-requisitos estabelecidos pelo status quo das potências ao que chamo de estagnação do pensamento burguês e alienação do indivíduo. Ambos conceitos atendem ao chamado da educação real. Nada de entender a Europa ou ao expansionismo norte-americano. Pra que entendê-los? Necessitamos de uma análise clínica de nossas origens e lá estará a chama da vitória de nosso povo. O Novo Conservadorismo nos atinge na escuridão de nossa passividade. Os mecanismos de cobrança popular, as greves gerais e as passeatas representam mais a desunião de classes do que seu propósito inicial de criar um ambiente de discussões sadio e criativo. Eu vejo assim: quem não tem, não gasta. Eu não gasto minha mufa faz tempo e isso é preocupante.

quinta-feira, abril 28, 2005

Nostradamus, o profeta da igreja e dos reis - Astrologia para a segunda divisão

Nostradamus escreveu em 1558 suas profecias baseado em pesquisas astronômicas, na bíblia e em fórmulas mágicas do cabal que até ele ousou queimar por medo. Legando ao filho suas palavras deixou também para Henrique II notações sobre como a indiferença se tornaria a marca registrada de nossos tempos, os fins que não justificariam os meios e a guerra estariam nos selecionando, crentes ou não, para o Juízo Final. Para todos os efeitos reis e nobres estariam controlando vidas e mais vidas e tudo estava escrito nas estrelas.
Olhei o céu de Goiânia, já tinha me deparado com o cansaço extremo, a correria natural de divulgação do disco novo, tudo bem, tudo zen, tudo mau. E no final tínhamos uma batata quente nas mãos e a felicidade de poder tocar para 10 mil pessoas, elas sim merecedoras de todo o suor do mundo, assim como poder encontrar os amigos do rock, agradecer ao Japinha pela nota em nosso release e me deparar com outra realidade: dinheiro não dá status. Portanto, sentindo calor e suando frio de cansaço me despedi das amarguras da vida e fui...

...antes de perceber, tínhamos visto o Latino em Campo Grande, admirado a recepção calorosa e seca do cerrado que me abastece a alma,que Me faz delirar. Pensei em virar um gigante andar por aí. Daí me lembrei de Nostradamus e parei. Os astros não estão a meu favor, pessoalmente. Estou na segunda divisão.

terça-feira, abril 12, 2005

A hora do tufão! - um tormento e um velho dormindo com seus pensamentos

Estava eu e Marceleza discutindo a canções sertanejas nordestinas, os autores e poetas e artistas que trazem para nossos dias as tradições de um tempo que não volta mais. Por que?
É difícil falar sobre isso, mas é veemente que é inegavelmente, insofismável e cabal que a escalada da vida nos aproxima de nós mesmos e nos afasta do que fomos. Meu senso cíclico e atômico aponta o seguinte: Luiz Gonzaga. Resgate. Geraldo Azevedo. resgate. Os repentes de gente que nunca saberei quem foi. resgate.
Hoje em dia o artista é dominado pela idéia de sobrevivência. E para tanto ele coloca na balança sua arte com a durabilidade de sua carreira. O efêmero da classe, a anarquia do pensamento está esquecida e não existe vanguarda que possa hoje enfrentar o capitalismo da intolerância. Porque a gente faz aquilo que gosta, mas não tão do jeito que quer. As vezes sim. As vezes a gente sofre.
A arte é um auto-retrato sem público. O público sintoniza ou não a essênciado que sente ao ver, ouvir, tocar algo belo, de arte.
Mas estou desacostumado com a negação da tradição. Eu mesmo, que não ouço bossa, acabo preferindo ela a qualquer modernidade eletrônica com três minutos e quinze segundos que engulo todos os dias nas fms do Brasil. E eu gostaria que minha música tocasse, não pelo apelo comercial somente, mas pela vontade popular. Já tocou Tim Maia, Alcione, Fagner, Jorge Ben. Mas eu prefiro os cancioneiros sertanejos nordestinos. O que eles devem praguejar sobre nossa juventude? Quais serão seus medos pois poetas sofrem?

domingo, abril 10, 2005

Além das portas da percepção - ordinattaire

Aprendi uma frase esta semana. Namu Amida Butsu. Repetí-la é criar uma ligação entre o ser e o existir. Ou não. Estou tomado pela idéia de que algo novo, inovador e belo está por vir. Pode ser uma música ou um quadro em uma exposição. Assim tem sido os novos shows do Maskavo. Para as pessoas mais atenciosas existe um tecladista no show novo. Por que?
A necessidade de mudar foi grande. Uma vez uma fã insistiu em dizer que fazíamos playback não tendo consciência de que usávamos um equipamento eletrônico para samplear e sequencear sons e ritmos com o que tocávamos. Mas o tempo passou e hoje estamos mais obstinados em melhorar tecnicamente o show. Um elemento humano a mais é instigante. É uma alma completa que vai explorar nossas canções e colocar algo pessoal, um tempero diferente, no arroz e no feijão. Eu aceito isso com muita fé e tudo está melhor desde tal decisão.
Namu amida butsu. Em Caçapava temos um público bastante fiel, caloroso e atencioso. Sempre me sinto bem ao saber que vamos tocar lá. Inclusive revemos amigos. É muito bom. Estava muito calor também. Aconteceu algo inusitado que eu gostaria de refletir sobre. Um rapaz aparentemente dopado ficava avacalhando a paz de todos a sua volta. Rodava a camisa, esbarrava em quem podia e agitava mais do que era necessário. Poxa, do palco não há o que fazer. Dá vontade de falar, mas a música é a melhor linguagem. Pena que afetou aquele cara de uma maneira muito estranha, a música, a festa e as luzes. Namu amida butsu pra ele também.